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O deputado e o caminhoneiro

14 de novembro de 2011 0

Todos lamentamos a morte do deputado estadual Chicão Gorski (PP), vítima de acidente no centro do estado, na madrugada de sábado.  Foi, enfim,  uma tragédia.

Mas daí, vitimizar os parlamentares que fazem extensos roteiros pelo interior, aí não. Pelo contrário, são muito bem recomensados com diárias gordas de R$ 466,00. Se viajar pelas estradas  fosse sinônimo de acidente, estaríamos em permanente debate sobre o risco enfrentado pelos caminhoneiros. Ou pelos representantes comerciais que passam boa parte de suas vidas  sobre rodas, longe das famílias.

Visitar as bases é rotina de qualquer deputado com votação no interior.  Cabe a ele fazê-lo com responsabilidade e respeitando as leis de trânsito.

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Fachel lança livro com dicas de telejornalismo

10 de novembro de 2011 0

Quando começou a publicar as dicas de telejornalismo no twitter em 2009, o repórter gaúcho Flávio Fachel tinha a intenção de ajudar os estudantes de Comunicação Social que sonhavam em, um dia, trabalhar fazendo telejornalismo. Na época, pouco mais de 300 pessoas o acompanhavam na conta @flaviofachel do microblog. Entretanto, rapidamente, o número de "seguidores" no twitter aumentou, chegando hoje a quase 22 mil pessoas que acompanham, todos os dias, a rotina do repórter em Nova York.

"As dicas se tornaram muito populares entre estudantes, professores e jornalistas", diz Flávio Fachel que lembra: "certo dia, alguns amigos do twitter passaram a cobrar a publicação de um livro com todas as dicas”.

A decisão de fazer um livro, porém, esbarrava na situação econômica dos leitores: todos sabem que a maioria dos estudantes tem pouco dinheiro no bolso. Por isso, o jornalista decidiu aplicar os conhecimentos adquiridos nos tempos da faculdade para editar e distribuir por conta própria o livro "Dicas de #Telejornalismo". "Se eu fosse oferecer o livro para as editoras, teria que esperar uma delas decidir se iria abraçar o projeto para, depois, ver o preço unitário subir para mais de 50 reais o exemplar", explica Flávio Fachel.

Assim, ele decidiu editar e fazer o acompanhamento gráfico por conta própria e distribuir toda a primeira edição exclusivamente entre seus seguidores no twitter. "Eu e meu irmão, Rodrigo Fachel, que é o designer gráfico da obra, decidimos criar uma página na internet onde as pessoas poderiam adquirir o livro por um preço bem mais baixo", diz Fachel. A distribuição é feita pelos Correios e o frete para qualquer lugar do Brasil já está incluso no preço, que é de R$ 38,00. O livro está disponível, excepcionalmente, nas bancas da Feira do Livro de Porto Alegre e de Pelotas. "Hoje, são os únicos lugares do Brasil onde é possível encontrar o livro em uma livraria", diz Flávio Fachel.

Porém, qualquer um, em qualquer cidade do Brasil, pode encomendar um exemplar visitando o site. A jornalista Alice Urbim, do grupo RBS, escreveu o prefácio do livro. Ela diz que as dicas "muitas vezes parecem óbvias para quem exercita a atividade de jornalista todo o dia. Mas como a tevê é o veículo do óbvio, Fachel insiste nas máximas da obviedade que precisam ser repetidas como mantra numa redação". Ela também classifica o livro "Dicas de #Telejornalismo" como “uma nova forma de escrever um manual de telejornalismo”.

Flávio Fachel tem 46 anos, e é hoje correspondente internacional da TV Globo em Nova York. Ele começou a carreira na RBS TV Cruz Alta, onde trabalhou como repórter depois de concluir o Projeto Caras Novas da RBSTV. Nesta sexta-feira, 11, ele estará ao vivo nos programas Gaúcha Repórter (Rádio Gaúcha) e Camarote (TCVOM). No sábado, 12, ele participa, ao vivo, no programa Jornal do Almoço (RBSTV). À tarde (16h30min) fará sessão de autógrafos na Feira do Livro, na Capital gaúcha. 

