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Artigo: Chinelagem ousada

18 de junho de 2012 23

Astor Wartchow*

Já perceberam um aspecto interessante e caricatural nessa sucessão de escândalos de negociatas e corrupção que jornais e revistas divulgam semanalmente, ao revelar encontros e gravações de conversas entre os ladrões? É um bando de manés que fazem uns trambiques fora-da-lei e sem cuidado prévio nenhum.

Continuam falando aos seus telefones como se não soubessem que está "tudo" grampeado. Continuam fazendo transferências bancárias como se não soubessem que o Banco Central tem todos os dados.

Continuam com suas amantes, seus amigos, seus "sócios", suas mordomias, seus luxos domésticos e extravagâncias pessoais como se não houvesse um "dedo-duro", um "ricardão" ou um "primo" na parada para "entregar" tudo e todos.

Mas não é só isso. Já prestaram atenção na linguagem que usam? Ninguém fala direito e de modo compreensível. Não conjugam os verbos, nem dominam os pronomes. Seria compreensível e inteligente se fosse uma linguagem em código. Mas não é!

Também é interessante observar que quase todos os escândalos sempre têm tido como "gatilho" de disparo personagens menores, incidentes menores, indignações menores, valores menores, e, inevitavelmente, amores não correspondidos.

Lembram que ciúme em família levou Pedro Collor a "entregar" o próprio irmão Fernando. No mesmo episódio, o modesto motorista Eriberto cumpriu papel relevante. Assim como, logo depois, as periguetes e falantes ex-namoradas de Paulo Cesar Farias, o tesoureiro de Collor.

Outro episódio: o desvendar da roubalheira do juiz Lalau teve como fagulha a inconformidade de um ex-genro, magoado com o não acesso ao "bolo", aliás, surrupiado sob "as barbas e os olhos vendados" da justiça paulista.

Mais recentemente, no episódio do mensalão, o efeito dominó do escândalo petista foi acionado, involuntariamente, por um desconhecido diretor dos Correios, falante e exibicionista, embolsando a "fortuna" de três mil reais. Três mil reais!!!

Mais tarde, Karina Sommagio, a ex-secretária de Marcos Valério, outra inconformada com a não participação no "bolo", "abriu a boca e mandou tudo para o espaço".

E agora, ultimamente, o "caso Carlinhos Cachoeira". Assim, de pequenas inconformidades, inveja, e a "grana que não pintou", tudo é motivo para implodir os esquemas. Todos os motivos, menos a honra e a dignidade, a verdade e a justiça.

São tão ignorantes, ladrõezinhos tão vagabundos, que não tem nível intelectual para fazer coisa de melhor qualidade. Afinal, roubar também exige um nível de excelência. Principalmente, fraudar licitações, realizar desvios e financiar seus "fantoches".

Esses nossos ladrões e seus parceiros são tão abusados na sua ignorante ousadia que eu nem sei o que é mais ofensivo para o cidadão: o roubo deles ou sua ousadia em nos ignorar e desrespeitar.

Ser assaltado por uns "chinelões" desses, creio, é mais ofensivo do que o próprio roubo!

Advogado*

Comentários (23)

  • Angelo diz: 18 de junho de 2012

    E não dar em nada!

  • Mariana diz: 18 de junho de 2012

    Completamente de acordo. Eu já tinha reparado nisso também... as pessoas denunciam não por honestidade e sim porque ficaram fora do esquema, foram "traídas", e não têm nenhum recato em dizer que denunciaram por esse motivo. A cara de pau das pessoas é ofensivo mesmo.

  • ladyHawk81 diz: 18 de junho de 2012

    Chinelões também são as pessoas que votaram nesses caras e ainda vão votar (com curso superior ou não, falando corretamente ou não). E ainda aceitamos tudo isso como se fosse natural (corriqueiro já se tornou mas natural não é).

  • rubens ciro diz: 18 de junho de 2012

    Eles ( os enganados) denunciam, mas antes procuram sua participação. Não dando certo abrem o escândalo. Mas todos sabem que nada dá em nada. O único que parece deu certo foi a CPI do Collor e só deu cérto porque os que o julgaram não receberam nenhuma fatia; só o PCFarias que " parece" era o sócio ostensivo! Depois apagou( ou apagaram). Agora desviam atenção para a compra da casa! Que tem em haver, uma compra de casa ou carro com o resto da trambicagem? Ridículo ser sério no BR.

