
Não é nada fácil transformar em uma história palpável a leitores de todas as faixas de conhecimento, a batalha judicial que mobiliza, há mais de um ano, juristas contratados pelo governador Luiz Henrique da Silveira e pela Coligação Salve Santa Catarina, representante do ex-governador Esperidião Amin. A enxurrada de acórdãos, agravos de instrumento, ações cautelares, recursos extraordinários e toda a parafernália jurídica manuseada pelos advogados, às vezes, confunde o próprio trabalho dos jornalistas responsáveis pela cobertura desse caso em Brasília. Para tentar colocar em dia o que muitas vezes não cabe nas páginas dos jornais, aqui vai um relato dos principais momentos dessa polêmica disputa de tribunais que já acumula mil páginas de processo.
O motivo
O governador Luiz Henrique da Silveira responde a processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2006. A Coligação Salve Santa Catarina, autora da ação, acusa o governador de utilizar o mandato para influenciar jornais e emissoras de televisão a publicarem notícias positivas sobre a sua gestão (abuso de poder político). Luiz Henrique ainda teria influenciado na aprovação de um projeto de lei na Assembléia Legislativa, que isentou do pagamento de IPVA motocicletas de até 200 cilindradas, há semanas da eleição (abuso de poder econômico). Esses dois movimentos, argumenta a Salve Santa Catarina, teriam desequilibrado o pleito, o que justificaria a cassação.
O caso no TSE
Luiz Henrique chegou a estar a um voto da cassação, quando três ministros do TSE votaram a favor da perda do seu mandato na sessão de 14 de fevereiro deste ano. Uma semana depois, o julgamento foi anulado pelo então presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, que alegou a necessidade de incluir o vice-governador Leonel Pavan no processo, já que a eventual punição a Luiz Henrique prejudicaria Pavan.
O julgamento foi encerrado e a decisão de Mello publicada no Diário Oficial da União de 25 de março. No dia seguinte, os advogados do governador ingressaram com um recurso contestando o despacho, argumentando que a inclusão de Pavan no processo deveria ter ocorrido quando da citação de Luiz Henrique. O recurso foi analisado pelo próprio presidente do TSE, que apresentou um voto favorável ao arquivamento do caso na sessão de 5 de maio. A posição de Mello, porém, foi rejeitada por cinco votos a dois. Os demais ministros do TSE decidiram ouvir Pavan e levar o caso a julgamento.
Atualmente, o processo está no gabinete do ministro Felix Fischer. Relator do caso no TSE, Fischer acaba de receber a defesa de Pavan. O ministro deve convocar as testemunhas indicadas pelo vice-governador, analisar as novas provas apresentadas e redigir o voto que será submetido ao plenário do tribunal. Não há data para que isso ocorra.
A defesa de Pavan
Materializada em 57 páginas, a defesa de Pavan reescreve os argumentos de Luiz Henrique e conclui o texto tentando descolar Pavan do primeiro governo do colega. Os advogados destacam o fato de o vice ocupar uma cadeira de senador à época dos fatos, o que impediria Pavan de influenciar em possíveis irregularidades. Também uma lista com seis testemunhas — dirigentes de entidades de classe ligadas à comunicação, diretores de jornais e um deputado — e um pedido de perícia nas contas do Estado entre 2002 e 2006 são apresentados ao TSE.
Relembrando
No dia 20 de maio, o blog adiantou que a estratégia de Pavan no TSE seguiria três frentes de ação, que foram religiosamente aplicadas até a presente etapa do processo.
1 - Bombardear o TSE com recursos para protelar ao máximo a citação de Leonel Pavan. 2 - Utilizar a citação de Pavan para incrementar a defesa já apresentada por Luiz Henrique. 3 - Sustentar perante o TSE que Pavan era senador à época dos fatos e que nada teve a ver com o primeiro mandato de Luiz Henrique.
Conflito entre advogados
Do lado de Luiz Henrique, os advogados João Linhares e Eduardo Alckmin. Do lado de Pavan, o jurista Fernando Neves. Nos bastidores da batalha judicial no TSE, o trio vem se estranhando. Embora neguem o clima de hostilidade, os três discutiram quando Linhares quis apresentar um pedido sustando a intimação de Pavan, na última sexta-feira. Linhares protocolou o pedido mesmo assim. Depois, foi a vez de Neves divergir com a dupla ao insistir em indicar testemunhas no processo. Linhares e Alckmin não queriam, mas as testemunhas foram apresentadas. A batalha interna segue com a evolução do processo.
O que o STF rejeitou
A ação cautelar apresentada na quarta-feira pelos advogados do governador Luiz Henrique da Silveira no STF tinha o objetivo de interromper a tramitação do processo no TSE até que os ministros do Supremo julgassem o pedido de extinção do caso, que ainda não chegou ao STF. Em 24 horas, o ministro Ricardo Lewandowski analisou as 16 páginas do recurso e o rejeitou, determinando que a ação continue em tramitação na justiça eleitoral.
Postado por Robson Bonin





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