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Diárias na Assembléia: PDT propõem relatório em vez de nota fiscal

07 de novembro de 2011 0

A mesa diretora da Assembléia Legislativa examina amanhã três propostas que visam alterar a forma como é feita a prestação de contas das diárias dos deputados estaduais. Uma delas, apresentada pelo deputado Valdecir Oliveira (PT) defende a modalidade de ressarcimento, pela qual os deputados somente receberiam o valor das notas fiscais. É o sistema defendido pelo presidente do legislativo, Adão Villaverde (PT). Um exemplo prático: se essa modalidade estivesse em vigor em agosto deste ano, o deputado Gilmar Sossela (PDT) não teria recebido R$ 2.097,45 por uma viagem de cinco dias ao norte do estado e sim R$ 48,80, que é o valor total das notas que apresentou. Ele é o parlamentar que mais teve gastos com diárias este ano: R$ 43.208,58, conforme dados do Portal da Transparência.

Outras duas sugestões que serão examinadas pela mesa diretora, no entanto, afrouxam ainda mais as regras para justificar uma diária mínima de R$ 462,10 : a proposta da bancada do PDT quer o fim da exigência de nota fiscal e sugere a apresentação de relatórios "assinados pelos deputados e servidores". Já os deputados do PP propõem a livre escolha de uma entre três alternativas para a prestação de contas: "nota fiscal de hotel, restaurante, lancheria ou afim", certificado de comparecimento ou participação em cerimônias, eventos, cursos e demais eventos afins ou cópia dos respectivos cartões de embarque aéreo".

Entre janeiro e outubro deste ano, parlamentares e assessores receberam R$ 2, 816 milhões  em diárias.

No final de setembro, revelamos que notas fiscais de R$ 5,00 garantem a deputados estaduais gaúchos uma diária de R$ 462,10. A reportagem teve acesso aos comprovantes depois de percorrer dois mil quilômetros de estradas em busca da segunda via das notas apresentados por alguns parlamentares. Na prática, a reportagem refez o caminho que um cidadão precisa percorrer, se quiser descobrir como os deputados comprovam as diárias que recebem. Isso porque o site da Assembléia Legislativa não revela o valor das notas fiscais apresentadas, apenas CNPJ, número de série, data e cidade em que foi emitida. Assim, com base nessas informações, a reportagem resolveu buscar a segunda via dos comprovantes diretamente nos locais em que foram emitidos.

Desta forma foi possível descobrir, por exemplo, que o primeiro secretário da Casa, deputado Alexandre Postal, (PMDB), viajou a Veranópolis e Encantando nos dias 16 e 17 de junho e recebeu R$ 699,15 em diárias . Mas apresentou notas de R$ 17,00 e R$ 19,00. Pelas atuais regras da Assembléia, esse tipo de prestação de contas é legal: para comprovar uma diária, basta que o deputado apresente uma nota de qualquer valor.

Em 2009, a RBSTV revelou que deputados recebiam díárias até para dormir em suas casas, no interior. Depois disso, uma norma passou a exigir nota de hotel para comprovar uma diária integral. Mas essa regra foi derrubada em maio de 2010 pela mesa diretora sob a presidência do deputado Giovani Cherini (PDT), que passou a permitir a apresentação até de notas de postos de combustíveis. Em janeiro deste ano, a RBSTV ingressou com Mandado de Segurança no Tribunal de Justiça, para ter acesso às notas. Mas o pedido foi negado.

Após se reunir com a mesa diretora, o presidente Adão Villaverde anunciou que seriam estudadas formas de disponibilizar as informações. E que o Portal da Transparência passaria a publicar o valor de cada nota.

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O ranking das diárias nas Câmaras do RS

13 de outubro de 2011 0

Um levantamento que a RBSTV teve acesso com exclusividade revela que as Câmaras de Vereadores do Estado custaram R$ 500 milhões aos contribuintes gaúchos em 2010. Desse valor, R$ 13,8 milhões foram gastos em diárias de viagens.

O estudo do Ministério Público de Contas apontou a Câmara de Triunfo como a que mais teve despesas com diárias em 2010. Foram R$ 659.527,04. Em agosto do ano passado, a RBSTV flagrou vereadores e assessores fazendo turismo com dinheiro público. No horário em que deveriam participar de cursos de qualificação, eles foram flagrados fazendo compras e visitando as Cataratas do Iguaçu. Sete pessoas foram indiciadas pela polícia, entre elas, o ex-presidente Fábio Wrasse (PDT). O Tribunal de Contas do Estado limitou os gastos com viagens.