  • Jorge diz: 18 de junho de 2012

    Chinelões ou não, a grana vai indo embora, e boa parte dela sendo usada para pagar a defesa feita por (famosos) advogados. Isto também é ofensivo para o cidadão.
    A defesa destes "chinelões" somente deveria ser feita por advogados públicos da Defensoria Pública.

  • manoel alves diz: 18 de junho de 2012

    Que textinho chinelão!!!!!

  • Felipe Dagostini diz: 18 de junho de 2012

    Pais sem passado politico, daqui 3 gerações, talvés mude algo!

  • J. MUSPT diz: 18 de junho de 2012

    Tem até ex-presidente da república chinelão.

  • Wilfried Jussen Junior diz: 18 de junho de 2012

    Parece que estas pessoas cresceram sem orientação, sem educação dentro de casa. A família está em crise. Os pais deixam seus filhos serem criados na rua, não dão exemplos, não ensinam a distinguir o certo do errado. Somado a tudo isso vem a impunidade que impera no Brasil. Não existe o mínimo de ética ou de moral. Estes chinelos não estão nem aí para as leis. Querem tirar vantagem em tudo o que puderem. A inversão de valores é tamanha que se você não se aproveita de uma determinada situação, para benefício próprio é claro, você é considerado um otário.

  • Monu diz: 18 de junho de 2012

    - Não é preocupante para eles, ocultarem suas falcatruas .
    - Terão no máximo alguns arranhoẽs em sua imagem pública e um puxãozinho de orelha da "justiça".
    - Quem apodrece este país não são os corruptos e sim a falta de punição a eles.

  • nunes diz: 18 de junho de 2012

    Imaginem um iceberg.A falcatrua dos chineloẽs é a parte que está aparecendo.

  • Henrique Menezes Avancini diz: 18 de junho de 2012

    Concordo,com o texto e digo mais o que falta é vergonha na cara desta turma de politicos que não fazem outra coisa a não ser roubar e o pior acabam saindo impune tratando a todos como otários.

  • Antonio Cesar Silveira diz: 18 de junho de 2012

    E nós, o povo,roubado,enganado,atraiçoado e outros "ados" mais,ficamos só reclamando,achando uma barbaridade ,denunciando e assistindo de braços cruzados a tudo isto.Será que esperamos que com essa nossa churumela vai aparecer alguem ou uma entidade soberana que vai acabar com tudo isto ? Se queremos mudar,nós é que vamos ter que fazer alguma coisa (não pelo voto),mesmo correndo alguns riscos e indo contra algumas instituições,mas se não for assim,nada vai mudar.

  • Dorval Petrarca Vignol diz: 19 de junho de 2012

    Texto óbvio, medíocre, sem relevância no contexto social. político e jurídico do país. O "chinelo"(termo preconceitoso) é, pelo exposto, o criminoso, não os mentores.

  • Leonel Stein diz: 19 de junho de 2012

    Na verdade os chinelos são os eleitores que mantem este bando, mafia, quadrilha no poder.CPMI acaba sempre em pizza acordos etc. Quem ganha com esta palhaçada toda são: Presidente, relator e todos que participam desta CPMI, a anterior a esta promoveu outros politicos a prefeito, governador e o Proprio Demostenes fazia parte da CPMI anterior. Infelizmente as leis funcionam somente para ladroes de galinha, CPMI serve para desviar o foco de problemas serios que vive a população, Acorda nação ANULE teu voto e não eleja mais um ladrão.

  • Luci Maciel diz: 19 de junho de 2012

    O pior de tudo é que o povo colocou eles lá!eu não votei nestes que estão envolvidos neste escândalo. mas votei naqueles que se calam e aplaudem esta vergonha.
    E você! em quem votou?.

  • DANTE diz: 19 de junho de 2012

    MAS EM ZERO! O NOSSO AMIGO ADVOGADO AI TÁ PERDIDO, A COISA TÁ PODRE JÁ TEM ALGUM TEMPO, VAMOS VER SE ME LEMBRO ACHO UNS 500 ANOS? É LÁ DAQUELA ÉPOCA EM QUE O BRASIL JÁ COMPRAVA PATINS DE GELO DA INGLATERRA. O PROBLEMA É QUE O BRASILEIRO É DESMEMORIADO. AS QUADRILHAS LÁ DE BRASILIA ESTÃO ACHACANDO O POVO DESDE QUE O BRASIL NASCEU, E COMO SEMPRE O POVO NÃO FAZ NADA.
    ENFIM, QUEM SABE UM DIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • pastor alien diz: 19 de junho de 2012

