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Posts de janeiro 2012

“O desafio é levar a ciência a todo o país”

29 de janeiro de 2012 0


















29 de janeiro de 2012 | N° 16962

ENTREVISTA  Marco Antonio Raupp, ministro da Ciência e Tecnologia

Por Fabiano Costa


Há 50 anos longe do Rio Grande do Sul, o novo ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, ainda cultiva as tradições gaúchas. Nascido em Cachoeira do Sul, o doutor em matemática pela Universidade de Chicago gosta de vestir bombacha nos finais de semana para assar churrasco e sorver mate com os oito filhos no sítio da família, em Minas Gerais.
Aos 73 anos e com longa trajetória em pesquisas, o ex-presidente da Agência Espacial Brasileira desembarca no primeiro escalão do governo Dilma Rousseff com o respaldo do meio científico. Sétimo ministro gaúcho ou com vínculos com o Estado, defende um mutirão para qualificar mão de obra. A síntese da entrevista:
Zero Hora – A presidente Dilma o incumbiu de alguma missão específica à frente do ministério?
Marco Antonio Raupp – Como integrei a equipe anterior como presidente da Agência Espacial Brasileira, minha gestão será de continuidade. A presidente me pediu para dar prosseguimento aos projetos da pasta e também para tentar não mexer muito na estrutura atual. Não pretendo fazer nenhuma reestruturação. Minha missão é fazer a roda girar mais rápido.
ZH – Qual será sua prioridade?
Raupp – Pretendo estabelecer dois pilares. Um deles é fortalecer a base científica e de pesquisa no país. Elas são matrizes de todas as atividades produtivas. É crucial ampliar e qualificar o número de profissionais, a infraestrutura dos laboratórios, os equipamentos, além de aumentar a capacidade de produção de conhecimento. Também é imprescindível melhorar o ensino técnico e universitário do país. O meu segundo pilar será levar a ciência para os parques industriais e apoiar a modernização do serviço público. Enfim, temos de valorizar e qualificar cada vez mais a infraestrutura da ciência e colaborar para o desenvolvimento das atividades produtivas.
ZH – Como conciliar desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade?
Raupp – Temos o desafio de levar a ciência a todo o país, com sustentabilidade. Por exemplo, a ocupação da região amazônica tem de ser feita com conhecimento científico, para não corrermos o risco de dilapidar nosso patrimônio da biodiversidade. A ciência serve para equilibrar a utilização dos recursos naturais, explorar sem destruir. É uma preocupação que vale também para a exploração dos recursos do pré-sal em mares profundos.
ZH – Qual é o setor brasileiro mais defasado tecnologicamente?
Raupp – A área de tecnologia industrial é um desafio que temos de atacar, juntamente com o setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria tem se envolvido com o governo para tentar solucionar esse gargalo. Por outro lado, há setores industriais com um bom nível de desenvolvimento tecnológico, como o petrolífero e de aviação. O agronegócio também é um setor moderno e competitivo. Alcançamos nesse mercado o nível tecnológico de países desenvolvidos.
ZH – A recente parceria entre Embraer e Telebrás para gerenciar o Satélite Geoestacionário Brasileiro será replicada em outros projetos do governo?
Raupp – Sem dúvida. O setor produtivo tem de participar e investir mais no desenvolvimento tecnológico. As próprias empresas irão se beneficiar, capacitando-se para a competição global. Essas parcerias são fundamentais para a iniciativa privada. Estamos vivendo um bom momento do país e temos de aumentar o investimento privado na ciência nacional.
ZH – Como o senhor pretende contornar a falta de mão de obra especializada no país?
Raupp – Pretendo trabalhar afinado com o Ministério da Educação, abrindo novos cursos técnicos e investindo na formação de engenheiros e cientistas. Contudo, não é algo que será resolvido em três anos, afinal, é um problema histórico. Precisamos implementar uma política que ultrapasse vários governos. A ação tem de ser de longo prazo, com muito investimento na educação básica. Não existe desenvolvimento cientifico sem educação de qualidade. Por isso, a presidente celebrou durante a minha posse o casamento da Ciência e Tecnologia com a Educação. Segundo ela, as duas pastas têm de atuar em conjunto.
ZH – O déficit de profissionais especializados, especialmente na área de engenharia, compromete de alguma forma nosso desenvolvimento tecnológico?
Raupp – Não digo que comprometa, mas atrapalha muito. Estamos fazendo um grande esforço para recuperar terreno. Não é à toa o grande investimento do governo em educação nos últimos anos.
ZH – Mas mesmo com o aumento dos investimentos, ainda há um abismo entre os gastos do Brasil e de outros países emergentes, como China e Coreia do Sul. Quanto tempo levará para alcançarmos um nível semelhante?
Raupp – Faz cinco décadas que a China faz um esforço massivo em educação. Queremos alcançar esse grau de investimento, mas não é tão fácil fazer um mutirão em um país com uma diversidade tão grande como a nossa. Não é só questão de dinheiro, é mobilização das mentes. O governo tem que atender muitas demandas, e as crises econômicas que ocorrem ocasionalmente acabam afetando as políticas públicas.
ZH – Criado há 11 anos, o Ceitec produziu seus primeiros chips em volume comercial em 2011. Na sua gestão, qual vai ser o foco da estatal?
Raupp – Estou me atualizando agora sobre a situação do Ceitec. Até então, não acompanhava o desenvolvimento da planta de chips gaúcha. Na minha avaliação, o Ceitec tem de ser uma fonte de pesquisa para a indústria, inclusive, desenvolvendo produtos. Porém, industrialização massiva é função do setor privado.