Mas ninguém foi punido pela CPI aberta no legislativo. Localizado pela reportagem, um ex-assessor disse que as diárias servem para engordar o salário dos vereadores.

-As diárias continuam porque eles sabem que não vai dar em nada. Em Triunfo sempre foi assim. É terra sem lei. Eles fazem e nada acontece, desabafou o ex-assessor.

Na câmara, apesar da insistência da reportagem, nenhum vereador foi encontrado para comentar o assunto. A Câmara de Eldorado do Sul vêm em segundo lugar no ranking das viagens. Lá foram gastos com diárias R$ 305.785,00 no ano passado.

-Se for do interesse e ajudar vereadores no desenvolvimento do trabalho, sou favorável (à despesa com diárias),disse o presidente da Câmara José Carlos Souza da Silva.

A terceira colocada é a Câmara de Itaqui, na Fronteira oeste, onde vereadores e funcionários consumiram R$ 249.214,89.

-Existem municípios que lançam na contabilidade diárias apenas de vereadores e diparias de servidores. No nosso caso é tudo junto e por isso o valor é alto, diz o ex-presidente da Câmara Éber Escobar de Almeida.

O Ministério Público de Contas também cruzou os gastos com viagens pelo número de moradores em cada cidade. Nesse quesito, lidera o ranking a Câmara de Bom Progresso. Cada um dos 2.324 habitantes bancou R$ 26,79 para seus representantes viajarem. O gasto total em diárias foi de R$ 62.250,00.

-Foi exagero sim, não tem como eu dizer que não. Se eu disser que não, como fico perante à comunidade?, admite o presidente da Câmara Egon Schneider.

O estudo mostra ainda as câmaras que menos tiveram despesas, não apenas em diárias. Os dados apontam que 28 legislativos apresentaram custo zero com diárias. Em outros 16, o gasto total com viagens em 2010 foi inferior a R$ 500,00. É o caso da Câmara de Ivoti, onde as todas as despesas somadas no ano passado, incluindo a folha de pagamento, foram de R$ 244.796,99. Em Triunfo, com o mesmo número de vereadores e apenas 5.438 habitantes a mais, os gastos totais chegaram a estratosféricos R$ 7.402.399,81.

CLIQUE AQUI E CONFIRA O RANKING, COM TODAS AS CIDADES.

AQUI, O COMPARATIVO, 2009/2010

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Com nota fiscal de R$ 5,00, deputado justifica diária de R$ 462,10

27 de setembro de 2011 0

Notas fiscais de R$ 5,00 garantem a deputados estaduais gaúchos uma diária de R$ 462,10. Foi o que a reportagem constatou depois de percorrer dois mil quilômetros de estradas em busca dos comprovantes de despesas apresentados por alguns parlamentares. Entre janeiro e setembro deste ano, a Assembléia gaúcha consumiu R$ 2.503.874,38 em diárias de viagens.

Na prática, a reportagem refez o caminho que um cidadão precisa percorrer, se quiser descobrir como os deputados comprovam as diárias que recebem. Isso porque o site da Assembléia Legislativa não revela o valor das notas fiscais apresentadas, apenas CNPJ, número de série, data e cidade em que foi emitida. Assim, com base nessas informações, a reportagem resolveu buscar a segunda via dos comprovantes diretamente nos locais em que foram emitidos.

Desta forma foi possível descobrir, por exemplo, que o deputado Gilmar Sosella, do PDT, apresentou cinco notas fiscais que somam R$ 48,80 para receber diárias de R$ 2.097, 45. Duas das diárias (de R$ 462,10 cada) foram justicadas com notas de R$ 5,00. A despesa foi referente a uma viagem a cinco cidades do Norte do estado, entre os dias 4 e 8 de agosto. Pelas atuais regras da Assembléia, esse tipo de prestação de contas é legal: para comprovar uma diária, basta que o deputado apresente uma nota de qualquer valor. De cinco reais, por exemplo, como fez Sossela.

