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Artigo: Ciclovias - Porque sim!

07 de junho de 2012 13

Leatrice Borges Piovesan*

Há tempos a bicicleta deixou de ser considerado um veículo direcionado somente ao esporte e lazer, principalmente, em pequenas e médias cidades onde ela é utilizada como meio de transporte.

Prevendo o caos no trânsito e considerando o grande número de crianças, jovens e adultos deslocando-se às escolas, trabalho e ao comércio através da bicicleta, há mais de duas décadas as ONGs ambientalistas do RS já cobravam das prefeituras a construção de ciclovias. Lembro-me que os políticos da época, sem noção, acreditavam que a intenção dos ecologistas, considerados utopistas, românticos, anarquistas, era a extinção dos automóveis. Quanto despreparo!

Anos se passaram e as cidades não contam com ciclovias inclusive a minha, apesar de ser privilegiada, pois sua superfície é plana facilitando a movimentação do veículo. Além disso, muitas mortes poderiam ter sido evitadas. A maioria dos prefeitos do interior se realizam asfaltando ruas. Transformam avenidas, ruas estreitas com curvas fechadas, em pistas de corrida. Orgulhosos, entregam suas "obras" à população ignorando o indispensável: o passeio público destinado a pedestres e a pista exclusiva para ciclistas. Transgridem a Constituição Federal que garante a dignidade de quem se desloca caminhando e desconsideram o Código de Trânsito onde diz que pedestres e ciclistas têm a preferência.

Por essas e outras absurdezas, somos campeões em acidentes no trânsito. É prática antiga operários interioranos, afim de economizarem com transporte coletivo, se locomoverem de suas cidades de origem para trabalharem em localidades vizinhas através da bicicleta por ser um veículo barato, de fácil aquisição e conservação. E também, devido ao monopólio do transporte coletivo intermunicipal que libera o embarque de passageiros, em cada município, somente à uma empresa de ônibus. e proíbe usuários ingressarem em outras que oferecem diferentes opções de horários. Além de pedalarem sob chuva, frio, sol escaldante por rodovias movimentadas, sem acostamento e o limite de velocidade não é respeitado, obrigam-se a trafegarem na contramão para obterem melhor visualização evitando serem atropelados por algum veículo desgovernado "dominado" por um motorista desvairado do trânsito.

Nos municípios não há bicicletários. Bicicletas são estacionadas sobre os passeios públicos obstruindo a passagem dos pedestres ou amarradas em árvores, postes, cercas, portões de residências quando em cada quadra das cidades o estacionamento determinado a um automóvel poderia ser cedido para mais de dez bicicletas estacionarem. Sabemos que o passeio público é de uso restrito dos pedestres. Ruas, avenidas estradas, dos veículos automotores. E o lugar exclusivo para bicicletas transitarem? É correto um veículo frágil disputar espaço com automóveis, motocicletas, ônibus, caminhões pesados e de grande porte? É evidente que NÃO!

Portanto, chega de tanta polêmica em função das bicicletas. A construção de ciclovias não pode transformar-se numa questão de ser contra ou a favor delas. Se ciclista também é trânsito, é obrigação das concessionárias de rodovias e prefeituras de pequenas, médias e grandes cidades assumirem ciclovias e criarem leis exclusivas para as bicicletas. Alguém acredita em convivência pacífica no trânsito entre pedestres, motoristas e ciclistas? Logo, incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte e propagandear seus benefícios proporcionados à saúde e bem-estar de todas as formas de vida existentes no planeta sem dispormos de ciclovias, torna-se um ato irresponsável.

Precisamos, urgentemente, de ciclovias por questão de segurança caso contrário, continuaremos contribuindo para o aumento de óbitos no trânsito.

* Ecologista de São Sebastião do Caí

Comentários (13)

  • Pedro diz: 7 de junho de 2012

    Muito bom o artigo, realmente as bicicletas mecerem maior atenção dos políticos, mas antes de receber a atenção deles, eles merecem o nosso voto, ainda em 2012. Por isto não adianta jogar a responsabilidade para a politica quando a população não faz a sua parte votando e principalmente cobrando depois.
    Duas coisas básicas se fazem necessário nestas eleições: ir atrás do "passado" do candidato e questionar as suas idéias. E isto para eleições municipais é mais fácil e acessível do que eleições estaduais e federais, dada a proximidade dos candidatos e eleitores.

