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Posts de outubro 2011

Dilma demonstra apoio à Lula

29 de outubro de 2011 0

Por Maíra Gatto

A presidente Dilma Rousseff divulgou uma nota apoiando o processo de recuperação do ex-presidente Lula. Ele foi diagnosticado com um câncer de laringe na manhã deste sábado, em São Paulo.

No texto Dilma diz que ela e a equipe do governo torcem pela rápida recuperação de Lula, que deve iniciar o tratamento de quimioterapia na próxima segunda-feira. A presidente lembrou que passou pelo mesmo tipo de tratamento e elogiou a equipe do Hospital Sírio-Libanês, onde Lula passa o dia fazendo exames. “Tenho certeza de que, com sua força, determinação e capacidade de superação de adversidades de todo o tipo, vai vencer mais esse desafio. Contará também, para isso, com o apoio e a força de Dona Mariza”, completou a presidente.

Lula deve deixar hospital à noite

29 de outubro de 2011 0

Por Maíra Gatto

Segundo a assessoria de Lula, o ex-presidente sentiu rouquidão maior do que o normal e incômodos na garganta ao longo dessa semana. Recebeu a recomendação médica de realizar exames. A bateria iniciou ontem e se estende ao longo deste sábado. Lula deve deixar o hospital no início da noite.



Ex-presidente Lula é diagnosticado com câncer de laringe

29 de outubro de 2011 0

Por Maíra Gatto

O ex-presidente Lula será submetido à quimioterapia nos próximos dias para tratar um tumor localizado na laringe. Segundo o boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, Lula realizou exames na manhã deste sábado, em São Paulo. Os médicos informaram ainda que ‘o ex-presidente encontra-se bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial’.

Confira o boletim médico:
O Ex-Presidente da República, Sr. Luís Inácio Lula da Silva realizou exames no dia de hoje no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, tendo sido diagnosticado um tumor localizado de laringe.
Após avaliação multidisciplinar, foi definido tratamento inicial com quimioterapia, que será iniciado nos próximos dias. O paciente encontra-se bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial.
A equipe médica que assiste o Ex-Presidente é coordenada pelos Profs. Drs. Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz, Luiz Paulo Kowalski, Gilberto Castro e Rubens V. de Brito Neto.


“Já saiu o ódio do meu coração”

27 de outubro de 2011 0

Entrevista: Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes

Por Fabiano Costa

Demitido após quatro dias de sucessivas denúncias, o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento reclama que o Planalto adotou postura mais branda com Orlando Silva. De volta ao Senado, ele ameaça migrar para a oposição e diz que a crise política não se encerra com o afastamento do ministro do Esporte.

Zero Hora – Foi difícil deixar o governo federal com a pecha de corrupto?
Alfredo Nascimento – Estou engatinhando. Ainda não consegui retomar completamente minha carreira política. Fui para o ministério para tirá-lo das páginas policiais. De repente, explode uma bomba no meu colo, e não fui eu que a acionei.

ZH – Houve tratamento diferenciado do Planalto diante das denúncias envolvendo os ministérios do Transporte e do Esporte?
Nascimento – Sim. Dilma foi aprendendo com o tempo. Afinal, foram tantas denúncias de irregularidades em seu governo. O azar do PR é que nosso escândalo foi o primeiro. Mas vai ter outra crise daqui a pouco, não vai parar nessa.

ZH – O senhor guarda mágoa da presidente?
Nascimento – Não. Já saiu o ódio do meu coração. Quem é político está exposto a essas situações.

ZH – Na sua avaliação, por que o senhor caiu em quatro dias e o ministro do Esporte resistiu durante 11?
Nascimento – Eu pedi para sair. Entendi que não bastava ter apoio, era preciso sustentação política.

ZH – O ex-ministro do Esporte deveria ter deixado o governo antes do aumento da crise?
Nascimento – Se no início da crise eu tivesse a oportunidade de dar um conselho para o Orlando, teria dito para ele sair bem antes. Faz a defesa e sai. Não tem de protelar.

ZH – O PR estuda retornar para a base governista?
Nascimento – A independência é uma situação transitória, um limbo político. Ainda que não possa tomar uma decisão sem consultar meu partido, preferia migrar para o bloco oposicionista.

Eles não usam mais black-tie

27 de outubro de 2011 0

Por Fábio Schaffner

Enquanto desfrutavam das benesses do poder, eles exibiam seu prestígio desfilando em solenidades oficiais ou articulando nos bastidores do governo.
Da vitrine da República ao cadafalso da Esplanada, os ministros demitidos pela presidente Dilma Rousseff por suspeitas de corrupção agora evitam circular por locais públicos.
Esse comportamento tem sido padrão na rotina de Antonio Palocci (Casa Civil), Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo). A exceção é Alfredo Nascimento (Transportes), que retomou o mandato parlamentar e tem feito da tribuna do Senado um palanque para sua defesa. Primeiro a perder o cargo, até junho Palocci atuava como um primeiro-ministro. Das votações no Congresso às nomeações, nenhuma decisão importante era tomada sem a participação dele.
Longe do Planalto há quatro meses, o único petista a sucumbir diante das denúncias que tumultuaram o primeiro escalão do governo mantém a discrição. Não tem se envolvido em questões partidárias e está retomando as atividades de consultor de gestão empresarial. Na semana passada, alterou em cartório o registro de sua empresa, a Projeto, reassumindo as funções administrativas. Foi por causa de suspeitas de lavagem de dinheiro com contratos da Projeto que Palocci perdeu o cargo. Recluso em São Paulo, ele tem viajado só para Ribeirão Preto, sua base eleitoral. Na cidade, contudo, não participa de eventos políticos, restringindo-se a visitas à família.
É no mesmo município do interior paulista que Wagner Rossi se refugiou desde que deixou a Agricultura. A exemplo do ex-colega de Esplanada, ele não se envolve em questões políticas nem sequer frequenta restaurantes. Rossi passa a maior parte do tempo em casa, construção avaliada em R$ 9 milhões e construída em uma área de 400 mil metros quadrados.
– Na semana passada, ele viajou, mas quando está em Ribeirão ele fica sempre em casa – comenta um jornalista do município.
Dos demitidos, Novais é o único deputado. Desde que retornou à Câmara, é presença rara no plenário. Das 25 sessões do período, ele faltou a 12. As ausências foram todas abonadas, sob a justificativa de que estava em compromissos partidários ou em tratamento de saúde.