Em 2009, a RBSTV revelou que deputados recebiam até para dormir em suas casas, no interior. Depois disso, uma norma passou a exigir nota de hotel para comprovar uma diária integral. Mas essa regra foi derrubada em maio de 2010 pela mesa diretora sob a presidência do deputado Giovani Cherini (PDT), que passou a permitir a apresentação até de notas de postos de combustíveis. Nos dias 16 e 17 de junho, o deputado Alexandre Postal, do PMDB e primeiro secretário da casa, viajou a Veranópolis e Encantando. Recebeu R$ 699,15, mas apresentou notas de R$ 17,00 e R$ 19,00. O Tribunal de Contas do Estado (TCE)  já detectou a fragilidade na prestação de contas dos deputados da Assembléia Legislativa.

-Num deslocamento em que, dado o valor da diária, a comprovação é apenas a nota de um posto de gasolina ou alimentação, nos parece que a documentação é precária, é necessário outros documentos que comprove deslocamento, pernoite e assim por diante, afirma o diretor-geral do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Valtuir Nunes.

Outros dois casos foram identificados pela reportagem: com uma nota de R$ 18,00, o vice-presidente da Assembléia José Sperotto, do PTB, justificou uma diária de R$ 466,10  em viagem para Gramado no dia primeiro de julho. Já o deputado Adolfo Brito, do PP, apresentou notas de R$ 5,00 e R$31,00 para receber R$ 699,15.  Uma proposta de mudança no sistema de pagamento de diárias deve ser apreciada nesta terça-feira durante a reunião da mesa diretora da Assembléia. A sugestão é do presidente da Casa, Adão Villaverdade (PT), que afirma possuir a aprovação dos três futuros presidentes do legislativo: Alexandre Postal, Gilmar Sossela e Pedro Westphalen.

-A ideia é estabelecer um teto para o deputado gastar e você, a partir daí, só recebe dentro desse teto se comprovar a utilização. Você apresenta a nota e o ressarcimento é no valor da nota. O deputado vai receber o que ele gastar, explica Villaverde, que também vai sugerir a revelação, no site do parlamento, do valor de cada nota fiscal apresentada na prestação de contas.

Em janeiro deste ano, a RBSTV ingressou com Mandado de Segurança no Tribunal de Justiça, para ter acesso às notas. Mas o pedido foi negado.

Veja alguns exemplos de notas que os parlamentares apresentam para receber diárias de R$ 462,10:

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DEM abre processo contra vereador

14 de setembro de 2011 0

A executiva do Democratas no Rio Grande do Sul determinou ao corregedor do partido, Adão Paiani, que abra uma investigação contra o vereador Adenir Webber, de Dom Pedro de Alcântara.  A atitude do parlamentar, que ingressou na Justiça para que veículos do grupo RBS deixassem de divulgar seu nome, chamou à atenção da cúpula do DEM. Só agora a legenda vai apurar denúncia apresentada pelo Fantástico, em agosto de 2010.

A reportagem mostrou Webber fazendo  turismo com dinheiro público, à pretexto de participar de um curso em Foz do Iguaçu.  Ele foi flagrado fazendo compras no Paraguai e visitando as Cataratas do Iguaçu, em pleno horário de aulas. Há quinze dias, o vereador obteve uma sentença favorável no Tribunal de Justiça, que proibiu a revelação de seu nome. Mas a decisão foi suspensa hoje pelo próprio Tribunal. 

-O ideário liberal não tolera qualquer situação que configure prejuizo à liberdade de imprensa. Isso repercutiu muito mal dentro do partido, disse Adão Paini, que na próxima semana, pretende chamar o vereador para que dê explicações.

Em função da reportagem, Adenir Webber foi indiciado por falsidade ideológica pela Polícia Civil e virou réu em Ação Civil Pública por atos de improbidade administrativa, proposta pelo Ministério Público.

-Ele sequer procurou o partido para dar a sua versão. Estamos numa luta ferrenha contra a corrupção no Governo Federal. Então, temos que fazer a lição de casa, declarou Paiani.

