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Posts de outubro 2010

Voto em trânsito sem filas

31 de outubro de 2010 0

Em contraste com as longas filas registradas no primeiro turno, os eleitores que se habilitaram para votar em trânsito em Brasília na segunda rodada foram surpreendidos com um ambiente tranquilo. Para evitar tumultos, desta vez o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pulverizou as seções pelos corredores da universidade escolhida para receber os migrantes de outros Estados.

A medida reduziu o tempo médio de votação de uma hora para cerca de cinco minutos. Além disso, o TSE mobilizou mais mesários para atuar na votação. Quase 8 mil pessoas se inscreveram para o voto em trânsito neste domingo em Brasília. Do total, 414 são gaúchos e 201, catarinenses.

Casos insólitos da eleição

31 de outubro de 2010 0

Em dia de eleição, acontece de tudo. Em Minas Gerais, uma mulher foi presa por insistir em votar antes das 8h. Em Goiás, uma mesária chegou embrigada para trabalhar. Em Pernambuco, ladrões invadiram um cartório eleitoral e surrupiaram R$ 13 mil. Os servidores da Justiça Eleitoral fizeram uma vaquinha e conseguiram reunir R$ 10 mil.

Serra ainda não votou

31 de outubro de 2010 1

Por Humberto Trezzi, enviado especial da Zero Hora a São Paulo

O candidato oposicionista à presidência da República, José Serra (PSDB), inverteu o ritmo no último dia da campanha. Ao invés de carreatas, passeatas, comícios e peregrinações de 20h diárias por várias cidades, o presidenciável tucano optou pelo silêncio. Desde as primeiras horas de domingo repousa em sua casa, numa tranquila rua sem saída no bairro Alto de Pinheiros, Zona Sul de São Paulo. Não saiu, não falou, não ofereceu café da manhã para os repórteres, não recebeu correligionários. Aliás, chama a atenção o fato de que não existem bandeiras do PSDB ou qualquer faixa referente à campanha política, nas imediações da elegante residência do candidato.

— O homem aproveitou para dormir bastante e se concentrar — relata um confidente do presidenciável tucano.

A previsão é que Serra saia para votar por volta das 11h. Será no Colégio Santa Cruz, na Rua Orobó, perto da sua residência, também no Alto de Pinheiros. Deverá estar acompanhado do governador eleito José Alckmin (PSDB) e do candidato a vice-presidente da República na chapa oposicionista, Indio da Costa (DEM).


Dilma vota em 10 segundos em Porto Alegre

31 de outubro de 2010 0

Dilma Rousseff (PT) chegou à escola Escola Estadual Santos Dumont, no bairro Assunção, para realizar seu voto por volta das 9h08min. Ela e o governador eleito Tarso Genro votam na mesma seção na Capital. Os dois demoraram cerca de 10 segundos para realizar o voto.
Mais cedo, às 8h15min, no Plaza São Rafael, em Porto Alegre, a petista participou de um café da manhã junto a cerca de 200 apoiadores. Ao lado do ex-governador Olívio Dutra, do governador eleito Tarso Genro e de outros líderes petistas, ela fez uma breve declaração antes de se dirigir à mesa onde era servido o café da manhã:
— Este é o processo que torna os eleitores senhores do processo da direção do Brasil. Quero dizer que a partir de amanhã começa uma nova etapa da democracia. Os eleitores têm de exigir que as pessoas que assumam a direção do país tenham sentido republicano.

Eleição custa R$ 3,8 bilhões

31 de outubro de 2010 0

Leia a reportagem produzida pela ONG Contas Abertas, especializada em finanças públicas, sobre os gastos da Justiça Eleitoral em 2010:

