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Posts de novembro 2010

Recursos para pagar contas da Saúde

25 de novembro de 2010 1

Na contramão da linha defendida pela equipe econômica de Dilma Rousseff de redução de gasto público, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez uma solicitação de R$ 1 bilhão para fechar as contas da pasta. Os recursos seriam destinados ao pagamento de remédios de alto custo e procedimentos de alta complexidade. Temporão foi um dos maiores defensores no governo da volta da CPMF, mas agora entende que o novo ministério deve decidir sobre a criação de tributos.

Conversas do Planalto

25 de novembro de 2010 0

Futuro presidente do BC é gaúcho

24 de novembro de 2010 0

da Zero Hora

Gaúcho de Porto Alegre, o futuro presidente do Banco Central (BC) é, também, torcedor do Internacional, time da presidente eleita, Dilma Rousseff. Mais do que essa afinidade, Alexandre Antônio Tombini, 47 anos, tem uma característica que encantou Dilma: é firme nas suas posições, mas não é considerado inflexível. Convidado ontem por Dilma para assumir o comando do BC e em seu governo, o atual diretor de Normas da instituição, Tombini, é definido como uma pessoa conciliadora e contará com a simpatia do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e sua equipe.
Também foi definido que Miriam Belchior, assessora especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), assumirá o Ministério do Planejamento. Depois das duas definições de ontem, Dilma decidiu anunciar hoje os três primeiros nomes da equipe econômica: além de Tombini e Miriam Belchior, que substituirá Paulo Bernardo, fará a confirmação oficial da escolha de Guido Mantega para a pasta da Fazenda (veja quadro abaixo). A presidente quis fazer o anúncio antes de participar ao lado de Lula, amanhã, em Georgetown (Guiana), da cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul).
Quando interlocutores de Dilma começaram a sondar pessoas próximas sobre o funcionário de carreira do BC, a primeira pergunta era sempre a mesma: ele é desenvolvimentista ou monetarista? Era uma referência às duas correntes que rivalizaram durante o governo Lula na condução da política econômica e foram representadas pelo ministro Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, respectivamente.
A resposta:
– Tombini não tem corrente – diziam amigos próximos.
A conjuntura determina sua conduta, pautada por uma base teórica e prática forte. Economista pela Universidade de Brasília (UnB), fez doutorado na Universidade de Illinois (EUA). Durante sua carreira, transitou por áreas que vão de comércio exterior, supervisão bancária, normas, socorro financeiro a países, metas de inflação e cenários econômicos.
Sua gestão, acreditam técnicos ligados a ele, será mais participativa. Ao contrário de Meirelles, que delega atribuições, cobra resultados e não se envolve tanto diretamente, deverá acompanhar mais os detalhes das decisões, e o BC poderá retomar espaço perdido no debate econômico na gestão Meirelles.
Em cargos públicos desde 1991, trabalhou com os últimos quatro presidentes. Foi coordenador da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, assessor especial da Casa Civil e representante do Brasil no FMI. No BC, passou por três diretorias. Foi também consultor da presidência e o primeiro chefe do Departamento de Estudos Especiais, criado na esteira da implementação do regime de metas de inflação, em 1999.

Lula abre nova fase de viagens

24 de novembro de 2010 0

da Zero Hora

Depois de esgotar na campanha as oportunidades de lançamento de pedra fundamental e início de obras, o presidente Lula iniciou ontem uma nova safra de viagens. Ele esteve em Ribeirão Preto (SP) para dar o “primeiro pingo de solda” na tubulação de escoamento de álcool de cidades da região e de Goiás para usinas de Paulínia e Taubaté. Não há estimativa para a conclusão das obras.
Até o final do ano, Lula terá uma agenda movimentada. Mesmo sem poder concluir obras, ele pretende participar do maior número possível de eventos em canteiros do PAC. A auxiliares, o presidente repete que não quer viver a sensação de final de festa. A agenda inclui viagens especialmente para o Nordeste, onde ele não conseguirá entregar as obras de infraestrutura mais importantes de seu governo. Governadores e prefeitos aliados preparam uma série de homenagens.
Lula percorrerá pela última vez no cargo trechos dos canais de transposição das águas do Rio São Francisco, no sertão pernambucano. A água ainda não chegou às comunidades que enfrentam a seca, mas o presidente quer mostrar seu esforço para concluir as obras. Além da transposição, o presidente deixa o governo frustrado por não entregar as ferrovias Transnordestina e Leste-Oeste.
As viagens ao Nordeste se justificam apenas pelo caráter “sentimental”, reconhecem assessores. Isso ficará ainda mais claro, segundo eles, numa viagem que Lula fará ao Recife, no dia 29 de dezembro. O presidente participará da inauguração de um museu dedicado ao músico Luiz Gonzaga.