O corregedor ficou encarregado de fazer um relatório preliminar. O documento deve ser encaminhado à Comissão de Ética do DEM/RS, que pode decidir até pela expulsão do vereador. Leia a nota do DEM

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Máfia dos medicamentos no Fantástico

20 de maio de 2011 0

Pessoal, domingo, no Fantástico, vamos apresentar uma reportagem especial que vai trazer novas revelações sobre a chamada máfia dos medicamentos, desarticulada na última segunda-feira pela Polícia Federal. Estávamos investigando esse assunto quando soubemos que a PF também apurava o caso. Chegamos a realizar um flagrante, com câmera escondida, em um dos vendedores que dias depois, viria a ser preso. Sem pudor, ele revelou detalhes do esquema criminoso.  Veja a chamada:

Um detalhe interessante: estávamos atrás de uma das empresas acusadas de fraude, em Erechim. Tínhamos apenas a rua, mas não o número do prédio. Passamos, então, a percorrer toda a via...Eis que, de repente, emerge uma janela pop up no meu iPad, indicando a existência de uma rede wireless no local por onde circulávamos de carro. A rede levava exatamente o nome da empresa que estávamos procurando. Achamos a sede, que acabou sendo alvo de mandado de busca da PF, esta semana.


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Um susto e tanto...

06 de maio de 2011 0

Sou assustado por natureza, os amigos mais próximos sabem disso. E isso é bom, afinal, isso me deixa sempre atento a tudo e a todos. Agora, não poderia deixar de dividir com vocês o susto que acabo de levar. Eis que me liga uma combativa promotora de justiça, dessas "linha de frente". Ao usar seu celular para escutar conversas de bandidos, disse ter captado uma ligação que fiz para um colega da Globo em Brasília, a quem telefonei à tarde para tratar de uma reportagem para o Fantástico.

Para vocês entenderem como policiais e autoridades monitoram conversas de criminosos: o pedido de interceptação telefônica é feito ao juiz, que dá ou não sinal verde para o grampo. Em caso positivo, o número a ser monitorado é informado à operadora e ao sistema que faz o gerenciamento das escutas, chamado Guardião.Também é informado o telefone  da autoridade para a qual as ligações do suspeito com seus cúmplices serão desviadas. Assim, essa autoridade passa a ouvir as conversas, em tempo real. Quando a chamada desviada não é "atendida",  fica registrada na caixa postal do celular dessa autoridade, para que possa ser ouvida mais tarde.

Eis que um diálogo meu com um colega de Brasília teria sido desviado para a caixa postal do telefone da promotora. E agora, o que fazer? Entrei em pânico, pois seria a prova cabal de um grampo clandestino. Conversamos por alguns minutos e surge uma pista: diz a promotora que apenas a minha conversa ficou registrada. A fala do colega de Brasília ficou completamente inaudível. Como pode isso? Grampo pela metade?

Então, lembrei que uma empresa israelense estivera em Porto Alegre oferecendo ao governo e MP equipamentos de escutas (para serem usados com autorização judicial) que permitem até ouvir as convesas captadas pelo microfone de um celular sem que o aparelho esteja conectado a outro número. Assim, o meu celular grampeado poderia ter captado o momento em que utilizei outro aparelho para conversar com o colega, gravando, assim, apenas a minha parte do diálogo. Bingo? Não!

É que me dei conta do seguinte: momentos antes de eu ligar para Brasília, tentei falar com a promotora. Ela não atendeu, o meu telefone continuou ligado. O celular dela, que caiu na caixa postal, também. Ato contínuo, eu peguei um segundo celular e disquei o número do jornalista. Foi essa a conversa que ficou registrada na caixa postal da promotora. Assunto esclarecido, não houve escuta clandestina, pelo menos dessa vez. Agora posso  dormir em paz.

Mas nem tudo é paz: semana passada, registrei ocorrência na polícia ao receber informação de que fotos minhas, supostamente subtraídas do Sistema de Consultas Integradas da Secretaria de Segurança, estariam circulando no centro de Porto Alegre. Ao realizar uma investigação prévia, foram descobertas dezenas de acessos aos meus dados (e foto) por diversos policiais. Curiosidade em conhecer meu rosto? Alguma investigação contra mim?

Em 2007, algo semelhante aconteceu, só que desta vez, eu obtivera uma prova do crime: deparei com uma das fotos dentro do escritório de um golpista que vendia carteiras de identidade falsas. Um inquérito foi aberto. Naquele ano, 59 policiais acessaram meus dados. Sete foram indicados.  E assim vamos levando essa vida de repórter, pois afinal, como disse, outro dia, a dupla de gaiteiros Gildinho & Chiquito, não podemos afrouxar a peiteira!