Escândalos desafiam Dilma

27 de outubro de 2011 0

Por Fabiano Costa e Fábio Schaffner

Com seis ministros demitidos em 10 meses de mandato, a presidente Dilma Rousseff inaugura uma galeria insólita na história da República.
Nunca um inquilino do Palácio do Planalto em primeiro mandato perdeu tantos integrantes do primeiro escalão em tão curto espaço de tempo.
Da queda de Antonio Palocci (Casa Civil), em junho, até a saída de Orlando Silva (Esporte), Dilma se viu forçada a afastar um subordinado a cada 23 dias. De 1º de janeiro até agora, foi um a cada 49,8 dias. Ao mesmo tempo em que conduz um governo aprovado pela população e pouco afetado pela crise internacional, ela tenta estancar uma sucessão de denúncias que ameaçam minar a credibilidade de sua gestão.
– Daqui a 30 anos, quando algum historiador estiver escrevendo sobre 2011, vai ficar assombrado com o número de escândalos colecionados nesse início de governo – afirma o historiador Marco Antonio Villa.
Dos seis ministros afastados, apenas um deixou a Esplanada sem estar acossado por suspeitas de irregularidades, Nelson Jobim (Defesa). A queda de Orlando representa para Dilma a ampliação do próprio recorde. Nesse cipoal de malfeitorias, houve desde quem saiu porque pagava a governanta com dinheiro público (Pedro Novais) a quem se viu acusado de comandar esquemas milionários (Alfredo Nascimento).
Orlando seria “esquartejado”, diz senador
Somente nos ministérios do Esporte e dos Transportes, os desvios somam mais de R$ 700 milhões – mesmo valor que Dilma pretende investir para erradicar e miséria no Nordeste. Para especialistas ouvidos por ZH, na origem da rapinagem estão o loteamento político dos ministérios e a voracidade dos partidos, que usam a máquina estatal para financiamento eleitoral.
- A corrupção tem a ver com ocupações dentro dos ministérios. Há verdadeiras quadrilhas – avalia o cientista político Jairo Nicolau, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
No vale dos caídos do governo Dilma, estão quatro ministros remanescentes da gestão do ex-presidente Lula. Nos oito anos de mandato, Lula sempre admitiu a dificuldade para demitir seus subordinados. Embora tenha se dobrado aos pedidos do padrinho político, mantendo no ministério pessoas nas quais não confiava, bastaram surgir as primeiras denúncias para Dilma romper com esse modelo.
O único que contou com a paciência da presidente foi Palocci, até então seu mais influente e poderoso auxiliar. Nas crises seguintes, Dilma conduziu a saída dos suspeitos com frieza, esvaziando as atribuições e isolando cada ministro enrascado até levá-los a pedir demissão. Foi assim com Nascimento, Novais e Orlando, por exemplo.
– Não podíamos deixar Orlando ser esquartejado – desabafa o senador Inácio Arruda (PC do B-CE).
O cientista político Marcus Figueiredo, professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, afirma que Dilma está tomando providências na medida em que as irregularidades aparecem:
– Ela não passa a mão na cabeça de subordinado.

Conversas do Planalto - Um ministro em apuros

25 de outubro de 2011 0

Ministro rebate novas denúncias contra o Esporte

23 de outubro de 2011 1

Por Ruy Conde

Acossado por suspeitas de envolvimento em um esquema de corrupção, o ministro do Esporte, Orlando Silva, rebateu as novas acusações de fraude na pasta publicadas no final de semana. Reportagem da revista Veja revelou trechos de uma gravação feita pelo delator do esquema, João Dias Ferreira, em que assessores de Orlando dão dicas para o PM fraudar o ministério.
Por meio de nota oficial, o ministro criticou a postura dos veículos de comunicação. Ele desmentiu a reportagem e a classificou de caluniosa, baseada em uma única fonte sem credibilidade. Orlando diz ter determinado a apuração imediata dos fatos e pediu que as supostas gravações sejam incorporadas ao inquérito aberto pela Polícia Federal.
O ministro também se manifestou sobre a reportagem do jornal Folha de S. Paulo, publicada na edição deste sábado, que acusou a pasta de cobrar 10% de propina sobre convênios. Em entrevista à publicação, o pastor evangélico David Caio, dirigente de uma ONG que presta serviços ao Esporte, afirmou ter sido coagido por integrantes do ministério a devolver recursos desviados na execução de convênios com o governo.
Segundo Orlando, não existem provas sobre os fatos relatados. Ele também argumenta que o acusador é alvo de investigação do Ministério Público Federal por supostas irregularidades em parcerias com o ministério.



Mendes recebe alta e diz que quer assistir jogo do Grêmio

22 de outubro de 2011 0


Uma semana após ser operado para retirar um tumor do cérebro, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, recebeu alta do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Mendes deixou a instituição por volta das 12h30min deste sábado.
Apesar de ele estar recuperado do procedimento cirúrgico, os médicos recomendaram repouso ao peemedebista. O ministro ficará hospedado na casa de um amigo na capital paulista até segunda-feira, quando viajará para sua residência em Brasília. Mendes está licenciado do ministério até quinta-feira.
Fernanda, mulher do ministro, e o filho Fernando estão acompanhando a recuperação do gaúcho. Na saída do hospital, Mendes almoçou macarrão ao molho branco com a família. Segundo interlocutores, ele está animado e bem disposto. Gremista fanático, já adiantou aos amigos que quer assistir pela televisão ao jogo do time do coração contra o América-MG, às 18h.



Revistas trazem novas denúncias contra cúpula do Esporte e governador do DF

22 de outubro de 2011 0

Uma semana após revelar um suposto esquema de corrupção no Ministério do Esporte, a revista Veja apresenta as primeiras evidências sobre as supostas fraudes na pasta. Uma gravação feita em abril de 2008 pelo policial João Dias mostraria relações suspeitas entre o delator do esquema e assessores do ministro Orlando Silva.

Na conversa, dois funcionários do ministro deram dicas de como ele poderia fraudar o próprio ministério. Em contrapartida, o policial se comprometeria a não levar adiante as denúncias.
O roteiro combinado teria sido seguido à risca. Quatro dias depois do encontro, o ministério retirou as cobranças contra o delator junto à Polícia Militar do Distrito Federal.
Já a revista Istoé deste final de semana aponta o ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz como operador do esquema. A principal testemunha da Operação Shaolin, que desbaratou a fraude no Esporte, afirmou à publicação que Agnelo, atual governador do Distrito Federal, teria recebido propina desviada do programa Segundo Tempo. Ex-funcionário das ONGs que participaram das fraudes, Michael Vieira diz ter sacado R$ 150 mil para serem entregues ao então ministro.



Líbios celebram morte de Kadafi em Brasília

20 de outubro de 2011 1

A festa que tomou conta das ruas de Trípoli assim que fontes do Conselho Nacional de Transição confirmaram a morte do ex-ditador da Líbia Muamar Kadafi ecoou no Brasil. Diplomatas e integrantes da comunidade líbia em Brasília ocuparam o pátio da embaixada para celebrar o último capítulo da sangrenta luta deflagrada nos primeiros meses da Primavera Árabe.

Como o embaixador Salen Omar Ezubide, leal ao regime de Kadafi, abandonou o posto há cerca de um mês, os funcionários da representação diplomática puderam extravasar sua alegria com muita música e fogos de artifício. A nova bandeira líbia tremulava nas mãos de diplomatas eufóricos. Já os filhos dos servidores líbios foram incentivadas a rasgar folhas de papel com o retrato impresso do ex-ditador.

