Lula ainda mantém a promessa de ir a Guaribas, no Piauí, cidade que tinha sido escolhida por ele, no começo do primeiro governo, para lançar o projeto Fome Zero.

Apoio em troca do Código Florestal

22 de novembro de 2010 1

O deputado federal Luiz Carlos Heinze (PP/RS) está disposto a aderir a candidatura do líder do PMDB Henrique Eduardo Alves (RN) à presidência da Câmara em troca do compromisso de votação do Código Florestal. A proposta foi discutida em uma reunião com cerca de 50 parlamentares da bancada ruralista na semana passada. Já a bancada ambientalista pressiona para adiar a discussão.


Reunião pode definir permanência de Guido Mantega no governo

18 de novembro de 2010 0

Uma reunião em andamento na Granja do Torto, em Brasília, pode definir a permanência do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no próximo governo. Segundo especulações, Dilma Rousseff já teria convidado Mantega a continuar na pasta.

STM libera acesso a processos contra Dilma

17 de novembro de 2010 2

Os ministros do Superior Tribunal Militar (STM) desautorizaram decisão do presidente da corte e liberaram ao jornal Folha de S.Paulo acesso aos autos do processo que levou a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) à prisão, na ditadura (1964-1985). O jornal havia protocolado no tribunal mandado de segurança para ter respeitado o direito constitucional de poder acessar os documentos.
O presidente do STM, Carlos Alberto Soares, ao negar acesso, por duas vezes, alegou que queria evitar uso político dos documentos. Em nova sessão marcada por discussões, 10 ministros do tribunal votaram pela liberação do acesso. Para eles, trata-se de um “processo histórico”, por isso o veto configurava censura e feria a liberdade de imprensa.
Somente o relator do mandado de segurança, Marcos Torres, votou contra. Segundo ele, o jornal, ao consultar os documentos, iria invadir a intimidade e a privacidade da presidente eleita. A ministra Maria Elizabeth Rocha, que assessorou Dilma na Casa Civil, votou pela publicidade do processo, mas fez a ressalva de que todo e qualquer relato de tortura deveria ser mantido sob sigilo, para se preservar a intimidade dos envolvidos. Esse argumento também foi rejeitado pelos demais ministros do tribunal.
– Não existe liberdade de imprensa pela metade – disse Artur Vidigal de Oliveira.
O ministro Fernando Sérgio Galvão, que já tinha se posicionado contra o acesso ao processo, mudou de opinião, votando a favor do jornal. O julgamento da ação havia sido suspenso duas vezes, a última após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para se manifestar.
Ontem, na retomada da sessão, a AGU argumentou que Dilma e todos os demais réus no processo (cerca de 70 no total), deveriam ser ouvidos antes da liberação dos papeis. Os ministros do STM também rejeitaram o pedido. A reportagem da Folha de S.Paulo poderá consultar o processo após a publicação da ata da sessão, o que deverá ocorrer na próxima semana.
O vice-presidente do STM, William de Oliveira Barros, que presidiu a reunião (e, por isso, não votou), disse que, “a princípio”, somente a Folha terá acesso aos autos, já que “foi ela quem pediu”. Na prática, a decisão abre o caminho para que outros busquem os dados. Barros substitui o presidente da Corte, Carlos Alberto Soares. Taís Gasparian, a advogada do jornal, comemorou a decisão, que ela classificou como “uma vitória não só da Folha, mas de toda a sociedade”.
– O STM honrou sua tradição liberal. É uma vitória um pouco óbvia, já que esse processo jamais poderia ficar sob sigilo – disse.
Em agosto, a Folha de S.Paulo revelou que o processo de Dilma foi trancado em um cofre do tribunal, em março, por decisão do presidente do STM. Além de querer evitar uso político do processo envolvendo a então candidata, Soares disse que os documentos estavam deteriorados.

