Aos poucos, Lula vai dando pistas sobre a formação do novo ministério. Ontem deixou nas entrelinhas que Fernando Haddad permanecerá na Educação. Haddad foi um dos poucos ministros-tampão que se sobressaiu com a reforma ocorrida antes das eleições. Outro que recebeu um coro de %22fica%22, ontem, no Palácio do Planalto, foi Gilberto Gil, o menestrel da cultura lulista.
Os acenos de Lula são indicativo também de que, desta vez, ele não abrirá espaço para derrotados como Olívio Dutra e José Fritsch. Sonha com nomes de respaldo como o do industrial Jorge Gerdau, que seria o substituto ideal caso se confirme a declaração de Luiz Fernando Furlan de que não permanecerá no governo.
A negociação mais complicada, sem dúvida, será com o PMDB. Um partido com muitas alas, todas em busca de espaço. Para ter o apoio da bancada peemedebista no Congresso, Lula está disposto, porém, a pagar um preço alto. E não só entregando ministérios. Jader Barbalho, por exemplo, que se tornou um interlocutor de luxo de Lula e com quem o presidente conversou ontem pela manhã, prefere o controle de estatais de peso, como a Eletrobrás e suas subsidiárias. É o mesmo interesse que levou os peemedebistas e também o PTB de Roberto Jefferson a ocuparem os Correios no primeiro mandato de Lula. Para quem não lembra, foi lá que estourou um dos primeiros escândalos do governo petista. Ou seja: de nada adiantará ter um Gerdau no ministério se as aves de rapina continuarem à espreita do governo.
Íntegra da coluna de quinta-feira de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos



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