A democracia brasileira não tem preço, mas os gastos da Justiça Eleitoral já atingiram a cifra de R$ 3,8 bilhões neste ano. O montante é 37% maior que os gastos verificados entre janeiro e outubro de 2006, quando os órgãos eleitorais desembolsaram juntos cerca de R$ 2,8 bilhões, em valores atualizados. Os recursos envolvem despesas dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), além do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Fundo Partidário, destinado à manutenção dos partidos políticos.
Quase toda a verba gasta neste ano foi para o programa de gestão do processo eleitoral, de onde saem recursos para ampliação, manutenção e construção dos edifícios dos TREs e cartórios eleitorais, além de despesas com servidores – remuneração, previdência, assistência médica, auxilio transporte e alimentação. O programa contempla, ainda, os recursos destinados a realização das eleições, desde o processo de planejamento até o resultado final, incluindo gastos com pessoal e outros.
De acordo com informações do Sistema Integrado de Administração Financeira do governo federal, o Siafi, a preparação das eleições, incluindo a atualização e manutenção do sistema de votação e apuração, já custou à Justiça Eleitoral, até o último dia 28, cerca de R$ 513 milhões. A previsão no orçamento é de R$ 844 milhões, mas a expectativa é de que o gasto não alcance este valor. Durante todo o ano de 2006, foram gastos R$ 562 milhões (valor corrigido) com o transporte e compra de urnas, aquisição de sistemas de transmissão de dados via satélite, mesários, campanhas de esclarecimento, dentre outras despesas.
Na comparação entre os dez primeiros meses de 2006 e 2010, é possível observar que todos os órgãos eleitorais aumentaram suas despesas. Percentualmente, os TREs do Espírito Santo, Amapá, Paraná e Pará foram os que tiveram maior salto – acima de 50% – nas despesas. Em valores, o crescimento maior foi registrado no próprio TSE, com R$ R$ 256 milhões de gastos a mais que nos primeiros dez meses da última eleição geral. Em seguida, aparece o TRE de São Paulo, onde a diferença entre os dois períodos é de R$ 105 milhões.


Sem rodeios

31 de outubro de 2010 0

- Único expulso pelo PT no escândalo do mensalão, Delúbio Soares agora é colunista de jornal. O ex-tesoureiro escreve em um pasquim distribuído nas sinaleiras de Brasília

- Outro personagem dos subterrâneos que ressurgiu foi o ex-senador Luiz Estevão. Dono do Brasiliense, Estevão abandonou o time, prestes a cair para a Série C do Brasileirão, e deu as cartas na campanha de Weslian Roriz ao governo do DF

- Classificado por ex-ministros como “um diamante” do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay tem se revelado uma bijuteria. Depois do suposto desabafo no qual reclama das encomendas de dossiês, o secretário nacional de Justiça agora foi flagrado empregando a mulher na Casa Civil

Casa mal-assombrada

31 de outubro de 2010 0

Um novo fantasma assombra o PSDB. Depois que o ectoplasma Paulo Preto provocou calafrios nos tucanos com o suposto sumiço de R$ 4 milhões da campanha presidencial, o motivo de pavor agora atende pelo nome de José Luiz Portella. Secretário estadual de Transportes Metropolitanos em São Paulo, Portella esteve à frente da licitação de R$ 4 bilhões para as obras do metrô paulista. A licitação foi suspensa depois das suspeitas de fraude.

Primeiro-ministro

31 de outubro de 2010 0

Não há pessoa mais influente junto a Dilma Rousseff do que Antonio Palocci. Ela não dá um passo sem antes consultar o deputado, eminência parda da campanha petista. Se as urnas consagrarem Dilma neste domingo, Palocci será uma espécie de primeiro-ministro.
Diante de uma presidente sem o jogo de cintura e o pragmatismo de Lula, caberá a Palocci o papel de interlocutor do Planalto junto ao PT, ao Congresso e aos representantes do PIB. Não importa qual pasta irá ocupar (Casa Civil, Fazenda ou Saúde), o médico e dono do cofre na primeira gestão de Lula terá um lugar ainda mais central em um eventual governo Dilma.

