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Posts de dezembro 2011

Reforma agita aliados do Planalto

31 de dezembro de 2011 0
Edição conjunta de Zero Hora
31/12/2011 e 01/01/2012 | N° 16933

FABIANO COSTA | BRASÍLIA

As incertezas em torno da reforma ministerial têm inquietado a base governista. À espera do troca-troca, os partidos aliados, e em especial o PMDB, se movimentam nos bastidores para ampliar seu quinhão ou, pelo menos, não ter o espaço reduzido na Esplanada dos Ministérios.

O Palácio do Planalto tem mantido sigilo sobre as eventuais mudanças que deve conduzir em seu primeiro escalão no final de janeiro. O assunto é discutido somente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com três ministros lotados no palácio: Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

Principal aliado do governo, o PMDB está agitado com a reforma. Parlamentares que orbitam em torno do líder da bancada na Câmara, Henrique Alves (RN), reclamam de uma suposta inércia da cúpula em reivindicar maior espaço na Esplanada. À frente de cinco pastas (Agricultura, Minas e Energia, Previdência, Turismo e Assuntos Estratégicos), o partido se considera “sub-representado” e diz comandar ministérios com pouca expressão.

O baixo clero da legenda se queixa que Alves abandonou as cobranças ao Planalto em razão de sua candidatura para presidente da Câmara, em 2013. Já o vice-presidente da República, Michel Temer, afirmam peemedebistas do Congresso, estaria resistindo a comprar uma briga com o governo para tentar assegurar novamente a vaga de vice em 2014.

– Temer só quer saber de viajar. Cansamos de ir ao gabinete dele à toa. Todo mundo já tomou daquele uísque – dispara um deputado do PMDB.

Em dezembro, o Palácio do Planalto teve de intervir para acalmar a insatisfação do PMDB na Câmara. Os parlamentares ensaiaram um motim diante da tentativa do PT de ocupar um posto-chave na Caixa Econômica Federal, sob influência peemedebista.

Ciência e Tecnologia deve ficar com técnico

Apesar da insatisfação, expoentes da sigla reconhecem que são remotas as chances de o partido aumentar a fatia na Esplanada. O PMDB chegou a pensar em ocupar a pasta de Ciência e Tecnologia com a transferência de Aloizio Mercadante (PT) para a Educação. Mas o cargo deve ficar com um nome da comunidade científica.

O cenário ficou ainda mais complicado depois que o governo conseguiu aprovar projetos de seu interesse, como a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Para os peemedebistas, o partido ficou sem munição para retaliar o Planalto.

Interlocutores de Temer revelam que ele estaria preocupado com o silêncio da presidente Dilma Rousseff em relação às alterações no primeiro escalão. O vice ainda não teria sido procurado pela companheira de chapa para tratar sobre o tema.

Para manter o matrimônio com o PMDB, a cúpula petista tem pressionado dirigentes locais a abrirem mão de cabeça de chapa em municípios chamados de “joias da coroa” na eleição municipal de 2012.

fabiano.costa@gruporbs.com.br


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Conversas do Planalto: Três erros e três acertos de Dilma em 2011

31 de dezembro de 2011 1

No último programa Conversas do Planalto de 2011, os repórteres da RBS em Brasília Carolina Bahia, Fabiano Costa e Letícia Luvison fazem um balanço do primeiro ano do governo Dilma.


