De todos os encontros e telefonemas mantidos por Lula após a eleição, a conversa de ontem com Sérgio Cabral foi a mais importante. Nem George W. Bush pedindo a Lula seu know-how eleitoral tem o efeito do bate-papo com Cabral. Com o apoio a Lula no segundo turno, o governador eleito do Rio assumiu um protagonismo político que aquele Estado havia perdido nos últimos anos. E Lula investirá nessa dobradinha, de olho no PMDB. O presidente não quer continuar refém da dupla José Sarney-Renan Calheiros. É em Cabral e no neo-lulista Geddel Vieira que o governo aposta para quebrar a resistência de Michel Temer, o presidente do PMDB que até no palanque de Geraldo Alckmin subiu. Mais do que pleitos do Rio, Cabral levou até Lula impressões colhidas junto a Temer, com quem se reuniu na véspera. Como o PMDB chama seu conselho político nas próximas semanas para decidir se adere ao governo, o Planalto não quer perder a oportunidade. Acena com até seis ministérios para ter o partido incorporado à base aliada e, assim, controlar cerca de 300 deputados. Lula também vai se reaproximar de Luiz Henrique e Roberto Requião, reeleitos em Santa Catarina e no Paraná. Ao cercar o PMDB por todos os lados - e com as devidas ofertas -, Lula faz, quatro anos depois, o que José Dirceu pregava no início de 2003: alia-se a um partido forte e bom de voto para se contrapor aos obstáculos criados pela oposição.
Íntegra da coluna de quarta-feira de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos







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