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Posts de abril 2012

Plano da defesa preocupa relator

27 de abril de 2012 0

A estratégia de defesa do senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM), de pedir a anulação das provas que indicam relações promíscuas entre ele e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, já começou a render frutos – pelo menos por abalar o ânimo do relator do processo contra ele no Conselho de Ética do Senado. Humberto Costa (PT-PE) diz temer que uma eventual anulação das provas prejudique o procedimento que pode levar o goiano à cassação.
Ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) não tenha respondido à demanda da defesa de Demóstenes, o temor de Costa já provocou um reflexo direto: o relatório não será baseado nas provas questionadas.
O farto material trazido à tona por sites, reportagens de TV e jornais, que reproduziram gravações em que Cachoeira e o senador conversavam sobre assuntos comprometedores – como o andamento de projetos de interesse do bicheiro no Congresso –, deverá ser ignorado. O julgamento do Congresso é político, o que de certa forma invalidaria o receio de Costa. Mas, mesmo assim, o relator quer evitar choques com a estratégia de defesa de Demóstenes no Judiciário.
– Como o julgamento é político, não exige o rigor penal com provas incontestáveis. É recomendado que eu faça isso porque, se há questionamentos sobre as provas, não vou contaminar o relatório – afirmou.
O relator promete apresentar suas conclusões iniciais em 3 de maio mesmo sem receber a cópia do inquérito das Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que fomentaram as acusações contra Demóstenes no Conselho de Ética. No relatório preliminar, Costa vai dizer se o conselho deve oficialmente abrir processo para investigar Demóstenes, reunindo indícios de que o senador quebrou o decoro.
– Na outra fase, depois do relatório preliminar, poderemos requisitar esses documentos da CPI ou novamente do Supremo – disse o relator.

CNBB pede Ficha Limpa para CCs

27 de abril de 2012 0

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou ontem um comunicado sobre as eleições municipais deste ano em que pede que a Lei da Ficha Limpa também seja aplicada para o preenchimento de cargos de confiança (CCs) nas prefeituras.
No documento, os bispos afirmam que aos eleitores “cabe ficar de olhos abertos para a ficha dos candidatos”. Diz ainda a nota: “Espera-se da sociedade a mobilização, como já ocorre em vários lugares, explicitando a necessidade da Ficha Limpa ser aplicada também aos cargos comissionados para maior consolidação da democracia”. Para a entidade, a medida será um importante passo contra a corrupção.

Entidades reagem a projeto que permite veto à Justiça

27 de abril de 2012 0

Descontentes com o suposto ativismo cada vez mais frequente do Supremo Tribunal Federal, deputados querem aprovar uma proposta de emenda à Constituição que permite ao Congresso vetar decisões do Judiciário. A reação foi imediata. OAB, juristas e magistrados afirmam que a ação viola o princípio da independência entre os poderes e ressaltam a resistência do parlamento de enfrentar temas espinhosos.
De autoria do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), a PEC foi aprovada quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O texto, agora, será discutido em uma comissão especial, antes de ser levado ao plenário. O deputado afirma que há uma “desigualdade nas relações do Legislativo com os outros poderes” e defende o poder do Congresso de “sustar atos normativos viciados emanados do Judiciário”.
Para o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, a proposta viola uma cláusula pétrea da Constituição, ao interferir na separação dos poderes. Ophir acredita que os deputados estão agindo por insatisfação com o Judiciário, sobretudo por causa de decisões tomadas no vácuo de ação do Congresso.
– Esse projeto cria sério conflito entre os poderes. O Judiciário não pode ser objeto de controle do Legislativo. Se for aprovado, haverá desequilíbrio em prejuízo da sociedade – diz Ophir.
Dipp afirma que proposta fere a democracia brasileira
Ministro do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral, Gilson Dipp foi surpreendido com a aprovação do texto. De acordo com o magistrado, o Congresso não pode interferir em decisões do Judiciário, sob pena de cometer um atentado ao Estado democrático de Direito.
Dipp afirma que, caso o Congresso não concorde com alguma legislação modificada pelo Judiciário, cabe aos parlamentares criarem uma nova norma constitucional sobre o mesmo tema.
– Essa PEC é um acinte. Trata-se de uma reação motivada pela própria omissão do Congresso. O Judiciário só se manifesta quando é provocado, não age espontaneamente – afirma Dipp.

Relator contesta pagamento de vantagens a magistrados

27 de abril de 2012 0

Relator da proposta que permite o veto do Congresso a atos judiciais, o deputado Nelson Marchezan Jr. (PSDB-RS) argumenta que a medida visa a coibir apenas atos administrativos do Judiciário que criem despesas ou vantagens.
O gaúcho cita como exemplo a recente investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o pagamento de valores milionários a juízes de Tribunais de Justiça, a título de auxílio-moradia.
Por trás do projeto está a numerosa bancada evangélica, que viu na PEC uma forma de reverter decisões polêmicas recentes do STF, como a legalização do aborto de fetos anencéfalos. Integrante da CCJ do Senado, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) adianta que tentará barrar o texto, caso ele seja aprovado pela Câmara:
– A proposta é flagrantemente inconstitucional. Será um absurdo os deputados aprovarem e caberá ao Senado evitar que ela avance.

Disputa entre Planalto e aliados adia votação

25 de abril de 2012 0

Diante da ameaça de sofrer um novo revés com o Código Florestal, a presidente Dilma Rousseff ordenou na noite de ontem que a base governista recuasse, adiando a votação do projeto na Câmara. Foi fechado um acordo para retomar a análise da reforma ambiental hoje, a partir das 11h.
Para cumprir a determinação da presidente de não permitir anistia a desmatadores, quatro ministros e o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), passaram a terça-feira negociando alterações no relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG). Apesar dos esforços do Planalto, Piau se mostrou irredutível.
A derradeira tentativa de convencer o peemedebista a avalizar o texto aprovado em dezembro pelo Senado ocorreu minutos antes do início da sessão, por volta das 22h. Em uma reunião a portas fechadas, Chinaglia e o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), apelaram para que os líderes das bancadas aceitassem votar o texto dos senadores.
Convencidos de que tinham maioria suficiente para derrotar o governo em plenário, os ruralistas rechaçaram esse acordo. Sem alternativas, o líder da bancada do PT, Jilmar Tatto (SP), encampou um requerimento do PV que pedia a retirada do projeto da pauta.
A estratégia havia sido costurada por Dilma com o líder do governo e o presidente da Câmara poucas horas antes do começo da sessão. Com a resistência da base em acatar a orientação do governo, os petistas foram ao Planalto para informar Dilma sobre o risco iminente de derrota. Chinaglia advertiu a presidente que era grande a possibilidade de os ruralistas reeditarem a vitória do ano passado na votação do Código Florestal.
– Se houver votação em desacordo com o pensamento do Planalto, aumentam as chances de Dilma vetar trechos do relatório – alertou Maia.

