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Artigo: Como formar um professor

09 de janeiro de 2012 17

Ubiratã Ferreira Freitas*

Todos os dias dizemos a nossos jovens que temos de aprender diferentes conhecimentos, se esforçar para ser alguém na vida, ter capacidade de transformar as coisas, ser ético, ser político, etc. Mas, para isso acontecer, temos de dar o suporte para o jovem, onde o mesmo possa ter em mente que a necessidade de estudar é fundamental.

Vejo que os jovens do século 21 perderam o interesse no aprendizado escolar. A desmotivação escolar está formando profissionais fragmentados para o mercado de trabalho, ou melhor, não está formando trabalhadores capacitados, está dando um diploma de conclusão de Ensino Médio, onde o aluno ainda — em muitos casos — não sabe assinar corretamente o seu próprio nome. Mas tudo isso está vinculado a formação e valorização que os profissionais da educação vem tendo nos últimos anos.

É tudo muito bonito no papel, as propostas de mudanças educacionais, os projetos de interdisciplinariedade, as relações multidisciplinares, e outros nomes que são dados como competências e habilidades para formar um aluno, em um cidadão crítico e transformador de sua realidade cotidiana.

As mudanças, acredito eu, devem ocorrer na base de qualquer estrutura de aprendizagem para depois fazer solidificações na totalidade do mecanismo educacional. Quem está ensinando os alunos da base a ler e escrever? Qual a formação desses profissionais nesse setor importantíssimo da educação? Será que um curso de magistério a nível de Ensino Médio, onde temos uma precariedade de aprendizado, tem suporte teórico suficiente para fornecer elementos para ensinar nossas crianças a ler e escrever? Por que não se pode mais reprovar os alunos até terceira série do Ensino Fundamental?

Essas respostas são difíceis de serem respondidas, mas me leva a crer que cada governo está voltado a manter um certo equilíbrio entre o analfabeto funcional e o senso comum, pois garante assim um voto certo lá nas eleições. Quem quer ser professor hoje em dia? Acho que poucos, pois a cada dia se percebe que a valorização entre profissões, a que menos salário recebe é a do educador, assim vai abrindo caminho para profissionais fragmentados, com pouco conhecimento, sem argumentação, com precariedade de vocabulário e formando alunos apáticos e sem perspectiva de que aprendeu alguma coisa.

Nas academias o conhecimento está voltado para quem? Onde ficam as pesquisas, os trabalhos, as ideias de mudança, os mecanismos pedagógicos para o novo aluno do século 21? Acho que nem mesmo os professores dessas instituições sabem pra onde vão tais ideias, ou ficam nas gavetas. Pois a realidade do Ensino Médio na escola pública, é outra bem diferente que as universidades apresentam a seus acadêmicos, mas também acho que muitos professores já perceberam que os alunos que estão entrando nas universidades via vestibular ou principalmente pelo Enem, são fragmentados de conhecimento básico.

Estamos prestes a ter um concurso público para professores no Estado do Rio Grande do Sul, onde cada inscrição custa R$ 121,70 para um professor de nível superior com mestrado para ganhar R$ 791,08, e R$ 53,38 para professor com Ensino Médio, para ganhar R$ 395,54. Isso é qualidade de ensino? Essa é a realidade da desvalorização dos professores atualmente no Brasil. As crianças vão ter professores formados em academias, mas a qualidade do ensino vai melhorar? Acredito que não, pois a desmotivação salarial é um fator determinante na relação professor aluno e aprendizagem.

Como podemos mudar tudo isso? Com a verdadeira mudança de mentalidade ou entraremos em caos social sem volta.

*Professor Mestre em História

Comentários (17)

  • Angela diz: 9 de janeiro de 2012

    Obrigada professor Ubiratã. Só quem está na pele de um professor entende perfeitamente seu grito. “Finge que aprende e eu finjo que ensino”, assim, sem saber se com ‘g’ ou com ‘j’. Povo ignorante, voto garantido. Sala de aula? Que pena! Professores? Onde?
    Angela

  • Evandro Carlos Motta diz: 9 de janeiro de 2012

    Sou professor de matemàtica do ensino fundamental e médio em Escola pública, no entanto não me sinto desmotivado, apesar de ganhar pouco, pois sou profissional,conforme artigo acima, porém o que mais me frusta é a falta de vontade da grande maioria dos alunos em querer estudar,nada é atrativo, tudo é difícil, e além do mais a família pouco contribui p/ fomação de seu filho,no entanto as vezes me pergunto,será que estou trabalhando os conteúdos adequados em cada série,se possível,me responda?