Ministro beque central

16 de novembro de 2010 0

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, está com o filme queimado entre os sindicalistas. Nesta terça-feira, o presidente da Força Sindical e deputado federal, Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), não poupou adjetivos para criticar o trabalho de negociação feito pelo ministro para o reajuste do salário mínimo. Enquanto as centrais pedem um salário de R$ 580, Paulo Bernardo admite no máximo R$ 540.
- O Paulo Bernardo sempre foi um problema em negociação. Parece beque central, trabalha contra em qualquer aumento para trabalhador. Acho que o governo colocou o pior cara para negociar conosco - criticou Paulinho

Dilma chega sábado a Porto Alegre

12 de novembro de 2010 1

Dilma Rousseff pretende ir ao Rio Grande do Sul amanhã. A presidente eleita já partiu da Coreia do Sul, no mesmo voo do presidente Lula. O avião presidencial deve fazer duas escalas - no Alasca e no México - antes de aterrisar em São Paulo. A chegada à capital paulista está prevista para as 9h,. Em seguida, Dilma se reúne com membros da equipe de transição e, à tarde, viaja para Porto Alegre, onde descansa durante o final de semana.

Paulo Roberto adia julgamento mais uma vez

11 de novembro de 2010 2

Acusado de empregar funcionários fantasmas no gabinete, o deputado Paulo Roberto (PTB/RS) deve escapar de uma punição por falta de tempo devido a proximidade do fim da legislatura. Após apresentar três licenças médicas e atrasar em quase três meses o início do processo contra ele no Conselho de Ética da Câmara, agora o parlamentar não cumpriu o prazo de cinco sessões plenárias para apresentar a defesa. A omissão provocou a nomeação de um deputado defensor, Nelson Marquezelli (PTB/SP). A manobra rende ao gaúcho um novo prazo de cinco sessões plenárias.

Flexibilização da voz do Brasil avança

10 de novembro de 2010 1

O Senado deu mais um passo para flexibilizar a transmissão da Voz do Brasil. O projeto de lei complementar que permite veicular o programa diário entre 19 e 23 horas foi aprovado sem alterações na Comissão de Constituição Justiça. A lei valeria para rádios comerciais e comunitárias. Já as públicas e educativas estariam ainda obrigadas a transmitir a Voz do Brasil às 19 horas. A proposta agora segue para análise da Comissão de Educação do Senado e depois pode ser votada pelo plenário.

