Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Vai ter que rebolar

03 de janeiro de 2008 0

Aumentar impostos, cortar investimentos. Não podia dar em outra coisa. O anúncio das medidas adotadas pelo Planalto para preencher o rombo da CPMF era o que a oposição queria para detonar mais uma guerrilha no Congresso. Ainda antes da derrocada do imposto do cheque, o presidente empenhou a palavra ao dizer não a reajustes de tributos. Só faltou contar que a promessa tinha validade. Acabou em 31 de dezembro de 2007, como disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Agora, Democratas e tucanos — que nunca descumpriram promessas enquanto foram governo, lógico — bradam aos quatro cantos: “Lula traidor”. Não bastasse o peso na carga, os cortes prometidos pelo governo mutilam em cheio as emendas coletivas de bancadas.

— É coisa de R$ 8 bilhões — diz o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Para oposição, não poderia ser melhor. Afinal, são os aliados que mais dependem de emendas para honrar compromissos nos Estados. Sem elas, até a base pode cerrar fileiras ao lado de opositores para defender os recursos no Congresso. Nesse ponto, entra em cena o próprio Jucá. Espinafrado pelo desempenho durante as negociações da CPMF, cairá no colo dele o pacote de cortes que o Ministério do Planejamento prepara para o fim do mês — coisa de R$ 20 bilhões. O presidente da Comissão de Orçamento do Senado, José Maranhão (PMDB-PB), não vê a hora de receber a proposta.

— Quero ver, porque não vai ter esse negócio de cortar emenda. A autonomia é nossa. O governo só pode sugerir, nós é que vamos aprovar — fala Maranhão, já antecipando o clima de guerra que virá.

Nos bastidores dos tempos de CPMF, Jucá foi chamado de “bananão”, fraco articulador. Agora, habilidoso ou não, caberá a ele a linha de frente na batalha para convencer os parlamentares a aprovar o orçamento de 2008 com as mudanças previstas pelo Planalto. Queimado na base por conta da derrota do imposto do cheque e torrado na oposição por ter avalizado a promessa do presidente, Jucá vai precisar de sorte. Ou será que vai pedir o boné?

Postado por Robson Bonin

Envie seu Comentário