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Sargento colecionava dados de criminosos

08 de setembro de 2010 2

da Zero Hora

Muito mais do que um mero subalterno na escala inferior da hierarquia da Brigada Militar, o sargento César Rodrigues de Carvalho, 38 anos, fez carreira como um faz-tudo das polícias. Vinculado à BM, ele transitava entre policiais civis e federais. Era – e ainda é – prestigiado como um dos melhores investigadores gaúchos. Aquele tipo de sujeito que trafega pelo submundo com desenvoltura, tendo conhecimentos acumulados em duas décadas de construção de uma rede de informantes.
Rodrigues é PM só no contracheque. Foi indicado para a Casa Militar, em julho de 2008, fato que causou ciúme em alguns tenentes e capitães, que geralmente ocupavam o cargo. Em 2008, alcançou respeito de delegados da Polícia Civil e agentes da Polícia Federal (PF).
A parte mais bem sucedida da carreira construiu sem usar farda – ninguém lembra da última vez que o viu de uniforme. Era ligado aos serviços reservados da BM, as P2 dos batalhões. Natural de Porto Alegre, Rodrigues tem como base o 15º BPM, em Canoas, onde foi soldado e chegou a sargento. Orgulha-se de conhecer quase todos os bandidos. Com memória para reconhecê-los, chegou a prender alguns deles fazendo compras em shoppings, na folga.
Nas horas vagas, o sargento tem o hábito de montar arquivos pessoais com fotos e históricos de criminosos, e costuma acompanhar o paradeiro deles pelo Consultas Integradas. Quando descobria que o bandido já havia fugido, pesquisava no sistema o endereço de familiares do criminoso, onde o bandido era encontrado.
Como homem do serviço reservado da BM, tinha função de vigiar policiais suspeitos de corrupção. Contribuiu, por exemplo, com informações para identificar uma quadrilha composta por seis ex-militares e que se especializou em atacar bancos e usar clientes como escudo.
O sargento participou ainda da operação Cova Rasa, na qual foram identificados traficantes e assaltantes responsáveis por mais de 50 homicídios, ordenados das cadeias.
Como Rodrigues atua? Além do contato pessoal com policiais e marginais, o sargento domina a informática. É craque em pesquisar a teia de relações que marca a bandidagem – quem anda com quem, quem é parente de quem, quem domina que áreas. Conhece endereços, nomes, telefones. Sabe que recursos buscar na internet (contas de luz e água, telefones, e-mails). Mais do que isso: detinha uma senha privilegiada, que dá acesso a informes reservados sobre crimes ainda sem inquérito concluído.
– Ele nos ajudou demais em investigações. É um expert em uso do computador, sabe os atalhos. Vários assaltos foram resolvidos graças ao Rodrigues – elogia o delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos e Extorsões da Polícia Civil.
Rodrigues nunca escondeu ser um fiel guardião dos que o colocaram no Piratini. Fazia levantamentos de locais onde a governadora passaria, verificava possíveis focos de tensão, prevenia distúrbios, serviço que cabe aos integrantes da Casa Militar. Aos amigos, recomendava apoio a determinados candidatos da base do governo. Sem militância partidária, era fiel a quem lhe deu emprego. Com a prisão por suposta extorsão a bicheiros, teve tornada pública uma face até então oculta.

Comentários (2)

  • waldemar krajeski filho diz: 8 de setembro de 2010

    Bota ele para cabo elitoral para o Serra.

  • Daltro Luiz diz: 11 de setembro de 2010

    Olha Waldemar
    O assunto não é para brincadeira, é muito sério.
    O tempo vai nos dizer se o Sargento César, é “mocinho ou bandido”.
    Tenho certeza que por muito tempo ele foi mocinho, se virou bandido vai ter que responder pelos seus atos.
    Pela sua ficha funcional e pelos relevantes serviços prestados com certeza entre a acusação dos contraventores e ele, acredito sempre nele.
    As provas é que nos dirão a verdade. Ninguém deveria de ser punido sem provas….

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