MPF denuncia coronel Ustra

25 de abril de 2012 0

O Ministério Público Federal pediu a abertura de ação criminal contra dois ex-agentes da ditadura acusados pelo desaparecimento do sindicalista Aluízio Palhano, em maio de 1971. Foram denunciados por sequestro qualificado Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército, e Dirceu Gravina, delegado de polícia.
O MPF sustenta que o desaparecimento equivale a um sequestro continuado, que não estaria prescrito nem anistiado. A tese foi apresentada pela primeira vez em março, em acusação contra o coronel Sebastião Curió por desaparecimentos. A Justiça Federal entendeu que o militar foi perdoado pela Anistia e rejeitou a abertura da ação.

Aécio ajudou prima de Cachoeira

25 de abril de 2012 0

Novas escutas telefônicas do caso Carlinhos Cachoeira constrangeram ontem o senador Aécio Neves (PSDB-MG), líder da oposição. Os grampos mostram que o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) intercedeu diretamente junto ao tucano e arrumou emprego comissionado para uma prima do contraventor Carlinhos Cachoeira em Minas Gerais.
Mônica Beatriz Silva Vieira assumiu em 25 de maio de 2011 o cargo de diretora regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba. Do pedido de Cachoeira a Demóstenes até a nomeação, bastaram apenas 12 dias e sete telefonemas.
Aécio disse ontem que se sente “traído” pela iniciativa de Demóstenes. O tucano afirmou que não tem nenhum tipo de relação com Cachoeira. Ele alegou que, há um ano, não tinha motivos para questionar um pedido de Demóstenes, tido então como “um senador acima de qualquer suspeita”.
– Eu me sinto traído na minha boa fé, mas fiz aquilo que faço quando recebo indicação de partidos aliados. Ele fez uma indicação que cabia ao seu partido, e como ela tinha qualificação, encaminhei o pedido à Secretaria de Governo.

CPI terá foco nas relações com políticos, diz relator

25 de abril de 2012 0

Nas primeiras declarações como futuro relator da CPI do Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG) tratou ontem de tirar o governo federal do foco das investigações. Segundo ele, as apurações serão centralizadas nas relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos.
Apesar da posição favorável ao Planalto, ele negou que o fato de ser vice-líder do governo na Câmara represente algum impedimento para exercer a função. O relator tem o poder de ditar o ritmo das investigações.
– Todos nós aqui temos relações com o governo Dilma. É importante termos clareza que estamos investigando Cachoeira e suas relações. Não se trata de uma investigação que necessariamente vá para cima do Planalto ou de qualquer membro do governo. Queremos investigar o fato determinado que originou a CPI.
E completou:
–Se no curso das investigações (surgir algum governista envolvido), do indício das provas, vamos produzir investigação doa a quem doer.
Essa será a meta da oposição, que deseja levar as investigações para os contratos federais. Integrantes da construtora Delta, maior recebedora de recursos da União, também são citados nas investigações. Um assessor do Planalto teve contato com um dos principais interlocutores do grupo de Cachoeira. O problema da oposição é numérico: dos 32 titulares da CPI, só sete serão de partidos de oposição.
Lula vai a Brasília estimular investigação contra tucano
Incentivador da CPI, Lula desembarca hoje em Brasília disposto a estimular o PT e a base aliada a bombardearem o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) para atingir a oposição às vésperas das eleições. Lula vai almoçar com a presidente Dilma Rousseff e ministros, no Palácio da Alvorada, algumas horas depois do início dos trabalhos da CPI.
O relator e o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), vão pedir ao Supremo Tribunal Federal para ter acesso à íntegra das operações contra Cachoeira. No Supremo, o ministro Ricardo Lewandowski determinou ontem a abertura de três inquéritos para investigar o envolvimento dos deputados Carlos Lereia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ) com o bicheiro.

Enriquecimento ilícito de servidor pode virar crime

24 de abril de 2012 0

A comissão de juristas do Senado que discute mudanças no Código Penal aprovou ontem uma proposta que cria o crime de enriquecimento ilícito. Pelo texto, servidores públicos e agentes políticos que não conseguirem comprovar a origem de determinado bem ou valor poderão ser presos por até cinco anos.
A sugestão ocorre no momento em que o Congresso instala uma CPI para investigar o esquema de corrupção e pagamento de propina do grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira a funcionários públicos e autoridades.
Pelo código atual, de 1940, não existe tal tipificação penal. Os integrantes decidiram que o novo crime valeria para quem não comprovasse a origem de bens móveis (carros, títulos, etc) ou imóveis (terrenos, apartamentos, etc). A comissão estipulou a pena de um a cinco anos de prisão, além da possibilidade de o Estado ficar com o produto de origem ilícita.
Para advogado, proposta seria inconstitucional
O enquadramento de uma pessoa por enriquecimento ilícito, contudo, se dará de forma subsidiária. Isso significa que alguém só responderá na Justiça se a polícia e o Ministério Público não conseguirem processá-lo por outro crime, como corrupção ou peculato (o desvio de dinheiro público), delitos cujas penas são mais elevadas.
Outro integrante da comissão, o advogado Nabor Bulhões, contudo, foi frontalmente contrário ao novo tipo penal. Para Bulhões, a proposta é inconstitucional porque inverte o ônus da prova, ao obrigar o acusado a comprovar que os bens que adquiriu ou ganhou tiveram lastro financeiro.
O advogado pondera que o país já conta com uma série de leis para criminalizar condutas típicas do enriquecimento ilícito e ainda a Lei de Improbidade Administrativa. Essa norma, de natureza cível, prevê sanções duras na avaliação dele, como perda de direitos políticos e ressarcimento do dinheiro aos cofres públicos.
Para o relator da comissão, o procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves, a proposta é um “momento histórico” na luta contra a corrupção no país.
– Criminalizamos a conduta do funcionário público que enriquece sem que se saiba como – afirma o procurador.
A comissão de juristas deve apresentar até maio um texto final ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Caberá a ele decidir se apresenta um único projeto ou se inclui as propostas em projetos já tramitando na Casa.