Como não levar bronca de Dilma

29 de janeiro de 2012 0


















Por Fabiano Costa

Minuciosa, durona, perfeccionista e de pavio curto. Esses são os adjetivos mais corriqueiros usados por ministros, assessores e aliados para definir o estilo da presidente Dilma Rousseff.
Ao contrário do antecessor, famoso pelo carisma e pelo estilo bonachão, Dilma reforçou em seu primeiro ano de mandato a fama de sisuda e implacável. Dona de um temperamento instável, a presidente intercala broncas desconcertantes com piadas de humor peculiar no trato diário com os subordinados, provocando arrepios nos auxiliares diretos.
Na última terça-feira, ao deixar o Ministério da Ciência e Tecnologia para assumir a Educação, o ministro Aloizio Mercadante arrancou gargalhadas no Palácio do Planalto ao aconselhar o sucessor, Marco Antonio Raupp, sobre como se comportar com a presidente.
– Toda vez que você levar um programa à presidente, a primeira fase vai ser de espancamento do projeto. Ele vai ser desconstituído em todas as suas dimensões e, se não estiver bem consistente, você vai ouvir a seguinte expressão: “Ele não fica de pé” – brincou.
Sentado ao lado de Dilma, o ex-presidente Lula não se conteve e riu com a plateia. Mais contida, a presidente apenas sorriu diante do gracejo. E Mercadante complementou:
– O conselho que dou, Raupp, é: não insista. Você não vai convencê-la. Vai perder tempo. Volte para casa, junte a equipe, trabalhe intensamente e volte a apresentar o projeto. Os ministros aqui sabem que estou falando a mais absoluta verdade – orientou.
A brincadeira de Mercadante traduz a percepção geral da Esplanada. Duas ajudantes de ordens e uma secretária pediram demissão por não suportarem as explosões da chefe do Executivo. Uma auxiliar em especial tem hora marcada para levar pito.
À frente da Secretaria de Comunicação Social, a ministra Helena Chagas é a encarregada de levar os resumos dos jornais para a presidente, na primeira reunião do dia. Ao deparar com bastidores do governo na imprensa, ela esbraveja com a ministra. Segundo assessores, a frase mais ouvida no Planalto é “Helena, como isso foi parar aqui?”.


Lições de quem não seguiu a cartilha de Dilma

Ministro confirma fama de durona

Conversas do Planalto: Dilma prioriza economia para garantir popularidade

25 de janeiro de 2012 0

Os repórteres da RBS em Brasília Fabiano Costa, Fábio Schaffner e Léo Saballa Jr. avaliam os desdobramentos da primeiro reunião ministerial do ano.

