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Por que chorou a presidente

12 de março de 2012 1

Por Fábio Schaffner

Em 15 meses de governo, Dilma Rousseff sempre cultivou a imagem de gestora intransigente, sem paciência para os salamaleques da política e adversa a decisões emocionais. Apesar dessa postura, em seis oportunidades ela chorou em solenidades oficiais. Da última vez, contudo, ninguém entendeu o que motivou suas lágrimas.

No dia 2, o choro de Dilma na posse do ministro da Pesca, Marcelo Crivella, no momento em que se despedia do antigo titular da pasta, Luiz Sérgio, gerou várias dúvidas – e pelo menos uma certeza:

– Todo mundo sabe que as lágrimas não foram por causa do Luiz Sérgio – afirma um assessor palaciano.

Dilma jamais dedicou atenção especial ao petista, demitido por telefone enquanto estava de férias. Por trás da emoção da presidente, asseguram políticos, assessores e ministros ouvidos por ZH, estão algumas contingências do poder.

As chantagens da base aliada, a saúde fragilizada do ex-presidente Lula e a decepção com subordinados de confiança teriam causado estafa emocional. A gota d’água foi uma entrevista publicada pelo jornal O Globo no dia da posse de Crivella, na qual um general da reserva suscitava dúvidas sobre se realmente Dilma teria sido torturada na ditadura militar.

– Aquilo mexeu demais com ela – admite um petista com trânsito no palácio.

Naquela manhã, Dilma convocou uma reunião de emergência com as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Helena Chagas (Comunicação Social) e o chefe de gabinete, Giles Azevedo. Irritada com os ataques de militares da reserva à Comissão da Verdade, Dilma exigiu punições. Por telefone, passou uma carraspana no ministro da Defesa, Celso Amorim, por agir com parcimônia no trato aos insurgentes.

Outro fator a contribuir para a fragilidade de Dilma foi a descoberta de que o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, seria uma das principais fontes da imprensa, repassando informações dos bastidores do governo.

Vinculado a Lula, de quem havia sido chefe de gabinete e com quem dividia inconfidências e goles de uísque aos fins de expediente no Planalto, Carvalho já havia se envolvido em uma polêmica recente com os políticos evangélicos. Orientado a estancar a crise, Carvalho pediu perdão publicamente, uma atitude considerada submissa demais por Dilma.

O maior incômodo, contudo, era a desconfiança de que Carvalho estava vazando informações, comportamento que Dilma reprova com obsessão. Para dirimir as suspeitas, ela testou o ministro e não lhe contou que havia decidido trocar Luiz Sérgio por Crivella.

– O resultado foi que toda a imprensa foi pega de surpresa com a ida de Crivella para o governo – comenta um interlocutor da presidente.

Na véspera da substituição no ministério, Dilma viajou em sigilo para São Paulo, onde se reuniu por três horas com Lula. Pressionada pelas barganhas políticas exigidas pela base governista, Dilma pediu orientações. A petista, porém, se assustou com fragilidade da saúde de Lula, que não conseguia se alimentar e cuja voz definhava. Dois dias após a visita, Lula foi hospitalizado com febre e infecção pulmonar.

Sob intenso estresse, Dilma fez do discurso na posse de Crivella um desabafo. Falou sobre o “fardo” de governar, salientou a importância de conduzir uma coalizão partidária e da oportunidade histórica de fazer as mudanças que o país precisa. E chorou.

– Foi um discurso cheio de recados. No final, a presidente não conseguiu se segurar – resume um assessor do Planalto.

Comentários (1)

  • nelico diz: 12 de março de 2012

    se não se descolar do apedeuta,ainda vai chorar incontaveis vezes…Ela que trate de governar pela sua cabeça e não pela “cabeça” do antecessor………

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