Lançamento de filme da posse será amanhã

24 de abril de 2012 0

Será lançado amanhã, em Brasília, o documentário Pela Primeira Vez, dirigido pelo fotógrafo Ricardo Stuckert, e que conta o período de transição entre a eleição e a posse de Dilma Rousseff, eleita em 2010.

O lançamento será no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República e contará com a presença do antecessor e padrinho político de Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A assessoria do petista confirmou sua presença no lançamento.

Esta será a primeira vez que Lula vai a Brasília desde que exames mostraram a remissão total do câncer em sua laringe diagnosticado no ano passado. Stuckert foi o fotógrafo oficial da Presidência durante o governo Lula, entre 2003 e 2011 – seu pai, Roberto Stuckert, ocupou o cargo no governo de João Figueiredo (1979-1985), e seu irmão, Roberto Stuckert Filho, é o atual fotógrafo oficial da Presidência. Com a posse de Dilma, ele se tornou fotógrafo do Instituto Lula.

CGU promoverá devassa na Delta

24 de abril de 2012 0

Um dos focos de interesse da CPI do Cachoeira, que investiga no Congresso a relação de empresários e autoridades com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, os contratos da construtora Delta vão ser devassados pela Controladoria-Geral da União (CGU). Integrantes da cúpula da empresa foram citados em conversas do bicheiro interceptadas pela Polícia Federal (PF). A portaria para o início da devassa deverá ser publicada hoje, atingindo obras em nove Estados.

As irregularidades que estão no foco da CGU incluem falhas como pagamento de serviços fora do segmento contratado, pagamento de serviços inexistentes, deficiências nos projetos aprovados, entre outros. O processo vai avaliar se a construtora será declarada inidônea e proibida de firmar contratos com o governo. A investigação pode levar até dois meses. A empresa terá direito de se defender das irregularidades apontadas.

De acordo com a CGU, caso o processo administrativo conclua que a Delta é inidônea, os órgãos que têm contratos com ela terão a opção de rescindir os compromissos já assinados. A interrupção significará que o governo terá que chamar a segunda colocada na licitação ou fazer uma nova concorrência pública.

Briga no PT atrasa definição de relator da CPI do Cachoeira

A Delta, que é a empresa que mais recebeu verbas orçamentárias do governo federal desde 2007, afirma que as eventuais relações da construtora com Cachoeira se referem apenas ao ex-diretor da empresa para a região Centro-Oeste, Claudio Abreu, já afastado, e não à sua cúpula.

Na CPI do Cachoeira, a Delta também será personagem. Mas para que os trabalhos tenham início, é preciso que os partidos concluam as indicações. Os nomes já estão praticamente definidos, mas a relatoria ainda não está ocupada. A indicação cabe ao PT. Apesar de o nome do ex-líder do partido Paulo Teixeira (SP) ser apontado como o favorito, aliados do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) dizem que ele ainda está no páreo.

O atraso na escolha do relator é fruto de uma briga interna de correntes do PT. De um lado, está o grupo de Vaccarezza e, de outro, o do atual líder petista, Jilmar Tatto (SP). O nome de Vaccarezza enfrenta resistências no governo, especialmente da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

Das bancas do bicho à elite social goiana

22 de abril de 2012 0

Por Fábio Schaffner

Nascido em Anapólis, cidade mais próspera do interior de Goiás, Carlinhos Cachoeira fez fama e fortuna gerenciando as bancas de jogo do bicho herdadas do pai. Rico, baixinho e gordinho, o jovem Cachoeira era rejeitado pela elite local por causa da origem duvidosa de sua ascensão social.
Com o passar do tempo e o dinheiro gerado pela jogatina, passou a angariar prestígio de uma forma que se tornaria seu modus operandi: comprando amizades e corrompendo o poder político da região. O jogo do bicho foi introduzido em Goiás nos anos 1980, período áureo do reis da contravenção no Rio.
À época, o bicheiro carioca Castor de Andrade procurou o pai de Cachoeira, Sebastião Ramos, para comandar as apostas na região. O filho – que ganhou o apelido por causa de uma propriedades de Ramos, a Fazenda Cachoeira – tratou de estender o mercado familiar de apostas ilegais.
Aos 48 anos, o homem que hoje se tornou o inimigo público nº 1 do país atua em pelo menos cinco Estados do Centro-Oeste, controla uma fábrica de medicamentos, construtoras, shopping centers e fazendas. Nas investigações da Operação Monte Carlo, a Polícia Federal identificou pelo menos 17 contas-correntes movimentadas pelo bicheiro em seis bancos diferentes.
Embora tenha ampliado suas atividades econômicas, Cachoeira jamais abandonou a jogatina e trabalhou para legalizar a exploração de bingos e caça-níqueis no país. O verniz empresarial abriu-lhe as portas da sociedade goiana. Em Anápolis, é raro encontrar quem fale mal do bicheiro. Seu primeiro casamento teve como padrinho o ex-governador Maguito Vilella.
Atualmente, Cachoeira é casado com Andressa Alves Mendonça, uma mulher de 30 anos que até pouco tempo era esposa do empreiteiro Wilder de Morais, suplente do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), e que mantém uma loja de lingerie em Goiânia.

