Leia a coluna de Klécio Santos, hoje em Zero Hora e Diário Catarinense
A surpresa com a rejeição do plano de socorro à economia norte-americana teve repercussões no Planalto. Pela manhã, Lula se reuniu com quatro ministros para avaliar a crise, entre eles Guido Mantega e Henrique Meirelles. O encontro, fora da agenda oficial, resumia a preocupação com crédito e comércio exterior, mas o cenário traçado era de otimismo, e o Planalto trabalhava, como todo mundo, com projeções de que o pacote seria aprovado.
A derrota de George W. Bush, solapando as bolsas no mundo inteiro, obrigou Mantega a improvisar uma coletiva na tentativa de tranqüilizar o mercado. Meirelles, por sua vez, chegou a interromper uma palestra para empresários em Belo Horizonte ao receber a notícia de que o Capitólio havia puxado o tapete de Bush. Era tudo que Lula não queria ouvir no dia em que batia mais um recorde de popularidade. Principalmente por se tratar de uma semana eleitoral decisiva. O governo planeja massacrar seus adversários nas urnas. Lula deseja evitar um ambiente de nervosismo, principalmente no setor que anaboliza os indicadores de aprovação do seu governo. Por mais que a área econômica tente amenizar o impacto da crise, a avaliação é de que hoje não dá para assegurar que o Brasil ficará incólume. O temor dos empresários é com a escassez de crédito, em especial para o financiamento das exportações. No governo, cogita-se uma revisão dos gastos públicos, afetando diretamente os investimentos em infra-estrutura.
A primeira vítima pode ser o PAC, apesar da veemência com que Lula negou tal hipótese. Se com a economia às mil maravilhas o principal programa do governo não anda na velocidade exigida, imagina agora. Não à toa, Lula deixa o clima de eleição de lado e na quinta-feira se reúne com sua equipe para avaliar o andamento das obras de sua vitrina eleitoral para 2010.
Postado por Sucursal Brasília








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