Governo nega corte de R$ 70 bi

24 de janeiro de 2012 0

Em reação à perspectiva de redução nos gastos públicos para este ano, o governo negou ontem que o valor do orçamento a ser contingenciado esteja definido. Conforme o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo “ninguém no governo falou em cortar R$ 70 bilhões” das previsões de 2012.
Integrantes do governo, no entanto, já admitem nos bastidores que o corte pode alcançar os R$ 60 bilhões. Neste ano, o Planalto discute com a equipe econômica uma estratégia diferente de exercícios anteriores.
A presidente Dilma Rousseff está preocupada com os efeitos da crise financeira internacional e pediu, inclusive, que bancos públicos estudem medidas que possam estimular o crédito, influenciando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Dilma espera atingir uma taxa de crescimento de pelo menos 4% neste ano. Se for preciso, o governo lançará mão de mais medidas de estímulo para acelerar o mercado interno.

Sistema online pretende vigiar contratos da União

24 de janeiro de 2012 0

A transparência da máquina pública pautou parte da primeira reunião ministerial do ano, comandada ontem pela presidente Dilma Rousseff. Ela concedeu prazo de seis meses para que os ministérios apresentem ao Planalto um sistema de monitoramento dos seus programas, incluindo informações sobre a assinatura de convênios e contratos.
A ideia é disponibilizar dados sobre a execução e o andamento de projetos. Com a medida, o Planalto pretende exercer controle em tempo real sobre as ações de cada órgão.
O governo Dilma recentemente passou por desgastes envolvendo denúncias de irregularidades em gastos dos ministérios, sendo que suspeitas de corrupção recaíram principalmente sobre os contratos com organizações não governamentais.
Também teve que dar explicações a respeito do direcionamento de recursos do governo para redutos políticos de ministros. Em um discurso inicial de 30 minutos, Dilma afirmou que o projeto de transparência é transformador.
– É um projeto revolucionário, progressista e indispensável para a verdadeira reforma do Estado, não pela demissão de servidores ou da perda de direitos previdenciários, mas da gestão de um Estado mais profissional e meritocrático – afirmou.
Reunião contou com a presença de 36 ministros
Além de Dilma, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fez uma análise do cenário econômico internacional e avaliou as projeções para o crescimento interno. O Brasil, disse ele, será um dos poucos países do mundo a superar os números de 2011. Tombini acredita que os Estados Unidos devem apresentar um crescimento mais alto em relação a 2011 e que os países europeus, apesar de apresentarem cenários diferentes, devem registrar estabilidade. Sobre a China, a expectativa é que o crescimento seja alto, mas inferior ao de 2011. Dos 38 ministros, 36 participaram da reunião. Os ministros da Agricultura, Mendes Ribeiro, e Previdência, Garibaldi Alves, mandaram representantes. O novo ministro de Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, que assume hoje, também acompanhou o encontro.

Ministro comenta ações do Planalto para combater o crack no RS

20 de janeiro de 2012 0

À frente do Ministério da Justiça, José Eduardo Cardozo articula com o governo gaúcho um conjunto de medidas de enfrentamento à droga. Recursos federais devem ser aplicados, por exemplo, no treinamento de agentes sociais, aumento da oferta de leitos para tratamento dos dependentes e combate ao tráfico em pontos estratégicos.

Conversas do Planalto: os dilemas de Dilma na largada de 2012

20 de janeiro de 2012 0

Os repórteres da RBS em Brasília Carolina Bahia, Fabiano Costa e Léo Saballa Jr. analisam a encruzilhada política da presidente, divida entre cumprir a meta fiscal ou espalhar canteiros de obras nos redutos eleitorais dos aliados.

