Falta de tato. É o que se pode deduzir da discussão sobre os salários dos integrantes do Judiciário e do Ministério Público. A polêmica está se transformando em uma queda-de-braço com o governo Lula.
Ontem, o Conselho Nacional do MP praticamente partiu para a briga. Encarregado de fiscalizar as atividades de promotores e procuradores dos Estados, o órgão resolveu adotar um teto salarial igual ao dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - nada menos que R$ 24,5 mil. Hoje, o teto desses servidores é o mesmo do funcionalismo estadual, de R$ 22,1 mil.
Na prática, a decisão autoriza pagamentos acima do teto, uma semana depois de a ministra Ellen Gracie ter recuado de proposta semelhante. A presidente do STF recuou da intenção de levar à votação no Congresso um projeto que elevaria os vencimentos dos integrantes do Conselho Nacional de Justiça. O recuo de Ellen ocorreu depois da repercussão negativa na sociedade. A proposta ganhou mais rejeição depois que ministros, orientados por Lula, passaram a bombardear a medida. O temor do governo era que o reajuste expandisse ainda mais os gastos em 2007. Traduzindo: o aumento poderia resultar em um efeito cascata, afetando a economia e colocando em risco a promessa presidencial de crescimento de 5% no próximo ano. E dessa promessa de campanha Lula não abre mão.
Íntegra da coluna de terça-feira de Klécio Santos em Zero Hora
Postado por Klécio Santos



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