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PMDB pode ter chapa pura em SC

23 de junho de 2010 3

FABIANO COSTA

Ameaçado de intervenção pela executiva nacional, o comando do PMDB no Estado recuou e decidiu desembarcar do palanque de Raimundo Colombo (DEM). Após um dia tenso e repleto de reuniões em Brasília, os dirigentes apresentaram como alternativa os nomes de Mauro Mariani e de Paulo Afonso como pré-candidatos à disputa pelo governo estadual.
A solução foi costurada pelos líderes catarinenses em razão da pressão do presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), para que o partido cumprisse com o acordo firmado, há duas semanas, com a ex-ministra Dilma Rousseff (PT).
Na ocasião, Eduardo Pinho Moreira teria se comprometido com Temer a garantir um segundo palanque para a candidata petista em Santa Catarina. Pela manhã, Temer convocou seu grupo político para intimidar a comitiva catarinense. Escudado por Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR), o candidato a vice-presidente na chapa de Dilma cobrou uma posição definitiva sobre o imbróglio no Estado.
A portas fechadas, em uma sala da residência oficial do presidente da Câmara, os catarinenses tentaram se justificar. Para desfazer a impressão de que teria traído Temer ao rasgar o compromisso de ceder o palanque peemedebista para Dilma, Pinho Moreira reclamou que a senadora Ideli Salvatti (PT) não havia garantido um eventual apoio a ele no segundo turno. Dizendo-se isolado, explicou que não teve outra saída a não ser abrir mão da candidatura ao governo.
Apesar do tom impassível, Temer rebateu Pinho Moreira. O presidente da Câmara cobrou um aviso prévio à direção nacional, postura que poderia resultar em uma mobilização dos dirigentes, a exemplo do que havia ocorrido em Minas e no Maranhão.
– Agora, é preciso garantir o compromisso assumido com o PT. Não há condições de haver retrocesso.
Respaldado pelos caciques do partido, Temer avisou que, para evitar a destituição da executiva estadual, ou o PMDB retomava a candidatura própria ou ficava neutro. Principal artífice da aliança com Colombo, Luiz Henrique levantou a voz e desafiou o presidente da Câmara.
– Essa imposição é um desrespeito ao PMDB catarinense. Se é assim, também tem de haver intervenção no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso – advertiu o ex-governador, referindo-se a outros estados onde o PMDB resiste em seguir a orientação nacional.
Incomodado com a declaração de Luiz Henrique, o deputado Eunício Oliveira (CE), aliado de Temer, rebateu a crítica e deu início a um bate-boca. Para evitar que os ânimos se exaltassem, Temer interveio:
– Vamos buscar o equilíbrio.
Às 12h50min, depois de quase duas horas de discussões, os catarinenses pediram a Temer um tempo para debater as alternativas, comprometendo-se a dar uma resposta até o final do dia. Tinha início, então, uma série de articulações para evitar a destituição da direção estadual. Somente por volta das 20h, os catarinenses voltaram a falar com Temer.
Reunidos na sede do partido, sugeriram a manutenção da candidatura própria. Além de Mariani e Afonso, o deputado Edison Andrino, já inscrito como pré-candidato, também foi citado como alternativa. Caso seja confirmada na convenção, a chapa pode reunir alas dissidentes no PMDB.
Obrigado a recuar, Moreira cogitou a renúncia à presidência do partido no Estado. Temer gostou das propostas dos catarinenses, mas manteve a desconfiança sobre o diretório. Nova reunião ocorre na manhã de hoje.
– O presidente quer continuar ouvindo e conversando – disse um interlocutor de Temer.

Comentários (3)

  • Pedro diz: 23 de junho de 2010

    Caro Fabiano, seu texto “tenta” isolar o PMDB em “caciques” e “temer”. No entanto, mal e mal descreve a fala do Temer, quando cobra do Moreira (o traíra) o fato de ele – apenas avisando ao Pavan e ao Colombo – ter feito todo esse “remelexo”. Então, agora, a despeito da empáfia do LHS, como sempre pensando apenas no seu umbigo, quem está cobrando o posicionamento é a executiva do PMDB, lá representada, óbvio (e não obóveo Colombo), por aqueles dirigentes partidários. Mais isenção, Fabiano, por favor.

  • Pedro Edilson diz: 23 de junho de 2010

    srs. tenho acompanhado todo esses desdobramentos, mas parece que o senhor Michel temer não acompanha a política de sc, é bom avisar ele que o sr. Luiz Henrique só foi governador por duas vezes porque teve o apoio do Senador Raimundo Colombo, não seria hora de retribuir o apoio recebido. se isso não acontecer, é bom que DEM e PP se unam denovo,ai é só avisar o Temer qual o resultado que dará.

  • Pedro diz: 25 de junho de 2010

    O comentário do sr. Pedro Edilson dá bem a medida da “política” praticada em Santa Catarina: a de uma mão suja a outra. Creio que o Brasil e Santa Catarina são bem maiores do que essa mesquinharia que, ano após ano, está aniquilando o estado catarinense. Política é o bem público, não ação entre “amigos”.

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