Leia a coluna de Klécio Santos, publicada em Zero Hora e Diário Catarinense
Na tentativa da almejada reconciliação com a opinião pública, Michel Temer colocou um freio na farra das passagens e demonstra disposição para rever os demais benefícios concedidos aos parlamentares. O pacote moralizante, contudo, abriga uma justificativa para algo que os deputados há muito tempo desejam: reajustar os próprios vencimentos. Ao eliminar alguns penduricalhos salariais, a Câmara teria pista livre para alcançar o teto do funcionalismo público: R$ 24,5 mil.
Sob o falso discurso da economia, está em curso uma iniciativa perdulária. Tudo porque os salários de deputados estaduais e vereadores são vinculados ao valor pago aos congressistas. Teríamos um efeito cascata em todos os parlamentos do país. Em vez de mexer nos contracheques, a comissão criada por Temer faria uma grande benefício à nação se deixasse claro que a verba indenizatória de R$ 15 mil mensais não pertence aos deputados.
As distorções são tantas que ninguém mais tem parâmetro ético. Até o deputado Edmar Moreira, dono de um castelo de R$ 20 milhões que foi flagrado apresentando notas de despesas contraídas junto às próprias empresas, ontem exigia anistia da Câmara. Ameaçado de cassação, ele argumenta que à época inexistia qualquer norma proibindo tal prática. Quer pegar carona no bloco dos deputados voadores, todos perdoados pela farra cometida com a cota aérea.
Postado por Sucursal Brasília




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