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Só Lula poderia manter Teixeira

13 de março de 2012 0

Por Fábio Schaffner

A renúncia de Ricardo Teixeira foi comemorada no Planalto.
– Demorou. Já era para ter acontecido antes – comentou ontem um interlocutor da presidente Dilma Rousseff.
Emissários de Dilma tentavam saída honrosa para o chefão do futebol. Para evitar uma guerra entre as federações estaduais, o Planalto contou com a interlocução do ex-presidente Lula e do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman.
Pouco antes do Carnaval, quando a renúncia de Teixeira era dada como iminente, Lula convenceu o cartola a permanecer um pouco mais. Tinha dois candidatos, o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, e o ex-jogador Ronaldo Nazário, ambos vinculados à CBF e ao COL.
– O Lula sempre achou importante manter uma boa relação com o Teixeira. Já a Dilma não, e não é difícil saber por que – diz um assessor palaciano.
Dilma jamais o recebeu em uma audiência oficial e recusava até mesmo a atender aos seus telefonemas.
Em julho, durante o sorteio das Eliminatórias da Copa, no Rio, Dilma constrangeu Teixeira ao manter distância sua. Logo que chegou à Marina da Gloria, onde ocorreu o sorteio, a presidente se isolou em uma sala reservada. Dilma sentou-se ao lado de Pelé. No pronunciamento, ela se resumiu a citá-lo como o “senhor Ricardo Teixeira, presidente da CBF”. Teixeira nem sequer discursou.
Sem interlocutores no Planalto, Teixeira recorria a Lula, com quem costurou a candidatura do Brasil à sede da Copa. Quando estava em Brasília, o ex-presidente o recebia em uma suíte do luxuoso hotel Royal Tulip Alvorada. Em maio de 2011, Teixeira e o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, pediram a Lula que intercedesse pelo diálogo com o governo federal.
– O Lula se aproximou do Teixeira porque queria trazer a Copa para o Brasil. E para isso, se abraçou até no capeta – justifica um amigo de Lula.
No governo Dilma, o único integrante do primeiro escalão com relação frequente com Teixeira era o ex-ministro do Esporte Orlando Silva. Com a demissão de Orlando, Teixeira se viu mais escanteado. O sucessor, Aldo Rebelo, é um antigo desafeto. Mas se reaproximou.

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