Veneno, sombra e adeus

31 de outubro de 2010 0

Por Klécio Santos

A reta final da eleição derrubou de vez o sofisma de que o segundo turno serve para aprofundar o debate de propostas. Em vez disso, o que se viu foi um esvaziamento das discussões políticas. Todas as movimentações de Dilma Rousseff e José Serra tiveram um único propósito: tirar votos do adversário e angariar a simpatia dos indecisos. A troca beligerante de acusações saturou o eleitor. Em parte, isso explica a vantagem de Dilma, uma candidata cuja máquina eleitoral abriga um ingrediente ainda incompreendido pela oposição. Trata-se de uma nova sociedade de consumo, uma pirâmide na qual a base concentra as 13 milhões de famílias contempladas pelo Bolsa-Família. Ninguém melhor do que Lula entendeu esse fenômeno. Tão logo o Fome Zero deu sinais de naufrágio, Lula criou o benefício e determinou que os cartões fossem emitidos em nome da mãe. Assim, evitou que o dinheiro fosse gasto no bar, e sim no supermercado. Embora o crescimento econômico dos últimos anos tenha resultado em um aumento do consumo em todos os estratos sociais, é entre os mais pobres que Dilma garante sua vantagem. Em uma eleição em que os candidatos não discutiram os problemas do país e engavetaram seus programas de governo, o eleitor está votando com o bolso. A primeira disputa do pós-Lula, que prometia ser histórica entre o governador do Estado mais rico da nação e a primeira mulher com chances reais de se tornar presidente, se revelou de uma indigência política atroz.

Uma foto comovente

30 de outubro de 2010 0

Na sexta-feira, o presidente Lula visitou o vice José Alencar no hospital. O blog do jornalista Mauricio Stycer conta a história do encontro:

Na sexta-feira, 29 de outubro, quando o fotógrafo Ricardo Stuckert entrou no quarto do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o presidente Lula já estava conversando com seu vice, José Alencar, internado para mais uma sessão de quimioterapia. “Meu helicóptero chegou dez minutos depois”, explicou Stuckert ao blog. No quarto também estavam Marisa, mulher do vice-presidente, e o médico Roberto Kalil.

Lula e Alencar conversavam sobre a festa de aniversário do presidente, realizada na quarta-feira, em Brasília. Na ocasião, foi exibido um DVD com depoimentos de um neto de Lula, de sua mulher, Marisa Letícia, e do vice, que emocionaram o presidente. Alencar, desanimado, lamentou não ter participado da festa, por ter reiniciado, mais uma vez, o tratamento contra o câncer. Foi quando Lula disse: “Zé, nós subimos a rampa (do Palácio do Planalto) juntos, nós vamos descer juntos”. Alencar se emocionou, levando o presidente a fazer o gesto captado pela lente do fotógrafo.

Stuckert acompanha Lula como fotógrafo da Presidência desde o primeiro dia de governo e vai deixar o Planalto no dia 1º de janeiro de 2011.

Em que Dilma e Serra se assemelham

30 de outubro de 2010 0

Por Rodrigo Muzzel

Neste domingo, os brasileiros que forem às urnas elegerão um presidente com histórico de esquerda, personalidade forte e perfil de gerente. Um político que gosta de estudar a fundo o assunto sobre o qual terá de decidir, e exige o mesmo de quem trabalha consigo. Que, ao contrário do atual presidente, não é reconhecido pelo carisma, mas pela capacidade de administração.
As semelhanças de estilo entre Dilma Rousseff e José Serra são acompanhadas de coincidências na trajetória política. Os dois lutaram contra o regime militar e tiveram projeção nacional nos ministérios que ocuparam – Saúde (Serra) e Minas e Energia (Dilma). Ambos representam projetos de governo que têm como credo fundamental o crescimento com estabilidade econômica.
Mesmo na campanha do segundo turno, Dilma e Serra se aproximaram na estratégia de atacar o adversário sem discussão mais aprofundada de programas de governo. Especialista em marketing político, o consultor Chico Santa Rita considera a falta de carisma dos candidatos a maior razão para os embates do segundo turno.
– A principal diferença é que um é homem e outro é mulher – diz.
Santa Rita aponta que Serra passa ao eleitor “prepotência paulistana”, o que atrapalha sua aceitação no restante do país, enquanto Dilma não teria conseguido “parar de pé” sozinha, saindo da influência do principal apoiador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se o consultor define o próximo presidente – ou presidenta – do Brasil como um “péssimo candidato”, o cientista político Murillo de Aragão, presidente da consultoria Arko Advice, tem opinião contrária.
– É um privilégio para o país ter uma decisão com candidatos democratas, responsáveis economicamente e com noção de desenvolvimento social – resume.
Aragão lembra que as diferenças entre eles acabam “sumindo na espuma do debate”. Mas existem. Ainda que defendam um Estado mais presente, têm ideias próprias sobre a execução desse plano. Na opinião da cientista política Lucia Hippolito, os dois candidatos têm visões distintas sobre a função do Estado: para Lucia, um governo Serra teria influência menos profunda do partido e de sindicatos na máquina estatal.
A repercussão de um presidente mais “técnico” sentado na cadeira de Lula também será sentida a partir de 2011. Na esfera internacional, por exemplo, nem Dilma nem Serra têm o capital político de Lula. Para o professor da Universidade de Brasília Gustavo Javier, Serra tende a interromper a política atual, que tenta colocar o Brasil no centro dos acontecimentos – por exemplo, chefiando a missão de paz no Haiti. Dilma, por sua vez, deve seguir na linha atual.