Sem provas de homicídio, juiz decide arquivar Caso Cavalcante

20 de janeiro de 2012 3

Por Fabiano Costa

Um dos casos policiais mais rumorosos da política estadual nos últimos anos irá para os arquivos do Judiciário.
Após quase três anos de investigações, a Justiça aceitou recomendação do Ministério Público e mandou arquivar o inquérito da morte do ex-representante do governo do Estado em Brasília Marcelo Cavalcante.
O juiz Fábio Francisco Esteves, do Tribunal do Júri do Distrito Federal, concordou que a morte de Cavalcante não teria sido homicídio ou incitação a suicídio. Peça-chave do escândalo que abalou o governo Yeda Crusius (2007-2010), Cavalcante foi encontrado morto no Lago Paranoá em 17 de fevereiro de 2009.
O ex-assessor havia sido exonerado um ano antes, no ápice da crise do Detran, ao ser divulgado que ele havia recebido uma carta do empresário Lair Ferst dirigida a Yeda com detalhes sobre as supostas irregularidades na autarquia, mas optou por não entregá-la à governadora.
Com base em depoimentos e na quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Cavalcante, o MP se convenceu de que ele não foi assassinado. Em 2010 — mesmo com o inquérito da Polícia Civil indicando que o ex-assessor havia colocado fim à própria vida —, o MP pediu novas diligências.
O laudo do IML não auxiliou os promotores, na medida em que o avançado estado de decomposição do corpo impossibilitou apontar a causa da morte.
Na apuração, o MP ouviu os procuradores que atuaram nas investigações da Operação Rodin. Eles confirmaram que Cavalcante iria depor ao Ministério Público Federal para relatar episódios da campanha de Yeda.
Irmão do ex-secretário, Marcos Cavalcante garantiu ter mantido contato com pessoas que teriam visto o assessor ser empurrado de uma lancha no lago. A versão foi descartada, já que o irmão não conseguiu apresentar nenhuma das supostas testemunhas.
Outro subsídio para descartar a tese de assassinato foi um estudo a partir da análise do comportamento da vítima. De acordo com o promotor Marcelo Leite, se diagnosticou que Cavalcante teria “perfil suicida”. Leite diz que, antes de pedir o arquivamento, procurou eliminar todas as suspeitas de assassinato. Para Leite, o ex-assessor se suicidou ou foi vítima de um acidente.
— Esgotamos todas as linhas de investigação de homicídio. Ao final das averiguações, concluímos que a morte ocorreu, muito provavelmente, por suicídio — afirmou.
Família critica decisão da Justiça
O arquivamento do inquérito que investigava a causa da morte de Marcelo Cavalcante revoltou a família do ex-chefe do escritório gaúcho em Brasília. Os parentes de Cavalcante acusam o Ministério Público (MP) de omissão diante das suspeitas de homicídio.
Viúva do ex-assessor, a empresária Magda Koenigkan diz que, desde o início das apurações, havia percebido uma inclinação das autoridades para encerrar o caso como um episódio de suicídio.
– Por que uma pessoa de bem com a vida e com uma filha linda como o Marcelo iria tirar sua própria vida – questiona Magda.
Para o empresário Marcos Cavalcante, irmão do ex-representante, a decisão do Judiciário de arquivar o inquérito é “vergonhosa”. Ele reclama que a promotoria não teria levado adiante suas suspeitas sobre assassinato:
– O promotor não investigou. Onde estão as imagens das câmeras de vigilância da ponte que poderiam ajudar a esclarecer a morte do meu irmão?
Relembre o caso:
— Carioca de nascimento, o ex-assessor do Piratini mantinha uma estreita relação com a política do RS. Ele trabalhou com quatro deputados: Luis Roberto Ponte (PMDB), Nelson Marchezan, Yeda Crusius e Claudio Diaz, do PSDB.
— Após a vitória de Yeda em 2006, Cavalcante foi nomeado chefe da representação do governo do Estado em Brasília.
— Em 2008, no auge do escândalo do Detran, o ex-representante perdeu o emprego após vir à tona que ele havia engavetado uma carta enviada pelo empresário Lair Ferst a Yeda com denúncias sobre irregularidades na autarquia. A Polícia Federal também havia flagrado uma conversa entre Lair e Cavalcante, na qual eles agendavam audiência na Fazenda para uma multinacional.
— No ano seguinte, o corpo de Cavalcante foi encontrado boiando no Paranoá. A família do ex-assessor levantou suspeita de queima de arquivo. Ele estava prestes a depor ao MPF sobre supostas irregularidades na campanha de Yeda.
— Após a Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal descartarem a hipótese de homicídio, a Justiça decidiu arquivar o inquérito no dia 11.



