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“Não houve conversa nenhuma”

28 de maio de 2012 3

Entrevista: Nelson Jobim, ex-ministro da Defesa

Por Fábio Schaffner

Anfitrião do encontro entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim negou a Zero Hora que em algum momento o petista tenha pedido o adiamento do julgamento do mensalão. Segundo Jobim, a conversa entre eles durou cerca de uma hora, na manhã do dia 26 de abril, em seu escritório em Brasília. O ex-ministro foi enfático ao afirmar que o ex-presidente jamais fez qualquer proposta a Mendes envolvendo o mensalão e disse que negou à revista Veja que esse tenha sido o teor da conversa. Jobim falou com ZH ontem à tarde, por telefone, enquanto se dirigia ao aeroporto, no Rio, de onde regressaria a Brasília.

ZH – Lula pediu ao ministro Gilmar Mendes o adiamento do julgamento do mensalão?

Nelson Jobim – Não. Não houve nenhuma conversa nesse sentido. Eu estava junto, foi no meu escritório, e não houve nenhum diálogo nesse sentido.

ZH – Sobre o que foi a conversa?

Jobim – Foi uma conversa institucional. Lula queria me visitar porque eu havia saído do governo e ele queria conversar comigo. Ele também tem muita consideração com o Gilmar, pelo desempenho dele no Supremo. Foi uma conversa institucional, não teve nada nesses termos que a Veja está se referindo.

ZH – Por quanto tempo vocês conversaram?

Jobim – Em torno de uma hora. Ele (Lula) foi ao meu escritório, que fica perto do aeroporto.

ZH – Em algum momento, Lula e Mendes ficaram a sós?

Jobim – Não, não, não. Foi na minha sala, no meu escritório. Gilmar chegou antes, depois chegou Lula. Aí, saiu Lula e Gilmar continuou. Ficamos discutindo sobre uma pesquisa que está sendo feita pelo Instituto de Direito Público, do Gilmar. Foi isso.

ZH – Depois que Lula saiu, o ministro fez algum comentário com o senhor sobre o teor da conversa?

Jobim – Não. Não disse nada. Só conversamos sobre a pesquisa, para marcar as datas de uma pesquisa sobre a Constituinte.

ZH – Lula pediu para o senhor marcar um encontro com Mendes?

Jobim – Sim. Ele queria me visitar há muito tempo. E aí pediu que eu chamasse o Gilmar, porque gostava muito dele e porque o ministro sempre o havia tratado muito bem. Queria agradecer a gentileza do Gilmar. Aí, virou essa celeuma toda.

ZH – Há quanto tempo o encontro estava marcado?

Jobim - Foi Clara Ant, secretária do Lula, quem marcou. Lula tinha me dito que queria me visitar há um tempo atrás. Um dia me liga a secretária, dizendo que ele iria a Brasília numa quarta-feira (25 de abril) e que, na quinta, queria me visitar e ao ministro Gilmar. Ele apareceu lá por volta das 9h30min, 10h. Foi isso.

ZH – Se não houve esse pedido de Lula ao ministro, como se criou toda essa história?

Jobim – Isso você tem de perguntar a ele (Gilmar), e não a mim.

ZH – O senhor acha que Mendes pode estar mentindo?

Jobim – Não. Não tenho nenhum juízo sobre o assunto. Estou fora disso. Estou te dizendo o que eu assisti.

ZH – Veja disse que o senhor não negou o teor da suposta conversa. Por que o senhor não negou antes?

Jobim – Como não neguei? Me ligaram e eu disse que não. Eu disse para a Veja que não houve conversa nenhuma.

Comentários (3)

  • Gustavo diz: 28 de maio de 2012

    Então, tá!
    Marcou uma reunião para demonstrar seu apreço pelo outro.
    Só convence quem quer ser convencido!

  • Roger A. diz: 28 de maio de 2012

    O Jobim afirmou que não ocorreu as denúncias gravíssimas do Ministro do STF Gilmar Mendes com relação ao Lulo.
    Então acham que o Jobim, como anfitrião e arranjador de encontros secretos iria confirmar a tentativa de corromper e chantagear o Ministro e o STF ! !
    O Jobim, penso que o seria meio doido ou muito burro se confirmar o que teria ocorrido de verdadeiro, até uma criança sabe disto.
    É logico que o Jobim sempre negaria.
    Junta-se a isto uma informação do jornalista Moreno que falou com Jobim por telefone e narra o seguinte:

    \” Mas, durante a conversa, eu notei a voz estranha do Jobim. Ele estava cumprindo um rito, um protocolo, um dever de anfitrião de evitar mais constrangimento a si e a outros atores do espetáculo \”

  • Gualberto Cesar dos Santos – FLN/SC - diz: 5 de junho de 2012

    Estão querendo desprezar as afirmações de Nelson Jobim.
    Que está sendo racional nesse episódio.
    Alguns motivos de fundo devem estar prevalecendo para que desse fato surjam situações que gerem boatos junto à opinião pública.
    Nelson Jobim está fazendo falta no Governo.
    Ele tem a capacidade de ter sido parlamentar brilhante e suas opiniões são construtivas a Democracia e ao Brasil.
    Querem fuzilar o Lula.
    Da forma mais estapafúrdia e inverossímil.

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