Serra encerrará campanha em SP

30 de outubro de 2010 0

O candidato à Presidência José Serra (PSDB) encerra a campanha hoje em Belo Horizonte e São Paulo, com carreatas e caminhadas pelas ruas das duas cidades. O cortejo aos mineiros e paulistas sinaliza a preocupação do candidato com os votantes dos maiores colégios eleitorais do país.

Minas concentra 10,6% do eleitorado brasileiro e elegeu Antonio Anastasia (PSDB) governador no primeiro turno. Não por acaso, o senador eleito e ex-governador Aécio Neves (PSDB) empreendeu uma ofensiva pessoal em favor de Serra, que foi de comícios, viagens e reuniões à gravação de mensagem de telemarketing em que agradece o apoio e pede o voto “no mesmo 45 do governador Antonio Anastasia”.
Embora sustentem o discurso da virada, os tucanos deixam brecha para um eventual revés no Estado onde nasceu Dilma.
– O voto daqui vale igual ao dos outros. O objetivo é Serra ganhar aqui e no Brasil inteiro – afirma Anastasia.
O senador Eduardo Azeredo adverte que “Aécio está fazendo tudo o que pode, mas a vitória depende do desempenho do conjunto do Brasil, especialmente São Paulo e Rio”. Depois do roteiro em Minas, Serra também passará hoje por São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com 22,3% do eleitorado.

Dilma terá 200 pessoas no café da manhã

30 de outubro de 2010 0

O favoritismo de Dilma Rousseff na disputa presidencial transformou a passagem da candidata petista por Porto Alegre neste domingo num evento disputado. O café da manhã que abre o dia da presidenciável na Capital, marcado para as 7h de amanhã no Hotel Plaza São Rafael, reuniu uma lista de 600 interessados.
Devido à falta de espaço, o comitê suprapartidário que apoia Dilma precisou limitar as presenças a 200 convidados. Os ingressos individuais custaram R$ 40. Os dez partidos que apoiaram a candidatura de Dilma no primeiro turno Rio Grande do Sul, além do PT, designaram representantes para o último ato da campanha.
Por conta da procura por convites, o evento foi confirmado apenas no final da tarde de quinta-feira. Uma reunião realizada ontem à tarde no comitê suprapartidário começou a organizar a lista oficial de convidados, que só deve ser fechada no fim da tarde de hoje. A indicação dos escolhidos foi atribuição dos partidos, para evitar pressões sobre o comitê.
O café da manhã não é a única investida no Estado nos momentos derradeiros da campanha. Hoje, o comitê programou uma atividade que pretende mobilizar apoiadores em pelo menos 350 dos 496 municípios gaúchos. O “Sábado com Dilma” prevê carreatas, bandeiraços e caminhadas. Serão distribuídos 1,5 milhão de adesivos para carros e 1 milhão de buttons.

Pré-roteiro de Dilma

29 de outubro de 2010 0

Assim que chegar à Capital Federal, no domingo, Dilma Rousseff vai se hospedar no Hotel Naoum, localizado na Asa Sul. Após o fechamento das urnas, a petista acompanha a apuração dos votos com o presidente Lula no Palácio da Alvorada. Anunciado o resultado, Dilma retorna para o hotel, onde fazerá um pronunciamento. Em caso de vitória, a festa pode acontecer no local ou na Esplanada dos Ministérios.

Supremo impasse

28 de outubro de 2010 1

Ministros do Supremo Tribunal Federal ainda divergem sobre as consequências do julgamento da lei da Ficha Limpa. O ministro Gilmar Mendes entende que a validade da lei da ficha limpa se aplica apenas ao caso julgado do candidato Jader Barbalho. Já o ministro Ricardo Lewandowski acredita que todos candidatos que renunciaram para escapar de cassação serão impugnados. O Supremo deve decidir em um próximo julgamento o que fazer com candidatos que foram condenados por instância colegiada.

