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Plano da defesa preocupa relator

27 de abril de 2012 0

A estratégia de defesa do senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM), de pedir a anulação das provas que indicam relações promíscuas entre ele e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, já começou a render frutos – pelo menos por abalar o ânimo do relator do processo contra ele no Conselho de Ética do Senado. Humberto Costa (PT-PE) diz temer que uma eventual anulação das provas prejudique o procedimento que pode levar o goiano à cassação.
Ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) não tenha respondido à demanda da defesa de Demóstenes, o temor de Costa já provocou um reflexo direto: o relatório não será baseado nas provas questionadas.
O farto material trazido à tona por sites, reportagens de TV e jornais, que reproduziram gravações em que Cachoeira e o senador conversavam sobre assuntos comprometedores – como o andamento de projetos de interesse do bicheiro no Congresso –, deverá ser ignorado. O julgamento do Congresso é político, o que de certa forma invalidaria o receio de Costa. Mas, mesmo assim, o relator quer evitar choques com a estratégia de defesa de Demóstenes no Judiciário.
– Como o julgamento é político, não exige o rigor penal com provas incontestáveis. É recomendado que eu faça isso porque, se há questionamentos sobre as provas, não vou contaminar o relatório – afirmou.
O relator promete apresentar suas conclusões iniciais em 3 de maio mesmo sem receber a cópia do inquérito das Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que fomentaram as acusações contra Demóstenes no Conselho de Ética. No relatório preliminar, Costa vai dizer se o conselho deve oficialmente abrir processo para investigar Demóstenes, reunindo indícios de que o senador quebrou o decoro.
– Na outra fase, depois do relatório preliminar, poderemos requisitar esses documentos da CPI ou novamente do Supremo – disse o relator.

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