Crédito: Edilson Cordeiro Alves, Especial

Conversas do Planalto: cartão amarelo para o ministro do Esporte

18 de outubro de 2011 0

Com ritmo de presidente

17 de outubro de 2011 0

Por Fábio Schaffner

Na liturgia da política, a regra é sempre chamar um homem público pelo posto mais alto que ele ocupou na carreira. Assim, Fernando Henrique Cardoso e Lula, por exemplo, sempre são tratados como presidente, mesmo que já não estejam mais no exercício do cargo. Em relação ao petista, contudo, a forma de tratamento nunca foi tão apropriada. Nenhum outro inquilino do Planalto influiu tanto no governo do sucessor como o ex-metalúrgico que se tornou o mais popular chefe de Estado brasileiro. Dez meses após transmitir a faixa presidencial a Dilma Rousseff, Lula segue se envolvendo em questões da burocracia federal, ao sabor das conveniências eleitorais que assegurem ao PT um projeto de 20 anos de poder.

Na manhã do dia 4 de agosto, uma inusitada fila se formou num dos corredores do Club El Nogal, um luxuoso resort de 35 mil metros quadrados encravado no centro financeiro de Bogotá. O burburinho à saída do elevador conduzia ao local mais concorrido por autoridades e empresários latino-americanos presentes ao 1º Fórum de Investimentos Colômbia-Brasil: a suíte ocupada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Assunto não falta a Lula. Tampouco tempo livre para desfrutar do prestígio que acumulou em oito anos à frente do governo. Na noite anterior, ele havia ficado até as 2h30min conversando com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
– O homem não para – comentou no café da manhã o governador.
A ausência da faixa presidencial não inibiu nem aquietou Lula. Desde o derradeiro compromisso no Palácio do Planalto, ao transmitir o cargo para Dilma Rousseff em 1º de janeiro, ele já percorreu 20 países, sendo recebido com honrarias por 14 chefes de Estado. Transitando por plateias humildes e sofisticadas, nesse período ele esteve com Bono, Ronaldo Fenômeno e Fidel Castro, catadores de lixo, blogueiros e mineiros que sobreviveram a um soterramento no Chile, o presidente francês Nicolas Sarkozy, o príncipe Albert II, de Mônaco, e o primeiro-ministro da Espanha, José Zapatero, entre dezenas de outros encontros.
É com Dilma, contudo, que Lula exercita com maior frequência sua aptidão predileta: dar palpites sobre a condução do governo e a articulação política do Planalto.
Eles conversam por telefone todos os domingos à tarde. A cada 15 dias, despacham pessoalmente no Palácio da Alvorada, geralmente à noite. Naquela madrugada insone em Bogotá, Lula já havia acertado por telefone com Dilma a queda do então ministro Nelson Jobim, demitido da Defesa por conta das críticas às ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil).
– Lula inclusive já sabia, na véspera da saída do Jobim, que Celso Amorim seria o substituto – confidencia um ministro de Dilma.
O acesso franqueado a informações exclusivas do governo e a influência sobre a Esplanada fazem de Lula o político mais assediado do país. Durante suas rotineiras passagens por Brasília, a cena do El Nogal se repete no Royal Tulip Alvorada – onde o ex-presidente se hospeda quando está na cidade, estrategicamente localizado a 850 metros da residência oficial de Dilma. Numa manhã abafada de maio, Gleisi, que à época ainda estava no Senado, visitou o petista acompanhada do marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Enquanto o trio conversava durante uma hora sobre as eleições municipais no Paraná, na antessala aguardavam pacientemente por um tête-à-tête com Lula o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o secretário-geral da Fifa, o francês Jérôme Valcke. Em pauta, os preparativos para a Copa e a relação conflituosa das duas entidades com Dilma. Como a presidente nunca recebeu Teixeira para uma audiência particular, é por intermédio de Lula que o cartola tenta se aproximar do governo.
O desembaraço com que Lula gravita na órbita do poder às vezes incomoda Dilma.
Embora jamais tenha manifestado esse desconforto diretamente ao antigo chefe, ela envia recados pelo ministro da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, principal interlocutor de Lula no governo. Esse incômodo ficou latente na crise que culminou na demissão de Antonio Palocci, quando o ex-presidente desfilou por Brasília orientando aliados e reclamando da postura débil do governo diante do episódio.
Alvejado por suspeitas de enriquecimento ilícito, Palocci permaneceu 23 dias na mira da oposição. Em 24 de maio, a pretexto de discutir a reforma política, Lula desembarcou na Capital Federal para dois dias de extensas reuniões. O objetivo primordial, porém, era blindar o chefe da Casa Civil, o principal e mais poderoso ministro de Dilma. O primeiro compromisso seria um almoço com a bancada do PT no Senado, na casa de Marta Suplicy (SP). Dois dias antes, contudo, o líder do PT, Humberto Costa (PE), telefonou para Gleisi dizendo que precisava mudar o local da reunião.
– Lula não quer que seja na Marta. Ele acha que é uma arapuca, pois é um apartamento funcional, e a imprensa vai ficar lá embaixo de tocaia. Pode ser na sua casa? – indagou Costa.
A contragosto, Gleisi assentiu. A residência da senadora, um sobrado aconchegante no Lago Sul, não dispunha de estrutura para um almoço para 20 talheres. Na véspera, uma assessora sugeriu a contratação de um bufê, chamado às pressas. A refeição foi preparada ao ar livre, num espaço contiguo à área de serviço, e servida em duas salas conjugadas, separadas por uma escada de seis degraus. De terno azul e gravata listrada, Lula foi o primeiro a chegar, por volta do meio-dia. Tão logo finalizou uma bateria de fotos ao lado dos cozinheiros e garçons, sentou-se com os anfitriões.
– Essa situação é absurda. Os ataques são para enfraquecer o governo, e nós temos o dever de proteger o Palocci – pregou.
Conforme os senadores chegavam, aumentava o teor das reclamações contra o ministro e a escassa interlocução com o Planalto. Entre taças de vinho argentino e após degustarem rondelli com molho rosé, arroz à grega, filé grelhado e peixe com molho branco, Gleisi fez um desabafo ao ex-presidente.
– Estamos mobilizando todo o governo, a bancada na Câmara e no Senado, o PT, tudo por causa de uma questão pessoal do Palocci. E nem ele mesmo se defende. Não tenho problema em botar a cara a tapa, mas ele tem de se explicar – argumentou a senadora.
Lula disse que também se incomodava com a inércia de Palocci e encarregou-se de transmitir a insatisfação da bancada à Dilma, com quem jantaria mais tarde, mas exigiu dos senadores uma defesa intransigente do ministro.
– Quem acusa que prove. A Dilma precisa do Palocci do lado dela e o nosso papel é preservá-lo – pontuou.
Na saída, um Lula sorridente se deixou fotografar ao lado dos convivas. A imagem estampou a capa de sites e jornais, provocando a ira de Dilma. A presidente não se opôs ao encontro com os senadores, mas discordou do método, considerado exibicionista demais. Para ela, a imagem do petista reunido com a bancada passava a impressão de que era ele quem presidia o país. O desgosto se ampliou no dia seguinte, quando Lula repetiu a pose para fotos, desta vez ao final de uma reunião com líderes do PMDB na casa de José Sarney (AP).
– Ela ficou injuriada, p... da vida com esse troço. Ali, Lula deu a entender que Dilma não tinha autoridade ou que era incompetente para administrar a crise – diz um senador do PT.
Ao final do almoço com os peemedebistas, no mesmo 25 de maio, o ex-presidente voltou a São Paulo e retomou os conchavos. Na sede do seu Instituto Lula, despachou com dois ministros de Dilma. Enquanto Maria do Rosário (Direitos Humanos) aguardava para ser atendida, o petista conversava com José Dirceu. Ao final da audiência com a gaúcha, quem entrou foi Edison Lobão (Minas e Energia). Desta vez, quem esperava por uma brecha na agenda de Lula era Frei Chico, irmão do ex-presidente.
– Chico, você não é ministro, então espera mais um pouco – brincou o petista.
Embora mantenha restrições ao comportamento de seu antecessor, Dilma jamais brigou com o tutor político. Depois da intromissão exacerbada no caso Palocci, Lula fez um mea culpa e submergiu. No congresso do PT, em setembro, fez um discurso curto – de 11 minutos e 10 segundos – e considerado vazio pela militância. Logo no início, resumiu o motivo para o freio verbal.