  • Ines diz: 7 de junho de 2012

    Tens toda razao, sra.Leatrice Borges Piovesan e para isto nao seria muito difìcil para aqueles polìticos que amam sua cidade e seu povo.
    Sair da nossa cidade,estado e do Brasil para verificar como funcional e como sao feitas as famosas ciclovias da Holanda e da Alemanha.
    E as leis em vigor para os mesmos.
    Mas,acredito que quem governa as nossas cidades,estado e o nosso Paìs,nao devem ter interesse a melhorar em todos os sentidos.
    E sinceramente nao entendo pois temos tantos engenheiros diplomados os quais poderiam planejar muito nas cidades brasileiras.
    Da mesma forma como acredito que o uso da bicicleta deveria ser visto da forma como descreves e forma,principalmente de termos cidades mais tranquilas,menos poluìdas etc.
    òtimo seu artigo.

  • Ary diz: 7 de junho de 2012

    Bando de alienados débeis mentais, queria ver sair da zona sul de bicicleta para trabalhar, no verão chegar no trabalho todo suado se não morrer atropelado, no inverno vai morrer de frio ou como disse atropelado, esse pessoal acha que mora num país desenvolvido, isso aqui é terceiro mundo, então não venham com baboseira de bicicleta. Em tempo teria que sair de casa às cinco da manhã para trabalhar no centro. Quanta hipocrisia, caiam na real povo subdesenvolvido e ignorante querendo dar uma de desenvolvido. Se não temos segurança, hospital, escola, nada vai querer ciclovia, que bando de ridículos.

  • Ines diz: 7 de junho de 2012

    Sr. Ary,tens toda razao ao afirmar todas estas dificuldades e a falta de segurança que existe no nosso Paìs.
    Mas é justamente por todos estes motivos que deveriamos lutar,todos juntos para que este terrìvel quadro mude.
    Devemos cobrar dos nossos politicos pois os impostos nòs pagamos,justamente para termos o que eles nao nos dao.Sao os nossos politicos que pensam que os impostos que pagamos serve apenas para garantir o sàlario deles no final do mes.
    Que tipo de investimentos tem sido feitos? Além de todos os problemas existentes os quais mencionastes,existe ainda a falta de investimentos na àgua que bebemos,a energia elétrica as quais pagas carìsimo e sao de pessìma qualidade.
    Devemos cobrar o que temos direito.Afinal,pagamos para isto.E o Brasil tem tudo para ser um Paìs de primeiro mundo! Mas para isto é necessàrio que nosos polìticos deixem a malandragem de lado,e trabalhem sériamente.
    Gostei do modo o qual descrevestes a situaçao caòtica e devo dizer que tive que rir (com todo respeito), do modo da sua descriçao.
    Abraços

  • marcelo diz: 7 de junho de 2012

    Concordo com as opinioes acima menos é claro a do ary,calma irmão ary quanta angustia e raiva nesse coração,ou voçe é um deficiente ou muito idoso,nunca andou de bicicleta e tem uma idéia arcaica sobre andar de bicicleta,quanta angustia,moro na zona sul e trabalhei por muitos anos na mostardeiro ali ao lado do parcão,era maravilhoso pedalar por uma hora tomar um bom banho e encarar minha jornada de trabalho com muita disposição,hoje tenho moto e abandonei tudo,cinto falta de pedalar,nao tem nada haver se somos um pais de 3ºmundo,temos sim que lutarmos por mais ciclovias dando oportunidade e segurança para quem usa esse meio para trabalhar e para sua saude,claro leis severas para os ciclistas tambem,hoje o que mais me indigna é ver um ciclista na contramão ou querendo andar lado a lado com os carros,ciclovias já mas leis severas para eles e pedestres tambem,relaxa irmão ary.

  • Claiton Faleiro diz: 7 de junho de 2012

    Queria parabenizar o ARY, que com algumas palavras nos mostrou um pouco de sua inteligência e sabedoria. Só me responde uma coisa: no "Primeiro Mundo" as bicicletas cockpit e ar condicionado ou lá não faz nem frio nem calor? Lá fora não existem protestos e manifestações, tudo é maravilhoso? E qual é o dia que tu vai lá na prefeitura da tua cidade pedir melhorias para a saúde, para a segurança, etc? Enquanto esse "bando de ridículos" "alienados" está debatendo sobre o assunto das bicicletas. Concordo contigo que em um país de terceiro mundo o certo se calar e cada um ter um carro ou esperar que o transporte público se torne eficiente, algo bem mais demorado e complicado do que o sistema de bicicletas. Parabéns Ary tú es o orgulho dos teus pais! Ainda em tempo, e agora sem ironias, parabéns pelo artigo o assunto foi muito bem abordado!

