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José Dirceu: “Sou consultor como outros ex”

31 de agosto de 2011 0

Ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, o ex-ministro José Dirceu respondeu ontem às acusações publicadas em reportagem da revista Veja. Procurada pela Gaúcha, a revista informou, por meio de nota, “que não dá declarações sobre as matérias produzidas pela publicação”.

Rádio Gaúcha – Qual é o comentário do senhor a respeito da reportagem da Veja?
José Dirceu –
O que me assusta e impressiona é que a Veja não dá entrevista. Se vocês ligarem lá para Veja para repercutir a matéria, eles dizem que não têm nada a declarar. É um caso inédito na imprensa brasileira e mundial porque ela deve satisfação à sociedade, aos seus leitores e a todos os brasileiros. É como você assaltar uma casa e depois, quando for preso, dizer para o delegado que a vítima tem de dizer se estava assistindo televisão, se estava almoçando, se estava jantando. Eu estive no Rio Grande do Sul, me reuni com o prefeito José Fortunati, que é meu amigo, com o governador Tarso Genro e com deputados. Como eu não posso receber (autoridades) em Brasília? Viajo pelo Brasil, sou recebido por governadores, senadores e deputados, inclusive da oposição. Com todo mundo, eu converso sobre política.

Gaúcha – Qual seu papel no PT e em relação ao governo?
Dirceu –
Sou dirigente do PT, membro da direção nacional, sou filiado e militante do PT, sou cidadão. Tenho uma história política nesse país, nada vai apagar a minha história política. Não podem me transformar em bandido, em corrupto, em chefe de quadrilha do dia para a noite. Tenho biografia, e nada foi provado contra mim. Não adianta escrever que o procurador-geral da República me acusou, me denunciou e agora fez a alegação final. Tem de provar. A alegação final dele não prova, como nos autos não está provado nada das acusações do MP. Até o Supremo julgar, tenho a presunção da inocência, tenho direitos políticos plenos. Estou inelegível, mas tenho direitos políticos. Por isso, sou filiado ao PT, por isso eu voto e posso ocupar qualquer cargo público nesse país. A não ser que se revogue a Constituição e se faça prejulgamento, linchamento, julgamento pela mídia, pela opinião pública. Isso que está acontecendo no Brasil é o seguinte: você começa a se perguntar se pode conversar no teu local de trabalho ou na tua casa, hotel, escritório. Começa a se perguntar se alguém vai te denunciar, vai te colocar escuta, vai invadir o lugar que é uma extensão do teu escritório. (…) O repórter da Veja vai ter de se explicar no inquérito policial se cometeu ou não as ilegalidades que estão sendo apuradas.

Gaúcha – A reportagem diz que o senhor participou de uma conspiração, apoiando Cândido Vaccarezza para ocupar o lugar de Antonio Palocci. O que o senhor diz?
Dirceu –
É piada dizer que eu conspiro contra a presidenta Dilma, né? Meu blog, minhas declarações, minha atuação no PT e os artigos que escrevo na imprensa são todos eles de apoio ao governo. Todos. É só ver a minha ação.

Gaúcha – A reportagem faz relação entre suas atividades como consultor e o encontro com o presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli. O senhor não atua para empresa no setor de petróleo e gás?
Dirceu –
Não atuo. Eu e Gabrielli nos conhecemos há 30 anos, somos companheiros de partido e amigos. Podemos conversar todo dia.

Gaúcha – O senhor foi procurado pela revista?
Dirceu –
Fui procurado e mandei a resposta pelo meu blog. Coloquei as perguntas que a revista me fez. Respondi publicamente, antes de a matéria sair. Coloquei no blog porque fui surpreendido por informação da gerência do hotel. A camareira tinha levado ao conhecimento da gerência e a seu superintendente o que o repórter da Veja tinha tentado (supostamente invadir o quarto do hotel). Fora que imagens foram roubadas, subtraídas ilegalmente dos arquivos do hotel, do circuito interno do hotel. Ou foi implantada uma câmara, o que é gravíssimo. Ou foi usado o serviço de algum araponga, o que é gravíssimo, porque a publicação dessas fotos é ilegal.

Gaúcha – O senhor orienta seus clientes em relação a negócios com o governo?
Dirceu –
Claro que não. Como eu vou fazer uma coisa dessas? Claro que não faço isso. É engraçado, eu sou advogado e consultor, como outros ex-ministros. Deixei o governo há seis anos. Como podem me cobrar quarentena? A quarentena existe para todos ex-ministros. Depois, eles podem exercer todas as atividades de sua profissão. Imagina se alguém cobra dos ex-ministros do presidente Fernando Henrique Cardoso as atividades que eles estão exercendo de advogado e consultor? Isso é pura perseguição política a mim. É pura discriminação.

A reportagem de Veja
- Segundo a revista Veja, Dirceu estaria conspirando contra o governo Dilma “na mais absoluta clandestinidade”.
- As páginas mostram imagens de visitas de políticos a um gabinete montado por Dirceu em um quarto de hotel no Distrito Federal. A revista diz que, “mesmo sob ameaça de ir para a cadeia por corrupção, o chefe da quadrilha do mensalão continua o todo-poderoso comandante do PT”.
- Uma das visitas é a do presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, em 6 de junho. Veja sugere que a motivação seria um pedido para ficar no cargo.
- No dia 7, os senadores petistas Walter Pinheiro (BA), Delcídio Amaral (MS) e Lindbergh Farias (RJ) vão ao hotel para uma conversa de 54 minutos. A revista diz que, logo após a reunião, os senadores se recusaram a assinar uma nota em defesa de Palocci. O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) também aparece no mesmo dia.
- No dia 8, há as visitas do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), dos deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Eduardo Gomes (PSDB-TO) e do ex-senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO).
- Dirceu, no blog, definiu a reportagem como tendenciosa e reclamou “da violação da privacidade, intimidade e do direito à presunção da inocência”. E disse que o repórter tentou invadir seu quarto.

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