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Posts do dia 7 junho 2010

“É melhor eu sair fora e levar comigo esse negócio”

07 de junho de 2010 6

Entrevista: Luiz Lanzetta, jornalista que teria negociado contratação de investigação sobre Serra

Apontado como o mentor da equipe de inteligência da campanha de Dilma Rousseff (PT), o jornalista Luiz Lanzetta diz estar disposto a ser interrogado sobre o episódio do dossiê contra José Serra (PSDB). Na madrugada de sábado, tão logo leu a entrevista do delegado aposentado Onézimo Souza à revista Veja, Lanzetta escreveu uma carta à direção do PT oficializando seu desligamento da campanha.

Nascido em Pelotas, Lanzetta se formou em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas. Trabalhou no município e depois em Florianópolis, São Paulo e Rio, até chegar a Brasília. Em 2004 fundou a Lanza Comunicação e Estratégias Políticas, que presta serviços de publicidade, relações públicas e assessoria de imprensa, com sede no Distrito Federal.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone ontem à tarde, Lanzetta também afirma que Onézimo fazia parte de um “esquema de espionagem” do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ). Procurado por ZH para comentar as declarações, Itagiba não foi localizado.

Zero Hora – A sua saída da campanha é uma decisão pessoal ou pediram para o senhor sair?

Luiz Lanzetta – Ninguém pediu para eu sair. Se isso tivesse acontecido, até porque esse problema está ocorrendo há mais tempo, já teriam me demitido. Essa decisão foi minha. Não dava mais para ficar lá. Eu estava pressionado por gente de dentro e de fora. Com as entrevistas desses dois agentes (o delegado Onézimo Sousa e o militar Idalberto Matias de Araújo), ficou claro que eu não tenho contrato com ninguém.

ZH – Alguém do comando do PT sabia da reunião no restaurante Fritz?

Lanzetta – Foi um processo de que só eu participei. Ninguém sabia e eu pensei que tinha se encerrado quando eu fui embora do restaurante aquele dia. Agora reapareceu com vários interesses, alimentando uma crise que não existe. Em vez de ficar me defendendo, eu quero esclarecer. Mas as crises políticas independem se a origem é real ou não. Então é melhor eu sair fora e levar comigo esse negócio.

ZH – Mas por que vocês chamaram os agentes para a reunião?

Lanzetta – Eu não chamei. O cara (Onézimo) é que queria conversar com a gente, e eu quis saber o que ele ia contar. Ele contou várias coisas e eu fui embora. Eu sou jornalista, não sou um quadro da campanha, então fui lá saber uma coisa que me interessou.

ZH – O senhor não teme ser convocado por alguma comissão do Congresso, como deseja o PSDB?

Lanzetta – Eu quero ser convocado. Por que temeria? Não tenho nada a esconder.

ZH – O senhor aceitaria participar de uma acareação com o delegado Onézimo Sousa?

Lanzetta – Eu quero. Nós somos quatro testemunhas contra um. Espero até que o delegado tenha gravado a reunião. Lá, ele nos contou todo o esquema do (deputado federal pelo PSDB do Rio) Marcelo Itagiba de espionagem, pró- PSDB. Espero que ele tenha gravado e mostre toda a fita da conversa.

ZH – Vocês não gravaram nada?

Lanzetta – Não gravei nada. Eu fui lá para ouvir. Posso contar essa história em qualquer lugar, mas tem que ir todo mundo que estava na reunião. Os cinco que estavam lá. E eles têm de contar tudo o que contaram para a gente, inclusive nome por nome dos caras que trabalham para o Marcelo Itagiba e que ficam espionando todo mundo.

Espionagem tumultua campanha

07 de junho de 2010 1

A polêmica em torno da suposta montagem de um grupo de espionagem no comitê de Dilma Rousseff (PT) provocou a primeira baixa na equipe petista. Apontado como o responsável por encomendar um dossiê contra José Serra (PSDB), o jornalista gaúcho Luiz Lanzetta pediu afastamento da chefia de comunicação da campanha.
Com a saída de Lanzetta, o PT espera diluir a crise no QG de campanha, no momento em que Dilma aparece em ascensão nas pesquisas. A oposição, contudo, irá ingressar com representações no Ministério Público Federal, na Justiça Eleitoral e na Polícia Federal. O PSDB pedirá ainda que os arapongas envolvidos na suposta operação sejam convocados a depor no Congresso.
O ambiente no comitê petista está contaminado desde o final de abril, quando os chefes da campanha tomaram conhecimento de que Lanzetta estaria montando dossiês contra políticos tucanos e investigando até mesmo correligionários. Tudo começou em uma reunião no dia 20 de abril, no restaurante Fritz, em Brasília. Lanzetta compareceu acompanhado do empresário Benedito de Oliveira, que tem contratos milionários com o governo, e do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que está concluindo um livro sobre privatizações no governo Fernando Henrique (1995-2002) a ser lançado após a Copa.
Os interlocutores do trio eram duas figuras controversas, do submundo da arapongagem em Brasília: o delegado aposentado da PF Onézimo de Souza e o sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, ex-agente do serviço secreto da Aeronáutica.
O real teor da conversa ainda é um mistério. Lanzetta diz que Onézimo e Dadá se ofereceram para monitorar políticos tucanos, inclusive por meio de grampos telefônicos. Os agentes negam a oferta. Afirmam que o pedido partiu de Lanzetta, e que a espionagem deveria se estender a integrantes da campanha petista. As versões só coincidem quando todos os envolvidos dizem que o negócio não prosperou.
Por trás do episódio está uma disputa de poder no comitê petista. Amigo pessoal de Dilma, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel está envolvido numa briga com o vice-presidente do partido, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP). Embora Falcão seja o coordenador oficial da comunicação de campanha, foi Pimentel quem contratou a Lanza Comunicação, empresa de Lanzetta, com quem já havia trabalhado nas eleições municipais de 2008. Desde então, Falcão estaria boicotando Lanzetta, com o objetivo de substituir a Lanza pela empresa de um amigo, o também petista Valdemir Garreta.

A íntegra da reportagem você lê aqui