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Diploma teria sido fraudado
Apesar da rede de amigos influentes e do patrimônio milionário, Cachoeira caiu em desgraça. Nem mesmo os R$ 15 milhões cobrados pelo seu advogado, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, facilitaram sua vida na prisão.
O bicheiro teve negado o pedido de uma cela especial por suspeita de que comprou até mesmo o diploma de formação superior em Administração de Empresas, fornecido por uma faculdade de Londrina (PR) e assinado por dois diretores que já foram presos pela Polícia Federal.
Diante de um cenário em que ambições políticas, chicanas jurídicas e interesses empresariais se entrelaçam à crônica policial de um milionário esquema criminoso, Carlinhos Cachoeira está preso com mais dois detentos em uma cela de 12 metros quadrados no presídio da Papuda, em Brasília. Teve o cabelo raspado, perdeu 16 quilos e ficou sabendo da morte da mãe, sepultada segunda-feira, pelos advogados.

Planalto trabalha para adiar mensalão no ST

22 de abril de 2012 0

A turbulência política causada pela CPI do Cachoeira tende a se agravar nas próximas semanas, com a iminência do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos bastidores, a presidente Dilma Rousseff já manifestou o desejo de que o processo seja levado ao plenário da Corte somente em 2013, mas a pressão sobre o STF pode atrapalhar os planos do Planalto.
Dilma tenta jogar com o tempo. Se a análise do processo ficar para o próximo ano, pelo menos dois ministros estarão aposentados: Carlos Ayres Brito e Cezar Peluso, cujos votos hoje são dados como certos pela condenação de figurões petistas, como José Dirceu e José Genoino. Com isso, a presidente poderia nomear substitutos mais afinados com o governo e ainda evitar que o julgamento ocorra em ano eleitoral.
– Se depender da vontade da presidente, o STF não julga o mensalão este ano. Ficando para 2013, dá tempo de colocar mais gente dela – diz um interlocutor de Dilma.
Essa lógica já foi seguida pelo Planalto nas três últimas indicações para o STF. Dias Toffoli, Luiz Fux e Rosa Weber só foram nomeados após sondagens sobre a posição futura dos magistrados no julgamento do mensalão. Contudo, não há garantias de que o trio atenda aos desejos do governo. Toffoli inclusive já teria avisado a Dirceu que irá se declarar impedido, por ter trabalhado com o ex-ministro.
O voto de Fux é uma incógnita. E Rosa, que o PT considerava manipulável, agora assusta o partido após levar para trabalhar em seu gabinete o juiz federal Sergio Moro, considerado implacável no combate à corrupção.
– Rosa vai surpreender muita gente. De dócil, não tem nada – afirma um magistrado com trânsito no STF.
Como formalmente o governo não tem como adiar o julgamento, dentro da Corte os próprios ministros tentam apressar a decisão. Revisor do processo, Ricardo Lewandowski renunciou a sua cadeira no TSE para se dedicar à analise das 50.119 páginas do calhamaço. Em uma reunião para discutir o assunto, o presidente do tribunal, Ayres Britto, perguntou ao colega se ele queria ficar marcado como o “coveiro do mensalão”.
– A maioria dos ministros está com o voto pronto, só esperando pelo Lewandowski – diz um juiz que teve acesso aos autos.
Na contramão do Planalto, o grupo de Dirceu, apontado como “líder da organização criminosa” que teria comprado apoio de parlamentares, trabalha para que o julgamento ocorra em breve. Ele está convicto de que não há prova contra ele.
– Se o Supremo julgar pelo que existe nos autos, não há como condenar o Dirceu – avalia o deputado Paulo Ferreira (PT-RS), que foi testemunha de defesa do ex-ministro.

Por que Cachoeira assusta o poder

22 de abril de 2012 0

Por Fábio Schaffner

Brasília vive dias tensos.

O motivo da apreensão tem nome, sobrenome e apelido: Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Poucas vezes os segredos guardados por uma única pessoa causaram tanta preocupação ao governo e à oposição. Não é para menos. Apontado pela Polícia Federal como o líder de uma organização criminosa composta por mais de cem pessoas, entre contraventores, políticos, servidores públicos, arapongas e policiais, Cachoeira está na gênese dos dois maiores escândalos de corrupção da história recente.
Mentor da gravação do vídeo que deu origem ao primeiro escândalo do governo Lula (envolvendo Waldomiro Diniz), o bicheiro agora é a peça-chave da CPI que irá investigar as ramificações de seus negócios com políticos e com a Delta Construções, a empresa que mais recebe verbas do governo.
– Essa será a CPI mais sangrenta da história do Congresso – sentencia o presidente do PMDB, senador Waldir Raupp (RO).
O primeiro abatido foi o senador goiano Demóstenes Torres, cujo mandato está sob ameaça. As imprevisíveis consequências da CPI, contudo, assustam congressistas de todas as matizes partidárias. Em Anápolis, terra do bicheiro, comenta-se que ele guardava uma tabela de valores que pretendia pagar a parlamentares em troca da legalização do jogo no país.
Planalto teme instabilidade
Dinheiro não faltaria. Embora tenha declarado à Receita rendimentos de R$ 60 mil em 2010, as investigações mostram que o grupo de Cachoeira movimentou R$ 400 milhões nos últimos seis anos. Para não passar recibo do temor que permeia o Congresso, mais de 450 parlamentares assinaram a CPI. Agindo à revelia da presidente Dilma Rousseff, Lula insuflou o PT, partido que mais contribuiu com assinaturas para a comissão.
– A CPI é muito ruim para o governo. Traz um clima de instabilidade no Congresso, pode nos atrapalhar – diz um assessor de Dilma.
Lula, contudo, acredita que a iniciativa pode enfraquecer a oposição e, de quebra, desviar o foco do mensalão, cujo julgamento deve ocorrer ainda no primeiro semestre. Embora o governo tenha contratos de R$ 3,6 bilhões com a Delta, Lula confia que a ampla maioria aliada na CPI (80% dos assentos), garanta uma blindagem ao Planalto. Em outro flanco, o ex-presidente espera atingir a candidatura do tucano José Serra à prefeitura de São Paulo. De 2005 (quando Serra era prefeito) até agora, a construtora já recebeu R$ 329 milhões dos cofres paulistanos.
– Temos de usar a maioria para evitar o que for inconveniente. Unir os aliados, colocar gente de confiança nos postos-chave e não deixar que a CPI contamine o governo – orientou Lula.
Na oposição, o apetite é semelhante. Parlamentares se preparam para esquadrinhar cada um dos contratos da Delta no PAC. O objetivo é chegar em Dilma, que, como ministra da Casa Civil e gerente do programa, monitorava os empreendimentos.
A dúvida que atormenta Brasília é o que pensa e como pretende agir, o homem que, de acordo com a PF, subornava autoridades, municiava a imprensa com denúncias contra desafetos e se valia de uma rede de aliados infiltrados no poder. Não por acaso, o Senado enviou um ofício ao Ministério da Justiça, manifestando preocupação pela vida do contraventor.

