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“Olha o estrago que o Lupi provocou”

18 de novembro de 2011 0

Entrevista Adair Meira, dirigente de ONGs e pivô das contradições no Ministério do Trabalho

Por Fabiano Costa

Zero Hora – O ministro Carlos Lupi recuou da declaração da última semana e agora admite que o conhece. O senhor ficou surpreso com a mudança de versão?
Adair Meira – Fui eu que provoquei a mudança no discurso do ministro ao dizer publicamente que ele estava sem memória e equivocado. Não estranhei essa nova versão. Achei mais do que justa.
ZH – Ele o convenceu ao dizer que esqueceu seu nome por falha de memória?
Meira – É uma boa pergunta, mas não tenho como respondê-la. O ministro teve suas razões para dizer que não me conhece.
ZH – Após a denúncia vir à tona, alguém o procurou para tentar convencê-lo a negar que havia viajado com o ministro?
Meira – Não. Até por que jamais mudaria minha versão.
ZH – O senhor mantinha uma relação de amizade com o ministro?
Meira – Não. Minha relação com ele era formal. Não me importo que o ministro diga que não me conhece. Mas não é justo afirmar que desconhece as causas que represento. O questionei porque não dá para ele falar que não conhece a ONG Pró-Cerrado e suas atividades.
ZH – Lupi disse aos senadores que o conheceu no dia do voo para o Maranhão. O senhor nunca havia falado com ele antes?
Meira – Já havia estado em uma ou outra situação com ele, mas a primeira vez que o cumprimentei foi na viagem ao Maranhão.
ZH – O ministro também disse aos parlamentares que o senhor havia ficado ofendido quando ele afirmou que não o conhecia. Ele está correto?
Meira – Em hipótese alguma. O que me incomodou foi a forma como ele disse que não me conhecia. Ele me pintou como um ente que poderia contaminá-lo e comprometê-lo caso ficasse clara uma relação entre as duas partes. Isso eu não poderia aceitar.
ZH – Alguma de suas empresas ou ONGs contratou e pagou o aluguel do avião?
Meira – Sou uma pessoa com amplas relações no setor aéreo. Quando o Ezequiel (Nascimento, secretário de Políticas Públicas de Emprego) me pediu ajuda para alugar um avião, liguei para um empresário amigo meu e falei: “você tem uma aeronave disponível? Então, vai te ligar uma pessoa para combinar roteiros.” Na sequência, Ezequiel ligou para ele. A partir deste momento, só fui procurado pelo ex-secretário quando ele me convidou para ir junto para Grajaú, sua cidade natal.
ZH – Quem pagou pelo avião?
Meira – Não tenho conhecimento. Pretendo procurar o empresário que fretou o avião para perguntar.
ZH – Por que Ezequiel recorreu ao dirigente de uma ONG que estava para fechar convênios com o ministério?
Meira – É do ramo. Brasília tem poucas opções neste setor. Até então meu contato com ele era institucional. O Ezequiel havia me procurado em um fórum para dizer que ia concorrer a deputado distrital. Depois, me recebeu algumas vezes no ministério.
ZH – E por que ele convidou suas ONGs para participarem da licitação?
Meira – Segundo Ezequiel, o ministério precisava de entidades de maior porte e melhor qualidade de entrega. Nossos contratos com a pasta foram por edital público.
ZH – A repercussão do caso comprometeu a credibilidade de suas ONGs?
Meira – Totalmente. Estamos sendo levados para a vala das ONGs que não existem, que não têm endereço, que seus dirigentes sumiram ou que não executam seus programas. Não somos esse tipo de organização. Fomos muito atingidos institucionalmente. Foi por esse motivo que reagi, para dizer que o ministro não pode fazer isso desta forma. Olha o estrago que o Lupi provocou.
ZH – O senhor conversou com o ministro durante a viagem?
Meira – Na aeronave, não. Mas, no evento, sim. Fui apresentado ao ministro em São Luís, ao embarcar no avião.
ZH – O senhor já viajou com algum outro integrante do primeiro escalão do governo Dilma?
Meira – Não. No entanto, faz muitos anos que tenho negócios na área da aviação. Me relaciono o tempo todo com autoridades, políticos e ex-políticos. Tenho uma ampla relação no meio político.

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