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Bibi, novelas e Cecília Meireles

12 de setembro de 2011 0

Por Fábio Schaffner

É louro, tem olhos castanhos e atende por Bibi o grande amor de Dilma Rousseff. A presidente inclusive quer que ele vá morar com ela, em Brasília. Gabriel Rousseff Covolo, contudo, ainda não pode tomar decisões sozinho. Bibi, o neto da presidente, recém comemora aniversário de um ano neste sábado, em festa reservada no Palácio da Alvorada.
Morando com a mãe, Dilma Jane, e a tia, Arilda, Dilma ainda não se habituou à residência oficial. Acha tudo muito bonito, mas nada aconchegante. Nos escassos momentos de lazer, se recolhe à biblioteca. É a solidão do poder.
Para atenuar essa reclusão, Dilma quer a família por perto. Quando Bibi está em Brasília, ensaiando os primeiros passos nos imensos salões do palácio, a presidente sorri com frequência, está sempre com o neto no colo. O humor muda, para alegria dos auxiliares mais próximos, acostumados à sisudez da chefe. A filha, Paula, procuradora da Justiça do Trabalho, não teria dificuldades em conseguir uma transferência. A resistência consiste no genro, o administrador de empresas Rafael Covolo.
– Ele prefere ficar lá, até para preservar a intimidade – conta um assessor.
Demissão rápida antes da novela
Em Porto Alegre, porém, não há garantias de franca liberdade. A família não dá um passo sem a presença de seguranças. Quando Bibi vai à natação, dois agentes entram antes para uma vistoria. Outros dois aguardam do lado de fora. Dilma prefere que as braçadas do neto sejam na piscina do Alvorada, sob os olhos atentos da avó.
Foi por conta da tranquilidade da moradia presidencial que Dilma reduziu as viagens a Porto Alegre. Além de considerar a logística complicada, detesta importunar a vizinhança com o burburinho dos repórteres.
Dilma vê o palácio como um local de descanso. Jamais cogitou promover convescotes, como as festas juninas ou os churrascos de domingo organizados por Lula. As pressões políticas, no entanto, a levaram a transformar a residência em uma extensão de seu gabinete. Em meio a crises que resultaram na substituição de seis ministros, ela passou a oferecer almoços e jantares a políticos. Menos por prazer, muito por necessidade. Nessas ocasiões, a mãe e a tia se recolhem a seus aposentos. Preferem a novela e o bate-papo. Os únicos recebidos sem cerimônia são Lula e o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento).
– Pimentel é amigo da família. Se necessário, chega lá até de chinelos – comenta um observador da rotina do Alvorada.
Dilma, à medida do possível, tenta preservar os hábitos de uma pessoa comum. Na noite de 4 de agosto, levou três minutos para demitir o então ministro Nelson Jobim. Resolvida a questão, correu para casa a tempo de ver a prisão de Léo, personagem de Gabriel Braga Nunes em Insensato Coração.
Apreciadora de ópera, teatro, cinema e literatura, ela tenta conciliar a jornada de trabalho de 12 horas diárias às suas predileções culturais. O prazer mais assíduo é a leitura. Não dorme sem ler e tem sempre dois livros à mão, caso o primeiro a entedie. A leitura mais recente foi Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Nas plataformas digitais, lê revistas, jornais e obras técnicas, como O Capitalismo Vermelho, de Carl E. Walter e Fraser J. T. Howie, que devorou no Ipad antes da viagem à China, em abril.
Sempre que a agenda permite, Dilma foge para o Alvorada para almoçar com a mãe, em especial durante as viagens da tia Arilda, que cuida das casas da família na capital mineira. No palácio, Dilma não se envolve com os assuntos domésticos. É a matriarca, Dilma Jane, quem orienta o cardápio e dá palpites na decoração. A presidente apenas contribuiu com panos de prato, trilhos de mesa e guardanapos de bandeja, todos enviados por populares ao Planalto, itens de que ela gostou e levou para casa. Outros presentes que encantaram Dilma são um par de brincos, recebidos do presidente de El Salvador, Mauricio Funes, e um xale que ganhou de Cristina Kirchner.
Sempre muito discreta, a presidente tem poucos amigos e é avessa a fotografias que devassem sua intimidade. Ri com as paródias que satirizam seu temperamento em programas de TV, mas em geral faz restrições aos exageros dos humoristas.
– Ela é muito solitária. As risadas surgem com facilidade mesmo é quando ela está na companhia do Bibi – conta um assessor.

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