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Dilma prepara o antídoto para conter rebelião aliada

14 de agosto de 2011 0

Por Fabiano Costa

Depois de encerrar a semana sob chantagens e ameaças de uma CPI para investigar o governo, a presidente Dilma Rousseff resolveu ceder para evitar retaliações no Congresso. Para conter aliados ávidos por cargos e emendas, Dilma lapida um pacote de benesses para tentar retomar o controle da base.
A primeira iniciativa virá nos próximos dias. O Planalto promete irrigar as bases políticas dos parlamentares com R$ 1 bilhão das emendas de 2011 e R$ 150 milhões dos restos a pagar dos últimos três anos. O contingenciamento é um dos motivos do ressentimento contra o governo no Congresso, na medida em que prefeitos e vereadores cobram obras para usar como vitrine nas eleições.
– A pressão está muito grande. Há prefeitos que chegam a ser grosseiros conosco, dizendo que não estamos nos esforçando – diz o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).
Ao longo da quinta-feira, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, se empenhou para convencer o titular da Fazenda, Guido Mantega, a liberar uma parcela das emendas, apesar das incertezas com a crise internacional. A segunda frente de ação deve ser o preenchimento dos cargos de segundo e terceiro escalão com indicações aliadas. Por fim, aconselhada por Lula, a presidente decidiu reforçar sua articulação política com o vice-presidente Michel Temer. O peemedebista, que presidiu três vezes a Câmara, terá o desafio de conter a rebelião na base.
A operação para frear o ímpeto revanchista dos aliados começou na segunda-feira, na reunião da coordenação de governo. Os ministros advertiram Dilma sobre a insatisfação. Acuado pelas denúncias contra o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o PMDB havia mandado recados no final de semana de que não aceitaria uma intervenção branca na pasta, nos moldes da que implodiu a antiga cúpula dos Transportes. Dilma cortou os subordinados e avisou que se recusava a negociar uma flexibilização. Mandou destituir a direção da Conab.
– Se houver denúncia e o envolvido não conseguir se explicar, está fora – decretou.
Ideli, então, alertou que a presidente teria de, pelo menos, conceder algum agrado, como as emendas. Caso contrário, o clima político se tornaria insustentável. Dilma ordenou que os ministros estudassem alternativas para melhorar o ambiente. No dia seguinte, com o estouro da Operação Voucher no Ministério do Turismo, Ideli se apressou em acalmar o PMDB do Senado, que havia abençoado a indicação do ministro Pedro Novais.
– A aliança entre PT e PMDB é a espinha dorsal do governo – disse Ideli.
Revoltados com as prisões do secretário executivo do Turismo, Frederico da Costa, e do ex-deputado Colbert Martins (PMDB), secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, os senadores encurralaram Ideli. Presidente em exercício do PMDB, Valdir Raupp (RO) disse, em tom ácido, estranhar que Dilma realmente não tivesse conhecimento da operação. A ministra enfatizou que o Planalto não intervém nas ações da PF e que Dilma soube das prisões na manhã de terça-feira. Assessores com trânsito no Planalto, entretanto, asseguram que a presidente havia sido informada da ação da PF com pelo menos dois dias de antecedência. Ela, porém, não teria conhecimento da dimensão das irregularidades e do número de prisões. Dilma teria optado por dizer que desconhecia a operação para não melindrar o PMDB.



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