Charlie Waterfall

22 de abril de 2012 0

Por Klécio Santos

Reza a profecia que o mundo vai acabar em 2012, mais precisamente em 21 dezembro. Em Brasília, o chão já está ruindo sob os pés de muita gente. A avaliação entre os próceres do Congresso é de que o governo está mais exposto agora do que Lula à época do mensalão.
Nos corredores do Senado e da Câmara, nos gabinetes ministeriais, nos salões palacianos da Capital Federal, uma simples menção ao nome de Carlinhos Cachoeira provoca cólicas. Ambicioso, o bicheiro que gerenciava apostas de esquina e máquinas de caça-níqueis passou a comprar políticos, negociar licitações e mirou no maior programa de infraestrutura do governo.
Chamado de Charlie Waterfall pelo The New York Times, ele agia nas sombras da Delta, a principal empreiteira do PAC. Não poderia dar certo. A sensação é de que, para a cova que Demóstenes Torres está indo, muita gente ainda pode ser arrastada.
Apesar de Dilma Rousseff ter esbravejado, agora só resta domar a CPI. A investigação ressuscitou a oposição. O controle da CPI, porém, é feito com maestria por Lula e José Sarney, a mil quilômetros de distância, de leitos do Hospital Sírio-Libanês. É a prova de que apesar da popularidade recorde, Dilma ainda carece de traquejo político.

Personagens de outros escândalos não apoiam CPI

22 de abril de 2012 0

A mesa do Congresso divulgou ontem a lista dos parlamentares que assinaram o requerimento de criação da CPI do Cachoeira. Foram 72 dos 81 senadores e 396 dos 513 deputados. Mas chama atenção quem não rubricou o requerimento: neste grupo, estão alguns personagens de outros escândalos.
Dois réus no processo do mensalão em andamento no Supremo Tribunal Federal não assinaram o pedido: Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). O deputado paranaense Zeca Dirceu (PT-PR), filho de outro réu, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, foi outro que não assinou. Dirceu teria prestado consultoria à empresa Delta, uma das envolvidas no escândalo que levou à prisão do empresário Carlinhos Cachoeira. Recentemente salva pelos colegas, a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) foi outra a não apoiar a investigação. Ela foi absolvida em plenário mesmo depois da divulgação de um vídeo no qual aparecia recebendo um pacote de dinheiro de Durval Barbosa, o operador do chamado “mensalão do DEM”.
Réu em algumas ações no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador Paulo Maluf (PP-SP) também não apoiou a investigação. Perguntada sobre a CPI, a presidente Dilma Rousseff evitou polemizar.
– Vocês acreditam mesmo que eu vou me manifestar, além das minhas múltiplas atividades que eu tenho de lidar todo dia, eu vou me interferir na questão de outro poder? E eu não me manifesto sobre outro Poder, mas de maneira alguma – disse.

Bate-boca de ministros abala o STF

22 de abril de 2012 0

Palco da elite do Judiciário brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) não parece ser exatamente um espaço para consolidar amizades. A prova é a relação conflituosa entre Joaquim Barbosa e Cezar Peluso, que deixou o comando do tribunal na quinta-feira: em entrevista, Barbosa acusou o colega de ter manipulado decisões do Supremo.

Barbosa deverá assumir a presidência do STF em novembro, quando Carlos Ayres Britto se aposentará de forma compulsória. E não poupou adjetivos pejorativos para se referir a Peluso ao jornal O Globo: “ridículo”, “brega”, “caipira”, “corporativista”, “desleal”, “tirano” e “pequeno”. No conjunto das declarações, em que insinuou preconceito pelo fato de ser o único negro na Corte, criticou a condução dada por Peluso às sessões:

– Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais ou simplesmente para tumultuar e não proclamar o resultado que era contrário ao seu pensamento.

Ciente do excesso, Peluso tentou pedir desculpas

No começo da semana, Peluso havia dito que Barbosa é inseguro, chegando a pôr em dúvida a doença crônica que ele tem na coluna. Ao responder em tom elevado, Barbosa tumultuou de vez as relações no Supremo. Para evitar que o foco de animosidade se expanda, Ayres Britto tratou de apaziguar. Primeiro, disse nunca ter visto qualquer demonstração de racismo no STF. Em seguida, afirmou que não seria possível alterar resultados de decisões por questões práticas.

– Proferido o resultado do julgamento, é impossível haver manipulação. É impossibilidade logística – disse.

Peluso, que dera a entrevista que desencadeou a reação, percebeu que havia se excedido. Por isso, ainda na quinta-feira, tentou por duas vezes um pedido de desculpas a Barbosa, sem sucesso. Na primeira tentativa, foi ao gabinete do colega, mas ele não estava. Depois, telefonou para o gabinete, mas não foi atendido. Mais tarde, no salão contíguo ao plenário, Peluso encontrou-se com Barbosa e pediu desculpas na frente de colegas. Barbosa o cumprimentou, mas já havia informado que daria a entrevista.