– Pela primeira vez, estou diante de um grupo de companheiros do PT e sem saber o que falar. Primeiro porque não posso me meter nas coisas do partido, meu presidente já falou, e não posso entrar nas coisas do Brasil, porque a minha presidente vai falar.

No congresso do PT, Lula tentava adotar uma postura que ele mesmo havia preconizado como exemplar. Em 2008, incomodado com críticas desferidas por Fernando Henrique Cardoso, o petista afirmou que “o papel de um ex-presidente é ficar quieto e não dar palpites”. Fora da ribalta, contudo, Lula não consegue se conter. Em 22 de agosto, ele recebeu em São Paulo o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. Aos ex-subordinados, cobrou explicações para a demora do governo no pagamento do piso nacional do magistério, promulgado por ele em 2008.
Por toda a Esplanada, há relatos semelhantes de intromissão lulista. Em maio, o ex-presidente teria ligado para a ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira, pedindo uma solução para o impasse em torno do Código Florestal. Mais recentemente, ele reclamou com o titular da Fazenda, Guido Mantega, do ajuste fiscal que elevou em R$ 10 bilhões a meta de superávit primário.
– No caso do Lula, parece que tudo é permitido. A ausência da Dilma na condução dos temas políticos acaba consolidando essa permissividade – critica um raro desafeto do ex-presidente na direção do PT.
Tema de samba-enredo no Carnaval de 2012, festejado por uma barulhenta multidão ao chegar em Paris para receber o sétimo título de doutor honoris causa, Lula ainda não se habituou à vida na planície. Nos últimos dias de Planalto, durante o tradicional uisquinho de final de expediente com Gilberto Carvalho, ele já previa a dificuldade para “desencarnar do cargo”. Devolvido a um cotidiano de problemas prosaicos, como o conserto de goteiras no apartamento de São Bernardo do Campo, Lula bem que tentou. Ou pelo menos foi o que prometeu à mulher, Marisa Letícia, ao garantir que iria trabalhar menos e viajar pouco.
– Dona Marisa está uma arara porque o Lula não para em casa – revela um indiscreto conhecedor da rotina do casal.
Quando está em São Paulo, o ex-presidente despacha com regularidade na sede do Instituto Lula, um sobrado bege de 300 metros quadrados e fachada de vidro fumê na zona sul da capital paulista. É ali que ele recebe políticos, dispara telefonemas e projeta os próximos movimentos, assessorado por dois ex-ministros e uma equipe de 12 funcionários.
Na principal gabinete do instituto, decorado com um retrato oficial de Dilma com a faixa presidencial, Lula se dedica a seu mais importante objetivo: viabilizar a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. Para tanto, avalizou a ida do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para o PSD. A estratégia é dividir o eleitorado tucano na cidade, um tradicional feudo do PSDB. Lula está convicto de que assim pode repetir com o ministro da Educação o sucesso obtido por Dilma.
A eleição de 2012 é considerada fundamental na consolidação do projeto de poder do PT. Pregando uma renovação dos rostos do partido e abertura de espaços para candidaturas aliadas em algumas das principais capitais, como Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte, Lula espera assegurar a fidelidade do PMDB, PDT e PSB em torno da reeleição de Dilma. Isso, claro, se nada de errado acontecer ao atual governo. Neste caso, o próprio Lula poderá ser o candidato – o ás na manga do PT.
Para Lula, ele e Dilma formam uma perfeita simbiose eleitoral. A presidente é bem avaliada pela classe média e alta – condição que provoca ciúme no petista, que se considera vítima de preconceito social por conta da origem de operário. Já ele é adorado pelo povão. Lula acha que faltam marcas fortes ao governo Dilma, como ele tinha o Bolsa-Família, o ProUni e o Minha Casa, Minha Vida, agora transformados em produtos eleitorais cujo know-how ele está levando para Cristina Kirchner, na Argentina, e Hugo Chávez, na Venezuela. Nada disso, contudo, tampouco uma eventual candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) em 2014, assusta mais o petista do que o julgamento do mensalão.
O processo que levou ao banco dos réus a antiga cúpula do PT deve chegar ao plenário do Supremo Tribunal Federal no segundo semestre do ano que vem, na antevéspera das eleições municipais. Embora considere o partido o mais vigoroso do país, Lula teme que uma condenação carimbe definitivamente no PT o rótulo de agremiação corrupta e fisiológica.
Na tentativa de evitar quaisquer riscos, Lula busca interferir na composição do tribunal. Antes de deixar o governo, ele já havia nomeado para a corte um ex-advogado de campanhas do PT, José Antonio Dias Toffoli. Em fevereiro deste ano, avalizou a escolha de Luiz Fux, indicado a Dilma pelo governador do Rio, Sérgio Cabral. Agora, Lula tem se preocupado com a vaga deixada por Ellen Gracie. Discreto e precavido, ele não sugere nomes à presidente, mas tenta descobrir se os favoritos à Corte já manifestaram opinião sobre o mensalão.
– O Lula não indica, mas veta. Ele faz chegar aos ouvidos da Dilma quem não pode ser ministro. Afinal, o projeto é até 2022, com o PT 20 anos no poder – resume um petista com trânsito no Planalto.

