Lula tem pressa. Quer iniciar o segundo mandato embalado. Antes mesmo de anunciar os novos ministros, cobrou dos atuais medidas que estimulem o crescimento econômico. Lula pediu a Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) um plano de corte de gastos. Durante a campanha, Lula desviou do assunto e escondeu a tesoura. Sabe, porém, que o corte é necessário para promover o crescimento dentro da filosofia de manter a política econômica austera. A grande incógnita dessa equação é a permanência de Henrique Meirelles no Banco Central. Se ficar, como deseja, Meirelles perderá influência, já que a diretoria do BC deverá ser substituída. Mas o presidente do BC deixou claro que tem uma parcela na vitória de Lula ao conter a inflação e, com isso, aumentar o poder de compra do consumidor.
Por enquanto, Lula quer definir um rumo para o país nos próximos quatro anos. Só então pensará nas mudanças no ministério, que atingem principalmente as áreas de infra-estrutura, como Transportes, Saúde, Integração e Agricultura, todas elas cobiçadas pelo PMDB. O problema - mais uma vez - é que os petistas resistem em ceder espaço. Mas se quiser deixar um legado no segundo mandato, Lula terá de mudar áreas sensíveis que foram negligenciadas nos primeiros quatro anos, como a Defesa. Além da escassez de verbas, a pasta tem um titular, Waldir Pires, alheio a problemas como o que atinge milhares de brasileiros: as péssimas condições de trabalho dos controladores de vôo.
Íntegra da coluna de sexta-feira de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos


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