O Rio Grande do Sul será, até o desfecho da eleição para a Presidência da República, um dos redutos mais complexos para as campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).
Os dois pré-candidatos, que voltaram ao Estado ontem, para participar do 26º Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, em Gramado, são desafiados por particularidades regionais e um delicado imbróglio representado pelo assédio ao PMDB local.
Olhando de longe, mas sempre atento aos movimentos dos candidatos no Rio Grande do Sul, o cientista político Carlos Ranulfo Melo, da Universidade Federal de Minas Gerais, resume assim a disputa pelos votos dos gaúchos:
– Aí são exacerbadas as diferenças, e se acentua a falta de racionalidade entre alianças nacionais e regionais.
Aqui, em 1994 e 1998, Luiz Inácio Lula da Silva venceu o tucano Fernando Henrique Cardoso – apesar de ter perdido a eleição. Em 2002, Lula também venceu Serra no Estado nos dois turnos. Mas perdeu para outro tucano, Geraldo Alckmin, nos dois turnos de 2006. O quinto colégio eleitoral do país é também o que mostra índices de aprovação do governo Lula abaixo da média nacional.
Ranulfo Melo observa que esta é uma das razões que levaram, em fevereiro, Dilma a procurar aproximar-se do PMDB, em encontro com o prefeito José Fogaça, mesmo que isso significasse constrangimentos para o PT regional:
– Dilma fez o que Serra também iria fazer. Na verdade, o PMDB fez uma aliança nacional em que só vai na boa, pois não há apoios concretos dos peemedebistas nos grandes Estados aos candidatos do PT.
Para o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, da coordenação da campanha de Dilma, o Estado é decisivo para que a candidatura se consolide, e as ações envolvem também a tentativa de aproximação com o PMDB estadual.
– O projeto (de eleição de Dilma) é maior, extrapola a questão regional – diz Vanazzi, anunciando que, se for convidada, a candidata participará do lançamento da candidatura de Fogaça, assim como estará dia 26 de junho na oficialização do nome de Tarso Genro (PT).
O deputado Claudio Diaz, presidente do PSDB gaúcho e membro do conselho político de Serra, entende que os movimentos são intensos no Estado porque Dilma antecipou a campanha. Diaz prefere não comentar um desses movimentos – a reunião de Serra com deputados do PMDB, na semana passada, que quase provocou uma crise entre peemedebistas e o PDT, aliado de Fogaça na eleição ao governo:
– Este é um problema de Carlos Lupi (presidente nacional licenciado do PDT) com o PMDB. Não vamos fomentar nada, mas cuidar dos nossos coligados.
Diaz não sabe dizer quando Serra voltará ao Estado, porque o tucano decide o que fará com no máximo 48 horas de antecedência.









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