Por Fábio Schaffner
Criada sob a expectativa de ser a mais sangrenta da história do Congresso, a CPI do Cachoeira completou um mês com resultados pífios. Até agora, os parlamentares ouviram apenas dois delegados federais, em sessão secreta. Como não houve novas revelações sobre a extensão do esquema criminoso do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a sensação no Congresso é de que a CPI está sendo conduzida de forma a causar o menor prejuízo político possível.
Essa percepção ficou mais evidente na quinta-feira, quando PT, PMDB e PSDB evitaram a convocação de governadores e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos principais políticos envolvidos com o contraventor.
– A CPI nasceu de cabeça para baixo. Começou com o Cachoeira preso, a Delta quebrada e o Demóstenes Torres virtualmente cassado. Não tem muito mais o que fazer – lamenta o deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO).
A operação abafa começou uma semana antes, em um encontro de senadores do PMDB na casa de José Sarney (AP). Disposto a romper com a tática petista de investir contra a Procuradoria-Geral da República e a imprensa, Sarney, Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE) e Romero Jucá (RR) decidiram esvaziar a CPI. Mesmo contrariado, o PT, que tem apoio do senador Fernando Collor (PTB-AL), cedeu à pressão e concordou em blindar os governadores e a Delta, a principal empreiteira do PAC. Em troca da proteção ao governador Marconi Perillo (GO), o PSDB aderiu.
Onyx quer foco em suspeitas de caixa 2
Um dia antes da fatídica sessão, o relator, Odair Cunha (PT-MG), avisou ao colega Onyx Lorenzoni (DEM-RS) da disposição de não convocar os governadores e de quebrar o sigilo somente das filiais da Delta no Centro-Oeste.
– Discordei frontalmente, mas, como toda CPI, essa também vai acabar fugindo ao controle do governo – aposta o gaúcho.
Onyx e um grupo de parlamentares independentes tenta fazer uma devassa nas contas da Delta. A chave para descobertas mais significativas pode estar na Operação Saint Michel, da Polícia Civil do DF. Em outra frente, eles pretendem ajuizar ações solicitando o bloqueio dos bens de Cachoeira e da Delta.
Entre os caciques do Congresso, predomina o sentimento de que só ações por fora da CPI poderão resultar em avanços. Para Eduardo Gomes, o comportamento do PT contribuiu para tumultuar e engessar as apurações:
– O PT entrou na CPI porque Lula queria encurralar a Procuradoria-Geral da República, a imprensa e atrasar o julgamento do mensalão. Deu tudo errado porque Lula se esqueceu que não está mais no poder.


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