53 brasileiros estavam a bordo de navio que naufragou na Itália

14 de janeiro de 2012 0

O Itamaraty confirmou há pouco o número de brasileiros que estavam a bordo do navio que naufragou
ontem na ilha italiana de Giglio, região da Toscana, na Itália. Havia 47 passageiros e seis tripulantes do Brasil.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, todos os brasileiros foram resgatados e estão bem. O grupo estaria hospedado em um hotel da região. O consulado está emitindo passaportes para que os turistas possam seguir viagem ou retornar para o país. A maioria dos turistas não teve tempo de resgatar seus objetos pessoais durante a evacuação.

A companhia responsável pelo navio ainda não divulgou a lista de passageiros. O Itamaraty afirma que ainda não tem condições de precisar quantos gaúchos e catarinenses estavam na embarcação.

“O Brasil não jogará no terreno dos EUA”

07 de janeiro de 2012 1

Entrevista         Mohsen Shaterzadeh, embaixador do Irã no Brasil

Por Fabiano Costa

Presa e torturada durante a ditadura, a presidente Dilma Rousseff incomodou o regime teocrático do Irã ao condenar as supostas violações contra os direitos humanos no país persa. Apesar de descartar um mal-estar entre os dois países, o chefe da chancelaria iraniana no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, enfatizou em entrevista a Zero Hora, na última sexta-feira, que o Planalto saiu do eixo de parceiros prioritários de Teerã. Para o diplomata, Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua constituem hoje o rol de aliados estratégicos do país do Oriente Médio na América Latina. A seguir, a síntese:

Zero Hora – Qual é o objetivo da visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, à América Latina?
Mohsen Shaterzadeh – A viagem é basicamente uma visita a amigos. Temos muitos projetos a serem firmados com alguns governos da América Latina. Uma comitiva de empresários iranianos acompanha o presidente Ahmadinejad. Pretendemos renovar e fortalecer as relações políticas e econômicas com Cuba, Nicarágua, Equador e Venezuela.
ZH – As relações entre Brasil e Irã esfriaram após a posse da presidente Dilma Rousseff?
Shaterzadeh – Não. O atual governo brasileiro é uma continuação da gestão Lula. Apesar do embargo dos EUA e da União Europeia ao petróleo iraniano, em 2011, o comércio bilateral entre Brasil e Irã ultrapassou US$ 2,3 bilhões. Além disso, temos outros US$ 2 bilhões atrelados a projetos em andamento.
ZH – Teerã se incomodou com o voto do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU a favor da nomeação de um relator especial para o Irã?
Shaterzadeh – O governo iraniano demonstrou um pouco de insatisfação. No entanto, consideramos o voto brasileiro característico de um país independente. Temos certeza que o Brasil não jogará no terreno dos EUA.
ZH – As reiteradas críticas de Dilma contra o apedrejamento de mulheres desagradaram o governo iraniano?
Shaterzadeh – Em uma tentativa de promover uma propaganda contra o regime de Teerã, os meios de comunicação ocidentais venderam outra imagem desta mulher iraniana condenada à morte por adultério, a Sakineh Ashtiani. Após as declarações de Dilma contra a condenação, esclarecemos o assunto com as autoridades brasileiras. Acredito que essa questão está sanada. As críticas da presidente não comprometeram a amizade entre os dois países.
ZH – Em uma entrevista durante o governo Lula, o senhor disse ver afinidades políticas entre o ex-presidente brasileiro e Ahmadinejad. O senhor considera que há afinidades entre Dilma e o chefe de Estado do Irã?
Shaterzadeh – O eixo de cooperação entre Brasil e Irã não se alterou no governo Dilma. Os dois países acreditam em justiça social, eliminação da pobreza e são contra atos cruéis e opressivos pelo mundo. As duas nações também pedem a reforma do Conselho de Segurança da ONU e têm propostas inovadoras para a paz no Oriente Médio. É óbvio que temos nossas diferenças, como nos aspectos culturais, mas os pontos de convergência são maioria.
ZH – No entanto, os dois países têm visões distintas em torno dos direitos humanos.
Shaterzadeh – Brasil e Irã enxergam o tema com o mesmo olhar. Ambos países acreditam que essa pauta não deve servir de instrumento político. O conceito de direito humanos tem de considerar a cultura e os costumes de cada povo. É natural que os costumes no Brasil sejam diferentes dos nossos, assim como são dos japoneses e dos italianos. A visão sobre os direitos humanos não deve ser a mesma dos EUA. É fundamental que a cultura de cada país seja respeitada.
ZH – Atualmente, quem são os parceiros prioritários do Irã na América Latina?
Shaterzadeh – Temos um intercâmbio comercial maior com o Brasil. Porém, nossos principais projetos de cooperação hoje estão vinculados a cinco países: Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, nesta ordem. Investimos nessas nações aliadas em fábricas de automóveis, cimento, tratores e produção petroquímica, entre outros setores.
ZH – O governo iraniano ainda defende um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU para o Brasil?
Shaterzadeh – Claro. Não mudamos nossa opinião, enfatizada durante a visita do presidente Ahmadinejad ao Brasil, em 2009. Nós enfrentamos as mesmas dificuldades que o governo brasileiro no sistema político multilateral.
ZH – Na sua avaliação, houve uma guinada na política externa brasileira no governo Dilma?
Shaterzadeh – Seria melhor fazer essa pergunta para os analistas brasileiros. O Irã, entretanto, está convencido de que a política externa de Dilma é uma continuação da do ex-presidente Lula.
ZH – Como Teerã vê a reaproximação do Planalto com a Casa Branca?
Shaterzadeh – Respeitamos as políticas de qualquer país. O Brasil tem de seguir sua trajetória conforme seus interesses. No entanto, o governo iraniano é contra as políticas expansionistas e repressoras dos EUA ao redor do mundo. Teerã é contra a política repressiva e cruel imposta pela Casa Branca.






