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Sem provas de homicídio, juiz decide arquivar Caso Cavalcante

20 de janeiro de 2012 3

Por Fabiano Costa

Um dos casos policiais mais rumorosos da política estadual nos últimos anos irá para os arquivos do Judiciário.
Após quase três anos de investigações, a Justiça aceitou recomendação do Ministério Público e mandou arquivar o inquérito da morte do ex-representante do governo do Estado em Brasília Marcelo Cavalcante.
O juiz Fábio Francisco Esteves, do Tribunal do Júri do Distrito Federal, concordou que a morte de Cavalcante não teria sido homicídio ou incitação a suicídio. Peça-chave do escândalo que abalou o governo Yeda Crusius (2007-2010), Cavalcante foi encontrado morto no Lago Paranoá em 17 de fevereiro de 2009.
O ex-assessor havia sido exonerado um ano antes, no ápice da crise do Detran, ao ser divulgado que ele havia recebido uma carta do empresário Lair Ferst dirigida a Yeda com detalhes sobre as supostas irregularidades na autarquia, mas optou por não entregá-la à governadora.
Com base em depoimentos e na quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Cavalcante, o MP se convenceu de que ele não foi assassinado. Em 2010 — mesmo com o inquérito da Polícia Civil indicando que o ex-assessor havia colocado fim à própria vida —, o MP pediu novas diligências.
O laudo do IML não auxiliou os promotores, na medida em que o avançado estado de decomposição do corpo impossibilitou apontar a causa da morte.
Na apuração, o MP ouviu os procuradores que atuaram nas investigações da Operação Rodin. Eles confirmaram que Cavalcante iria depor ao Ministério Público Federal para relatar episódios da campanha de Yeda.
Irmão do ex-secretário, Marcos Cavalcante garantiu ter mantido contato com pessoas que teriam visto o assessor ser empurrado de uma lancha no lago. A versão foi descartada, já que o irmão não conseguiu apresentar nenhuma das supostas testemunhas.
Outro subsídio para descartar a tese de assassinato foi um estudo a partir da análise do comportamento da vítima. De acordo com o promotor Marcelo Leite, se diagnosticou que Cavalcante teria “perfil suicida”. Leite diz que, antes de pedir o arquivamento, procurou eliminar todas as suspeitas de assassinato. Para Leite, o ex-assessor se suicidou ou foi vítima de um acidente.
— Esgotamos todas as linhas de investigação de homicídio. Ao final das averiguações, concluímos que a morte ocorreu, muito provavelmente, por suicídio — afirmou.
Família critica decisão da Justiça
O arquivamento do inquérito que investigava a causa da morte de Marcelo Cavalcante revoltou a família do ex-chefe do escritório gaúcho em Brasília. Os parentes de Cavalcante acusam o Ministério Público (MP) de omissão diante das suspeitas de homicídio.
Viúva do ex-assessor, a empresária Magda Koenigkan diz que, desde o início das apurações, havia percebido uma inclinação das autoridades para encerrar o caso como um episódio de suicídio.
– Por que uma pessoa de bem com a vida e com uma filha linda como o Marcelo iria tirar sua própria vida – questiona Magda.
Para o empresário Marcos Cavalcante, irmão do ex-representante, a decisão do Judiciário de arquivar o inquérito é “vergonhosa”. Ele reclama que a promotoria não teria levado adiante suas suspeitas sobre assassinato:
– O promotor não investigou. Onde estão as imagens das câmeras de vigilância da ponte que poderiam ajudar a esclarecer a morte do meu irmão?
Relembre o caso:
— Carioca de nascimento, o ex-assessor do Piratini mantinha uma estreita relação com a política do RS. Ele trabalhou com quatro deputados: Luis Roberto Ponte (PMDB), Nelson Marchezan, Yeda Crusius e Claudio Diaz, do PSDB.
— Após a vitória de Yeda em 2006, Cavalcante foi nomeado chefe da representação do governo do Estado em Brasília.
— Em 2008, no auge do escândalo do Detran, o ex-representante perdeu o emprego após vir à tona que ele havia engavetado uma carta enviada pelo empresário Lair Ferst a Yeda com denúncias sobre irregularidades na autarquia. A Polícia Federal também havia flagrado uma conversa entre Lair e Cavalcante, na qual eles agendavam audiência na Fazenda para uma multinacional.
— No ano seguinte, o corpo de Cavalcante foi encontrado boiando no Paranoá. A família do ex-assessor levantou suspeita de queima de arquivo. Ele estava prestes a depor ao MPF sobre supostas irregularidades na campanha de Yeda.
— Após a Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal descartarem a hipótese de homicídio, a Justiça decidiu arquivar o inquérito no dia 11.