Túnel da BR-101 Sul segue fechado

27 de dezembro de 2011 0

Por Fabiano Costa

Apesar da promessa do governo federal de liberar ainda em 2011 o túnel do Morro Agudo, em Paulo Lopes, os motoristas que pretendem encarar o trecho Sul da BR-101 no feriado de Ano Novo não vão conhecer a obra. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) confirmou ontem que o acesso de 1,14 mil metros de extensão só será entregue no ano que vem.
Segundo o órgão, o novo atraso na conclusão da obra se deu por conta da demora na importação de equipamentos do sistema operacional do túnel. A previsão é de que o material desembarque em Santa Catarina apenas no início de janeiro. Enquanto isso, os operários fazem os últimos ajustes nos sistemas de iluminação e ventilação.
Considerando-se o cronograma inicial do Dnit, a passagem por dentro do Morro Agudo deveria estar pronta em dezembro de 2009. Desde então, já houve quatro adiamentos para a conclusão do primeiro túnel do Estado. A transposição é a única que saiu do papel das três previstas para a BR-101 Sul.
Responsável pela rodovia, o Dnit promete liberar o tráfego assim que o túnel estiver concluído, mesmo antes da inauguração oficial. Em razão da importância da estrutura para o Estado, a presidente Dilma Rousseff prometeu a líderes políticos catarinenses que irá entregar pessoalmente a passagem. A cerimônia, no entanto, ainda não tem data prevista.
Localizado no km 254 do lote 23, o túnel contará com duas pistas, um acostamento e uma passarela, servindo ao fluxo norte-sul da BR-101. O acesso do Morro Agudo só deverá ser superado em extensão pelo futuro túnel do Morro dos Cavalos, em Palhoça, que está projetado para ter 2 mil metros de comprimento.



STF conclui relatório do mensalão

21 de dezembro de 2011 0

Em mais um passo rumo ao julgamento do processo do mensalão do PT pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa liberou seu relatório sobre o caso aos colegas. No texto, Barbosa não avalia o mérito da questão, não aponta responsabilidade ou indica punições. É um resumo do processo, em que discorre sobre o escândalo que abalou o governo Lula em 2005.
As convicções de Barbosa sobre o mensalão, um processo que envolve atualmente 38 réus e investiga a suposta compra de apoio parlamentar no Congresso por parte do PT e do governo, será conhecida apenas quando o relator proferir seu voto – que ainda não está concluído.
Barbosa encaminhou o relatório na noite de segunda-feira, como uma resposta a recentes declarações do ministro Ricardo Lewandowski. Em entrevista, Lewandowski disse que alguns crimes imputados contra os acusados devem prescrever e que o processo pode ser julgado apenas em 2013. A entrevista de Lewandowski levou o presidente do STF, Cezar Peluso, a solicitar a Barbosa que encaminhasse cópias do processo aos demais ministros, para agilizar o julgamento. Apesar de ter enviado o relatório ainda neste ano, os demais ministros só deverão começar a analisar o processo no ano que vem, quando voltam do recesso, que termina no início de fevereiro.
Barbosa diz que pedido de Peluso foi “equívoco”
Lewandowski é o revisor do processo do mensalão, função tão importante quanto a do relator. Ele analisará o relatório e os demais dados do processo e produzirá um outro voto, que será apresentado logo após o voto de Barbosa. Lewandowski diz, nos bastidores, que só terá condições de passar a se dedicar mais profundamente ao caso do mensalão a partir de abril, quando deixará a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já Barbosa acredita ser possível a análise do processo, em plenário, entre abril e maio.
O pedido de Peluso para que o relator encaminhasse o processo aos colegas não foi bem recebido por Barbosa. Ontem, ele encaminhou ofício a Peluso em que classifica como “lamentável equívoco” a solicitação. Ele explica que o plenário já havia decidido digitalizar todas as peças dos autos para que ele se tornasse acessível aos advogados e aos ministros por meio de senha pessoal. O ministro diz que desde então todo o processo está no banco de dados.

Conversas do Planalto: em apuros, ministro recorre à amizade com Dilma

13 de dezembro de 2011 2

Os repórteres da RBS em Brasília Fabiano Costa, Fábio Schaffner e Léo Saballa Jr. explicam por que a presidente blindou o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel.

