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Dilma na ONU - A nova face externa

20 de setembro de 2011 0

Por Fábio Schaffner

Primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU, amanhã, em Nova York, a presidente Dilma Rousseff debuta no principal fórum de nações do planeta com uma postura mais discreta e pragmática na condução da política externa – em contraste com o estilo despojado do ex-presidente Lula.
A cautela de Dilma se sobrepõe até mesmo ao respeito aos direitos humanos, anunciado como eixo central da diplomacia brasileira.
Ela tem evitado manifestações contundentes do Itamaraty. Embora tenha exaltado a “onda saudável de democracia” nos países árabes e no norte da África e antecipado um voto favorável ao ingresso da Palestina nas Nações Unidas, o Planalto mantém distância da discussão sobre as revoltas no mundo árabe. O Brasil se absteve na votação do Conselho de Segurança da ONU que autorizou os ataques ao regime de Muamar Kadafi. A mesma postura é adotada com relação às violentas repressões conduzidas pelo governo da Síria.
– Dilma é muito mais sóbria com relação aos assuntos internacionais, mas ela não tornou os direitos humanos um critério predominante – pontua o diplomata Rubens Ricupero.
Em contrapartida, a diplomacia brasileira se afastou de ditadores como Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, e voltou a se aproximar dos Estados Unidos. Ex-embaixador em Washington, o chanceler Antonio Patriota admitiu que vê com desconfiança o programa nuclear iraniano, uma atitude jamais adotada no governo Lula. Esse distanciamento de crises internacionais tem pautado o Itamaraty. Para a professora Maria Helena Santos, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais da UnB, a conduta da diplomacia reflete a personalidade retraída de Dilma, sobretudo nos palcos internacionais:
– Lula se considerava o grande líder do Terceiro Mundo. Dilma é mais comedida.
De acordo com Maria Helena, Dilma desperta a curiosidade dos líderes mundiais pela dedicação à gestão da economia interna e ao combate à corrupção, tônica da reportagem que a colocou na capa da revista americana Newsweek. Lula atraía as atenções pela capacidade de interlocução e pela intensa agenda internacional. Até a ida a Nova York, Dilma fez seis viagens internacionais, permanecendo 16 dias no Exterior. No mesmo período, Lula visitou 12 países, ficando 40 dias fora.
Apesar da diferença de estilos, os especialistas não enxergam grandes mudanças no fio condutor da política externa brasileira. O prestígio aos países emergentes, a aproximação com a África e os laços estreitos com a América Latina continuam sendo prioridade do Itamaraty. Tanto que, até agora, Dilma só esteve em um único país europeu (Portugal), ainda não retribuiu a visita oficial do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (com quem se encontra hoje, por conta dos compromissos na ONU) e fez à China sua mais extensa viagem. A adoção de uma política externa semelhante, contudo, não resulta em uma repercussão similar a que Lula obtinha no Exterior.
– O Brasil perdeu espaço, mas por causa da oratória. Dilma se caracteriza pelo silêncio. Lula fala tanto que, mesmo fora do poder, vai fazer campanha pela Cristina Kirchner na Argentina, algo nunca visto – diz o historiador Marco Antonio Villa.

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