O Senado aprovou ontem uma resolução que termina com as sessões secretas na Casa. O próximo passo será tentar acabar também com o voto secreto, mas com se trata de uma emenda constitucional, desta vez a empreitada será mais difícil, exigindo o voto de três quintos dos senadores. Abaixo, a coluna publicada em Zero Hora de hoje pelo jornalista Klécio Santos
A Política do Cafuné
A discussão sobre o voto secreto dá pano para manga. Pode até ser legítimo o argumento de que o sigilo protege o parlamentar de pressões, mas também é uma forma de escondê-lo quando o assunto exige transparência. Renan Calheiros que o diga. Foi um dos maiores beneficiados pelo instrumento. O exemplo mais eloqüente foi o caso dos petistas que, no Conselho de Ética, onde o voto é aberto, aprovaram a abertura do relatório que pedia a cassação do alagoano. Já sob o manto do voto secreto, eles absolveram Calheiros em plenário. Agora, o senador distorce tudo ao dizer que o voto secreto é uma conquista da democracia. Óbvio, mas essa premissa vale para o eleitor, não para o seu representante. O eleitor tem direito de saber como vota seu parlamentar em questões fundamentais, que vão desde a prorrogação de um imposto como a CPMF até a cassação de Calheiros. E o parlamentar sabe que está sendo vigiado. Tanto que, questionado sobre por que tinha votado pela manutenção da CPMF, um deputado da base governista não se conteve: - Poxa, mas vocês só ligam para cobrar. Deputado gosta de cafuné.
É por essas e outras que a transparência é o melhor remédio. Basta ver o caso do julgamento dos envolvidos no escândalo do mensalão. Imagine se o voto de cada ministro do Supremo Tribunal Federal fosse secreto ou então um deles se abstivesse de julgar, como fez Aloizio Mercadante no episódio que livrou Calheiros da guilhotina. Quem perderia, aí sim, seria a democracia.
Postado por Sucursal Brasília
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