Faroeste eleitoral pauta semana derradeira

27 de outubro de 2010 0

Perto do fim

26 de outubro de 2010 0

Só 35 candidatos vencem com voto próprio

25 de outubro de 2010 0

Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) indica que, segundo o resultado preliminar das eleições, apenas 35 dos 513 deputados federais eleitos alcançaram individualmente o quociente eleitoral nos seus Estados. Em 2006, 32 foram eleitos ou reeleitos com os seus próprios votos, sem precisar de suas coligações.
Bahia, Pernambuco e Minas Gerais elegeram cinco parlamentares cada um nessa situação. Ceará, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo têm dois eleitos cada. Acre, Distrito Federal, Piauí, Paraná, Rondônia e Roraima contam com um representante cada. No caso do Rio Grande do Sul, os dois deputados que alcançaram o quociente eleitoral foram Manuela D´Ávila (PC do B) e Beto Albuquerque (PSB), primeira e segundo mais votados da bancada gaúcha.
O humorista Tiririca, que conquistou 1,3 milhão de votos pelo PR em São Paulo, teve votos suficientes para ajudar a eleger mais 3,5 deputados de sua coligação. Por outro lado, deputados com votação expressiva não foram eleitos. No Rio Grande do Sul, a deputada Luciana Genro (PSOL) não conseguiu ser reeleita, apesar de ter recebido 129 mil votos – a deputada não eleita mais votada do Brasil.

Jornalista depõe hoje à PF

25 de outubro de 2010 1

O jornalista Amaury Ribeiro Jr., ligado ao “grupo de inteligência’’ na fase da pré-campanha de Dilma Rousseff, prestará mais um depoimento à Polícia Federal hoje. A PF investiga quem ordenou e pagou pela quebra ilegal do sigilo fiscal de dirigentes do PSDB e familiares do candidato José Serra.
O jornalista admite ter pedido dados dessas pessoas, mas nega ter solicitado acesso a documentos sigilosos. Todos seus alvos tiveram dados violados em duas agências da Receita Federal em São Paulo.
O despachante Dirceu Rodrigues Garcia declarou à polícia que o jornalista o contratou para obter informações fiscais de familiares e aliados de Serra. Essas informações foram parar num dossiê que circulou na pré-campanha petista.


Candidatos miram Sul e Sudeste

25 de outubro de 2010 0

Com sua vantagem consolidada no Nordeste e em boa parte da Região Norte, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, deve dedicar os últimos dias de campanha ao eixo Sul-Sudeste. Minas Gerais e São Paulo, os maiores colégios eleitorais do país, estão entre os principais alvos de Dilma, que também deverá ir ao Paraná – todos Estados que serão governados pelo PSDB. Uma visita a Santa Catarina ainda pode ser agendada, mas nenhuma está prevista para o Rio Grande do Sul antes do final de semana – a petista vota em Porto Alegre. Segundo ele, Dilma poderá fazer ainda um último comício no Nordeste, em uma cidade a ser escolhida. Por enquanto, o único evento previsto para a semana final de campanha será em Recife (PE), mas sem a presença da candidata. Em vez de Dilma, o presidente Lula animará o comício, marcado para sexta-feira.

Já José Serra chega à última semana mirando os votos dos maiores colégios eleitorais do país. O objetivo é reverter, nos Estados mais populosos do Sul e do Sudeste, a ampla vantagem que Dilma Rousseff obteve sobre Serra no primeiro turno no Norte e, sobretudo, no Nordeste. Mesmo assim, Serra deverá visitar Bahia e Pernambuco. Hoje, o tucano passa o dia em São Paulo, participando de eventos e preparando-se para o debate da noite. O Rio Grande do Sul é um dos focos do final da campanha tucana, que poderá destacar dois de seus governadores recém-eleitos para vir ao Estado esta semana. Hoje, Alckmin estará fazendo campanha em Porto Alegre e em Santa Maria. Na quarta-feira (mas ainda sujeito à confirmação), quem pode pousar no Estado é o governador eleito do Paraná, Beto Richa. O próprio Serra (embora a agenda do candidato ainda não tenha confirmado) pode voltar uma terceira vez ao Estado neste segundo turno, para participar de um comício, amanhã à noite, em Caxias do Sul.

