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Em 2011, já são 60 mortes

28 de agosto de 2011 0

Falhas como as relatadas nesta reportagem têm se multiplicado. Somente no controle de aproximação do Cindacta 1, foram contabilizados 16 incidentes de quase colisão este ano. Em toda a região, há cerca de 30 relatos de que as normas de segurança foram violadas desde novembro de 2010. Na maior parte das vezes, os casos não vêm a público, embora sejam discutidos pelo comando da Força Aérea.

Um documento do Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea), assinado pelo coronel-aviador Luiz Ricardo de Souza Nascimento e com data de 21 de outubro de 2010, relata que, dois dias antes, quatro aeronaves quase colidiram enquanto sobrevoavam o aeroporto de Guarulhos. Os incidentes ocorreram em um período de 10 minutos.

O mais evidente alerta dos perigos que rondam o céu do país estão nos dados da própria Aeronáutica. Em 2011, a Força Aérea registrou 95 acidentes até 1º de agosto – um a cada 2,3 dias. Foram 60 mortes, ante as 39 registradas em todo o ano passado. As recentes quedas de um avião da FAB em Santa Catarina e de um helicóptero a servi da Petrobras no Rio acrescentaram 12 novas vítimas a esse obituário aéreo.

O QUE DIZ A AERONÁUTICA:

“O fato do Traffic Collision Avoidance System (TCAS) – mecanismo de segurança dos aviões –  emitir um aviso não significa uma quase-colisão, e sim que uma aeronave invadiu a “bolha de  segurança” de outra. Essa bolha é uma área que mede oito quilômetros na horizontal e 300 metros na vertical quando as aeronaves sobrevoam regiões próximas à aeroportos. A invasão da bolha não significa sequer uma rota de colisão, pois as aeronaves podem estar em rumos paralelos ou  divergentes, ou, ainda, com separação de altitude, em ambiente tridimensional.

A situação pode ser corrigida pelo controle do espaço aéreo ou por sistemas de segurança

instalados. Nem toda ocorrência, portanto, consiste em risco à operação. Todas as ocorrências,no entanto, dão início a uma investigação, com o objetivo manter um elevado nível de atenção e melhorar os procedimentos de tráfego aéreo no Brasil. Incidentes e acidentes não são aceitáveis em nenhum número, em qualquer escala.

Para garantir a segurança do controle do espaço aéreo no futuro, a Aeronáutica investe na formação de controladores de tráfego aéreo. Nenhum controlador exerce atividades para as quais não esteja plenamente capacitado. Segundo o Panorama Estatístico da Aviação Civil Brasileira, dos 26 tipos de fatores contribuintes para ocorrência de acidentes no país entre 2000 e 2009, o controle de tráfego aéreo ocupa a 24ª posição (0,9%).

Uma auditoria realizada em 2009 pela International Civil Aviation Organization (Icao), organização máxima da aviação civil, ligada às Nações Unidas, com 190 países signatários, Classificou o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro entre os cinco melhores no mundo. De acordo com a Icao, o Brasil atingiu 95% de conformidade em procedimentos operacionais e de segurança.”

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