  • Arani Ehlert Glöckner diz: 7 de junho de 2012

    Perfeito. Aqui no Brasil, a bicicleta ainda é vista como meio de locomoção para pobres, mas se tivéssemos boas pistas, seria fácil derrubar esse preconceito. Melhoraria a qualidade do ar, rodovias seriam desafogadas e ainda seria grande a economia com plásticas e academias. Discordar dessa lógica... é pensar abaixo da linha da pobreza!

  • André diz: 7 de junho de 2012

    Falando com toda essa arrogância o ARY deixa claro que existe um grande problema de educação no país e o pq somos de terceiro mundo!! O problema do povo é o comodismo(não é só educação), se tu não quer abrir mão do carro ok, mas isso não tira o direito dos outros! Eu moro perto do meu trabalho e perto da minha faculdade e uso bicicleta diariamente, sou ignorante por isso agora?? Sim, corro risco de me acidentar, e por 2 motivos: falta de ciclovias e os motoristas irresponsáveis que não respeitam as leis básicas de trânsito. Sobre a chuva, infelizmente me obrigo a enfrentar o congestionamento nas horas de pico só pra não chegar molhado nos lugares.

  • Pedro Pereira diz: 8 de junho de 2012

    Prezado Senhor Ary, parece-me que o alienado é o senhor. Permita-me fazer-lhe algumas perguntas: Quem vier da Zona Sul de ônibus no verão chega ao trabalho menos suado do que quem vier de bicicleta numa marcha moderada? No inverno, o exercício não a aquecerá? Quanto ao tempo do percurso, afirmo-lhe: DENTRO DA ZONA URBANA, USAR A BICICLETA TOMA MENOS TEMPO QUE ÔNIBUS OU MESMO CARRO! Finalmente, quero dizer que se o senhor afirma ser subdesenvolvido e ignorante, quem sou eu para contestá-lo, o senhor deve se conhecer. Mas o Brasil é um país que já avançou muito e continuará avançando, graças ãs ações de seu povo culto e progressista.

  • Pablo Weiss diz: 8 de junho de 2012

    Não podemos esquecer que o nosso Código de Trânsito já regulamenta o uso da bicicleta, portanto, as referidas leis já existem e dão preferência para a bicicleta em relação aos demais veículos.
    Outro aspecto que deve ser considerado é que o uso da bicicleta como meio de transporte não pode estar condicionado à existência de ciclovias.
    Jamais teremos ciclovias em todas as ruas e avenidas de uma cidade. O mais importante é buscar a educação de motoristas e ciclistas, para que ambos conheçam e respeitem a legislação de trânsito já existente, convivendo com segurança e paz no trânsito. Se existisse o conhecimento e respeito das normas do CTB, não seria necessário o gasto de milhões e milhões em ciclovias.

  • Pablo diz: 8 de junho de 2012

    Muito bom! Parabéns!

    Como dizem: "Quer menos trânsito, permita aos que querem andar de bicicleta andem de bicicleta, permita aos que querem andar de ônibus, andem de ônibus. O que não funciona é obrigar todos a ir de carro porque não há outra opção"

  • nao digo diz: 8 de junho de 2012

    O Ary, abra os olhos e deixe de ser tão rancoroso... moro aqui neste pais subdesenvolvido em porto alegre e venho ao trabalho de bicicleta sim, passando um pouco de frio ou calor realmente, mas ainda não morri atropelado o que não iria acontecer caso houvessem ciclovias, ninguém espera que alguém venha do lami até ao centro de bicicleta, mas do cristal, da cruzeiro é bem viável, se todos que tem condições viessem de bicicleta sobraria muito espaço para aqueles que precisam vir da zona sul pudessem vir de carro mais tranquilamente.

  • Margh diz: 9 de junho de 2012

    Estou aposentada e gostaria muito de me locomover de bicicleta, mas tenho receio dos maus motoristas, deixo o carro em casa e saio de onibus ou lotação. Como pedestre vejo "horrores". Muitas infrações cometidas por maus motoristas (tanto homens quanto mulheres) como se fossem donos do espaço. Acredito que só por sorte não ferem alguém. A ciclovia nas principais ruas de nossa cidade, só será instalada quando tivermos um Secretário dos Transportes que respeite o ciclista e o veja como um cidadão que tem o direito de optar pelo meio de transporte que quer utilizar sabendo que há vias próprias para cada um: calçada para pedestre, ruas para carro e vias para bicicleta.

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