Marcello Vernet de Beltrand*
A mídia anunciou aos quatro ventos. O Brasil tem nova conformação social. A esclerosada pirâmide deu lugar ao jovial losango. Trocando em miúdos, somos algo como 47 milhões de brasileiros nas classes D e E, 101 milhões no segmento C e outros 42 milhões nas faixas A e B.
A primeira constatação é de júbilo, pois o país resgata para a prosperidade emergente milhões de famílias que conquistaram a alforria econômica e caíram de mala e cuia no consumo de bens e serviços que antes não eram acessíveis.
Cumpre-se aqui uma dívida histórica — gerar emprego e renda. Débito que o país precisava saldar para tornar esse pedaço do planeta um lugar decente e seguro para afundar raízes e deitar tijolos. Existem ainda outras mazelas, como escolas e professores de qualidade, presídios limpos e regeneradores, hospitais, repressão ao crime, política decente e... bem, a lista avança. Mas há que reconhecer que a fila andou.
A situação de pleno emprego, assim, permitiu ao governo dar início à liquidação de uma de suas mais caras duplicatas: colocar no bom caminho milhões de brasileiros que tangenciavam a perigosa zona onde o Estado é mais ausente e o cidadão, mais carente. Mais riqueza, mais trabalhadores. Mais empregos, menos delinquentes.
Mas, voltemos à nova classe C, para onde acorreram milhões ávidos por consumo e novidades. Lambuzados no crédito fácil eles fazem girar a cadeia produtiva por trás do comércio. Porém, em meio ao festejo cívico - indicadores positivos tomam conta do país, sensibilizam jornalistas e provocam o otimismo nos economistas - existem algumas complexidades. Um delas refere-se ao processo educacional. Estas pessoas que tomaram o mercado chegam de um lugar onde há histórica escassez - de estudo, conhecimento e senso crítico. E menos estudo, é sabido, nos faz preza fácil do que é vulgar, brega, irracional, banal e comum.
A sociedade precisa acordar para a urgente tarefa de educar os brasileiros ingressantes no universo do consumo. E isso não será feito apenas pelo Poder Público, a quem falta pernas. Trata-se de missão para toda a sociedade — empresas, ONGs e, em especial, meios de comunicação.
A carteira profissional, que confere identidade ao dono, é o primeiro documento de ingresso no mercado. Outros comprovantes culturais e éticos serão exigíveis no médio prazo. Ou a nação educa seu povo - na arte, cultura e literatura - ou as pessoas vão continuar acreditando que a mulher melancia é a expressão de uma estética apurada, que ouvir música em som alto em público é um jeito moderno de ser e que o reality show é a evolução do teatro.
A economia que celebra o ingresso legítimo desses consumidores no ambiente de consumo deve cuidar para que eles se desenvolvam como cidadãos, sob pena de criar um mundo vil, mentalmente pobre, chulo no gosto e medíocre nas ambições. Este é um aprendizado que todas as classes devem observar: antes de ser consumidor, cada sujeito é cidadão. O processo civilizatório tem de avançar. Relegar o cidadão apenas ao papel de consumidor é barbárie econômica. Significa abrir mão da noção de urbanidade, afabilidade, sofisticação e erudição. É demasiado? Não, claro que não.
*Jornalista, consultor e mestre em Administração








As divisões sociais foram estabelecidas por decretos interesseiros que no mínimo rebaixaram os pagadores de impostos extorsivos que, via de regra, alimentam a corrupção, a fraude e a politicagem, tudo em nome da manutenção do poder. Esse poder que tudo pode e tudo faz, principalmente ludibriar o proletariado que acredita estar na classe C ganhando R$ 2.000,00 mensais. Ilusão de retórica que levará a consequências imprevisíveis.
Realmente, dizer que alguém com renda de R$ 2.000,00 por mês está na classe C é , no mínimo, uma declaração leviana.