Lembranças de um presidente

25 de outubro de 2010 0

Até o final de dezembro, um comboio irá cruzar os portões do Palácio do Alvorada, em Brasília. Na carroceria dos 13 caminhões, uma carga de valor inestimável: o maior acervo já colecionado por um presidente da República na história do país.
Entre os mais de 1,3 milhão de itens recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em oito anos de mandato estão desde apetrechos gaúchos, como cuias e bombas, a joias incrustadas de pedras preciosas. Cada objeto é fotografado e identificado por uma equipe de 50 servidores, antes de ser despachado para um depósito de 120 metros quadrados no Alvorada.
O trabalho é chefiado pelo historiador Cláudio Soares Rocha, 49 anos, um goiano de Catalão que, desde 1988, cuida dos acervos presidenciais. Diretor de Documentação Histórica da Presidência, Rocha trabalhava no Arquivo Nacional quando aportou no Planalto a pedido do então presidente José Sarney. Preocupado em preservar a memória do cargo e inspirado no modelo das bibliotecas presidenciais dos EUA, Sarney também queria extinguir uma prática soturna mantida pelos seus antecessores.
– Sempre que chegava ao final do mandato, uma fogueira imensa ardia no Palácio do Alvorada. Eram os presidentes queimando tudo aquilo que não queriam que fosse divulgado – lamenta Rocha.
Quando Sarney se despediu do Planalto, levou 400 mil documentos registrados pelo historiador. Nos últimos anos, contudo, a carga de trabalho tem sido ainda maior para Rocha. Guardião do baú de Lula, do dia da posse até meados de setembro ele havia catalogado 1.266.945 correspondências, entre postais e eletrônicas, 15.239 presentes e 21.158 documentos e audiovisuais.
Botas de Bush, arte de Obama
As remessas ocupam oito salas divididas por compensados e um exíguo corredor no subsolo do Planalto. Lula recebe os mais inusitados objetos. Já ganhou um torno mecânico, devolvido a pedido do antigo dono, um saco de banha de porco para usar contra a bursite, descartado por causa do mau cheiro, e até dois cavalos, doados para fazer equoterapia. Dos gaúchos, só nas recentes viagens ao Estado, o petista recebeu uma mateira, botas, bombacha, chapéu, lenço vermelho e guaiaca, além de camisetas de futebol como as do Avenida, do Santa Cruz e do Guarani de Venâncio Aires. Se quiser sorver um chimarrão, Lula já tem 13 cuias.
Os itens mais preciosos, contudo, são os recebidos de chefes de Estado. No depósito da Presidência, há uma maquete em ouro do Palácio Imperial do Marrocos e um colar também em ouro, com cerca de um metro de comprimento e quatro centímetros de largura, adornado por 24 esmeraldas e 20 rubis, oferecido pelo rei da Arábia Saudita, Abdullah Bin Abdulaziz Al Saud. Nem todos os agrados dos colegas são tão suntuosos. O ex-presidente americano George Bush costumava enviar botas e cintos de cowboy. Barack Obama, por sua vez, prefere peças assinadas por artistas plásticos. Já remeteu uma árvore de cristal e uma caixa acrílica com os primeiros artigos da Constituição dos Estados Unidos gravados em ouro.
Lula estuda criar uma entidade para manter sua memória à frente da Presidência, mas ainda não se definiu pela sede.
– Sempre digo que sou o encarregado do maior presente de grego da história de Brasília. Chego para os presidentes e falo: “agora você cuida disso tudo, às suas expensas” – brinca Rocha.

