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Coleção de erros no céu do Brasil

28 de agosto de 2011 0

Por Fábio Schaffner

Todas as semanas, aviões lotados de passageiros cruzam o céu do país. Falhas em radares, na comunicação por rádio com os pilotos, desatenções primárias e deficiências no treinamento dos controladores de voo são fatores que podem contribuir para aumentar os riscos de uma tragédia no ar. Cinco anos após o acidente da Gol no qual morreram 154 pessoas, os problemas se repetem.

Zero Hora teve acesso a documentos confidenciais da Aeronáutica que relatam erros sucessivos no sistema de controle de tráfego aéreo. São descrições de procedimentos arriscados por parte dos pilotos que, alertados pelos sistema anticolisão das aeronaves, precisam fazer manobras evasivas para evitar um choque em pleno ar. Somente nos últimos dias, dois incidentes ocorreram em Brasília. Em um deles, um avião da OceanAir (Avianca) recém havia decolado rumo ao Nordeste quando deparou com um jatinho Beechjet trafegando pela mesma saída. Os voos eram monitorados por um estagiário do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo de Brasília (Cindacta 1), e o instrutor não percebeu a aproximação das aeronaves.

– O OceanAir passou lambendo a traseira do jatinho. Foi assustador – comenta um militar da Aeronáutica envolvido nas investigações.

Na outra ocorrência, um avião Pilatus que havia saído de Belo Horizonte (MG) para Brasília chegou ao aeroporto Juscelino Kubitschek ao mesmo tempo que um Airbus da TAM. O avião comercial vinha atrás, mas era mais veloz do que o Pilatus. Eles estiveram na mesma altitude, distante duas milhas – as normas exigem cinco milhas de separação –, antes de o Airbus da TAM se evadir.

Em pelo menos seis de oito relatórios, os assistentes dos controladores admitem que estavam envolvidos em outras tarefas quando os incidentes aconteceram. Foi o que ocorreu em 7 de dezembro do ano passado. Por falta de atenção, o controlador não observou que o alerta anticolisão estava piscando no radar. O sistema apontava o risco de uma batida entre aeronaves da TAM que viajam em sentidos opostos – São Paulo/Brasília e Brasília/São Paulo. Quando sobrevoavam os arredores da capital federal, os dois Airbus tiveram de fazer manobras evasivas.

O controlador afirma que restringiu a altitude de voo de um dos jatos, mas não checou se a mensagem havia sido recebida pelo piloto. As duas aeronaves se cruzaram no céu. No relatório da Aeronáutica, o controlador admite a falha, justificada pela sobrecarga de trabalho.

– Dormi muito pouco na noite anterior, em decorrência de problemas com insônia devido à alta carga de trabalho – desabafa o militar.

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