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Damasco, só cristalizado

20 de setembro de 2011 0

Por Klécio Santos

Dilma Rousseff prometeu dar continuidade ao legado de Lula na política externa, com ênfase na questão dos direitos humanos. O que era para ser um diferencial, porém, até agora não passou de omissão. O maior de todos os silêncios é com as revoltas no mundo árabe, em especial na Síria e na Líbia. Embora com ressalvas à repressão na Síria, o Itamaraty não apoiou as sanções ao regime de Bashar al-Assad e chegou até mesmo a ver uma suposta disposição do governo de Damasco de mudar sua política. Na Líbia, mesmo com Muamar Kadafi isolado, nenhuma palavra de apoio aos rebeldes foi ouvida no Planalto. A única ação mais firme nesse sentido foi o anunciado voto a favor do ingresso da Palestina na ONU.
Mas não precisa ir muito longe para observar a inanição da diplomacia nos primeiros meses do governo Dilma. A própria relação com a Argentina, em apoio a Cristina Kirchner, é questionada pela equipe econômica do governo. Em épocas de retaliações do vizinho, o governo faz cara de paisagem, numa clara manifestação de interesse eleitoral sobrepujando as questões comerciais.
De qualquer forma, mesmo sem uma identidade própria na política externa, Dilma vem ganhando deferências, como a visita de Obama ao Brasil e agora a capa da Newsweek, na véspera de sua estreia na ONU. Mas a herança de Lula continua em pleno vigor – Celso Amorim está de volta e há riscos de uma condenação na Corte de Haia por conta do Caso Battisti. Não vai mudar em nada, mas o efeito será negativo. Daí a pressa de Dilma em aprovar a Comissão da Verdade, talvez numa demonstração de que primeiro a presidente quer esclarecer um passado sombrio da nação antes de exigir comportamento recíproco de outros países.

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