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Primeira vitória de Dilma

17 de fevereiro de 2011 0

Para quem chegou ao Palácio do Planalto há pouco mais de um mês como uma gerente de perfil técnico sem o traquejo do antecessor em mesas de negociação, Dilma Rousseff obteve ontem uma vitória capaz de ampliar o capital político do governo: manteve a base unida em torno da proposta que estabelece um salário mínimo de R$ 545. Mesmo pressionada por centrais sindicais, atacada pela oposição e chantageada por aliados, a presidente Dilma Rousseff garantiu ontem, na Câmara, o salário mínimo de R$ 545, na sua primeira demonstração de força na Câmara.
A maioria dos deputados aceitou o valor estipulado pelo Planalto ao rejeitar outras duas propostas, que previam cifras de R$ 600 e R$ 560. O próximo passo é aprovar o projeto no Senado, em votação prevista para quarta-feira. Enquanto o Planalto atuava nos bastidores, os sindicalistas, nas galerias da Câmara, constrangiam os parlamentares. Com bandeiras de centrais sindicais, eles vaiavam os deputados que defendiam a proposta do governo e aplaudiam quem pedia um valor maior. Um dos mais criticados, o relator do projeto do salário mínimo, Vicentinho (PT-SP), minimizou os protestos.
– Tenho certeza de que essas vaias vão se transformar em aplausos em janeiro do ano que vem, quando o mínimo vai para R$ 616 – disse o ex-presidente da CUT.
O relatório de Vicentinho, além de manter o valor de R$ 545, fixa até 2015 a política de reajuste com base no acordo firmado entre o governo Lula e as centrais em 2007. Por esta fórmula, todo ano, o mínimo será reajustado pela inflação do ano anterior mais o crescimento da economia registrado dois anos antes. Por essa regra, a Fazenda prevê mínimo de R$ 616 em 2012. Desde o dia 1º de janeiro, o piso é de R$ 540 (no ano passado era R$ 510), valor estipulado por medida provisória. O novo valor não retroage a janeiro.
O Planalto escalou ministros para pressionar suas bancadas. Paralelamente, manteve as negociações com as legendas para preencher cargos do segundo escalão. Durante o dia, governistas calculavam que obteriam 320 votos favoráveis entre os 513 membros da Casa. Pela manhã, os ministros Antonio Palocci (Casa Civil), Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) se reuniram para uma avaliação da situação pré-votação. Acionado pela própria presidente, o vice-presidente Michel Temer foi ao Congresso apelar aos correligionários para que se mantivessem fiéis:
– Claro que não quero influenciar ninguém, mas, se for possível, vamos atender ao pedido do líder (do PMDB) Henrique Eduardo Alves para darmos uma demonstração de que esta é uma bancada unitária.
Ainda que o governo não demonstrasse preocupação com uma eventual derrota, foi mal recebida pela cúpula do Planalto a notícia da liberação da bancada por parte do PDT. A sinalização é de que o ministro Carlos Lupi (Trabalho) poderá pagar caro por isso. A oposição acusava Dilma de ter “feito um balcão de negócios”.
– É o imperialismo da presidente Dilma, que diz que quem não votar não terá cargos, é lamentável – afirmava ACM Neto (DEM-BA).

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