Na engrenagem do poder

17 de outubro de 2011 0

Cartas do Editor

Klécio Santos - Editor-chefe da Sucursal de Brasília

Às 21h35min do dia 19 de setembro, um e-mail chegava à sucursal de Brasília do Grupo RBS. Da Redação de Zero Hora em Porto Alegre, era repassada ao posto avançado do jornal na Capital Federal uma pauta desafiadora: desvelar a rotina do ex-presidente Lula na órbita do poder. Para a missão, foi escalado o repórter Fábio Schaffner, há seis anos trabalhando em Brasília.

Nas últimas semanas, Schaffner já havia estampado nas páginas dominicais dois furos de reportagem: o teor da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o deputado José Otávio Germano (PP) e os relatórios sigilosos da Aeronáutica sobre falhas no controle do tráfego aéreo no país. Com passagem pelas sucursais de Bagé e Pelotas, Schaffner – assim como eu – nunca trabalhou na sede de ZH em Porto Alegre. Para quem teve o jornalismo lapidado na rotina de correspondente, só há um jeito de aplacar o sentimento de orfandade: ver sua matéria na capa do jornal. Desde que desembarquei no Planalto Central e antes de acompanhar a primeira vitória de Lula, ainda no crepúsculo do governo FH, persegui esse ideal, hoje enraizado no espírito dos 20 jornalistas da equipe de Brasília.A partir de 2004, a sucursal adotou uma postura inovadora no jornalismo brasileiro, tornando-se uma redação 100% multimídia. A estratégia permite amplificar o conteúdo produzido pelos repórteres da Capital Federal em todas as plataformas de notícias. Desde então, é nesse ritmo que atuamos. No período em que Schaffner apurava a reportagem sobre Lula, três ministros e o presidente do Senado, José Sarney, deram entrevistas exclusivas ao Grupo RBS, todas capitaneadas pela colunista Carolina Bahia, 40 anos, 11 deles em Brasília. Foram declarações polêmicas e promessas aguardadas pelos gaúchos – como Sarney afirmando que as mordomias concedidas a parlamentares são uma “homenagem à democracia” e a confirmação da obra do metrô em Porto Alegre –, que logo saltaram para a capa de ZH.


Embora relevantes, frases oficiais proferidas com solenidade diante de microfones perfazem um microcosmo do jornalismo praticado pela sucursal. Nossa obsessão é rastrear os bastidores que movimentam a engrenagem do poder, reconstituindo diálogos e cenas que os políticos gostariam de manter distantes do conhecimento público. Foi assim na cobertura da demissão de cinco ministros do governo Dilma e na reportagem que vai das páginas 4 a 6 na ZH que você tem em mãos.
Transitando pelo Congresso e pela Esplanada, conversando com parlamentares, ministros, assessores palacianos e dirigentes partidários, Schaffner teceu o retrato de uma situação singular: um ex-presidente da República que paira como sombra, para o bem e para o mal, sobre o governo que lhe sucedeu.
Mais influente personagem da política brasileira e desfrutando como nunca do prestígio acumulado, o petista circula pelo Brasil e pelo mundo fazendo o que mais gosta: discursos no atacado e política no varejo. Lula despacha com ministros de Dilma, manipula acordos eleitorais e se envolve até mesmo na escolha de integrantes do Supremo Tribunal Federal. Numa narrativa saborosa, Schaffner entrega aos leitores, no dia de seu aniversário de 37 anos, uma história que começa pela Colômbia e só termina, quem sabe, na eleição presidencial de 2014. Boa leitura.

Mendes é operado para retirada de tumor no cérebro

14 de outubro de 2011 1

Por Letícia Luvison

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, está internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde fará uma cirurgia para a retirada de um tumor no cérebro. O procedimento está marcado para as 7h deste sábado (15). A previsão da equipe médica é que ele tenha alta em quatro dias e volte a trabalhar em 10.

Nesta sexta-feira, Mendes Ribeiro esteve em Porto Alegre para o lançamento do programa Pacto Brasil Sem Miséria, ao lado da presidente Dilma Rousseff. Ele chegou a São Paulo no final do dia, acompanhado da família. Ainda não há informações sobre o tipo de tumor. Há cinco anos, Mendes Ribeiro retirou parte de um tumor benigno.

O Ministério da Agricultura divulga ainda hoje uma nota com os detalhes. O secretário-executivo, José Carlos Vaz, assume a pasta interinamente.

Conversas do Planalto: Aécio dá a largada para a eleição de 2014

11 de outubro de 2011 0

Os repórteres da RBS em Brasília Fabiano Costa, Fábio Schaffner e Léo Saballa Jr. analisam as declarações do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que deflagraram a corrida pelo Planalto.

“Lula foi à minha casa pedir apoio”

10 de outubro de 2011 0

Entrevista:José Sarney, presidente do Senado (PMDB-AP)

Por Carolina Bahia e Fabiano Costa

Sua marca é a discrição, identificada na economia dos gestos e na elegância com que trata os interlocutores. Sinais de irritação são escamoteados, sem nem mesmo franzir a face, enquanto a prosa fácil aborda fatos históricos, dos quais ele mesmo participou como coadjuvante ou protagonista. Aos 81 anos, ex-presidente da República e atual presidente do Congresso, José Sarney, atua com astúcia e mão de ferro nos bastidores da política. Passam por ele indicações de primeiro e segundo escalão, e ministros o consultam quase todos os dias.
Imortal da Academia Brasileira de Letras, Sarney confessa que é um usuário de novas tecnologias, como Iphone e Ipad, com os quais costuma se atualizar do noticiário. Na quinta-feira, Sarney recebeu ZH na sala de reuniões da presidência do Senado. Em uma hora, com a voz serena, respondeu aos questionamentos com as mãos pousadas sobre os braços de uma cadeira de carvalho. Falou sobre a vaia no Rock in Rio, defendeu sua polêmica gestão no Senado e justificou o uso de helicóptero da PM do Maranhão em passeio. Na cabeceira da mesa de 10 lugares, ele conduz boa parte da política nacional.

ZH – Qual é a posição do senhor sobre a divisão dos royalties do petróleo?
Sarney –
O subsolo pertence à União. Todos os Estados e toda a população devem participar das riquezas nacionais. No entanto, reconheço que temos um problema para assegurar os direitos adquiridos pelos Estados produtores. Agora, com relação ao que ainda vai ser explorado, não podemos deixar de redistribuir entre todos os Estados.

ZH – Há clima para a reforma política?
Sarney –
Até agora, não se conseguiu disposição política firme para fazer as mudanças necessárias. Nem por isso, deixam de ser tão inadiáveis. A maior delas é a nossa convivência com o voto proporcional uninominal, que não existe no mundo inteiro e que ainda adotamos. Considero esse o ponto-chave, na medida em que é o responsável por toda a desorganização política que o Brasil vive até hoje.

ZH – Qual sua avaliação sobre a proposta de reforma do deputado Henrique Fontana (PT-RS)?
Sarney –
Qualquer discussão é muito boa, mas tenho um ponto de vista diferente. Apresentei alguns projetos sobre o voto distrital, mas evoluí para uma solução mista. Também sou favorável ao financiamento de campanha público puro, ainda que acredite que esse modelo não irá resolver os problemas de abuso de poder econômico em uma eleição.