Natal

09 de novembro de 2010 0

O bispo de Dilma

07 de novembro de 2010 2

Na noite do último domingo, Dilma Rousseff estava prestes a embarcar no carro que a levaria para o local do discurso da vitória quando olhou para trás. Na soleira da porta de sua casa, uma plêiade de petistas olhava para a futura presidente. Somente um foi convidado a dividir o banco traseiro do Toyota com a vitoriosa nas urnas: Antonio Palocci Filho.
Aos 50 anos, Palocci está prestes a se tornar, pela segunda vez, o ministro mais poderoso da República.
– O Palocci é um sedutor, conquista todo mundo na política. O presidente Lula tem muitos planos para ele – diz um alto dirigente petista.
De 2003 a 2006, Palocci comandou o Ministério da Fazenda do governo Lula. Conduzindo um rígido ajuste fiscal, o ex-trotskista granjeou a confiança do mercado e do setor produtivo. Com a saída de José Dirceu do governo, era o candidato natural à sucessão em 2010, até ser derrubado pelo escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.
De volta à planície, Palocci se elegeu deputado e cumpriu o mandato longe dos holofotes, mas jamais perdeu a confiança do presidente. No início do ano, ele recebeu uma missão do petista: atuar na linha de frente da campanha de Dilma à Presidência. Estava montado o trampolim para a volta à ribalta do poder.
Gravitando ao redor de Dilma mais de 12 horas por dia, Palocci dava conselhos, escrevia discursos, atendia telefonemas endereçados à ex-ministra e ditava a agenda. Implacável no veto a compromissos que considerava inadequados, irritou muitos assessores e até mesmo líderes petistas. No triunvirato que tomava as decisões, se tornou o mais influente. Enquanto o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) e o presidente do partido, José Eduardo Dutra, se encarregavam das ações políticas e jurídicas, Palocci só se dedicava a Dilma. Foi o único a subir no palco em todos os debates para passar conselhos e um dos poucos a privar dos momentos pessoais da candidata. Tamanha proteção logo fez dele chefe informal da campanha.
– Ele era o bispo. O único que a convencia a mudar de opinião – conta um catarinense que trabalhou oito meses no comitê petista.
Discreto, Palocci quase não falava com os subordinados. Articulava no andar de cima, fazendo a interlocução entre o PT e uma parcela expressiva do PIB. No decorrer da disputa eleitoral, conversou com banqueiros, industriais e empresários, garantindo que não haveria rupturas num eventual governo Dilma. Em setembro, em um jantar oferecido por Flávio Rocha, dono das lojas Riachuelo, e diante de Benjamin Steinbruch (CSN), Ivo Rosset (Valisère) e Líbano Barroso (TAM), entre outros, Palocci assegurou a manutenção da política econômica e do incentivo ao crédito.
Desejo de Lula é ver Palocci na Saúde
A desenvoltura de Palocci no staff de Dilma motivou uma série de especulações sobre qual cargo o ex-ministro teria em um futuro governo. Ventilou-se uma ida para a Casa Civil, para o Ministério do Planejamento, das Relações Institucionais e, principalmente, um retorno à Fazenda.
– Ele sempre esteve muito forte. A única vez que eu vi o Palocci fragilizado nessa campanha foi quando ele caiu do palco em um debate. Ainda assim, se levantou tão rápido que quase ninguém viu o tombo – recorda um assessor.
Diante da ausência de traquejo de Dilma para a articulação política, petistas influentes defendem Palocci em um cargo central no governo. Lula, porém, já teria desenhado um papel para os próximos quatro anos do seu ex-ministro. O presidente o quer à frente de uma gestão modernizadora na Saúde. Palocci fez uma única condição: mais recursos para a pasta. Não por acaso, na última semana o presidente Lula e a própria Dilma reinvindicaram a criação de uma nova CPMF para financiar os gastos do setor. No entendimento de Lula, com mais recursos e uma administração eficaz, Palocci transforma o ministério em uma vitrine e se credencia à disputa do governo de São Paulo em 2014, na tentativa de interromper um ciclo de quatro mandatos consecutivos dos tucanos no Estado. Do Palácio dos Bandeirantes, sairia para voos maiores.
– Palocci é o nome para a Presidência em 2018 – resume um petista com acesso ao mais restrito círculo de Lula.

Depois do descanso, Brasília

05 de novembro de 2010 1

Após descansar no litoral baiano, a presidente eleita volta à capital federal no domingo, depois do meio-dia. Dilma Rousseff passa a noite ainda na casa antiga, no Lago Sul, e na segunda-feira viaja para a Coréia do Sul. Só retorna ao Brasil no sábado, quando então deve  se mudar para a nova residência, na Granja do Torto.


Brincadeira pós-eleição

05 de novembro de 2010 0

Nova CPMF ganha apoio do PSB

04 de novembro de 2010 0

Reunidos em Brasília, cinco dos seis governadores eleitos pelo PSB defenderam a criação de um novo imposto para financiar a saúde. Eles só não entrarem em consenso sobre o modelo de cobrança. Uma das alternativas seria a votação da Contribuição Social da Saúde (CSS). Para o projeto passar pela Câmara, basta aprovar um destaque no plenário da casa.

Diante da ameaça do novo imposto, o DEM já começa articular uma trincheira na Câmara. A liderança do partido lançou uma nota, nesta quinta-feira, contra a retomada do debate.