Caso Cachoeira terá CPI no Congresso

11 de abril de 2012 0

O cenário mais obscuro para o senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM) começou a se confirmar ontem. No mesmo dia em que o presidente do Conselho de Ética no Senado aceitou pedido para investigá-lo, líderes da Câmara e do próprio Senado entraram em acordo para a abertura de uma CPI que investigue, além de Demóstenes, todos os suspeitos de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Quando o dia começou ontem, o Conselho de Ética não tinha nem presidente. O PMDB, que teria a prerrogativa de escolhê-lo não indicou nome para o cargo. Líderes partidários optaram então pelo parlamentar mais velho do colegiado, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). E a primeira medida do presidente interino foi aceitar o pedido do PSOL para investigar Demóstenes. Segundo Valadares, o senador goiano terá 10 dias úteis para, a partir de sua notificação, apresentar defesa. O prazo de defesa acaba dia 24. Apesar da aparente disposição dos senadores em punir Demóstenes, a expectativa é de que a votação da eventual cassação do senador não ocorra tão cedo.

Já a CPI que investigará as relações de autoridades com Cachoeira unirá Senado e Câmara e foi definida após reunião dos presidentes das duas Casas, respectivamente José Sarney (PMDB-AP) e Marco Maia (PT-RS).

Maia disse que a CPI deve ser instalada no início da próxima semana, depois de concluída a coleta de assinaturas dos parlamentares. É preciso obter, no mínimo, 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado. Questionado se não teme que as investigações cheguem ao governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, Maia afirmou:

– Quem estava na lista de contatos deve estar muito preocupado. Mas a pessoa sabia do risco que corria.

Com o apoio do PSDB, do PSOL e de parte do PDT, a coleta de assinaturas para a CPI, ao menos no Senado, é dada como certa. A tendência é de que na Câmara também não haja dificuldades para que se obtenham os 171 apoios mínimos para a comissão.

Cachoeira mirava SC para explorar loterias

11 de abril de 2012 0

Por Fábio Schaffner e Natália Viana

Novas escutas da Operação Monte Carlo mostram que o grupo do bicheiro Carlos Cachoeira pretendia explorar um sistema de loterias em Santa Catarina. Segundo o inquérito, ao qual o DC teve acesso, integrantes da suposta organização temiam que o governo de Raimundo Colombo extinguisse a Companhia de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Codesc), concessionária da loteria estadual.

Em um telefonema registrado às 15h41min de 10 de março de 2011, um homem não identificado relata ao bicheiro a preocupação com a disposição do governo catarinense em fechar a Codesc. Nos diálogos, o homem diz a Cachoeira “tô aqui com o Ênio” e soube, pelo presidente da estatal, da iminente extinção da Codesc. O presidente da Codesc a que ele se referia é Miguel Ximenes de Melo Filho. No relatório da escuta telefônica, a PF diz que o Ênio citado na conversa é Ênio Branco, atual secretário de Comunicação. Na época do telefonema, Ênio presidia a SC Parcerias, estatal catarinense criada para intermediar negociações com empresas por meio de parcerias público-privadas.

– Eu falei com o pessoal de Santa Catarina agora (…) Me falaram que tão querendo acabar com a Codesc. O presidente da Codesc tinha me ligado na semana retrasada, umas três semanas atrás, pra eu ir lá com urgência. O Roberto falou pra eu não ir, que o Ênio estava tratando de tudo (…) – afirma o interlocutor, não identificado.

Na sequência do diálogo, o mesmo homem diz que Roberto – que segundo o inquérito da PF seria Roberto Coppola, um argentino que atuaria como consultor do grupo de Cachoeira – havia sugerido que o bicheiro telefonasse para Ênio em busca de informações. Cachoeira responde que irá telefonar.

Argentino comenta resultado eleitoral

Em outra linha da investigação, a PF interceptou um e-mail de Roberto Coppola em 5 de outubro de 2010, dois dias após a vitória de Raimundo Colombo na disputa pelo governo do Estado. Na mensagem, Coppola conversa com Adriano Souza, apontado pela PF como ex-cunhado e um dos principais laranjas de Cachoeira.

Adriano comenta o resultado da eleição em Mato Grosso e pergunta sobre Santa Catarina:

“(…) Em Santa Catarina también foi bom con Colombo porque o presidente da loteria era o jefe da campanha do Colombo”, escreve o argentino.

Ênio explica por que foi procurado

O secretário estadual de Comunicação, Ênio Branco, confirma que no início de 2011 recebeu ligações de pessoas preocupadas com a extinção da Codesc. A procura, segundo o secretário, se deve ao fato de ele ter trabalhado mais de 20 anos na estatal. Dentre essas ligações, Ênio diz ter sido procurado por uma pessoa, cujo nome não lembra, pedindo para que intermediasse uma audiência com o presidente da Codesc:

– Essa pessoa disse que queria apresentar um parecer de um jurista de renome que poderia voltar a viabilizar receita para a Codesc. Como o assunto não me dizia respeito, já que estava na SCPar, e achei uma coisa estranha, não levei à frente. Não liguei para o Miguel (Ximenes) e não avancei no assunto. Até porque o governador sempre foi contra o jogo.

Na conversa gravada pela PF, Carlos Cachoeira (que está preso desde fevereiro) cita uma visita do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), a Colombo em março do ano passado. Ênio lembra do encontro, mas nega que o assunto Codesc ou loteria tenham entrado em pauta. Perillo passava férias em Jurerê e foi fazer uma “visita de cortesia” a Colombo.

– Nunca tive contato com Cachoeira, nunca liguei ou recebi qualquer telefonema. A pessoa que me ligou não fez qualquer menção a Carlos e o assunto não foi adiante, não tomei nenhuma providência e não houve qualquer dolo – ressalta Ênio.

Codesc estuda a volta das apostas

11 de abril de 2012 0

Em janeiro de 2011, logo que Raimundo Colombo assumiu o governo, a possibilidade de extinção da Codesc foi estudada. Na época, a justificativa para o fim da empresa era de que ela estaria dando prejuízo desde a proibição dos bingos. A hipótese não se concretizou e a Secretaria da Fazenda, a qual a Codesc está ligada, planejava redirecionar o foco de atuação da estatal. Atualmente, de acordo com o presidente da Codesc, Miguel Ximenes, que está no cargo há cinco anos, está em estudo a reedição da autorização da empresa para operar a loteria estadual.

– Desde o ano passado temos uma comissão constituída para discutir o assunto. Durante este período, recebemos empresas que operam em outros estados para mostrar as modalidades e formas de operação.