ZH – Por que o Congresso não vota a reforma política?
Sarney –
O parlamento eleito por determinadas regras cria um conservadorismo. É difícil mudá-las porque cada um considera que sua reeleição depende das regras com que foi eleito. É muito difícil convencê-los a mudá-las.

ZH – Era mais fácil conviver com Lula ou agora, com Dilma?
Sarney –
Tive uma relação muito pessoal com Lula. Ainda hoje ele me telefona, e eu ligo para ele. Tenho um grande apreço por Lula, acho que ele fez um grande governo. Dilma está dando continuidade sem continuísmo, marcando seu estilo.

ZH – O senhor também conversa com frequência com Dilma?
Sarney –
Raramente falo com ela.

ZH – No mês passado, Pedro Novais foi demitido do Turismo por denúncias de mau uso do dinheiro público. As suspeitas desgastaram a imagem do PMDB?
Sarney –
Suspeitas de irregularidades sempre desgastam a imagem dos partidos, assim como a do próprio governo. Atualmente, temos uma absoluta facilidade de classificar supostas irregularidades antes mesmo que sejam apuradas. O mundo midiático em que vivemos permite que imediatamente se julgue, condene e estabeleça uma pena para as pessoas.

ZH – O senhor considera que tem tanto poder quanto lhe atribuem?
Sarney –
Gostaria de ter 1% do poder que a mídia me atribui. Estão conferindo a mim inclusive os invernos bons e os ruins. Acredito que pelo menos a seca do Rio Grande do Sul ainda não tenha sido atribuída a mim.

ZH – De todos os presidentes da Nova República, o único que não se aliou ao senhor foi Fernando Collor. Curiosamente, foi o único que caiu. Esse seria um dos motivos de lhe atribuírem tanto poder?
Sarney –
Tenho sido aliado de alguns governos, mas já fui oposição durante muito tempo. Não fui aderir ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Pelo contrário, ele foi à minha casa pedir o meu apoio. Da mesma forma, não fui aderir ao ex-presidente Lula. Ele foi à minha casa pedir o meu apoio. Portanto, acho injusto quando dizem que estou apoiando todos os governos. Solicitado a colaborar, não tenho me furtado a fazê-lo.

ZH – Dilma também foi a sua casa lhe pedir apoio?
Sarney –
Não, mas eu já tinha uma aliança com o PT. Fomos juntos para o governo.

ZH – Durante o Rock in Rio, o músico Dinho Ouro Preto dedicou ao senhor a música Que País é Este?, que critica as oligarquias. Como o senhor encara essas manifestações?
Sarney –
O rock é um estilo que tem o DNA da contestação, sempre foi marcado pelo questionamento. É compreensível que em um festival de rock tivesse uma manifestação desse tipo. No entanto, a crítica foi injusta. No meu governo, contribuiu-se para a maior liberdade de expressão que já tivemos no país. A cultura e as artes devem ser livres. Podem ser injustas, mas não podem deixar de ser livres.

ZH – O senhor se intitula defensor da liberdade de expressão, mas seu filho, Fernando Sarney, recorreu à Justiça para proibir que o jornal O Estado de S. Paulo citasse o nome dele em reportagens ligadas à Operação Boi Barrica, da Polícia Federal. Ele teve seu aval?
Sarney –
Embora ele tivesse o direito de recorrer à Justiça, no dia que ingressou com a ação lancei uma nota afirmando que se tivesse sido consultado pelo advogado não teria aceito. No governo Emílio Médici (1969-1974), o jornal O Estado de S. Paulo também esteve sob censura. Hoje, é fácil defender a liberdade de imprensa, mas naquele tempo era muito difícil. A minha voz foi solitária dentro do Congresso em um discurso defendendo o Estadão e a liberdade de imprensa, arriscando meu próprio mandato. Nunca processei um jornalista, mesmo tendo sido um dos políticos mais censurados da história da República.

ZH – Após a repercussão do projeto sobre o sigilo eterno de documentos, o senhor ainda se mantém contra a abertura dos papéis?
Sarney –
Nunca defendi o sigilo eterno. Essa é uma interpretação equivocada. Defendi o projeto que a presidente enviou ao Congresso. Daqui a 50 anos, já não estarei mais vivo, e todos nós seremos uma manta horizontal de ossos.

ZH – A divulgação desses documentos poderia gerar constrangimentos diplomáticos ou políticos?
Sarney –
Não os conheço, mas mundialmente há uma prática de manter certos documentos sob sigilo durante alguns anos. O Brasil não pode fugir a essa posição.

ZH – Na crise dos atos secretos, o senhor prometeu uma reestruturação do Senado. Porém, pouco se fez, e as poucas mudanças foram revertidas. Por que é tão difícil mudar a estrutura da Casa?
Sarney –
Discordo desta avaliação. Fizemos uma reestruturação fantástica no Senado. Temos o melhor portal de transparência de todas as repartições públicas do país. Estabelecemos um plano de cargos e carreiras, temos o melhor núcleo de funcionários públicos do Brasil. Quanto ao que você chama de atos secretos, no que se refere a mim, somente 1,68% desses dispositivos foram publicados na minha gestão. Mas, evidentemente, para a imprensa, é a mulher infiel que dá notícia.

ZH – O uso pelo senhor de um helicóptero da PM do Maranhão durante um passeio causou grande repercussão no país. Os privilégios para autoridades deveriam ser eliminados?
Sarney –
Quando esses privilégios foram criados, o objetivo era que os deputados fossem livres e seus salários não os fizessem miseráveis, dependentes dos presidentes. Quando a legislação diz que o presidente do Congresso tem direito a transporte de representação, estamos homenageando a democracia, cumprindo a liturgia das instituições. Por conta das prerrogativas do cargo, tenho direito a transporte de representação. Andei em um helicóptero do governo do Estado, não era de particular. Se fosse ao Rio Grande do Sul e dissesse ao governador que precisava ser transportado, acredito que ele faria da mesma maneira.

