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Mudança de estilo no Planalto

02 de novembro de 2010 1

A partir de 1º de janeiro, sai de cena o presidente bonachão, de prosa fácil e riso solto, acostumado a delegar tarefas enquanto viaja pelo país e pelo Exterior fazendo propaganda do próprio governo. Quando passar a faixa a Dilma Rousseff, Lula deixará no Palácio do Planalto uma sucessora fiel ao seu legado, mas cuja forma de governar guarda mais diferenças do que semelhanças com o estilo do petista.
Em contraste com o presidente, que sempre teve dificuldade para demitir ministros, Dilma descarta auxiliares sem pestanejar. No PT, ficou célebre a expressão “esqueletos da Dilma” para se referir a assessores deslocados pela ex-ministra para outros órgãos do governo por alegada incompetência.
– Lula é um paizão, passa a mão na cabeça de quem errou e mata no peito. Com ela, só se erra uma vez. Na segunda, tchau – compara um petista com trânsito na Casa Civil.
Forjada nos gabinetes e nos manuais de gestão, Dilma centraliza as decisões, impõe metas e cobra resultados. Nos ministérios que ocupou (Minas e Energia e Casa Civil), adquiriu fama de ranzinza por conta do temperamento indócil e da falta de tolerância com deslizes de subordinados.
A liturgia do novo cargo, porém, obriga Dilma a adquirir traquejo político. Quando presidia o conselho de administração da Petrobras, ela lia relatórios com antecedência e chegava às reuniões com as decisões tomadas, dando pouca margem a negociações. Já Lula sempre preferiu arbitrar as discussões, estimulando o debate de posições antagônicas dentro do governo.
– A personalidade dela limita muito a interferência – diz um assessor.
PT fará meio de campo com MST
Entre as prioridades de Dilma para o primeiro ano de mandato, estão as reformas tributária e política – abandonadas por Lula por falta de consenso no Congresso. Para levar adiante as mudanças, a nova presidente elegeu três interlocutores com trânsito fácil entre as bancadas: o vice Michel Temer (PMDB) e os petistas Antonio Palocci e Alexandre Padilha, os dois últimos com presença garantida no ministério.
Por conta da falta de paciência de Dilma, o PT também avalia a necessidade de se criar um biombo entre a presidente e as centrais sindicais e movimentos como o MST, duas forças com poder de persuasão junto a Lula. O objetivo é evitar desgastes, principalmente após a decisão de não se conceder novos aumentos salariais ao funcionalismo e evitar a invasão de terras e prédios públicos.
Apesar da necessidade de se dedicar mais à política do que à gestão, Dilma não abre mão de seguir controlando alguns dos principais programas do governo, como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida. Para tanto, ela pretende diminuir a área de atuação da Casa Civil, que perderia o status executivo. A intenção de Dilma é formar uma equipe de assessores de extrema confiança e perfil técnico na Presidência. Assim, ela poderia atender às indicações políticas em vários ministérios, sem abdicar do comando de ações estratégicas.
Lula atuará como oráculo
Embora o PT conte com a influência do presidente Lula para tornar Dilma suscetível às demandas do partido, pessoas próximas à futura presidente da República descartam a possibilidade de interferência dele na condução do governo a partir de janeiro.
Na avaliação de quem trabalhou com Dilma, o presidente Lula atuaria como um oráculo, dando conselhos nos momentos difíceis.
– Ela sabe que, hoje, é uma auxiliar, mas a partir de 1º de janeiro é a autoridade máxima do país. Ninguém vai controlá-la – comenta um integrante do staff de Dilma, que conhece o perfil da ex-ministra.

Comentários (1)

  • Pedro diz: 2 de novembro de 2010

    Certas imprecisões, por vezes, derrubam o texto todo. É perigoso tentar “passar”, como se nada fosse, opiniões em textos meramente jornalísticos. Esse é o pressuposto. Então, aqui, não caberia o viajar pelo exterior fazendo propagando do seu governo, porque é inverídico. Em momento algum o Lula propagandeou no exterior o seu governo, fez apologia, sim, das políticas públicas conduzidas pelo seu governo (com excelentes resultados), o que lhe grangeou fama internacional; em relação à Dilma, querer rebaixá-la a mero gerente, também, não condiz com o nível de informação de que deve dispor a coluna: desde sempre a Dilma foi, em sua passagem pública, a mesma pessoa que dispensa a lisonja e a bajulação e se concentra no cumprimento do que lhe for atribuído: é a sua função. Como presidente, pois, também não haverá lugar para o nhem nhem nhem tão prazeroso para alguns de sempre. E, nos dois casos, cabem elogios. Não críticas destrutivas.

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