A volta do fantasma da CPMF

03 de novembro de 2010 2

Na primeira coletiva de imprensa depois de eleita, Dilma Rousseff fez voltar o fantasma da CPMF. Apesar de ser contra novos impostos, deixou a porta aberta. Dilma admitiu que alguns governadores eleitos já pressionam pela volta do imposto do cheque e afirmou que estabelecerá um diálogo com eles.
A postura é semelhante a adotada pelo presidente Lula. Dizia que não encaminharia a Contribuição Social da Saúde (nova CPMF) ao Congresso, mas a proposta foi apresentada e defendida pela base governista.

Dilma vai para o Nordeste

03 de novembro de 2010 0

Dilma Rousseff escolheu uma praia pouco movimentada do nordeste para descansar até domingo. A presidente eleita viaja no início da tarde de hoje. Até lá, vai desligar de tudo e todos. A intenção é dormir muito, hábito que durante a campanha foi esquecido. Na segunda, Dilma fará a primeira viagem internacional como presidente eleita. Ao lado de Lula vai para Seul, na Coréia do Sul, para a reunião do G-20.


Dilma desembarca no RS nesta quarta

02 de novembro de 2010 0

Desfeito o mistério. A presidente eleita Dilma Rousseff vai mesmo para Porto Alegre nesta quarta-feira. Será uma viagem de descanso da rotina desgastante de campanha. O destino foi escolhido especialmente para passar um tempo ao lado da filha Paula e do neto Gabriel. O retorno a Brasília está marcado para domingo

Mudança de estilo no Planalto

02 de novembro de 2010 1

A partir de 1º de janeiro, sai de cena o presidente bonachão, de prosa fácil e riso solto, acostumado a delegar tarefas enquanto viaja pelo país e pelo Exterior fazendo propaganda do próprio governo. Quando passar a faixa a Dilma Rousseff, Lula deixará no Palácio do Planalto uma sucessora fiel ao seu legado, mas cuja forma de governar guarda mais diferenças do que semelhanças com o estilo do petista.
Em contraste com o presidente, que sempre teve dificuldade para demitir ministros, Dilma descarta auxiliares sem pestanejar. No PT, ficou célebre a expressão “esqueletos da Dilma” para se referir a assessores deslocados pela ex-ministra para outros órgãos do governo por alegada incompetência.
– Lula é um paizão, passa a mão na cabeça de quem errou e mata no peito. Com ela, só se erra uma vez. Na segunda, tchau – compara um petista com trânsito na Casa Civil.
Forjada nos gabinetes e nos manuais de gestão, Dilma centraliza as decisões, impõe metas e cobra resultados. Nos ministérios que ocupou (Minas e Energia e Casa Civil), adquiriu fama de ranzinza por conta do temperamento indócil e da falta de tolerância com deslizes de subordinados.
A liturgia do novo cargo, porém, obriga Dilma a adquirir traquejo político. Quando presidia o conselho de administração da Petrobras, ela lia relatórios com antecedência e chegava às reuniões com as decisões tomadas, dando pouca margem a negociações. Já Lula sempre preferiu arbitrar as discussões, estimulando o debate de posições antagônicas dentro do governo.
– A personalidade dela limita muito a interferência – diz um assessor.
PT fará meio de campo com MST
Entre as prioridades de Dilma para o primeiro ano de mandato, estão as reformas tributária e política – abandonadas por Lula por falta de consenso no Congresso. Para levar adiante as mudanças, a nova presidente elegeu três interlocutores com trânsito fácil entre as bancadas: o vice Michel Temer (PMDB) e os petistas Antonio Palocci e Alexandre Padilha, os dois últimos com presença garantida no ministério.
Por conta da falta de paciência de Dilma, o PT também avalia a necessidade de se criar um biombo entre a presidente e as centrais sindicais e movimentos como o MST, duas forças com poder de persuasão junto a Lula. O objetivo é evitar desgastes, principalmente após a decisão de não se conceder novos aumentos salariais ao funcionalismo e evitar a invasão de terras e prédios públicos.
Apesar da necessidade de se dedicar mais à política do que à gestão, Dilma não abre mão de seguir controlando alguns dos principais programas do governo, como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida. Para tanto, ela pretende diminuir a área de atuação da Casa Civil, que perderia o status executivo. A intenção de Dilma é formar uma equipe de assessores de extrema confiança e perfil técnico na Presidência. Assim, ela poderia atender às indicações políticas em vários ministérios, sem abdicar do comando de ações estratégicas.
Lula atuará como oráculo
Embora o PT conte com a influência do presidente Lula para tornar Dilma suscetível às demandas do partido, pessoas próximas à futura presidente da República descartam a possibilidade de interferência dele na condução do governo a partir de janeiro.
Na avaliação de quem trabalhou com Dilma, o presidente Lula atuaria como um oráculo, dando conselhos nos momentos difíceis.
– Ela sabe que, hoje, é uma auxiliar, mas a partir de 1º de janeiro é a autoridade máxima do país. Ninguém vai controlá-la – comenta um integrante do staff de Dilma, que conhece o perfil da ex-ministra.