Comentários (3)

  • Marcos Cavalcante diz: 20 de janeiro de 2012

    Marcos Cavalcante (irmão do Marcelo)
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    Caro Fabiano Costa,
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    Não foi tomada agora a decisão do promotor por esse vergonhoso e já esperado desfecho, mas sim lá no início das investigações, basta lembrar o que sempre dizia a delegada e o promotor, que os indícios sempre levavam o caso para o suicídio, diferente do que o inquérito policial, tão claramente, sempre me mostrou e mostrará para qualquer pessoa que folhear o processo, ou seja, uma premeditada e farsante emboscada e que culminou com um covarde e brutal assassinato do Marcelo. Tentei diversas vezes mostrar isso ao promotor, mas sempre ele ignorava e se fazia de desentendido, até o dia em que não aguentou mais, minhas sempre incômodas visitas, e me expulsou do seu gabinete no dia 2 de julho de 2009. Logo após eu ter tido acesso à pequena parte do IP, no dia 13 de maio de 2009, ficou muito claro a “casinha” que armaram para o Marcelo? Depois disso rapidamente me transformei em persona non grata, isso mesmo, pessoa indesejada no MPDFT, antes já era assim considerado também na Polícia Civil do DF, infelizmente? É muito estranho o promotor somente agora tomar a decisão de tratar o caso como suicídio depois de quase 3 anos e não mais receber ninguém da minha desde o dia 2 de julho de 2009? Por que, senhor promotor?
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    Será por que as excessivas contradições da “viúva” alegre foram sempre ignoradas?
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    A única pessoa que, descaradamente e dissimuladamente, formou esse falso perfil suicida do Marcelo foi a sempre contraditória “viúva” alegre, que na delegacia defendia efusivamente a tese de suicídio, digo isso por ter lido os mentirosos e contraditórios depoimentos da sra. Magda, diferente do que ela sempre falava para a imprensa? Será que a delegada e o promotor nunca perceberam que até parecia tratar-se de pessoas distintas, uma na delegacia e outra para a mídia ou simplesmente preferiram ignorar esse “estranho” comportamento? Essa dissimulação ser sempre ignorada pelo promotor e, principalmente, após a troca de delegados na 10ªDP do Lago Sul, já que no início o delegado e o investigador sempre desconfiaram da “viúva” é muito estranho, não acham?
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    Vai uma pessoa, que não esteja blindada, e retire um carro da ponte, ou seja, mexendo na cena do crime, isso mesmo, cometendo uma fraude processual e leve para sua casa, depois de afirmar ter recebido mensagens com teor suicida e veja onde as investigações chegariam? Afirmo que você não escaparia de ser considerado rapidamente um potencial suspeito? Assim considerou a delegada plantonista, que acompanhou as investigações no início e assim também o delegado e o investigador que ficaram responsáveis pelo processo, mas logo que começou a desconfiar da “viúva”, foi estranhamente transferido de delegacia?
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    Por que as investigações ignoraram o que sempre falou a verdadeira família do Marcelo e os verdadeiros amigos do Marcelo em seus poucos, mas esclarecedores depoimentos? É muito estranho que a delegada que passou a investigar o caso jamais quis formalizar e consignar nenhum depoimento dos verdadeiros familiares do Marcelo? Isso cheira a algo muito podre?
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    Por que a delegada e o promotor ignoraram o que disse o senhor Ricardo Braga em seu depoimento na delegacia, que teria conversado e visto o Marcelo mais ou menos uma hora antes do farsante e forjado suicídio e em momento algum percebeu qualquer comportamento suicida? Muito pelo contrário, inclusive afirmou que o Marcelo lhe informou e confidenciou o plano de carnaval, que seria uma semana depois do carnaval?