A caixa-postal de Lula

25 de outubro de 2010 0

Em uma terça-feira de setembro, a servidora Isabel Cristina da Silva cumpria seu expediente no subsolo do Palácio do Planalto quando uma lágrima lhe escapou pela face. A súbita emoção havia sido motivada por uma carta remetida ao presidente Lula por uma senhora de 84 anos. Naquelas linhas, ela pedia ajuda porque não tinha mais como pagar aluguel e não dispunha de outro local para morar.
– São muitas histórias tristes. Às vezes, não tem como segurar o choro – resumiu Isabel, uma das encarregadas de ler, catalogar e responder às cerca de 450 correspondências que todos os dias chegam ao mais nobre endereço do país.
Com dois terços das mensagens recebidas por carta, a caixa postal de Lula é uma insólita coletânea de papéis, minuciosamente armazenada em 2.134 caixas de papelão e mantida sob temperatura e umidade controladas. Há desde quem mande uma nova carta todo dia, há quem escreva um caderno inteiro ou em papel de pão, quem mande dinheiro (devolvido), enfileire palavrões (não respondidos), diga ser Deus ou coloque apenas Lula como destinatário, sem endereço, CEP ou selo – os Correios entregam assim mesmo.
Alguns enviam um e-mail e, não satisfeitos, imprimem o texto e postam por carta. Na maioria das correspondências, os autores relatam problemas de saúde ou reclamam de questões previdenciárias. Porém, entre os batizados de “excêntricos” pelo Planalto, categoria com 19.585 remetentes, já houve quem escreveu dizendo ter um chip instalado na cabeça.
– O cara dizia que tudo que ele pensava de dia, o William Bonner falava à noite no Jornal Nacional – diverte-se Cláudio Rocha, diretor de Documentação Histórica da Presidência.
Em 2003, uma senhora de Recife enviou uma carta como se fosse a mãe de Lula, Dona Lindu, morta em 1980. Sem se identificar, a mulher desejava que o petista comemorasse com uma mãe, ainda que não fosse a dele, a felicidade da posse. Foi uma das raras mensagens que o presidente leu. E uma das poucas a merecer tratamento especial, com uma resposta redigida com esmero em nome de Lula. Em geral, as cartas são respondidas com parágrafos padrões, concebidos pelo professor de português Paulo Hernandes. Nos textos, ele agradece e, quando se trata de um pedido, informa a qual ministério ele foi encaminhado.
– Temos cerca de 50 modelos de respostas e já revisei todos sete vezes – gaba-se o professor de 68 anos, que renunciou ao descanso da aposentadoria para atender aos correspondentes de Lula.

Retrocesso democrático

25 de outubro de 2010 1

Por Klécio Santos

No primeiro turno, uma campanha enfadonha e despolitizante. No segundo, acusações, baixarias, fanatismo religioso e agressões físicas entre militantes. Até agora, a uma semana da escolha definitiva, o saldo da eleição presidencial é lamentável para um país democrático, com 135 milhões de eleitores. E a responsabilidade pela diminuição do debate político é dos próprios candidatos. Dilma Rousseff e José Serra são apresentados na propaganda como bons gestores e dotados de uma rara sensibilidade social. Nos subterrâneos dos comitês, contudo, alimentam uma guerra suja, abastecida por panfletos apócrifos, correntes de e-mails com calúnias e todo tipo de difamações.
Não há campanha sem tentativa de desconstrução dos rivais. Essas iniciativas, no entanto, geralmente se restringem a flagrar contradições, promessas não cumpridas e alianças incômodas. Agora, o antagonismo é beligerante. Remete a 1989, na disputa entre Lula e Collor. As máquinas partidárias, vinculadas a organismos cristãos e evangélicos, tornou um confronto que deveria ser de ideias em um embate retrógrado e obscurantista. E a própria imprensa tem sua parcela de culpa ao embarcar nessa onda viral. A primeira eleição do pós-Lula faz o amadurecimento político e democrático brasileiro dar marcha a ré, um retrocesso movido pelo apetite insaciável de poder.