“Eu te amo”, “à bala”, agonia e a demissão

05 de dezembro de 2011 0

Enredado em suspeitas de desvios de recursos públicos por meio de convênios assinados com ONGs, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, entregou o cargo ontem, 30 dias depois da divulgação da primeira denúncia contra ele.
É o sexto ministro que cai sob suspeita de envolvimento em corrupção. Até agora, apenas Nelson Jobim (Defesa) não integrou a lista da faxina – foi dispensado por declarações consideradas “inconvenientes” sobre colegas de governo.
Lupi não resistiu ao passivo de escândalos. Depois de perder o apoio do PDT, entrou em rota de colisão com o PT – que está de olho na vaga – e não conseguiu explicar à Comissão de Ética Pública as denúncias de cobrança de propina na pasta. O destino do pedetista havia sido selado pelo teor do parecer da autora do relatório da comissão. No texto, a jurista baiana Marília Muricy Machado Pinto afirmou que o ministro teve inquestionáveis e graves falhas à frente da pasta e recomendou a demissão do pedetista, na última quarta-feira.
Interlocutores de Lupi afirmam que o ministro teria pedido demissão a Dilma Rousseff na quinta-feira. Enfraquecido com o parecer da comissão, ele disse à presidente que não suportava mais a pressão. Lupi também expôs sua preocupação de que as denúncias contra ele contagiassem outros setores do governo.
– Não dá mais – teria desabafado.
Para surpresa do subordinado, Dilma solicitou que ele ficasse no cargo, pelo menos até ela retornar da viagem à Venezuela. Para se antecipar a uma demissão que considerava inevitável, Lupi retornou ontem à tarde a Brasília e apresentou sua carta de saída à presidente, “em caráter irrevogável”, em encontro no Palácio da Alvorada (leia trecho acima).
Depois de desafiar a Comissão de Ética, ganhar tempo e dizer que faria uma “análise objetiva” sobre o caso, Dilma chegou à conclusão de que não seria possível segurar o auxiliar até a reforma ministerial, prevista para ocorrer entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro de 2012.
Com a queda de Lupi, o PDT espera reverter a imagem de partido conivente com a corrupção.
– Temos que lutar para tirar essa imagem de que o partido teve envolvimento em um esquema de arrecadação para pagar campanhas eleitorais – disse o secretário-geral do PDT, Manoel Dias.
Ministro interino sem aval do PDT
A presidente não quer que o PDT indique um novo ministro agora, pois pretende fazer um rodízio na partilha dos cargos e tirar o Trabalho do controle pedetista, na reforma da equipe. Diante do impasse, a tendência é de que o atual secretário executivo, Paulo Roberto dos Santos Pinto, assuma o comando do ministério, interinamente, até o início do ano que vem. Ele é filiado ao PDT, mas não tem aval do partido e muito menos de Lupi.
O Ministério do Trabalho foi um feudo petista no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por lá passaram Jaques Wagner (hoje governador da Bahia), Ricardo Berzoini (atualmente deputado federal) e Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo. Agora, petistas agem nos bastidores para retomar o domínio da pasta.
Sem ceder às pressões até agora, Dilma analisa a possibilidade de resgatar um desenho antigo da Esplanada e fundir Trabalho com Previdência. Nesse cenário, o PDT poderia ficar com o Ministério da Agricultura, hoje comandado pelo PMDB. O nome mais cotado para o posto, nesse caso, seria o do ex-senador Osmar Dias (PDT-PR), que também não tem chancela oficial do partido.
A briga entre a CUT, braço sindical do PT, e a Força Sindical, ligada ao PDT, é um importante ingrediente da crise que se abateu sobre o Ministério do Trabalho. Na guerra pelo poder, integrantes da Força dizem que Dilma desidratou a pasta dirigida por Lupi, levando as principais negociações para a Secretaria-Geral da Presidência.