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Justiça suspende instalação de pardais no Vale do Sinos

05 de maio de 2011 0

Informe do Ministério Público Federal, divulgado há pouco:

Estão suspensas as obras do contrato firmado entre o DNIT e a empresa Eliseu Kopp para a instalação e operação dos equipamentos de controle de velocidade na BR 116, sob atribuição da Superintendência da Polícia Rodoviária Federal de São Leopoldo. A medida cautelar ajuizada pela Procuradoria da República no Município de Novo Hamburgo foi deferida pela Justiça Federal. De acordo com a decisão, o DNIT tem o prazo de 20 dias para enviar à Justiça cópia integral do contrato firmado com a empresa.

Conforme o autor da ação, Procurador da República Júlio Carlos Schwonke de Castro Júnior, o DNIT promoveu licitação, através da modalidade concorrência, para a execução de serviços necessários ao controle viário nas rodovias federais, em agosto de 2009, no valor superior a um bilhão e 400 milhões de reais, para rodovias federais em diversos Estados do Brasil, divididas em 12 lotes. Na região com área de competência da Justiça Federal de Novo Hamburgo (Vale dos Sinos e arredores), há dois trechos da licitação: entre Nova Petrópolis e Novo Hamburgo, com a previsão de instalação de dois equipamentos de barreira eletrônica; e Novo Hamburgo e Porto Alegre, onde estão previstas quatro “Lombadas Eletrônicas”, além de nove equipamentos de controle de velocidade, avanço de sinal vermelho e parada sobre a faixa de pedestre, conhecidos como “Caetano”.

O Procurador da República fundamentou seu pedido basicamente em três pontos: especialistas da área de trânsito alegam que os controladores de velocidade causarão um “caos” no trânsito da BR 116, região do Vale dos Sinos, reduzindo a fluidez do trânsito e causando ainda mais engarrafamentos e acidentes; ausência de estudo técnico sobre os locais que devam receber os controladores; e denúncias veiculadas na imprensa de que a empresa vencedora da licitação estaria envolvida no escândalo da “Máfia das Multas”. Matérias jornalísticas que motivaram a ação, informam que a velocidade da BR-116, no citado trecho, seria reduzida para 40 km/h.

Ao deferir a liminar de antecipação de tutela, o juiz federal Alexandre Rossato da Silva Avila, levantou dúvidas sobre a possibilidade de equipamentos como as lombadas eletrônicas resolverem a situação da rodovia. “A medida poderá, sim”, disse ele, “alcançar resultado inverso, aumentando os constantes engarrafamentos e consequentemente os acidentes de trânsito”.

Lembrou também que cabe à administração pública pautar-se pelos princípios da moralidade e da boa administração. “Os fatos amplamente divulgados na imprensa acerca de envolvimento da empresa Eliseu Kopp em inúmeras irregularidades em licitações”, argumentou, “revelam indícios que afrontam aos princípios administrativos, pelo que merecem investigação detalhada dos contratos firmados por essa empresa com a Administração”. E concluiu que existe risco de dano irreparável ou de difícil reparação, uma vez que, conforme previsto no edital de licitação, a instalação e operação dos equipamentos iniciou no último mês de abril.

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Da PASC, traficante montou boate, ordenou assassinatos e até planejou candidatura da mulher

18 de abril de 2011 0

Escutas feita pelo Ministério Público e  Brigada Militar mostram como agia o traficante Maradona, que montou na Penitenciária de Alta Segurança de Chaqueadas um "escritório" para a prática de crimes. Reportagem exibida no Fantástico.

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Campanha por uma gasolina mais barata

06 de abril de 2011 0

Amigos, revoltado com a alta no preço da gasolina, resolvi lançar uma campanha, via twitter, para identificar os postos onde gasolina é mais cara e aqueles onde o litro custa menos. Basta entrar lá na minha conta, usar a tag #gasolinabarata e indicar endereço e valor.  Assim, podemos forçar a baixa dos preços. Mas é preciso a mobilização de todos!

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Judiciário em alerta para a "barriga de aluguel"

05 de abril de 2011 0

Na gíria da Segurança Pública, "barriga de aluguel" significa grampear alguém de maneira clandestina. Funciona assim: insere-se o telefone a ser monitorado no cotexto de uma investigação. Imaginando se tratar do número de um bandido,  a justiça autoriza o grampo.