    Realmente, o "bonus pater familiae" do velho Direito é, em nossos tempos, essa figura aqui retratada: hipócrita, de extremo mau gosto, metido a esperto (lei de "gérson"), analfabeto funcional bebedor de cerveja e noveleiro, acredita na seleção e puxa-saco com naturalidade, quando necessário. Pensando bem,os bárbaros, somos nós... bárbaro aqui significa inimigo: somos inimigos de nós próprios; somos a personificação do sistema que habitamos e que é maligno. Faz de conta que é um bom pai, faz de conta que é uma pessoa bacana, usa uma máscara adequada às situações, e está lá, comandando os destinos da sociedade, pois são os menos piores de nós, os que sabem usar o sistema..adaptação, sobrevivência, conveniências, ética de advogado (circunstancial), eis o brasileiro típico, esse calhorda de novela das oito..tosco, com seu diplominha e sua falta de valores reais..

  • Sérgio Ferreira diz: 19 de junho de 2012

    Isso porque vocês não conhecem uma estituição do governo federal aqui em Porto alegre,uma empresa de fundo de quintal chamada CEITEC-SA!É pessoal 12 anos da sua criação e ela não fabricou nenhum chip,imagina se Inter e gremio contratassem um jogador,para ele nçao jogar?Um jogador o qual seu passe é 450 milhões de reais (durante sua fabricação)e mais de 1 Bilhão para o sustento! e o dinheirod o POVO óh!!!!!!!!!

  • Jorge B diz: 19 de junho de 2012

    Fazer o que? O Brasil perdeu totalmente os valores. Infelizmente o que conta hoje em dia é quanto a pessoa tem de dinheiro, de bens, nao tendo qualquer relevância a forma como fez para obter; o que importa é possui bens. Pessoas que mal sabem escrever seus proprios nomes são respeitadas por exibirem posses obtidas de forma ilicita. Foi-se a época em que ser alguem na vida dependia de estudo. Hoje, qualquer pilantra praticando simples contravenção (e sabendo que não dá em nada), ganha fácil, muito mais do que o limite que um funcionário público do mais alto escalão poderá sonhar em em dia receber (aprox. R$ 26.000). E assim vamos... perdendo cada vez mais a esperança de melhorar de vida de forma lícita. O pilantras? Esses continuam rindo da gente.

  • Milton Jardim diz: 19 de junho de 2012

    Façam como eu, não votem em ninguém, e quando eles vem pedir-me votos, simplesmente digo que não vou votar, porquê sei que vão roubar meus impostos e eu não vou autorizar o roubo por meio do meu voto. É tudo um bando de vagabundos, de ladrões, corja de bagaceiras, e ainda acham quem votem neles. É um povinho!!

  • Geraldo Dalla Nora diz: 19 de junho de 2012

    Concordo com as opiniões do Sr. Astor ! Mas infelizmente os politicos que temos são a imagem do que o povo brasileiro é na proporção exata entre corruptos e honestos, se lá existem 80 por cento de corruptos é porque a população brasileira o é na mesma proporção, pois lá tem representantes de traficantes, de ladrões de cargas, de assaltantes de bancos de bandidos do MST, de saqueadores de cargas de caminhões acidentados, de pichadores de paredes, de vandalos que destroem propiedades publicas e privadas etc...etc... E o pior é que de fato são uns chinelões, cometem crimes sem nem uma sofisticação, para ainda mais nos iritar, e só são descobertos como bem disse o Sr. Astor, por causa de brigas entre eles para dividir o bolo ou por algum ciumes ou vaidade pessoal contrariada. Se ao menos fizessem falcatruas sofisticadas como os bandidos do primeiro mundo, mas não , para nossa vergonha até os roubos são atrazados em relação aos paises mais evoluidos, Até nisto somos subdesenvolvidos!!!

  • Jesus Romário Corrêa diz: 20 de junho de 2012

    O que podemos esperar? As últimas notícias são de que um Ex-Presidente busca aliança com um dos maiores representantes da chinelagem no pais, que é o Sr Paulo Maluf. O candidato a Prefeito da maior cidade do pais, candidato do partido do Ex-Presidente, falou em um programa de televisão que o seu partido está aberto para as alianças. A alguns anos o denunciante do mensalão, que era um dos participantes da falcatrua, foi tratado como uma alta personalidade, sendo convidado para palestras, para entrevistas e sendo inclusive convidado para programas de televisão, onde, como se fosse um dos cidadãos mais honestos, lhe era perguntado se tirava ou não o "chapéu" para este ou aquele individuo mostrado em um quadro, enquanto que este senhor deveria era usar uma mascara que representasse as grades atrás das quais ele deveria estar.

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