Ximenes acredita que a Codesc pode ter sido citada nas gravações dentro desse contexto, mas garante que o processo foi transparente.

– Não tenho conhecimento deste diálogo. Nunca falei com Cachoeira, lago ou lagoa – disse Ximenes.

Colombo disse que é contra o jogo:

– Eu não instalei o jogo, não vou instalar o jogo. Sou contra o jogo, independente de Cachoeira ou quem quer que seja. Realmente foi admitida a extinção da Codesc, mas sobre implantação do jogo não há nenhuma possibilidade de isso acontecer.

Policial gaúcho é suspeito de colaborar com Cachoeira

11 de abril de 2012 0

Por Fábio Schaffner

Um policial gaúcho está no centro do suposto esquema de corrupção montado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira no entorno de Brasília. Natural de Cruz Alta e lotado no Ministério da Justiça, o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Alex Sandro Klein da Fonseca, é suspeito de proteger a quadrilha ao repassar informações privilegiadas e evitar o fechamento de bingos e casas de caça-níqueis. Em troca, receberia propina de até R$ 9 mil por mês.

Zero Hora teve acesso ao inquérito da Polícia Federal sobre a Operação Monte Carlo, que desbaratou uma rede criminosa integrada por policiais, políticos e contraventores. Em pelo menos 34 páginas, os agentes mapeiam a atuação do gaúcho, flagrado em grampos e fotografias negociando o recebimento de dinheiro.

Chamado de “Tchê”, “Fonseca” ou “Gaúcho” nas dezenas de interceptações telefônicas, até junho do ano passado ele trabalhava na Coordenação de Policiamento de Fronteiras, da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. Foi afastado das funções por decisão judicial.

Fonseca seria um dos principais protetores da máfia comandada por Cachoeira. “Observou-se, pelo teor dos diálogos entre membros da organização criminosa e entre estes e o próprio investigado Fonseca, forte suspeita de que há um constante e regular repasse de valores de cerca de R$ 9.000 mensais da quadrilha para Fonseca, para que este, em razão de sua função pública, prestasse serviços à organização ou deixasse de atuar, colaborando para as atividades ilícitas de Carlinhos Cachoeira e seus parceiros”, diz a página 1.795 do inquérito.

A PF dedicou quatro páginas para a montagem de um organograma com as trocas de telefonemas e os encontros do gaúcho com integrantes da quadrilha. São 26 conversas e 16 fotografias catalogadas. Nas imagens, a PF diz que o gaúcho estaria recebendo R$ 4 mil de propina em um posto de combustíveis em 24 de janeiro de 2011.

A PF encontrou pelo menos sete registros de repasses ao policial no sistema de contabilidade da organização. Seriam pagamentos realizados de janeiro a agosto de 2011, no dia 10 de cada mês. De acordo com a investigação, o suborno tinha como contrapartida a obtenção de “informações sigilosas sobre operações policiais que poderiam ter como alvo as casas de jogos ilegais”.

Procurado por ZH, Alex Fonseca não foi localizado e não retornou os recados deixados na secretária eletrônica de seu celular. ZH também procurou o advogado do policial, mas não obteve retorno.

Orquestra fora do ritmo

11 de abril de 2012 0

Por Fábio Schaffner e Humberto Trezzi

O órgão responsável pela distribuição dos direitos autorais artísticos no Brasil está em xeque. Investigada pelo Senado e responsável pela gestão anual de mais de R$ 400 milhões, a cúpula do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de direitos autorais (Ecad) corre o risco de ser indiciada por apropriação indébita, formação de quadrilha e cartel. Essa é a intenção dos cabeças da investigação e depende ainda de confirmação por parte do Ministério Público.

Pelo menos 14 pessoas estariam envolvidas em procedimentos que, de acordo com investigações dos senadores, resultaram em maquiagem das contas da instituição e distribuição duvidosa de bônus entre a sua diretoria.

O Ecad administra os pagamentos de direitos autorais sobre a execução de músicas e audiovisuais. Questionado pela forma de atuação, com cobrança sumária até mesmo em bailes de casamento e quermesses religiosas, agora se vê às voltas com uma contabilidade confusa – o que desagrada músicos. Em 2010, dos R$ 432,9 milhões, R$ 346,5 milhões foram pagos aos artistas, e uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que tramita no Senado investiga no que foi gasto o restante do dinheiro.

Conforme a CPI, em 2004 o Ecad decidiu incorporar ao seu caixa R$ 1.140.198 do chamado crédito retido – recursos de direito autoral arrecadados pelo órgão, mas que não haviam sido repassados por dificuldades na localização dos artistas. A manobra teria permitido à entidade transformar um déficit de cerca de R$ 700 mil em um superávit de R$ 444 mil, com pagamento aos diretores do Ecad de prêmios individuais de até R$ 50 mil.

Se investiga também casos mal explicados envolvendo o Ecad. Um deles: o bajeense Milton Coitinho dos Santos foi usado como laranja no pagamento de R$ 127,8 mil pela execução de trilhas sonoras de filmes de clássicos do cinema nacional – embora ele não seja músico, apenas motorista de ônibus. Coitinho jamais recebeu o dinheiro, que foi desviado para contas correntes de procuradores envolvidos com funcionários da União Brasileira de Compositores (UBC), a principal associação vinculada ao Ecad e que detém 45% dos votos da diretoria colegiada do órgão. Eles devem ser indiciados por falsidade ideológica e formação de quadrilha.

Podem ser também indiciados, mas por formação de cartel, oito diretores do Ecad e os seis presidentes das associações com direito a voto. Isso, por suspeita de que combinaram preços na cobrança pelas execuções musicais e se apropriaram de dinheiro de artistas.

De todo o valor arrecadado com pagamentos pela execução da música do artista, 25% são retidos pelo Ecad a título de taxa de administração (17,5% ficam com o Ecad e 7,5% com a associação na qual o compositor é credenciado). Os senadores querem a criação de um órgão de fiscalização do Ecad, hoje inexistente.