Gaúcho condenado por desvio de verba

25 de outubro de 2010 0

Um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, coordenado por uma quadrilha para se apropriar do patrimônio público. Assim, a Justiça do Distrito Federal (DF) resumiu a operação comandada pelo consultor gaúcho Luis Lima, condenado a 10 anos e 10 meses de prisão em regime fechado por um desvio de R$ 28,6 milhões da Fundação de Empreendimentos Tecnológicos (Finatec), entidade vinculada à Universidade de Brasília (UnB).
Além de Lima, foram condenados por apropriação indébita, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro a mulher dele, Flávia Camarero, o também gaúcho Eduardo Grin e o ex-diretor-presidente da Finatec Antônio Manoel Dias Henriques. Os quatro tiveram todos os bens confiscados em favor da União, patrimônio estimado em R$ 50 milhões. Eles poderão recorrer da sentença em liberdade.
A sentença proferida em 23 de setembro pelo juiz Esdras Neves, da 3ª Vara Criminal do DF, foi publicada sexta-feira no Diário de Justiça. De acordo com as investigações do Ministério Público, no período de 2001 a 2006 a Finatec manteve contratos com a Intercorp Consultoria Empresarial, a Camarero & Camarero Consultoria Empresarial e a Grin Consultoria e Assessoria. As empresas pertenciam, respectivamente, a Lima, Flávia e Grin.
O esquema operava a partir dos vínculos de Lima e Grin com o PT. Eles procuravam prefeituras administradas pelo partido e por outras siglas, oferecendo programas de modernização administrativa e softwares de gestão. Na investigação, porém, não surgiram indícios de que as prefeituras tenham obtido vantagens ilícitas com os contratos.
Depoimentos revelaram que as ferramentas desenvolvidas pela consultoria se tratavam de um portal de internet para comunicação entre setores de uma empresa ou órgão. Nas 68 páginas da sentença, Neves afirma que o custo do portal é de no máximo R$ 50 mil, mas a Finatec pagou inicialmente R$ 14 milhões à Intercorp. A quebra dos sigilos bancário e fiscal dos denunciados mostrou indícios de enriquecimento ilícito e de lavagem de dinheiro a partir da parceria com a Finatec.

Obras para reabertura do Luterano começam em três semanas

22 de outubro de 2010 0

Hospital da Ulbra passa a fazer parte do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Fechado há cerca de dois anos, o Hospital Luterano deve reabrir no segundo semestre do ano que vem. A previsão é do presidente do Hospital de Clínicas, Amarílio Macedo, que passa a administrar a unidade.

Incorporado ao hospital universitário, o Luterano será destinado à ampliação de leitos de emergência e para tratamento gratuito de dependentes químicos. Um terço das 122 vagas será para o atendimento de usuários de crack e outras drogas.

Em reunião nesta sexta-feira, em Brasília, a comitiva de dirigentes do Clínicas, da Secretaria de Saúde da Capital e dos conselhos Municipal e Estadual de Saúde, obteve a confirmação do próprio advogado-geral da União, Luís Inácio Adams:

- Esse prédio vai ser incorporado ao patrimônio da União e realocado ao Hospital de Clínicas para que funcione dentro do SUS.

Adams disse que tomou a decisão depois de conversar com o ministro da Educação, Fernando Haddad. O prédio estava entre os imóveis penhorados por conta das dívidas acumuladas pela Ulbra. O lote vai a leilão no próximo dia 5. E, segundo o advogado-geral, havia o risco de que, arrematado por uma empresa qualquer, o local fosse usado para a construção de outros empreendimentos, prejudicando a formação de novos médicos e, principalmente, deixando a população desamparada.

Antes de receber a notícia, o grupo esteve na Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad). A parceria com a Senad garante que, além do atendimento aos pacientes, o novo espaço abrigará um centro de formação de profissionais que vão atuar no combate ao crack no Rio Grande do Sul.

- Serão programas de mestrado e doutorado mais profissionalizantes e que receberão alunos também de fora do Estado, adiantou Macedo.

As aulas devem começar no segundo semestre do ano que vem, com o atendimento no Hospital Luterano já retomado. Para a reabertura, o local passará por obras de adequação, com a limpeza, pintura e revisão dos sistemas elétrico, hidráulico e de fluxo de oxigênio.

Independência

A reabertura de outra casa de saúde vinculada à Ulbra também entrou na negociação. Desta vez, com a Secretaria de Saúde de Porto Alegre como principal interessada. O prédio do Hospital Independência também foi retirado do lote que seria leiloado e, agora, caminha para o mesmo destino do Luterano.

A retomada do atendimento deve ser discutida com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na segunda-feira, em Porto Alegre

O secretário de Saúde da Capital, Carlos Henrique Casartelli, diz que o município ganhou uma nova alternativa para a retomada do atendimento. A prefeitura deve buscar o apoio do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) por considerar que a Celsp, mantenedora da Ulbra, não teria condições de manter a unidade em funcionamento.

- Nós não podemos correr o risco de abrir o hospital e fechar daqui a três meses, pondera Casartelli.