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    Será por que a polícia e o promotor ignoraram a possibilidade de tratar-se de uma emboscada na ponte JK, mas a delegada sempre ao querer defender a tese de suicídio ficava se perguntando o que Marcelo teria ido fazer na ponte? Cuidado pessoal, ir à ponte pode fazer você se transformar em potencial suicida para a delegada que, insistentemente, blindou a alegre “viúva”, mesmo sendo pega vária vezes em contradição, mesmo levando o carro da ponte para sua casa, mesmo falando que o Marcelo recebia telefonemas ameaçadores e em seguida sendo desmentida pela delegada, tudo isso é muito estranho, não acham? Mostrem as imagens? Falem alguma coisa a respeito das imagens para as pessoas que ficaram aguardando esse estranho e demorado tempo? Cadê as imagens senhor promotor, senhora delegada? Ou falarão que no fatídico 15 de fevereiro as 2 câmeras que monitoram a ponte JK, 24 horas por dia, 7 dias por semana, estariam quebradas? Você acreditaria? É muito estranho um outro promotor do júri me mostrar as imagens do Marcelo caminhando na ponte JK, congelar as imagens, informar que a família nunca aceita o suicídio e afirmar que as imagens poderiam ser pesadas e pedir para eu procurar o outro promotor? Assim eu fiz, qual a minha decepção, depois de uma demora de quase 3 meses, apesar das minhas insistentes cobranças (mais ou menos umas 5 ou 6 visitas em seu gabinete) e ele me fala que o promotor não teria mostrado imagem alguma? Mais estranho ainda foi o promotor me expulsar do seu gabinete justamente no dia em que resolveu me falar que não existia imagem alguma? Se eu fosse promotor e uma pessoa me cobrasse uma imagem que outro promotor tivesse mostrado, afirmo que na mesma hora ligaria para o outro promotor e lhe cobraria essas imagens? Estranhamente, somente após quase 3 meses, acho que é tempo demais, senhor promotor? O que acham?
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    Por isso sempre deixei bem claro esse vergonhoso desfecho do caso. Como tenho 100% de certeza que a sequência daquelas imagens não seriam do Marcelo se atirando da ponte JK, mas muito provavelmente de o Marcelo entrando no carro de alguém, tendo em vista o processo me mostrar claramente que foi previamente montado um caminho na tentativa de fazer parecer um suicídio é facilmente perceptível a premeditada emboscada e, assim, posso afirmar que a desesperada esperança de me convencer não deu certo e por isso o promotor me falou não existir imagem alguma.
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    Essa é a Justiça do Brasil, se um dia você precisar, terá de se submeter a isso! Este país é uma vergonha!
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    Conto com a colaboração dos colegas que sabem como eu sei e tem 100% de certeza que o meu irmão foi vítima de um brutal e covarde assassinato.
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    Cobrem das autoridades políticas, que se manifestem de alguma forma, principalmente de suas Tribunas uma explicação das autoridades policiais de Brasília e também das autoridades judiciais. Obrigado!
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    Marcos Cavalcante (irmão do Marcelo)

  • Marcos Cavalcante diz: 20 de janeiro de 2012

    Marcos Cavalcante (irmão do Marcelo)

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    Caro Fabiano Costa,

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    A meu ver, é muito estranha a forma como o promotor se convenceu de que o Marcelo tenha cometido suicídio.

