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O bispo de Dilma

07 de novembro de 2010 2

Na noite do último domingo, Dilma Rousseff estava prestes a embarcar no carro que a levaria para o local do discurso da vitória quando olhou para trás. Na soleira da porta de sua casa, uma plêiade de petistas olhava para a futura presidente. Somente um foi convidado a dividir o banco traseiro do Toyota com a vitoriosa nas urnas: Antonio Palocci Filho.
Aos 50 anos, Palocci está prestes a se tornar, pela segunda vez, o ministro mais poderoso da República.
– O Palocci é um sedutor, conquista todo mundo na política. O presidente Lula tem muitos planos para ele – diz um alto dirigente petista.
De 2003 a 2006, Palocci comandou o Ministério da Fazenda do governo Lula. Conduzindo um rígido ajuste fiscal, o ex-trotskista granjeou a confiança do mercado e do setor produtivo. Com a saída de José Dirceu do governo, era o candidato natural à sucessão em 2010, até ser derrubado pelo escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.
De volta à planície, Palocci se elegeu deputado e cumpriu o mandato longe dos holofotes, mas jamais perdeu a confiança do presidente. No início do ano, ele recebeu uma missão do petista: atuar na linha de frente da campanha de Dilma à Presidência. Estava montado o trampolim para a volta à ribalta do poder.
Gravitando ao redor de Dilma mais de 12 horas por dia, Palocci dava conselhos, escrevia discursos, atendia telefonemas endereçados à ex-ministra e ditava a agenda. Implacável no veto a compromissos que considerava inadequados, irritou muitos assessores e até mesmo líderes petistas. No triunvirato que tomava as decisões, se tornou o mais influente. Enquanto o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) e o presidente do partido, José Eduardo Dutra, se encarregavam das ações políticas e jurídicas, Palocci só se dedicava a Dilma. Foi o único a subir no palco em todos os debates para passar conselhos e um dos poucos a privar dos momentos pessoais da candidata. Tamanha proteção logo fez dele chefe informal da campanha.
– Ele era o bispo. O único que a convencia a mudar de opinião – conta um catarinense que trabalhou oito meses no comitê petista.
Discreto, Palocci quase não falava com os subordinados. Articulava no andar de cima, fazendo a interlocução entre o PT e uma parcela expressiva do PIB. No decorrer da disputa eleitoral, conversou com banqueiros, industriais e empresários, garantindo que não haveria rupturas num eventual governo Dilma. Em setembro, em um jantar oferecido por Flávio Rocha, dono das lojas Riachuelo, e diante de Benjamin Steinbruch (CSN), Ivo Rosset (Valisère) e Líbano Barroso (TAM), entre outros, Palocci assegurou a manutenção da política econômica e do incentivo ao crédito.
Desejo de Lula é ver Palocci na Saúde
A desenvoltura de Palocci no staff de Dilma motivou uma série de especulações sobre qual cargo o ex-ministro teria em um futuro governo. Ventilou-se uma ida para a Casa Civil, para o Ministério do Planejamento, das Relações Institucionais e, principalmente, um retorno à Fazenda.
– Ele sempre esteve muito forte. A única vez que eu vi o Palocci fragilizado nessa campanha foi quando ele caiu do palco em um debate. Ainda assim, se levantou tão rápido que quase ninguém viu o tombo – recorda um assessor.
Diante da ausência de traquejo de Dilma para a articulação política, petistas influentes defendem Palocci em um cargo central no governo. Lula, porém, já teria desenhado um papel para os próximos quatro anos do seu ex-ministro. O presidente o quer à frente de uma gestão modernizadora na Saúde. Palocci fez uma única condição: mais recursos para a pasta. Não por acaso, na última semana o presidente Lula e a própria Dilma reinvindicaram a criação de uma nova CPMF para financiar os gastos do setor. No entendimento de Lula, com mais recursos e uma administração eficaz, Palocci transforma o ministério em uma vitrine e se credencia à disputa do governo de São Paulo em 2014, na tentativa de interromper um ciclo de quatro mandatos consecutivos dos tucanos no Estado. Do Palácio dos Bandeirantes, sairia para voos maiores.
– Palocci é o nome para a Presidência em 2018 – resume um petista com acesso ao mais restrito círculo de Lula.

Comentários (2)

  • Pedro diz: 7 de novembro de 2010

    Com certeza a falta de notícias faz “ensolarar” a cabeça de qualquer jornalista. Qualquer vírgula se torna matéria de capa. Mera conversa de fim de tarde se torna editorial. Nada menor para um jornalista do que ter de ser pautado pela insignificância. Ou pelo nada. A postagem é clara referência a tudo isso: a inexistência.

  • Gualberto Cesar diz: 12 de novembro de 2010

    Quem construiu a assertiva da Aliança que permite a Governabilidade = foi José Dirceu.
    Inegável a liderança do Zé dentro da estrutura de Governo.
    Creio firmemente; que o Grupo que está junto com Dilma – tem sem dúvidas – consenso – que passa – também – pelo nome – de Zé Dirceu – Mente Brilhante do PT.
    Temos que resgatar sim – os valores do Zé.

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