O governo incentiva esta nova classe a comprar, comprar ( para depois apresentar índices de consumo elevado e assim se auto promover, mesmo que seja por um período breve). Estão se endividando cada vez mais, comprometendo sua renda com prestações, na maioria das vezes, de supérfulos. Onde fica a melhora na Educação? Será melhor ter o último tipo de celular, ou, um carro zero? Ter uma melhor instrução, ter consciência dos deveres de cidadão e não somente dos direitos, aprender a se expressar com clareza, a escrever corretamente, não fazem parte de suas prioridades.
É um triste e breve deslumbramento. O que falta para se convencerem da importância do bem que levamos para toda a vida? Sim, estou falando de educação. Somente a educação liberta as pessoas.
Pero non ha que esquecer... Quem nunca experimentou mel, vai se lambuzar mesmo. E não há como aprender sem se lambuzar. Lembrando ainda que os maiores poluidores não são os emergentes. Se todos quisessem viver como os norte americanos, o mundo daria para tres bilhões. Vivendo como os indianos daria para quinze bilhões. Temo algum ministro defender a ideia de que o povo não está educado para o consumo e justificar o rebaixamanto do salário. Qual a mãe que deixaria de alimentar o filho por este não saber comer e se portar à mesa?
Mais uma demonstração da capacidade dos polítcos de subverter a verdade - no caso, o bom português e critérios científicos pacificados - em prol de sua bandeira. Numa jogada ideológica, mexendo aqui e ali os critérios utilizados há décadas pelos cientistas (sociólogos, antropólogos etc.), da noite para o dia milhões de pessoa acordaram na classe C. Mentira e lavagem cerebral aos cântaros, dia após dia. Há quem engula.
A fila andou, amparada no crédito. Lá nos bancos escolares já deveríamos ser informados sobre renda, emprego, consumo de bens necessários, bens supérfluos. Agora a bola de neve está rodando. No |Brasil tem cartão cobrando 550% ao por dívidas contraídas. Isto é um crime contra a economia popular. Liberar um pouco o crédito é positivo, mas não para remunerar banqueiros já gordos e reluzentes de tanto engulir juros abusivos.
Complementando o artigo do jornalista, lembro dos novos membros da classe média, que agora vão ao teatro e shows musicais, e conversam como se estivessem na sala de casa vendo a novela. Já não chegava comer pipoca de boca aberta, conversar e atender celular no cinema. Houve uma apresentação da Ana Carolina no SESI em que levantaram umas 15 meninas, com cartazes e tentaram um coro. A cantora constrangida fez que não viu e após ouvirem alguns pedidos de silêncio, sentaram.
O salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ter sido de R$ 2.329,35 em abril para suprir suas necessidades básicas, constata a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada hoje pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
este é o salário da classe D, se foce respeitado as reais necessidades do cidadão brasilheiro. por exemplo: Prestação ou aluguel R$ 500,00 - Transporte R$ 200,00 - Cesta basica R$ 500,00 - Água R$ 50,00 - Luz R$ 100,00 - Vestuario R$ 200,00 - Diversão R$ 50,00
Você acha que foi a classe Média que aumentou? isto é para uma pessoa.
Só um detalhe: "presa" é com "s", não com "z"!!!
a nova classe média só surgiu porque o crédito foi facilitado, por um lado é bom, as pessoas têm o que antes não conseguiam comprar antes, mas por outro lado elas não estão conseguindo pagar as dívidas, não sei até que ponto isso é bom!.
A existência da nova classe média é ficticia se for levado em consideração o individamento da sociedade brasileira. È possível observar que tem muita gente fazendo festa com chapeu alheio.Hoje é muito comum pessoas consumerem iogurte e outras guloseimas adiquiridas com dinheiro vindo de emprestimos,como é possível vermos jovens exibindo motos comprada com empréstimos consiguinados que o avô fez junto as intituições finaceniras.