Divisão do Pará custaria R$ 7,6 bi

05 de dezembro de 2011 0

Por Kelly Matos

A divisão do Pará pode gerar três Estados deficitários e um imbróglio político que nem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sabe como resolver. Além de provocar uma redistribuição das vagas na Câmara dos Deputados, a proposta de criação dos Estados de Tapajós e Carajás resultaria em um gasto inicial de R$ 7,6 bilhões anuais em manutenção.
No próximo domingo, 4,8 milhões de eleitores paraenses vão às urnas para decidir, em plebiscito, se aceitam o desmembramento do Estado. Pesquisas indicam que as mudanças serão rejeitadas. Mas, se fosse aprovada, a divisão do território iria aumentar ainda mais a burocracia estatal brasileira. Um estudo do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp) mostra que Carajás, por exemplo, nasceria com um déficit de R$ 1,9 bilhão.
Isso sem levar em conta os custos com novos prédios de governo e Assembleias Legislativas, alerta a ccoordenadora do estudo, Lúcia Andrade. Além do déficit, os gastos de manutenção da máquina publica travariam o crescimento dos Estados. Tapajós, por exemplo, comprometeria 45% do PIB com sua estrutura administrativa:
– Se os Estados não tiverem condições de investir, não terão como se desenvolver – observa a pesquisadora.
Na contramão dos índices econômicos, parlamentares justificam que a divisão aproximaria a população do governo e promoveria o acesso a serviços básicos que hoje não chegam a municípios muito distantes de Belém.
Além das despesas orçamentárias, o novo mapa também poderia trazer consequências eleitorais para 15 Estados. Como a Constituição prevê o número total de 513 deputados na Câmara – e um mínimo de oito por Estado –, as demais unidades da federação teriam que ceder espaço aos 16 novos representantes de Carajás e Tapajós. Com 31 cadeiras, o Rio Grande do Sul provavelmente perderia força.
– Alguém vai sair perdendo. O TSE terá de recalcular as bancadas de acordo com a população – observa o ministro do TSE Gilson Dipp.
O Estado poderá ser atingido ainda se houver redistribuição dos recursos previstos no Fundo de Participação dos Estados (FPE). Tramitam no Congresso projetos propondo a criação de oito outros Estados e três territórios federais. Um deles fatia o Amazonas e outro divide o Maranhão, Estado com os piores índices de desenvolvimento.

A mulher que emparedou Lupi

05 de dezembro de 2011 0

Por Fábio Schaffner

Ela tomou a decisão que a presidente Dilma Rousseff posterga há um mês. Ao recomendar a demissão do ministro Carlos Lupi, a jurista baiana Marília Muricy Machado Pinto praticamente selou o destino do pedetista.
Integrante do Comissão de Ética Pública desde 2009, Marília foi a autora do relatório sobre as denúncias que pesam contra o titular do Trabalho. No texto, Marília disse que Lupi teve inquestionáveis e graves falhas à frente do ministério. Surpreendida com o teor da decisão do comitê, Dilma pediu acesso ao relatório, mas adiantou a assessores que até segunda-feira irá decidir sobre uma eventual exoneração.
Doutora em Filosofia do Direito, Marília é advogada formada pela Universidade Federal da Bahia, onde hoje é professora. Aos 66 anos e com mandato na comissão até julho, ela foi a responsável pela mais audaciosa decisão do comitê desde sua criação, em 1999. Jamais o colegiado havia sugerido a demissão de um ministro por suspeita de irregularidades. Este ano, o órgão se limitou a aplicar censura ética aos ex-ministros Erenice Guerra e Antonio Palocci.
Ex-conselheira da OAB nacional e da seccional baiana da entidade, Marília obteve prestígio no meio jurídico por erguer bandeiras ligadas aos direitos humanos. A atuação destacada a catapultou para o primeiro escalão do governo Jaques Wagner, no qual comandou a Secretaria de Justiça de 2007 a 2009. No cargo, reformou a administração penitenciária estadual e concebeu uma legislação que criou penas alternativas.
– Marília sempre teve uma influência muito grande dentro da OAB por conta de sua visão social – lembra o ex-presidente da entidade Cezar Britto.
Casada com um advogado, Marília é apontada por amigos como uma mulher determinada e segura. Fã de Chico Buarque e Mario Quintana, a ponto de citar poemas do gaúcho em redes sociais, é carinhosa e sensível com os amigos. No texto que sugeriu a demissão de Lupi, contudo, foi incisiva ao apontar a afronta do ministro à hierarquia, quando ele afirmou que só sairia do governo “abatido à bala”. “Atitude em que se misturam aparente indiferença quanto à gravidade das acusações e certa dose de arrogância frente às possíveis consequências de seus atos”, pontuou Marília.