Assim, passa-se a ouvir conversas de pessoas decentes, ilegalmente. Temendo isso, alguns juízes gaúchos passaram a exigir comprovação de que o telefone realmente pertence às pessoas citadas nos  pedidos de autorização de escutas.

O problema é que, muitas vezes, bandidos obtém os chips em nome de laranjas que, muitas vezes, sequer sabem que seus nomes estão sendo utilizados no golpe. Um dilema a ser vencido.

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Vai começar tudo de novo?

05 de abril de 2011 0

Hoje, o repórter Cid Martins, da Rádio Gaúcha, revelou via Twitter, e existência de uma tal "Press Police" no Rio Grande do Sul. Com logotipo exclusivo, o grupo de policiais estaria encarregado de documentar as ações da Polícia Civil gaúcha para transmiti-las à imprensa.

Pela conversa que Cid manteve com um delegado encarregado do grupo (sim, até um delegado foi designado para a função), a idéia é dar um tratamento "igualitário" aos veículos de comunicação na cobertura das ações policiais. Esse delegado, aliás, deparou a com o repórter numa cobertura hoje. Perguntou quem o avisara sobre a operação, desmonstrando surpresa.

Pergunta que fica: estaria o governo Tarso aplicando a política de comunicação de Olívio Dutra, marcada pela tentativa de controlar as informações repassadas aos jornalistas e impedir que bons repórteres como o Cid Martins tenham suas próprias fontes? Um sinal claro de que isso está ocorrendo: um dos assessores de imprensa da secretaria de Segurança comandada por Airton Michels é o mesmo que, sob a gestão Bisol, filtrava entrevistas e notícias,  quase que numa censura prévia, para evitar aquilo que o governo da época chamava de "privilégios" no acesso às informações.

Esquecia-se ele e os atuais defensores dessa prática que os tais "privilégios" eram fruto do esforço de repórteres que mantém seus telefones ligados 24 horas por dia e que, ao contrário de colegas que preferem os releases, buscam as informações direto na fonte.

Agora, o que mais espanta é que o delegado Ranolfo Vieira Jr. nunca se prestou a esse tipo de controle da mídia. E nem o secretário Michels. Considero ambos cidadãos acima de qualquer suspeita, comprometidos com a liberdade de informação. Vai ver que a política é de governo mesmo. Vai começar tudo de novo?

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Governo suspende licitação no DAER

04 de abril de 2011 0

Essa foi a reportagem da Patrícia Cavalheiro, no dia seguinte à denúncia do Fantástico. No Jornal Nacional:

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De volta ao blog

04 de abril de 2011 0

Amigos, estive ausente aqui no blog. Sei que vocês tem acessado o Direto da Fonte em busca de informações. A partir de agora, na medida do possível, voltarei a postar atualizações e reportagens aqui.

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A máfia dos pardais

04 de abril de 2011 0

Então, publico aqui a reportagem do Fantástico, sobre a corrupção envolvendo relações entre órgãos públicos e empresas que fabricam pardais e lombadas eletrônicas. Foi ao ar no dia 13 de março de 2011.

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A indústria do roubo de carros no Brasil

16 de dezembro de 2010 0

Carros roubados no Rio Grande do Sul são trocados por armas e drogas em Salto del Guayrá, cidade paraguaia que fica na fronteira com Guaíra (PR). Foi o que constantou a reportagem da RBSTV ao refazer a rota de uma caminhonete Tucson roubada por uma quadrilha desarticulada na semana passada pela delegacia de roubos de veículos do Deic na região metropolitana de Porto Alegre. Para descobrir o roteiro, os policiais instalaram no veículo um rastreador via satélite. Os bastidores da operacão Santo Antônio forados no domingo, dia 12, no Fantástico.

A partir do rastreador, que emite sinais a uma central acessada via internet, os policiais descobriram que a caminhonete passou por pelo menos 12 postos rodoviários em três estados antes de chegar ao destino. Em setembro, policiais de Guaíra apreenderam o veículo, após serem avisados pelos colegas do Rio Grande do Sul. Conforme o delegado José Carlos Guglielmetti, veículos roubados no Brasil costumam cruzar a fronteira pelo Lago de Itaipú sobre barcas improvisadas.

