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Ambiente é obstáculo para nova ponte do Guaíba

01 de julho de 2011 0

FABIANO COSTA | Brasília

Reféns do sobe e desce da ponte do Guaíba, os 40 mil motoristas que enfrentam todos os dias os engarrafamentos da principal ligação entre Porto Alegre e a Metade Sul terão de torcer para desfrutar de uma nova travessia até 2015. Além da burocracia, o impacto ambiental sobre o Delta do Jacuí é um dos obstáculos para desatar o nó viário.
Os estudos que apontaram um traçado com acesso na Rua Dona Teodora como a melhor opção advertiram o governo federal sobre os problemas com o ambiente. Na avaliação dos técnicos da Ecoplan Engenharia, contratada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para elaborar o parecer, há pelo menos quatro empecilhos para tirar o projeto do papel.
A primeira dificuldade é a interferência da estrutura no parque estadual e na área de proteção do Delta do Jacuí, região que abrange 22,8 mil hectares. Segundo os especialistas, também haveria perda de vegetação das margens nas quais serão construídos os pilares ou os novos trechos de estrada. O revolvimento do leito do rio para execução das fundações e a remoção das famílias que habitam a rota da ponte são outras preocupações.
Antes de dar início às obras, o Dnit terá de apresentar soluções para as questões ambientais. Segundo o diretor de Infraestrutura Terrestre do Dnit, Hideraldo Caron, o licenciamento será solicitado durante a elaboração do projeto. Para facilitar a adequação, os engenheiros sugeriram que o governo discuta o projeto com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e elabore um programa de controle rígido para a execução das obras.
O investimento em compensação ambiental que deverá ser aplicado na unidade de conservação pode alcançar R$ 5,8 milhões. O Dnit também terá de apresentar soluções para as comunidades atingidas. Contudo, o número de pessoas que serão removidas será calculado somente na reta final das etapas preliminares.
Apesar das repercussões ambientais, a rota da Rua Dona Teodora não é a alternativa com maior impacto. Conforme o estudo da Ecoplan, o traçado com conexão direta na Rodovia do Parque (BR-448) causaria mais estragos. Com 5,3 quilômetros de extensão – a mais longa entre as rotas avaliadas –, essa opção, descartada pelo Dnit, também traria dificuldades para se ligar à freeway (BR-290).



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