Personagem na CPI que resultou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor, Miro Teixeira não acredita que a investigação sobre Carlinhos Cachoeira possa ser controlada pelo governo.
Zero Hora – O que está acontecendo com a CPI? Há uma operação abafa?
Miro Teixeira – No começo, as pessoas imaginam que podem definir os rumos de uma CPI. Mas quem define os rumos é sua excelência, o fato. A frase é do doutor Ulysses Guimarães e merece ser evocada nesse momento, quando fica visível a tentativa de blindagem dos governadores. Só que o discurso de quem pretende participar da blindagem perdeu a credibilidade.
ZH – Mas houve um acordo entre PT e PMDB. Como reverter essa proteção?
Miro – Está aumentando o grupo de pessoas comprometidas com a apuração da verdade. No começo, éramos poucos. Na última semana, já éramos nove, um quarto da CPI. Na próxima reunião, teremos mais gente.
ZH – O PT trabalhou pela instalação da CPI, mas agora há um nítido recuo do partido. Isso atrapalha a investigação?
Miro – O desvio de rumos da CPI não dá certo. Tem muitas lentes acompanhando os trabalhos. Essa liberdade do direito do povo à informação dificulta muito as transgressões. Não percebo unidade no PT para proteger quem quer que seja. Há bons parlamentares no PT que estão preocupados em preservar até a própria sigla.
ZH – A CPI ainda não engrenou e logo os parlamentares irão se dedicar às eleições. Não há risco de esvaziamento?
Miro – Não. Na CPI do Collor, em 1992, estávamos em um ano eleitoral. A eleição era em 3 de outubro e, no dia 29 de setembro, o plenário da Câmara lotou para aprovar o impeachment. O ano eleitoral aumenta a fiscalização do eleitor e pode até melhorar o desempenho da CPI.
ZH – O senhor acredita que as quebras de sigilo e as 51 convocações aprovadas esta semana podem fazer a CPI avançar?
Miro – É uma CPI diferente. Em geral, as conclusões de uma CPI são remetidas ao MP para abertura de inquérito. Essa já começou com investigação da Polícia Federal. Então, o que temos de fazer é correr atrás do dinheiro para evitar que, ao final, muita gente saia desmoralizada da comissão, mas muito rica.


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