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Governador interino distribui aumentos

27 de março de 2010 1

A suspeita de corrupção que paira sobre o Poder Executivo do Distrito Federal há quatro meses não impediu o governador em exercício, Wilson Lima (PR), de abrir o cofre para aumentar os salários dos servidores públicos. Um projeto de reajuste que atinge 20 carreiras vai beneficiar 100 mil funcionários.
Candidato a governador efetivo nas eleições indiretas de 17 de abril – para substituir o cassado José Roberto Arruda, envolvido no mensalão do DEM –, Wilson Lima distribuiu, em 45 dias de interinidade, um pacote de bondades aos servidores.
Antes de entregar à Câmara Legislativa a proposta de reajuste para 20 carreiras, Lima deu a boa notícia a outros três setores. Concedeu aumento a professores (10%), dentistas (18%) e funcionários do Detran-DF (6%), aumentando em R$ 227 milhões a folha de pagamento do Executivo.
E não parou por aí. Um dia depois, enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um texto para aumentar em 33% os salários dos policiais militares, civis e bombeiros. Os PMs do DF já são os mais bem pagos do país. Um coronel de Brasília chega a ganhar, no mínimo, R$ 15,4 mil mensais, enquanto a mesma função em Pernambuco é de R$ 6,3 mil, segundo dados da Confederação Nacional de Municípios.
O aumento para essas três carreiras passa pelo governo federal porque os recursos são oriundos do Fundo Constitucional do DF. Se for aprovado, o reajuste vai gerar um impacto de R$ 1,1, bilhão até 2012.
O movimento de Wilson Lima não garante votos dos servidores na eleição indireta porque só os deputados poderão votar. Mas aumenta, a favor de sua candidatura, a pressão por parte de um grupo considerável de eleitores do DF. Os servidores públicos são uma classe com forte influência em Brasília.
Em documento enviado à Câmara, Lima tentou explicar os motivos do pacotão de aumentos. “Busca o aperfeiçoamento contínuo da prestação de serviços oferecidos pelo governo distrital, a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida por meio de uma remuneração digna, condizente com a natureza e a complexidade do trabalho desempenhado por cada servidor”.
Para entrar em vigor ainda este ano, os projetos de reajuste precisam ser votados e sancionados até 6 de abril (180 dias antes da eleição), conforme determina a Lei Eleitoral.

Comentários (1)

  • Pedro de Quadros Du Bois diz: 27 de março de 2010

    O texto, para ser completo, devia conter a apreciação crítica do comportamento da Câmara Distrital. Não a tendo feito, torna-se, apenas, mera panfletagem contra o governador interino. Uma lástima. Assim, mesmo que concorde com as colocações, sinto mal estar por seu facciosismo.

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