Como Dilma venceu a eleição

01 de novembro de 2010 0

Em 16 de junho de 2005, o presidente Lula demitiu o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, eminência parda da Esplanada. Com o governo sangrando na crise do mensalão, Lula disse ao secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci: – Temos um grande problema para resolver.
– Pois é, presidente, quem vai para a Casa Civil? – indagou Dulci.
– Não, o problema não é esse. O problema é quem vai ser o nosso candidato em 2010 – rebateu o presidente.
Começava ali, sobre as cinzas do mais poderoso ministro do governo Lula, a montagem de uma inesperada articulação política que, 1.963 dias depois, resultaria na eleição de Dilma Vana Rousseff como a primeira mulher presidente do Brasil.
Em 2005, Lula sequer cogitava tornar Dilma candidata. O presidente dispunha de Antonio Palocci, mas logo o ministro seria sugado pela onda de escândalos que rondavam o Planalto. Lula lamentou as perdas, mas considerou a faxina providencial, poupando-o de mediar uma luta visceral entre os dois postulantes à candidatura.
Com a reeleição, em 2006, Lula flertou com o terceiro mandato. Não havia um sucessor natural, e a febre do continuísmo assolava a América Latina. O petista incentivou o debate, mas recuou. Na busca por um sucessor, sabia que, se a escolha recaísse sobre um novato, precisaria de tempo. Em conversas com assessores, desejou que a eleição tivesse um valor tão simbólico como a própria chegada de um metalúrgico ao poder, deixando escapar que poderia ser uma mulher. A vinculação foi imediata: Dilma. Lula comentou a hipótese com dois confidentes:
– O senhor está louco? Dilma não tem nenhuma condição – ouviu dos interlocutores.
Ensimesmado, Lula telefonou para o ex-governador Olívio Dutra, convidando o ex-colega de apartamento na Constituinte para uma conversa em Brasília. O gaúcho foi o primeiro a apoiar a escolha.
Em abril de 2007, a possibilidade de Dilma ser a candidata apareceu na imprensa. Mesmo sem comunicá-la do plano, o presidente dava sugestões:
– Dilma, você precisa perder essa cara de escritório.
Por orientação de Lula, ela passou a participar dos principais eventos do governo. Anunciou a descoberta da megajazida de petróleo na Bacia de Santos, foi fotografada envergando uma mochila militar na Amazônia e abastecendo um carro de Fórmula-1. Era um teste para medir a aceitação popular, a reação do PT e a da oposição. Lula, no entanto, não conversava abertamente sobre a candidatura com a ministra.
– Ela estava angustiada. O presidente fazia insinuações, brincava, mas jamais ia direto ao ponto – conta um servidor da Casa Civil.
No início de 2008, Lula enfim chamou Dilma a seu gabinete. De inopino, avisou que ela seria candidata à Presidência.
– O senhor só pode estar brincando – reagiu Dilma.
– Nunca falei tão sério na minha vida. Você vai ser a próxima presidente do Brasil – devolveu Lula.
Lula foi se surpreendendo com a simpatia de Dilma para com a empreitada. Em março de 2008, discursando no Rio, o presidente cunhou a expressão “mãe do PAC”.
Em 2009, surgia uma nova Dilma
A repercussão foi imediata e selou o início da metamorfose de gestora burocrática em candidata popular. Lula fez das eleições municipais um laboratório para a auxiliar. No debut – o lançamento da candidatura de Maria do Rosário (PT) à prefeitura de Porto Alegre, escolhido justamente pela atmosfera caseira –, o resultado não foi animador.
