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Irã ensaia reaproximação

07 de janeiro de 2012 1


















Zero Hora | 08 de janeiro de 2012 | N° 16940

Brasília

Por Fabiano Costa

Alçado a parceiro estratégico do regime dos aiatolás durante o governo Lula, o Brasil deixou a restrita galeria de países afinados com o Irã. O desalinhamento político com a presidente Dilma Rousseff fez o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, deixar Brasília fora de seu périplo de cinco dias pela América Latina a partir deste domingo. Mas por pouco tempo: o líder desembarcará no país, em junho, para participar da conferência Rio+20.
O contestado líder do Irã, considerado o inimigo número 1 dos EUA e de Israel, agendou escalas em quatro países: Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador. Já o Brasil, que em 2009 havia sido o principal destino do primeiro giro de Ahmadinejad pelo continente, sequer foi cogitado desta vez para a visita presidencial. O Itamaraty afirma que Teerã não procurou o governo brasileiro para tentar marcar compromissos com Dilma. Segundo autoridades iranianas, o líder persa priorizou a posse do colega nicaraguense, Daniel Ortega, e uma visita de cortesia ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, submetido a um tratamento contra o câncer.
A polêmica lua de mel do governo brasileiro com Teerã azedou após Dilma condenar, antes mesmo de ser eleita, as violações contra os direitos humanos no país do Oriente Médio. Ahmadinejad ficou incomodado especialmente com as declarações da presidente contra o apedrejamento de mulheres. Nos bastidores, integrantes da Esplanada confirmam o mal-estar entre os dois países. A avaliação é de que, desde que Dilma assumiu a Presidência, o Brasil passou a ser tratado por Teerã como um país “não amigo”. Em março do ano passado, Dilma sacramentou sua primeira mudança de rumo na diplomacia brasileira em comparação à gestão anterior, votando contra os persas em um organismo da Organização das Nações Unidas (ONU).
Os narizes torcidos no Irã, entretanto, não constrangeram o governo brasileiro. Incumbida por Dilma de transformar o respeito aos direitos humanos em vitrine de sua administração, a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) abriu um canal de diálogo com a oposição iraniana. Ela tem recebido em seu gabinete adversários políticos de Ahmadinejad, que buscam no Planalto apoio para combater a violência do regime teocrático.
Sob embargo da União Europeia e dos EUA, o Irã demonstra não ter interesse em tensionar as relações com o Brasil. Apesar do afastamento político, os iranianos conquistaram um lugar de destaque na balança comercial brasileira. As vendas para o país asiático somaram US$ 2,3 bilhões em 2011, aumento de 10% em comparação com 2010. Hoje, o Irã é o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, atrás somente da Rússia.
Para evitar um eventual rompimento com Dilma, a chancelaria iraniana confirma a vinda de Ahmadinejad ao país para a conferência ambiental da ONU. Os governos dos dois países elaboram acordos bilaterais para serem assinados durante o evento.
Interlocutores de Dilma garantem que o Planalto não se sente constrangido de receber o cabeça de um regime que oprime mulheres, homossexuais e nega o Holocausto. O governo, contudo, prevê que a passagem de Ahmadinejad pelo país atrairá mobilizações de defensores dos direitos humanos.
– Os chefes estrangeiros que vierem à Rio+20, incluindo o presidente do Irã, terão de conviver com tranquilidade com eventuais protestos. Não haverá atitude condenatória às manifestações populares durante o evento – afirma a ministra dos Direitos Humanos.

fabiano.costa@gruporbs.com.br


Comentários (1)

  • Francisco Bendl diz: 8 de fevereiro de 2012

    A contradição é tamanha sobre Direitos Humanos da nossa presidente Dilma, que não vejo a mesma ênfase contra os mesmos direitos aviltados e ignorados por Cuba!
    Por quê?
    Em visita recente à ilha cubana, a presidente Dilma proferiu uma declaração no mínimo confusa para não dizer absurda.
    Disse ela:
    “Os Direitos Humanos não podem servir como arma ideológica”.
    Ora, ora, a democracia e as liberdades individuais estão atreladas, então, à vontade dos irmãos Castro?!
    Lá se justificam as prisões de cubanos no próprio país sem o direito de ir e vir?
    Fidel está no poder há 52 anos, aproximadamente, tendo levado o seu país à ruína, à miséria do povo cubano, mas esses atos de tirania são aprovados pelo governo brasileiro?
    Pô, no Irã, pelo menos tem eleições para presidente.
    Podem até ser adulteradas, mas existe o teatro, a movimentação popular a respeito.
    E casos de violência não são tão conuns como em Cuba, vamos e venhamos.
    Mas contra os persas a senhora Dilma critica a postura adotada pelo Irã, e deixa de lado Cuba, surpreendentemente.
    Por quê?!

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