
Ao mesmo tempo que divulgou a lista dos altos salários do Judiciário, Ellen Gracie recuou na proposta de aumentar o próprio contracheque e os de mais 14 integrantes do Conselho Nacional de Justiça. Além de identificar o problema dos supersalários, que obriga os tribunais de Justiça a se adequarem, também estava prevista ontem uma ida de Ellen ao Congresso. A ministra iria legislar em defesa do jeton que resultaria em um aumento de cerca de R$ 5 mil no bolso de cada um dos integrantes do CNJ, órgão criado justamente para coibir abusos do poder. A repercussão na sociedade foi tão negativa que até a proposta de aumentar o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também foi relegada a segundo plano. Diante do clamor, Aldo Rebelo acabou atendendo ao pedido de Ellen e não deverá colocar as propostas em votação este ano. Partiram dos ministros Guido Mantega e Márcio Thomaz Bastos, porém, as mais duras críticas à proposta de reajuste. O temor era em relação ao efeito cascata que a medida traria em toda a máquina pública. Por trás da reação dos ministros também está o receio de o governo ser alvejado junto com o Congresso por ter dois pesos e duas medidas. O aumento salarial - não só no Judiciário, mas também o pleiteado por parlamentares - viria após o Planalto trabalhar para derrubar o reajuste dos aposentados e o 13º para os beneficiários do Bolsa-Família, aprovado no Senado. Não que o governo não tenha agido com responsabilidade, mas o reajuste salarial de juristas e congressistas ficaria ainda mais acintoso se realmente a equipe econômica levar adiante a intenção de reduzir o valor do salário mínimo proposto no orçamento de R$ 375 para R$ 367.
Íntegra da coluna de quarta-feira de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos



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