A mando do marqueteiro João Santana, o discurso de Dilma foi filmado. O diagnóstico, implacável: feições carregadas, falava mal em público e era desprovida de carisma. Dilma tirou os óculos. Não bastou. Santana reclamou das olheiras, sugeriu uma intervenção cirúrgica. Na virada do ano, a petista telefonou à amiga gaúcha, a psiquiatra Vera Stringuini, pedindo o telefone do cirurgião plástico Renato Vieira. Em 2009, uma Dilma repaginada surgia em Brasília.
Em março, Lula levou Dilma aos Estados Unidos. Ao final de reunião com Barack Obama, ao perceber os jornalistas, virou-se para a pupila, que aguardava numa sala:
– Dilma, vem aqui. Você não vai ficar atrás de mim, vai?
– Não, presidente, vou ficar ao seu lado.
Ela estava pronta, pensou Lula.
Submetida à oratória de palanque, em 22 de abril, horas antes de inaugurar uma planta industrial da Braskem, em Triunfo, a ministra recebeu um telefonema. Soube que um nódulo extraído de sua axila esquerda representava o primeiro estágio de um câncer nos gânglios linfáticos. Para Dilma, a candidatura havia acabado. De volta a Brasília, informou Lula da doença.
– É no pulmão? – perguntou ele.
– Não, presidente, é um linfoma. É no sangue – Dilma respondeu.
– Então não tem problema. Se não é no pulmão, vai dar tudo certo e você vai ficar mais forte ainda – confortou Lula.
Dilma foi operada, fez sessões de quimioterapia e se recuperou. Começava o polimento da candidata. Em novembro, a necessidade de uma preparação intensa revelou-se urgente. Uma falha na operação da usina de Itaipu deixou parte do país às escuras. Cobrada pela imprensa, a ministra foi rude.
– Você está confundindo duas coisas, minha filha. Uma coisa é blecaute. Racionamento é barbeiragem – vociferou.
No início de 2010, Lula convocou Dilma para uma reunião noturna no Alvorada. Diante da equipe de Santana, foi enfático:
– Infelizmente, quem elege presidente é a TV, são os marqueteiros. Eu já me irritei muito com essa gente, mas foram eles que me fizeram presidente. Então, quero que você faça o que eles te pedem porque esses cabras aqui entendem das coisas.
Dilma aquiesceu, deixando Lula com a missão de atrair o PMDB para a aliança. Para tornar a chapa competitiva, ele sabia que precisava do tempo de TV do partido. Nomeando cargos e liberando emendas, Lula intensificou o assédio, mas as relações entre Dilma e o indicado a vice, Michel Temer, eram protocolares.
Ela jamais simpatizara com Temer, a quem considerava obsequioso demais à gula por cargos do PMDB. Em 4 de maio, entre garfadas de peixe ao molho de maracujá, servido por Dilma a um aristocrático interlocutor, eles selaram a aliança.
O início da campanha foi desastroso. Nos discursos, Dilma trocava os nomes de cidades e de aliados. Para os estrategistas do PT, a virada se deu no dia 9 de agosto, em entrevista ao Jornal Nacional. Apesar das perguntas ásperas, Dilma se saiu bem. Quatro dias antes, já passara incólume pelo primeiro debate. Em 13 de agosto, pela primeira vez o Datafolha mostrava a petista à frente de Serra. A partir dali, até mesmo as reuniões dominicais com o presidente Lula foram diminuídas.
PT despreparado para o 2º turno
Na última semana de campanha, Dilma sofreu um revés inesperado. Em meio ao otimismo que contagiava o comitê, na segunda-feira, 27 de setembro, a candidata soube que estava perdendo votos entre católicos e evangélicos. Encontros de emergência com líderes religiosos foram insuficientes para estancar a sangria. A polêmica em torno do aborto, somada ao escândalo de tráfico de influência na Casa Civil, provocaram o segundo turno. No domingo da eleição, como se estivesse pressentindo o golpe, Dilma desabafou em Porto Alegre.
