Criada há duas semanas, a Comissão da Verdade ainda está à espera de assessores e infraestrutura para começar a trabalhar. Na tarde de ontem, seis dos sete integrantes do grupo formado para investigar crimes praticados por agentes do Estado entre 1946 e 1988 não esconderam o desconforto com a demora das apurações.
A comissão funciona em uma sala improvisada do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que serviu de gabinete do ex-presidente Lula durante a reforma do Palácio do Planalto, em 2009 e 2010.
Em uma rápida entrevista após a reunião do grupo, o coordenador Gilson Dipp chegou a se irritar com perguntas sobre a demora nos trabalhos.
– Isso é uma dedução – repetiu três vezes quando questionado em relação às dificuldades da comissão.
Dez ossadas recolhidas no Araguaia aguardam análise
Ele reconheceu, no entanto, que o grupo depende de um diretor executivo para organizar os trabalhos burocráticos, de pelo menos quatro assessores e de interlocutores com órgãos civis e militares do governo. Dipp ressaltou que não chamará militares para compor a assessoria.
O grupo tomou posse no dia 16, no Palácio do Planalto. Desde as primeiras entrevistas, Dipp deixou claro que um dos primeiros focos da comissão é a busca dos mortos pela ditadura militar. Além da identificação de cemitérios clandestinos, setores da área de direitos humanos e famílias de mortos políticos esperam a análise de DNA de ossos guardados há quase duas décadas em órgãos oficiais. Só em um laboratório da Universidade de Brasília existem pelo menos dez conjuntos de ossos retirados da região do Bico do Papagaio, no Pará e no Tocantins, onde ocorreu a Guerrilha do Araguaia, no começo dos anos 1970.


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