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Espionagem no RS: MP apura ligação de políticos e bicheiros

08 de setembro de 2010 2

da Zero Hora

A investigação do Ministério Público (MP) que resultou na prisão do sargento César Rodrigues de Carvalho, lotado na Casa Militar do Palácio Piratini, encontrou indícios de que ele era o elo de políticos com donos de caça-níqueis e bicheiros. O policial militar faria parte de uma rede de interesses que envolvia não só espionagem de adversários políticos do governo estadual e proteção a aliados, mas também negócios com contraventores visando a benefícios financeiros para o grupo.
Essa rede trataria de inibir a repressão à contravenção, uma estratégia que envolvia a transferência de policiais para determinadas localidades a fim de garantir que fariam vistas grossas ao jogo. Relatórios que constam da investigação referem, por exemplo, que um oficial com histórico de repressão a jogos de azar teria sofrido pressões.
O MP apura circunstâncias de reuniões entre Rodrigues, pessoas envolvidas em jogos de azar, servidores ligados ao Piratini e até políticos. Em um depoimento que consta da investigação, uma testemunha disse: “Quando foi para a Casa Militar, Rodrigues seguiu pegando dinheiro. Rodrigues passou a articular reuniões entre bicheiros, maquineiros e políticos”.
Outro trecho do inquérito do MP destaca que “a oitiva das ligações captadas dos telefones de Rodrigues indica que este prestava favores a diversas autoridades, havendo indicação de que o sargento executava atividades ilegais a pedido de tais pessoas”.
Segundo o promotor Amilcar Macedo, que comanda as investigações, uma das linhas do trabalho agora é identificar quem compunha essa rede de relações do sargento. Monitoramento com autorização judicial indicou que Rodrigues tinha contatos frequentes, por exemplo, com assessoras diretas da governadora Yeda Crusius.
Em interceptações telefônicas, Rodrigues aparece falando com pelo menos uma assessora do Piratini, a jornalista Sandra Terra. Quando a investigação em relação a ele já era de conhecimento da cúpula da Brigada Militar e do governo, foram captadas ligações em que o sargento trata com a assessora sua permanência na Casa Militar. Também há ligações em que é citada outra assessora de Yeda, Walna Vilarins Meneses. O monitoramento do MP detectou que a exoneração de Rodrigues chegou a ser adiada por interferência de assessores do Piratini.
No pedido de prisão preventiva feito pelo MP à Justiça, há um questionamento: “Ora, o que pode ligar um sargento às duas assessoras diretas da governadora? Por qual motivo Rodrigues é tão protegido pelo alto escalão do governo?” (veja ao lado).
A assessoria do Piratini informou que apenas o comandante da Brigada Militar, João Carlos Trindade, se manifestaria sobre o caso. Contatado por Zero Hora, ele não atendeu às chamadas.

Comentários (2)

  • Pedro diz: 8 de setembro de 2010

    Será que finalmente o ZH irá dar ao caso a amplitude política que ele tem? Quase inacreditável, mas, se acontecer, aplaudo. E, tenham certeza, a “rede” é muito maior do que sonham – em vão – os criminosos hoje abrigados em desgovernos.

  • Daltro Luiz diz: 11 de setembro de 2010

    Não dá para entender mais nada…
    Em dado momento o Sargento Rodrigues extorquia os contraventores e em outro momento negociava beneficios para eles…
    Acho que o segundo esta reportagem Promotor Amilcar esta falando demais, talvez querendo os holofotes aproveitando o momento eleitoral.
    Quanto ao Sargento falar ao telefone com outros funcionários do Palácio, e assessores da Governadora,isto é perfeitamento normal pois ele trabalhava lá….
    Ainda exijo que apresente provas de que o sargento extorquia contraventores…
    A propósito qual o contraventor que esta preso?
    Resposta com o Sr. promotor.

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