  • Angela diz: 9 de janeiro de 2012

    AH! Até porque, seria junto, separado, com acento, sem acento, a velha história dos porquês, para o governo educação é despesa e não investimento. Que mais podemos esperar?
    Angela

  • Rodrigo diz: 9 de janeiro de 2012

    O momento atual já um prenúncio do que virá:
    - O Brasil se consolidará em um país fornecedor de commodities e produtos agrícolas para a revolução de China e outros tigres asiáticos;
    - Povo composto de um bando de “ogros” mal educados e sem formação adequada para competir nesse mercado altamente tecnológico;
    - Aumento da concentração de renda e elitização.

    Bom, melhor parar por aih…a lista é longa…

    Mas enquanto isso….a bolsa família vai bem, os currais eleitorais tb , “pans et circenses”….

  • Vanessa Garske diz: 9 de janeiro de 2012

    Com relação ao conteúdo de seu artigo, Sr. Ubiratã, é o que temos discutido nos últimos anos, no trabalho e na universidade. A não valorização da educação pública, no país e pricipalmente, pelo governo do estado, passa não somente pelo salário dos educadores, mas também pelas condições precárias das instalações e materiais das escolas. Acredito que fazermos com que nossos alunos pensem não é o desejo dos governantes.E protestar contra estas situações vexatórias está em votarmos em quem acreditamos, e não em que diz estar ao lado da classe que mais trabalha e estuda neste país: os educadores!

  • Anônimo diz: 9 de janeiro de 2012

    Concordo plenamente com as opiniões dadas no texto.
    O meu comentário é sobre o concurso para o magistério no estado, é vergonhoso o lançamento de um edital como esse, com esse valor de salário diante de todas as discussões em pauta sobre a fixação de um piso salarial.
    O salário baixo não incentiva o professor e a educação, por sua vez, acaba sendo deficiente, é uma coisa leva a outra.

  • Vanessa diz: 9 de janeiro de 2012

    Muito bem professor!
    Sou aluna de licencitura e confesso que muitas vezes senti vontade de desistir. Afinal, por que irei cursar uma faculdade de licencitura e receber R$395,54 como professora, se posso ganhar mais de 2 mil reias como engenheira?
    Mas o que mais me aborrece, é que colocam em nossos ombros a responsabilidade pelo fracasso da educação do nosso país, quando, muitas vezes, nós mesmos não recebemos a formação necessária para a prática docente.

  • LeonardoTomé diz: 9 de janeiro de 2012

    Enquanto vários formadores de opinião usarem da velha frase “inocente” de que os políticos merecem o salário quem têm pela responsabilidade da função, nunca daremos o verdadeiro reconhecimento para aqueles que merecem e são fundamentais para a sociedade, como os professores (principalmente do ensino infantil).

  • FERNANDA diz: 9 de janeiro de 2012

    Perfeito este artigo professor! É um descaso com a própria sociedade que se inicia,,,a criança,,,a juventude!

  • Denise diz: 9 de janeiro de 2012

    Enquanto os professores forem tratados como caso de polícia, como aconteceu recentemente no Ceará, e em outros estados, os traficantes, irão “cuidar” das
    crianças deste país varonil!Concordo com o artigo!Parabéns!

  • jairo perin diz: 9 de janeiro de 2012

    Pensar a educação é uma tarefa árdua, mas é necessário repensar quem detém a riqueza no país (10% detém 51% da riqueza) e nomear as pessoas para divulgar de que lado, principalmente, os deputados (financiados por quem – site eleitoral) representam de fato e como oferecem insenção de impostos junto aos governos Federal, Estaduais e Municipais em nome de empregabilidade, se não fecham as empresas. Só assim podemos apontar de onde deve sair o dinheiro para a Educação e isso implica ler a economia (jornais, contabilidade, custo beneficio, etc) e reinterpretar a sociedade.

  • Andre Liborio de Oliveira Torres diz: 9 de janeiro de 2012

    Gostaria de comentar o artigo acima referido,sou professor da rede estadual de educação,também compartilho dos comentarios feito,pois acredito ,ainda,que a educação é o caminho para sermos sujeito de nossa própria história.Mas confesso que os projetos político e econômico dos ultimos governantes,incluindo este que ai esta,no qual votei achando que iria melhorar,mas quanto engano, está conseguindo ser pior que os outros.Até quando vão tratar da educação e dos educadores com tanto desrespeito? Eo salário? Que vergonha.