– Quem combate o bom combate sai mais forte do que entrou, seja no primeiro, seja no segundo turno.
À tarde, a petista acompanhou a contagem dos votos com Lula, em Brasília. O ambiente ficou tenso com a possibilidade cada vez mais escassa de uma vitória no primeiro turno. Lula tentou tranquilizar a candidata:
– Calma. As coisas nunca foram fáceis para nós. Vamos ganhar no segundo turno.
De imediato, Lula traçou a estratégia para a próxima etapa da campanha. Governadores e senadores eleitos da base deveriam estar em Brasília no dia seguinte. Era hora de mobilização total nos Estados.
O PT, contudo, não estava preparado para um segundo turno. Na maioria dos comitês, não havia mais material de propaganda. A previsão de gastos cresceu em R$ 15 milhões e Dilma mudou o comportamento, evitando arestas com jornalistas e agregando mais aliados à coordenação de campanha.
A crise se ampliou com a primeira pesquisa do segundo turno, apontando um crescimento vertiginoso de José Serra. Dilma engordou, caminhava com dificuldade após torcer o pé na esteira e perdia a voz com frequência. No primeiro debate, porém, partiu para o ataque, com um discurso ensaiado para motivar a militância.
– Como era um contra o outro, a ideia era colocar o Serra na defensiva, forçar uma rejeição citando escândalos e a volta das privatizações – diz um membro da campanha.
Nas semanas seguintes, Dilma voltou a recuperar vantagem nas pesquisas. Faltava, porém, o último debate da eleição, na Globo, no qual 80 eleitores indecisos fariam perguntas aos candidatos. O confronto foi morno, sem grandes provocações. Ao final, Dilma foi surpreendida com pedidos de autógrafos dos indecisos. Posou para fotografias em meio à plateia e, nos bastidores, recebeu um telefonema de Lula. Da conversa, só se sabe a resposta da candidata.
– Deus te ouça.
Tão logo se encerrou a ligação, Dilma foi abraçada por assessores eufóricos, aos gritos de “nós ganhamos, nós ganhamos”. No camarim, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, o governador de Sergipe, Marcelo Déda, e o ator global José de Abreu cantavam Arueira, de Geraldo Vandré:
“E a gente fazendo conta,
Pro dia que vai chegar
Marinheiro, marinheiro
Quero ver você no mar
Eu também sou marinheiro
Eu também sei governar”

Folga

01 de novembro de 2010 0

Após intensa rotina de campanha, a presidente eleita Dilma Rousseff, enfim, vai tirar uns dias de descanso. Sai nesta quarta-feira e retorna no domingo. A breve parada não deve incluir visita ao Rio Grande do Sul.

Dilma descansa em Brasília

01 de novembro de 2010 0

A presidente eleita Dilma Rousseff, do PT, deve passar a manhã descansando na sua residência, no Lago Sul, em Brasília. A repórter Viviane Cardoso informa que, por volta das 10h30, Antonio Palocci, o coordenador da campanha, Marco Aurélio Garcia, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e outros correligionários chegaram à casa dela. Eles estão tendo uma reunião de coordenação e organizando a agenda da presidente eleita. Dilma Rousseff deve retornar algumas ligações de chefes de Estado. Um dos assuntos discutidos é se vai ter ou não a entrevista coletiva, que, inicialmente, estava prevista para esta segunda-feira. A movimentação de jornalistas é intensa em frente à residência.

O governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), acompanhou Dilma durante o domingo em Brasília, inclusive, no pronunciamento oficial realizada à noite. Mas, por volta das 9h30, já embarcou de volta a Porto Alegre.