-A partir do momento que o barco chega a essa margem, logo depois está em solo paraguaio, disse o delegado. No outro lado da fronteira, em Salto del Guayrá, a reportagem localizou um receptador que afirmou ter negociado por um criminoso gaúcho conhecido por Zeca. Ele levou a equipe de reportagem até o chefe da quadrilha, que disse pagar propina de R$ 400,00 a policiais paraguaios para cada automóvel roubado que entra na cidade. Nas ruas de Salto del Guayrá, foram filmados veículos roubados no Brasil que ainda circulam com as placas originais. A embaixada do Paraguai em Brasília disse ao Fantástico que só iria se manifestar sobre a denúncia depois que a reportagem fosse ao ar.

Em Ciudad Del este, a RBSTV confirmou outro destino de carros roubados no Brasil. Na cidade, receptadores disserem entregar até metralhadoras e fuzis como moeda. Em São Paulo, a reportagem conseguiu comprar de um golpista placas e documento original, desviado do Detran de São Paulo. Para mostrar como é fácil clonar qualquer carro, a equipe entregou ao golpista dados de uma caminhonete posta à venda em um site da internet. No dia seguinte, as placas foram entregues. Já o documento foi remetido pelo correrio, a um endereço indicado pela reportagem em Sapucaia do Sul. Identificado como José de Abreu, o golpista saiu correndo, após ser abordado pela equipe da RBSTV.

O material foi entregue à delegacia de Furto e Roubo de Veíuculos da capital paulista, que anunciou abertura de investigação. Por dia, mais de 1000 carros são roubados no Brasil, segundo levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras referente ao primeiro semestre deste ano. O mesmo relatório mostra que mais de 6 milhões de veículos levados pelas quadrilhas nos últimos 20 anos, em todo país.


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Número de ações trabalhistas na Cesa é quatro vezes maior que o de funcionários

06 de outubro de 2010 2

Uma estatal gaúcha que atua no armazenamento de grãos enfrenta uma onda de ações trabalhistas. Entre os que processam a empresa, está o próprio diretor técnico-comercial. No ano passado, a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) operou no prejuízo.

No departamento jurídico da companhia, os advogados trabalham em cerca de 700 processos trabalhistas, número quase quatro vezes maior do que o de servidores, que é de 175. O presidente da Cesa Jovir Mattuelli admite a existência de uma “indústria” de ações na companhia.

-Isso é decorrência da forma que são estruturadas as estatais, e a forma que são administradas, talvez, afirma Mattuelli.

Parte dos pedidos de indenização é de funcionários de empresas terceirizadas. Alguns chegam a R$ 3 milhões. Por mês, a companhia, gasta R$ 150 mil reais para quitar sentenças. Entre os processam a empresa, está o atual diretor técnico-comercial Luiz Carlos Hackbart de Oliveira, que entrou com quatro ações nos últimos anos: uma delas reivindica perdas salariais, negada pelo Tribunal Regional do Trabalho da Quarta Região (TRT4), em Porto Alegre, e que está em grau de recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília.

Outras duas já foram sentenciadas favoravelmente ao servidor. São referentes a suposto dano moral após ser afastado de uma gerência (R$ 10 mil ) e também por auxílio moradia e despesas pelo uso do carro particular (R$ 40 mil). Esta última está sendo paga pela Cesa em 40 parcelas mensais de R$ 1 mil. Hackbart disse que abriu mão de receber uma quarta indenização por insalubridade, determinada pela justiça.

-São direitos que são anteriores à minha ascensão de diretor. Me sinto completamente à vontade porque não sou ordenador de despesas e não luto em causa própria, alega Hackbart.

O engenheiro assumiu a diretoria da Cesa em 2007 por indicação de funcionários da companhia, como prevê o estatuto interno da empresa. Em março deste ano, o Conselho de Administração da estatal decidiu renovar o mandado dele por mais dois anos. O secretário da Agricultura do estado e presidente do Conselho Gilmar Tietböhl, acredita que o critério para a indicação tenha sido a competência.

-Imagino que além dessa competência, deve ter sido ponderado que eram ações de uma natureza bastante comum, tanto no serviço público quanto privado, declarou.

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