“Nunca tive contato com Cachoeira”

03 de abril de 2012 0

Por Kelly Matos

Professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desde 1985, o catarinense Norberto Rech diz ter sido surpreendido ao ver seu nome citado em uma conversa telefônica entre o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Em um dos diálogos gravados pela Polícia Federal (PF), com autorização do Poder Judiciário, Cachoeira pede ajuda ao senador demista para resolver alguns problemas na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e se refere ao “negócio daquele rapaz do Enio que trabalha na Anvisa, o tal do Rech”.

O professor garante que não conhece Cachoeira – que está preso no presídio de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte – e admite ter recebido Demóstenes para uma reunião em 2011. Mas ele nega qualquer tipo de favorecimento ao laboratório Vitapan, ligado a Cachoeira. Rech conversou ontem com a reportagem, por telefone. Confira a entrevista.

Diário Catarinense – Qual é a sua relação com Cachoeira?

Norberto Rech – Não tenho absolutamente nenhum contato com Carlinhos Cachoeira. Nunca tive contato com ele, em hipótese nenhuma. Meu nome foi citado naquela conversa à minha revelia.

DC – O senhor conhece o senador Demóstenes Torres?

Rech – A única oportunidade em que estive com o senador Demóstenes foi durante uma audiência solicitada pelo senador na Anvisa em 9 de fevereiro de 2011, para tratar de uma empresa chamada Vitapan, de Goiás. Eu o recebi na Anvisa para uma audiência formal. Estavam presentes além do senador, representantes da Anvisa e da empresa. O atendimento foi de acordo com as regras, registrado em ata, não houve nenhum tipo de irregularidade.

DC – Como foi esse encontro?

Rech – A empresa buscava informações sobre a renovação de registro de medicamentos, processos que estavam em andamento. Eles pediram dados. Não cedemos a informação naquele momento. Basicamente, nossa conversa girou em torno disso. Não houve nada de anormal. Nem sabia quem era o dono da empresa. Fiquei sabendo pela imprensa, no sábado, que teria ligação com o Cachoeira.

DC – Vocês trataram sobre a instalação de um laboratório da empresa em Santa Catarina?

Rech – Os diretores mencionaram que a empresa tinha interesse em instalar uma planta em Santa Catarina. Para nós, não havia nada de anormal. A Anvisa tem buscado apoiar iniciativas de expansão, se o projeto for interessante, se contribuir para o desenvolvimento nacional cabe à Anvisa auxiliar no processo de discussão e na estratégia de implantação, sob o ponto de vista regulatório e sanitário. É uma interação positiva ao desenvolvimento do país. Mas sempre resguardada a responsabilidade formal da Anvisa.

DC – Houve algum tipo de favorecimento para esta empresa?

Rech – Nunca. Eu não estava tratando com a empresa do “fulano”. Da nossa parte, não havia problema. Daí a imaginar que essa fábrica atenderia a meus interesses particulares é um absurdo.

DC – Você conhece Ênio Branco?

Rech – Eu conheço o doutor Ênio Branco (secretário de Comunicação de Santa Catarina), mas não mantenho qualquer relação com ele. Conheço-o como participante da estrutura do governo do Estado, mas não trabalhamos juntos. Nunca tratei absolutamente nada sobre esses assuntos com ele.

DC – O seu cargo na Anvisa é fruto de indicação política?

Rech – Eu sou professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desde 1985, mas fui cedido para o governo em 2003. Neste ano, fui para o Ministério da Saúde, em Brasília, onde permaneci até 2005, quando fui para a Anvisa. A indicação foi do ex-ministro Humberto Costa (gestão 2003/2005), não teve vinculação com o PC do B, partido ao qual sou filiado.

PSDB pede apuração sobre contrato da Pesca

03 de abril de 2012 0

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), pediu ontem que a Comissão de Ética Pública da Presidência investigue o suposto uso indevido da máquina pública pelo Ministério da Pesca. Após ter sido contratada pelo ministério para construir lanchas-patrulha ao custo de R$ 1 milhão cada, a Intech Boating foi procurada para fazer uma doação de R$ 150 mil para o comitê financeiro do PT de Santa Catarina. O comitê arcou com a maior parte dos custos da campanha a governador de 2010, cuja candidata era Ideli Salvatti, atual ministra das Relações Institucionais.

Viagem de Dilma aos EUA será sem pompa

03 de abril de 2012 0

A presidente Dilma Rousseff chega aos Estados Unidos no dia 9 para uma visita oficial ao presidente Barack Obama. Mais do que a agenda do encontro, a questão que tem causado celeuma é o fato de que Dilma não será recebida como chefe de Estado pelo norte-americano. Isso quer dizer que a presidente não vai ser acolhida no jardim da Casa Branca com a presença das tropas, nem vai ter um jantar de gala com Obama, honras dedicadas aos líderes da Índia, da China e da Coreia do Sul em visitas recentes aos Estados Unidos.

Afalta de pompa pode parecer uma mensagem de que o Brasil não tem tanta importância na política externa dos EUA. E talvez seja mesmo difícil comparar a relevância brasileira diante do poderio econômico da China e dos papéis estratégicos da Índia e da Coreia do Sul, mas isso nem sempre deve ser interpretado como tal, segundo os embaixadores Rubens Ricupero e Sérgio Amaral.

Ricupero lembra-se de que, em toda sua carreira, viu apenas um brasileiro receber o tratamento de chefe de Estado: o então presidente José Sarney. De acordo com o embaixador, é comum que haja uma visita mais formal para cada seis ou sete encontros entre os presidentes.

Para Sérgio Amaral, a discussão em torno do tratamento reflete uma espécie de complexo de “latin lover”, que sempre reclama de abandono e falta de atenção. Como exemplo de que nem sempre pompa se traduz em importância, ele cita a discreta visita do premiê israelense Benjamin Netanyahu à Casa Branca, no início do mês passado.

O cientista político João de Castro Neves, do Eurasia Group, em Washington, diz que o status dado pelos EUA à visita da presidente brasileira gera certa “decepção” muito mais ao Itamaraty do que à própria Dilma.

– É claro que o Brasil queria fazer uma visita de chefe de Estado, mas a Dilma é muito mais pragmática. Acho que para ela não interessa tanto se é visita de Estado ou não – avalia.