  • Rafael diz: 10 de janeiro de 2012

    Ingressei na área acadêmica (prof. de uma escola estadual contratado) há cerca de 5 meses. Pude ver com meus próprios olhos, o descaso em que anda nossa educação. Assim como a segurança pública e a saúde, princípios básicos, a educação esta muito, mas muito longe de ser uma “educação que eduque”, que forme uma criança para ser um cidadão, com princípios éticos, morais e civis. Fugindo ou pouco do tema “Aluno”, vou para o lado professor. Nestes quase 6 meses, estou sendo enrolado pelo Estado, quanto a minha contratação e não vejo a luz no final do túnel. O salário é pouco, para não dizer nada, mas não reclamo disso, aceitei este valor (R$ 400,00) e quero trabalhar, mas também receber. A minha indignação é que além do professor não ter suporte algum com relação a uma atualização e modernização do conhecimento, que será repassada ao aluno, você é deixado de lado, literalmente, ou seja, ate agora estou esperando minha contração ser efetivada. Para não prolongar a questão, tenho um colega que esta a mais de 1 ano e ainda não foi contratado, o mesmo esta dando aula no puro amor a camiseta, ou é exercício de paciência? Ah e no privado, você trabalharia 1 ano sem assinar carteira? Não ne? O governo não deixa, ele multará a empresa.

  • José Antônio diz: 10 de janeiro de 2012

    Verdades absolutas, caro professor!

    No entanto, inúteis! Lamento dizer…

    Reclamar é fácil, culpar os pais, também. Falar mal dos alunos? Mais ainda!

    No entanto, se vocês não estão satisfeitos, por que não protestam de forma organizada? Por que não fazem uma greve decente? Por que não se valem do imenso capital de votos que essa classe tem para eleger alguém com preocupações com educação que ultrapassem o discurso?

    Muito choro e pouca ação, os males do Brasil/RS são! E sou capaz de apostar que 80% dos professores que lerem essa frase não vão perceber nenhum tipo de evocação histórica… hehehehe

    Um abraço do José Antônio

  • Tiago José Fernandes diz: 10 de janeiro de 2012

    Muito oportuno o artigo do Prof.Ubiratã.Vivemos dias cada vez mais difíceis e,na educação,reside grande parcela de todas essas dificuldades.Não há receita pronta para uma melhora sempre premente.Tudo faz parte dum processo de evolução e,por paradoxal que pareça,neste aspecto, parece que regredimos.Talvez pelo descompasso cognitivo de vivermos um apogeu cibernético e fazermos muito mau uso dessas ferramentas,já que o homem não acompanha com seu pobre pensamento a velocidade do avanço tecnológico.Tenho reiterado que “a falha” começa em casa e em consequência disso é passada à escola uma responsabilidade que deveria ser partilhada também com o Estado.Enquanto nossos jovens não tiverem o conhecimento da temporalidade das relações sociais,das relações políticas,das formas de produção econômica,das formas de produção da cultura,das idéias e dos valores,eles não aprenderão a separar o permanente do transitório,o necessário do contingente,o ocasional e fortuito do essencial.Não aprenderão a considerar a história da humanidade como a história da produção do homem,elemento fundamental para que consigam sair da esfera do conhecimento fragmentado que elenca o Prof.Ubiratã.Em 2006 o Prof.Claudio Moreno escreveu um artigo que intitulou “A mais poderosa da armas”.Sugiro que o localizem,leiam e se perguntem o que mudou da época das guerras entre Atenas e Esparta com a “guerra” de nossos dias por uma educação tão necessária,posto que somente ela nos proporcionará sair da escuridão a que nos sujeitamos e termos nossa própria luz.

  • Adelino Raffaelli diz: 10 de janeiro de 2012

    Caro professor,
    seu texto mostra parte do problema social com relação à educação.
    Se os governantes não estão preocupados verdadeiramente com a causa da educação, eles não são os únicos.
    Então vejamos:
    - Educar era papel da família, da igreja e da escola. A família desconstituída! Alguém define legal ou no imaginário público, em poucas palavras… o que é uma família?
    - As igrejas tradicionais (que educavam…)estão em crise. Surge uma nova igreja voltada para o “$prosperar com Deus$”!
    - À escola, sendo a entidade social brasileira mais atrasada, coube a invejável tarefa de dar conta da educação das crianças e do acúmulo de funções: Controla o Bolsa Família, faz festinhas e rifas para angariar fundos, tem o CPM e o Conselho Escolar para fazer a mesma coisa, tem pais que reclamam com razão, tem filhos que são aprendizes do que é marginal,… a escola é o laboratório do que não presta. Faz muito de tudo e menos de ensinar e aprender.
    Quem é culpado? Todos! A sociedade brasileira. Eu também… que sou professor!
    Apesar disso, continuo estudando, aprendendo/ensinando, aprendendo a aprender constantemente, sem perder a esperança e a utopia.
    Abraços Fraternos àqueles que acreditam e fazem a educação acontecer em todos os espaços sociais!
    Prof. Adelino Raffaelli

  • Gloria Ines diz: 10 de janeiro de 2012

    Este ano me formo em licenciatura, mas a desvalorização profissional é algo que me faz pensar em mudar de profissão. Não tenho entusiasmo para dar aulas. Além de remuneração baixa, há um grande desgaste físico (mto tempo de pé e desgaste das cordas vocais) e emocional.

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