CNJ quer restringir atuação de ministra

10 de outubro de 2011 0

Os magistrados que dominam hoje o Conselho Nacional de Justiça articulam uma proposta para colocar um cabresto na corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon. Com o discurso de que pretende preservar os poderes do CNJ, o conselheiro Sílvio Rocha, juiz federal de São Paulo, quer que todas as investigações, antes de serem abertas, sejam submetidas ao plenário do Conselho. Composto em sua maioria por magistrados, o plenário diria o que pode ou não ser investigado.
A proposta, encaminhada em sigilo aos conselheiros, é ainda mais restritiva do que a ideia inicial desse grupo e que gerou a crise interna do Conselho, com a divulgação de uma nota de repúdio às declarações de Eliana Calmon sobre a existência de “bandidos de toga” no Judiciário brasileiro. Os conselheiros ligados à magistratura defendiam que a Corregedoria apenas atuasse depois de concluídas as investigações nas corregedorias dos Tribunais de Justiça, que até hoje não funcionam a contento, conforme relatórios de inspeção do próprio Conselho.
O novo texto deixaria a Corregedoria nas mãos do plenário do CNJ e de seus interesses corporativos. Antes de abrir uma investigação, a Corregedoria teria de submeter a abertura de sindicância aos colegas. Se não concordassem com a investigação, mesmo que preliminar, poderiam simplesmente arquivá-la. Enterrariam a apuração das irregularidades já no nascedouro.
E mesmo que os conselheiros autorizassem a abertura da investigação, a divulgação das acusações acabaria com o sigilo necessário para qualquer apuração. O magistrado suspeito saberá logo no início que será investigado.
Hoje, a Corregedoria pode investigar todas as suspeitas que envolvam magistrado e que chegam ao CNJ. Ao receber uma denúncia, a Corregedoria abre uma sindicância e busca indícios que poderiam comprovar a irregularidade cometida pelo magistrado. Caso não encontre, arquiva a sindicância. A Corregedoria só submete a investigação ao plenário do Conselho depois de colhidos todos os indícios e de considerar que são suficientes para comprovar a existência da irregularidade.

Ministério do Esporte tira ONGs de programa

10 de outubro de 2011 0

O Ministério do Esporte remontou o principal programa da pasta, o Segundo Tempo, e eliminou as organizações não governamentais dos convênios. A partir de agora, não há mais repasse de dinheiro público para ONGs e todos os convênios são assinados com os governos estaduais, prefeituras e universidades públicas.
O viés assistencialista, que consumia 40% das verbas com fornecimento de alimentação para as crianças que frequentam os núcleos esportivos, também foi eliminado – era uma sobreposição de tarefas, uma vez que já existe a merenda escolar. Segundo o ministério, também não será renovado o convênio com a ONG Bola Pra Frente, dirigida pela ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues, filiada ao PC do B e vereadora na cidade de Jaguariúna (SP). A ONG mantém um contrato de R$ 13 milhões com o Ministério do Esporte, mas já recebeu, desde 2004, outros 15 milhões.
– O convênio vigente (dos R$ 13 milhões) termina no fim do ano, e não será renovado – disse o secretário Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social, Wadson Ribeiro.

“Alguns vão sair do Bolsa-Família, outros não”

10 de outubro de 2011 0

Entrevista:Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social

Por Car0lina Bahia

Há um ingrediente especial no lançamento do Pacto Brasil Sem Miséria para a Região Sul. O foco para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná é a inclusão produtiva dos trabalhadores urbanos, o que significa capacitação e oportunidades de emprego. Na sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, e os três governadores da Região Sul vão anunciar em Porto Alegre medidas que unem essas duas pontas da economia. Setores em expansão, como a construção civil e redes de supermercados, vão firmar parcerias, beneficiando o público do Bolsa-Família.
À frente da iniciativa, a ministra se apoia em indicadores sociais para demonstrar os efeitos positivos do programa de transferência de renda. De acordo com Tereza, um dos reflexos é na educação. No Rio Grande do Sul, 91,5% dos alunos beneficiados pelo Bolsa-Família têm a frequência monitorada pelo poder público, o que coloca o Estado em segundo lugar no ranking nacional.
Na última sexta-feira, Tereza recebeu ZH para adiantar alguns dos principais pontos do plano para o Estado.
*Colaboraram Daniela Castro e Léo Saballa Jr.

Zero Hora – Quais são os principais focos do Brasil Sem Miséria?
Tereza Campello –
Cada pacto tem um eixo que organiza as ações, pois o Brasil sem miséria é um plano nacional. No Nordeste, por exemplo, foi centrado em dois grandes motes: água para todos e pobreza rural. No Sudeste, o centro foram as complementações de renda. No Sul, será buscar a parcela da população extremamente pobre que ainda não recebe o Bolsa-Família e sua inclusão produtiva nas zonas urbanas.

ZH – Quando o programa foi lançado, já havia a ideia de identificar essas famílias no Estado. Vocês têm algum resultado preliminar?
Tereza –
Já houve dois grandes eventos envolvendo secretários municipais. Agora, vamos fazer um mutirão no bairro Rubem Berta, na Capital. É tipo uma gincana com escolas, só que as turmas procuram quem não tem certidão civil, quem ainda não está no Bolsa-Família. Há também um feirão de oferta de vagas e de qualificação profissional que a gente está fazendo junto com a indústria da construção civil. Será no dia 15, sábado, um dia depois do lançamento oficial do pacto.

ZH – Como vai se dar a busca por vagas?
Tereza –
Será um evento simbólico. As pessoas podem ir, acessar serviços de cidadania, se inscrever no Bolsa-Família. A indústria da construção civil estará cadastrando pessoas e, em alguns casos, eles mesmos fazem os cursos. É um casamento com a iniciativa privada. No dia 14, uma das ações que vamos assinar no Rio Grande do Sul é um acordo de cooperação entre o ministério e a indústria da construção civil de todo o Brasil. Ele prioriza a ocupação das famílias do programa para vagas no setor e para qualificação profissional.

ZH – Quantas pessoas vocês imaginam atingir nesse programa?
Tereza –
Depende do que a gente for fazer na construção civil nesses quatro anos. Como hoje é uma das áreas que mais carece de mão de obra qualificada, a gente já vem qualificando gente em parceria com as empresas. Temos com a Odebrecht um acordo altamente bem-sucedido. Ela qualifica três vezes mais do que precisa. Se ela necessita suprir 100 vagas, ela qualifica 300, para pegar os melhores.

ZH – Como atender toda a demanda por qualificação profissional que há no país?
Tereza –
Não é fácil. O público do Bolsa-Família tem um déficit histórico de serviço público. Tem uma parte da nossa população analfabeta. A maioria da população economicamente ativa não tem Ensino Fundamental completo. Você não pode fazer curso de soldador de plataforma submarina com esse público porque ele não tem condições de acessar essa vaga. Por isso estamos construindo uma agenda de qualificação que envolve o setor privado.

ZH – Já existe um estudo de quais áreas são prioritárias?
Tereza –
Nós queremos saber quais as ofertas de emprego, porque não queremos qualificar a população para áreas que não são demandadas. Senão você qualifica o trabalhador, mas ele não encontra emprego. Isso aconteceu muito no Brasil e no Rio Grande do Sul, muitos cursos de manicure, de cabeleireiro. A indústria precisa de gente, o setor de serviços precisa de gente, mas depende da região de que você está falando. Queremos ofertar 1,7 milhão de vagas de qualificação profissional ao longo de quatro anos. Já fizemos um levantamento em todos os Estados de quais os cursos que o Sistema S tem hoje disponível para o público do Bolsa-Família.