“Lupi adotou comportamentos incompatíveis”

05 de dezembro de 2011 0

Entrevista: Marília Muricy Machado Pinto, integrante da Comissão de Ética Pública

Por Leo Saballa Jr

Relatora do parecer que recomendou a demissão do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a advogada Marília Muricy está convencida de que a presidente Dilma Rousseff acatará a orientação do colegiado.

Em entrevista a ZH ontem, a conselheira enfatizou que Lupi não conseguiu provar sua isenção nas supostas irregularidades apontadas pela mídia. A seguir, a síntese:

Zero Hora – Como a senhora avalia a decisão da presidente de não acatar a recomendação da comissão?

Marília Pinto – Ainda não podemos dizer que a presidente não acatou. Ela pediu para conhecer as razões que embasaram a decisão e, antes de ser informada, viajou. Ao retornar, terá acesso aos motivos que levaram a comissão a recomendar a demissão do ministro Carlos Lupi. Então, veremos qual será sua posição sobre o assunto.

ZH – A demora do Planalto de cumprir a orientação enfraquece a comissão?

Marília – Não. A presidente precisa de um tempo para ler o relatório e constatar que ocorreu somente a aplicação rigorosa de um decreto federal. Essa recomendação foi feita por pessoas designadas pela própria Presidência da República para assessorá-la em temas éticos.

ZH – O que a fez recomendar a demissão de Lupi?

Marília – O ministro não conseguiu provar nos autos sua isenção nas supostas irregularidades apontadas pela imprensa. Lupi adotou comportamentos incompatíveis com a imagem de um ministro. Na comissão, nossa principal atribuição é conservar a imagem da autoridade pública. Nosso movimento não deve ser interpretado apenas como uma censura ao ministro, mas como uma tentativa de preservar as instituições públicas.

ZH – A senhora foi criticada por ter elaborado rapidamente o relatório sobre o caso Lupi. Como a senhora avalia essas reclamações?

Marília – O relatório não foi feito rapidamente. Foi elaborado com o tempo necessário para a leitura dos autos, interpretação da lei e elaboração de uma conclusão. Não se trata de rapidez, e sim de ter encarado o desafio com toda a responsabilidade que minha função impunha.

ZH – Houve pressões externas para que fosse recomendada a demissão do ministro?

Marília – Sou absolutamente independente. Tenho uma trajetória pessoal que comprova isso. Não sofri pressão, assim como nenhum outro integrante da comissão. Estamos cumprindo nossa função com rigor. Há um decreto que arbitra sobre a ética pública e recebemos a missão de aplicá-lo.

ZH – O grupo acredita que a presidente acatará a orientação?

Marília – Sim. Nossa recomendação não tem viés pessoal ou agressivo. E muito menos pretendemos forçar a presidente a tomar decisões. Nossa intenção é assessorá-la, como determina o decreto presidencial que instituiu a comissão.

Em nota, Lupi diz que foi condenado sumariamente com base no noticiário

04 de dezembro de 2011 0

NOTA OFICIAL

Tendo em vista a perseguição política e pessoal da mídia que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa e sem provas; levando em conta a divulgação do parecer da Comissão de Ética da Presidência da República – que também me condenou sumariamente com base neste mesmo noticiário sem me dar direito de defesa -- decidi pedir demissão do cargo que ocupo, em caráter irrevogável.
Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o Trabalhismo não contagie outros setores do Governo.
Foram praticamente cinco anos à frente do Ministério do Trabalho, milhões de empregos gerados, reconhecimento legal das centrais sindicais, qualificação de milhões de trabalhadores e regulamentação do ponto eletrônico para proteger o bom trabalhador e o bom empregador, entre outras realizações.
Saio com a consciência tranquila do dever cumprido, da minha honestidade pessoal e confiante por acreditar que a verdade sempre vence.
Carlos Lupi
Ministro do Trabalho e Emprego