Crédito: Fabiano Costa

Embaixador do Irã, Mohsen Shaterzadeh, diz a ZH que críticas de Dilma não alteram parceria com o Brasil








Irã ensaia reaproximação

07 de janeiro de 2012 1


















Zero Hora | 08 de janeiro de 2012 | N° 16940

Brasília

Por Fabiano Costa

Alçado a parceiro estratégico do regime dos aiatolás durante o governo Lula, o Brasil deixou a restrita galeria de países afinados com o Irã. O desalinhamento político com a presidente Dilma Rousseff fez o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, deixar Brasília fora de seu périplo de cinco dias pela América Latina a partir deste domingo. Mas por pouco tempo: o líder desembarcará no país, em junho, para participar da conferência Rio+20.
O contestado líder do Irã, considerado o inimigo número 1 dos EUA e de Israel, agendou escalas em quatro países: Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador. Já o Brasil, que em 2009 havia sido o principal destino do primeiro giro de Ahmadinejad pelo continente, sequer foi cogitado desta vez para a visita presidencial. O Itamaraty afirma que Teerã não procurou o governo brasileiro para tentar marcar compromissos com Dilma. Segundo autoridades iranianas, o líder persa priorizou a posse do colega nicaraguense, Daniel Ortega, e uma visita de cortesia ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, submetido a um tratamento contra o câncer.
A polêmica lua de mel do governo brasileiro com Teerã azedou após Dilma condenar, antes mesmo de ser eleita, as violações contra os direitos humanos no país do Oriente Médio. Ahmadinejad ficou incomodado especialmente com as declarações da presidente contra o apedrejamento de mulheres. Nos bastidores, integrantes da Esplanada confirmam o mal-estar entre os dois países. A avaliação é de que, desde que Dilma assumiu a Presidência, o Brasil passou a ser tratado por Teerã como um país “não amigo”. Em março do ano passado, Dilma sacramentou sua primeira mudança de rumo na diplomacia brasileira em comparação à gestão anterior, votando contra os persas em um organismo da Organização das Nações Unidas (ONU).
Os narizes torcidos no Irã, entretanto, não constrangeram o governo brasileiro. Incumbida por Dilma de transformar o respeito aos direitos humanos em vitrine de sua administração, a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) abriu um canal de diálogo com a oposição iraniana. Ela tem recebido em seu gabinete adversários políticos de Ahmadinejad, que buscam no Planalto apoio para combater a violência do regime teocrático.
Sob embargo da União Europeia e dos EUA, o Irã demonstra não ter interesse em tensionar as relações com o Brasil. Apesar do afastamento político, os iranianos conquistaram um lugar de destaque na balança comercial brasileira. As vendas para o país asiático somaram US$ 2,3 bilhões em 2011, aumento de 10% em comparação com 2010. Hoje, o Irã é o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, atrás somente da Rússia.
Para evitar um eventual rompimento com Dilma, a chancelaria iraniana confirma a vinda de Ahmadinejad ao país para a conferência ambiental da ONU. Os governos dos dois países elaboram acordos bilaterais para serem assinados durante o evento.
Interlocutores de Dilma garantem que o Planalto não se sente constrangido de receber o cabeça de um regime que oprime mulheres, homossexuais e nega o Holocausto. O governo, contudo, prevê que a passagem de Ahmadinejad pelo país atrairá mobilizações de defensores dos direitos humanos.
– Os chefes estrangeiros que vierem à Rio+20, incluindo o presidente do Irã, terão de conviver com tranquilidade com eventuais protestos. Não haverá atitude condenatória às manifestações populares durante o evento – afirma a ministra dos Direitos Humanos.