ZH – Há ações voltadas à agricultura familiar?
Tereza –
Fechamos um acordo com os supermercados, pelo qual eles compram produtos dos pequenos agricultores. No Rio Grande do Sul, o Wal-Mart fechou uma parceria para aquisição de produtos artesanais, bem como frutas, verduras e grãos. Como o contrato tem um prazo específico, isso ajuda o produtor que pode se programar, já que há uma demanda certa por determinado período.

ZH – Uma das críticas mais recorrentes ao Bolsa-Família é sobre a frequência escolar das crianças. Como vocês acompanham isso?
Tereza –
De dois em dois meses, todas as crianças têm a frequência escolar monitorada. São mais de 16 milhões de alunos. Quando acontece algo, uma assistente social verifica. O grau de eficiência de acompanhamento escolar é muito grande. Hoje, 90% das crianças do Bolsa-Família são acompanhadas e caso haja problemas por três vezes seguidas, a família é desligada. No Rio Grande do Sul, 567.112 crianças são monitoradas nominalmente. Na última rodada, tivemos 100% dos municípios com acompanhamento. Em todo o país, são 160 mil escolas, visitadas por um exército de 10 mil profissionais. A evasão escolar inclusive é menor entre os beneficiados pelo programa.

ZH – Outra ressalva é a falta de uma porta de saída do programa. Ao preparar as pessoas para o trabalho, o Brasil sem Miséria não possibilita isso?
Tereza –
A maior parte das pessoas que eu conheço gosta de trabalhar. Não existe essa história de que a pessoa não vai pegar um emprego melhor porque quer continuar recebendo R$ 100 do Bolsa-Família. O grau de vulnerabilidade de uma parcela da população é tão grande que mesmo aumentando a renda dos benefícios de transferência e a renda do trabalho, essas famílias permanecem extremamente pobres, portanto dentro do programa. Ou seja, mesmo com os avanços que tiveram, continuam dentro dos critérios do programa. O objetivo é que essas pessoas todas melhorem de vida. Alguns vão sair do Bolsa-Família, outros não.

ZH – Há uma radiografia de quem trabalha ou não dentro do Bolsa-Família?
Tereza –
Cerca de 50% dos beneficiários do Bolsa-Família têm menos de 17 anos. A nossa política para essa parcela não é a inclusão produtiva, pelo menos de imediato. Por outro lado, entre os que têm idade ativa, 72% estão no mercado do trabalho – no RS, esse índice é de 76%. Quem não trabalha, em sua imensa maioria são cônjuges e estão em casa cuidando dos filhos. Em geral, mesmo quem trabalha, é em situação volátil, muitas vezes insalubre e com perfil educacional baixo. A maior parte é analfabeta ou não completou o Ensino Fundamental. A inserção precária decorre de problemas estruturais que não são resolvidos em curto prazo. Mas a gente acredita na melhoria da inserção dessas famílias.

Falta de consenso adia análise de veto de Lula

05 de outubro de 2011 0

Diante da falta de consenso sobre a distribuição dos royalties do petróleo, líderes do Senado e da Câmara decidiram adiar pela terceira vez a análise do veto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à emenda Ibsen, que faz uma divisão mais igualitária das receitas geradas pela exploração do pretróleo. A nova data de votação ficou acertada para o dia 26, abrindo espaço para uma tentativa de acordo entre Estados produtores e não produtores até lá.
Por orientação da presidente Dilma Rousseff, sua equipe só entrará nas conversas para dar um aval caso os governadores cheguem a um acordo. A ideia do Planalto é acompanhar as negociações e convencer os dois lados a cederem. A União decidiu que só abrirá mão em 2012 de R$ 1,8 bilhão de royalties e da participação especial que já prometera.
A decisão de Dilma desagrada aos governadores, em especial os de Estados produtores.
Os senadores vão trabalhar em cima de um projeto do senador Wellington Dias (PT-PI), que enfrenta uma forte resistência dos Estados produtores.
Os números de Dias até agora só levam em consideração a estimativa de arrecadação para 2012, de R$ 28 bilhões.
A proposta estudada prevê a seguinte distribuição: R$ 8 bilhões para a União, R$ 12 bilhões para os Estados e municípios produtores, e R$ 8 bilhões para Estados e municípios não produtores. Os valores são em cima de áreas já licitadas.
Tarso discutiu distribuição de royalties com Mantega
Em encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governador Tarso Genro discutiu a distribuição dos royalties. De Mantega, recebeu a garantia de que a União aceitou ceder R$ 1,8 bilhão.
Pela manhã, antes da reunião na Fazenda, o governador já havia entregue ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), um manifesto assinado pelos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário do Rio Grande do Sul, em defesa de uma partilha mais igualitária entre Estados produtores e não produtores.

União acena com aval a empréstimo para RS

05 de outubro de 2011 0

Por Kelly Matos

Durante audiência de mais de uma hora com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governador Tarso Genro ouviu dele que a União está disposta a dar o aval para que o Piratini capte R$ 2,3 bilhões junto ao BNDES, ao Banco Mundial e à Caixa Econômica Federal. Conforme Tarso, os recursos serão destinados principalmente para investimentos em infraestrutura.
Embora ainda faltem algumas etapas na tramitação para que o aval seja concedido, o governo está otimista. A expectativa é de que o primeiro – e mais volumoso – empréstimo, de R$ 1,3 bi junto ao BNDES, seja liberado nas próximas semanas.
Acompanhado do presidente da Assembleia, Adão Villaverde, e de quatro deputados, Tarso expôs ao ministro um panorama da economia gaúcha. Mantega elogiou o crescimento de 6,7% alcançado pelo Estado no primeiro semestre do ano, conforme dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE).
– O Rio Grande do Sul tem melhorado muito a sua situação fiscal – comentou o ministro.
O governador comemorou o resultado do encontro com Mantega.
– Os empréstimos só são liberados a partir dessa sinalização da União. A tramitação agora é meramente formal – disse Tarso.

Número de salários acima do teto pode crescer 840%

05 de outubro de 2011 0

A proposta do Judiciário para elevar os vencimentos de servidores pode aumentar em pelo menos 840% o número de funcionários que recebem os supersalários – acima do teto do funcionalismo, atualmente de R$ 26,7 mil. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Analistas, Técnicos e Auxiliares do Judiciário e do Ministério Público da União (Anata), saltaria de 512 para 4.814 o número de servidores acima do teto.
Os números levam em conta os oito tribunais com dados disponíveis para esse tipo de cálculo. A proposta de reajuste prevê correção média de 54% para analistas e 56% para técnicos, dependendo do estágio da carreira em que o servidor se encontra. Como o projeto eleva de forma linear o salário, os servidores que recebem “penduricalhos”, como funções comissionadas, superariam o teto.
– Se esses dados forem confirmados, é absolutamente inviável aprovar esse projeto de lei – avaliou o deputado Claudio Puty (PT-PA).
A Anata fez o levantamento em apenas oito dos cerca de 50 tribunais instalados no país, o que sugere que os servidores com supersalários, caso o projeto venha a ser aprovado, pode atingir número superior aos 4.814 encontrados.