Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Quinta queda expõe novo estilo de Dilma

15 de setembro de 2011 1

Por Fábio Schaffner

Ao perder seu quinto ministro em um período de cem dias, a presidente Dilma Rousseff tenta conciliar a imagem de intolerante à corrupção com a necessidade de manter o apoio do PMDB.
Demitido por conta de uma governanta, um chofer e uma estadia em motel – todos pagos com dinheiro público –, o ministro do Turismo, Pedro Novais, deixou o cargo sem provocar traumas na relação do Planalto com o principal partido de sustentação do governo.
Foi por precaução que Dilma mudou o estilo de se livrar de auxiliares incômodos. Quando decidiu exonerar Alfredo Nascimento dos Transportes, em julho, a presidente agiu à revelia do PR e criou uma defecção no consórcio governista. Houve ameaça de revide disparada pelo partido, e boa parte da base de apoio no Congresso cogitou promover uma CPI como resposta à decantada faxina que Dilma estaria disposta a realizar na Esplanada.
Desde então, a petista passou a conduzir com sangue-frio as substituições de ministros. Nelson Jobim (Defesa) só caiu após a terceira alfinetada sucessiva no governo, e Wagner Rossi (Agricultura) permaneceu um mês sob alvo de denúncias antes de capitular.
No caso de Jobim, Dilma não queria contrariar o ex-presidente Lula, padrinho da indicação. A presidente foi ainda mais cautelosa na queda de Rossi, a despeito da coleção de suspeitas que recaíam sobre o ministro. Como o titular da Agricultura era vinculado ao vice-presidente Michel Temer, Dilma não queria abrir uma crise institucional.
– Quando Nascimento caiu, o PMDB deixou claro para Dilma que não aceitaria o mesmo tratamento – conta um assessor palaciano.
Essa flexibilidade política de Dilma foi cultivada por Lula. Em sucessivos encontros com a presidente, o petista a avisou dos riscos de se afrontar a base governista com demissões sumárias. O resultado foi que a exoneração de Novais foi a menos traumática entre todas as quedas de ministros. Além de não ter nenhuma interlocução com a presidente – só foi recebido uma vez no Planalto em oito meses e meio de governo –, era unânime a avaliação de que ele nunca reuniu condições de ser ministro e de que seria substituído na reforma do primeiro escalão que Dilma pretende conduzir no final do ano.
Líder do PMDB forçou a saída
Dilma jamais simpatizou com o ministro. Durante a formação do governo, ela foi obrigada a aceitar o maranhense, cuja indicação foi costurada pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), com o presidente do Senado, José Sarney (AP).
No início de agosto, Novais só não foi demitido na esteira da Operação Voucher porque as irregularidades tinham sido cometidas antes da gestão dele na pasta. Ontem, enquanto sua demissão era dada como certa em Brasília, ele resistia a entregar o cargo. Cobrado por telefone por Eduardo Alves, ele afrontou o padrinho político:
– Não pedi para ser ministro. Quem me colocou aqui que me tire.
O deputado se dirigiu ao gabinete do ministro, forçando-o a redigir uma carta de demissão. O PMDB tinha pressa. A exemplo da queda de Rossi, o partido queria demonstrar unidade e sugerir com rapidez o nome de um substituto. O objetivo era evitar que a queda do seu terceiro ministro não ofuscasse um encontro que a legenda realiza hoje em Brasília para discutir estratégias para a eleição de 2012 e no qual está prevista uma ovação a Temer.
Acompanhado de Temer, Novais entregou sua carta de demissão a Dilma às 18h15min – livrando a presidente do peso da tarefa de afastá-lo. Permaneceu apenas cinco minutos no gabinete presidencial.

Comentários (1)

Envie seu Comentário