fabiano.costa@gruporbs.com.br


SC leva goleada de Pernambuco

04 de janeiro de 2012 0

Diário Catarinense

Edição de 4 de janeiro de 2012

Por Fabiano Costa
Reduto eleitoral do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, o Estado de Pernambuco recebeu quase 90% do dinheiro gasto pelo governo Dilma nas obras iniciadas e pagas em 2011 para prevenir desastres naturais. Os números obtidos pela ONG Contas Abertas em dados do Tesouro Nacional mostram que, no mesmo período, Santa Catarina concentrou apenas 1% dos gastos autorizados e pagos pela pasta destinados a esse fim.
Bezerra é afilhado político do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O ministro é considerado um potencial candidato à prefeitura do Recife nas eleições de outubro. Mesmo se considerado o pagamento de contas pendentes deixadas pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda assim Pernambuco lidera o ranking. No último ano, o Estado do Nordeste foi contemplado com R$ 34,2 milhões de programas antienchente da Integração. Palco de tragédias climáticas em 2008 e 2011, Santa Catarina recebeu R$ 13,4 milhões para tocar obras de prevenção, e ficou na quarta posição.
Antecessor de Bezerra na Integração, o peemedebista Geddel Vieira Lima também privilegiou seu Estado, a Bahia, nos repasses de verbas. Ao longo dos três anos em que Geddel esteve à frente da pasta, o Estado concentrou 65% do total de verbas encaminhadas para a prevenção de acidentes. Em 2009, um ano antes do peemedebista disputar o governo estadual, o percentual de verbas dirigidas para a Bahia alcançou 90%.
A ONG revela que o governo gastou mais no último ano para responder aos efeitos de desastres do que para preveni-los. Enquanto foram destinados R$ 1 bilhão para atender flagelados e reconstruir cidades arrasadas, somente R$ 155,6 milhões foram investidos em medidas de precaução. Analisando-se as verbas desembolsadas entre 2004 e 2011, conclui-se que a cada R$ 10 gastos com as chuvas, R$ 9 foram usados para remediar e apenas R$ 1 para prevenir.
Em nota, o Ministério da Integração questionou os cálculos da ONG e afirmou que o Ministério das Cidades garantiu R$ 11 bilhões na segunda fase do PAC para a contenção de encostas e macrodrenagem. Apesar do Ministério das Cidades ter empenhado R$ 31,3 milhões no ano passado para obras preventivas no Estado, o governo federal não liberou um real sequer para os oito projetos selecionados.

Conversas do Planalto: holofotes voltados para o Supremo em 2012

03 de janeiro de 2012 0

Os repórteres da RBS em Brasília Carolina Bahia, Fabiano Costa e Léo Saballa Jr. avaliam as polêmicas pautas à espera de definições no Supremo Tribunal Federal, como o caso do mensalão.