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    Na matéria feita no blog Diários de Brasília do jornal Zero Hora pelo jornalista Fabiano Costa ficou uma dúvida do promotor a respeito da morte do Marcelo. Nem o promotor tem 100% de convicção de que foi suicídio, repare.

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    — Esgotamos todas as linhas de investigação de homicídio. Ao final das averiguações, concluímos que a morte ocorreu, MUITO PROVAVELMENTE, por suicídio — afirmou.

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    Reparou! Isso mesmo, muito provavelmente? Cadê a segurança? Cadê o esgotamento? Estranho, não acha? Muito provavelmente por que, senhor promotor, ainda não tem certeza? Ou o senhor acha que ele, sem querer, tropeçou na ponte e caiu lago adentro, que tem uma proteção de mais ou menos um metro, justamente na hora em que acenou para o seu colega Newton (Careca) que passava na ponte naquela hora e até se cumprimentaram. Estranho ninguém ter visto nada, senhor promotor? Mas aí vai de encontro ao “perfil suicida” que o senhor atestou, não acha? Perfil suicida só nos contraditórios e mentirosos depoimentos da sra. Magda, senhor promotor? O Marcelo jamais jogou o carro em viaduto ou poste com a intenção de se matar, senhor promotor, como disse a sra. Magda, mas sim sofreu um acidente quando até trabalhávamos juntos, em 1998, salvo engano, em mais uma de suas muitas mentiras contadas em seus depoimentos, tampouco, disse que iria “pular da ponte” como a sra. Magda também afirma em seu depoimento de que a Lílian, mãe da Marcelinha, teria lhe dito. Basta confrontar com o depoimento da Lílian, senhor promotor? A dissimulação do que a “viúva” sempre falou para a imprensa e o que realmente consta nos autos é gritante?

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    Em outra parte da matéria:

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    Outro subsídio para descartar a tese de assassinato foi um estudo a partir da análise do comportamento da vítima. De acordo com o promotor Marcelo Leite, se diagnosticou que Cavalcante teria “PERFIL SUICIDA”. Leite diz que, antes de pedir o arquivamento, procurou eliminar todas as suspeitas de assassinato. PARA LEITE, O EX-ASSESSOR SE SUICIDOU OU FOI VÍTIMA DE UM ACIDENTE.

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    Repare de novo! Vítima de um acidente, isso mesmo… Será que alguém acreditaria que uma pessoa poderia sofrer um acidente na ponte JK, por volta das 14h, e ninguém ter visto nada? Não acha muito estranho, senhor promotor?

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    “PERFIL SUICIDA”. Essa investigação parece ter ignorado tudo o que disse a verdadeira família do Marcelo, como também disse os verdadeiros amigos em seus depoimentos, mas parece ter dado bastante, ou melhor, somente credibilidade ao que disse a sempre contraditória e mentirosa “viúva” e sempre principal suspeita pela nossa família.

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    É por isso e por muitas outras coisas que nossa família e todos os amigos do Marcelo temos 100% de certeza de que ele foi vítima de uma orquestrada, premeditada e covarde emboscada.

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    Mostre as imagens da ponte JK, senhor promotor? Ou será que elas sumiram? Ou será que elas não existem? Estranho foi o seu amigo promotor ter me mostrado meu irmão caminhando na ponte, congelado-as e ter dito que a sequência poderia ser pesada e que a família nunca aceita o suicídio? Elas simplesmente confirmariam que não existe nenhum por cento de chance de o Marcelo ter se atirado da ponte ou de até mesmo como o senhor falou, ter sofrido um acidente, senhor promotor?

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    Pronuncie-se a respeito das imagens para acabar com a dúvida das pessoas que ainda têm?

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    Marcos Cavalcante (irmão do Marcelo)

  • Vladmir Lima diz: 10 de fevereiro de 2012

    Resumindo, as provas são ocultadas, as pessoas não são interrogadas, a própria vítima vira o principal suspeito do crime, pois é muito fácil chamá-lo de “perfil suicida” depois de morto. O que é isso Brasília?

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