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Posts de junho 2012

Saudação à bandeira

30 de junho de 2012 1

O leitor Antônio Claudio Sebeghen nos enviou a foto questionando se o urubu está a saudar ou atacar a bandeira. Você decide…




Artigo: Laicismo e a importância da vida como patrimônio público

29 de junho de 2012 17

Cristiano Alves*

Alguns grupos étnicos, religiosos são sectaristas, portanto, o Estado laico é a garantia da liberdade de personalidade, do livre pensamento. Mas a liberação das drogas, o aborto, a eutanásia, não são laicismo. Tampouco, somente uma questão de liberdade individual. Estamos falando da reificação da vida, onde o princípio do prazer supera o direito à vida e o investimento do Estado na promoção daquela vida.

É um paradoxo estimular o tabagismo, a drogadição, o aborto (quando não há risco de vida), a eutanásia e, ainda assim, propalar um sociedade justa e inclusiva, isso se torna uma eugenia disfarçada. Ainda essa retórica torna o corpo uma coisa e a vida uma propriedade completamente descartável, ao invés de se tratar do corpo como um patrimônio sócio-histórico ao mesmo passo que a vida, intrinsecamente de relevância coletiva.

A existência humana é marcada por oscilações e dificuldades, portanto legitimar a alienação com uso de drogas, que destroem o cérebro ou a saúde como um todo; a morte do feto e de si mesmo, como fuga da consequência de certas situações, das quais o punido é outro que não o irresponsável, demonstra um sociedade egocêntrica, que, ao invés de criar instituições para amparar as grávidas, os deprimidos, os ansiosos, os moribundos, há o interesse de institucionalizar a desistência do ser humano, deixá-lo entregue a si mesmo, como se o fato de ele existir não fosse um ato social, como se o fato de ele manter-se saudável não fosse meta coletiva e solidária, alvitre do Estado.

Posso compreender que uma pessoa em crise atente contra si, se drogando, se matando, abortando; contudo, a sociedade tem que ser melhor que o indivíduo, ela não pode querer que ninguém seja penalizado pela inclusão falha que promove. Portanto, devem-se criar estruturas que ajudem e suportem àqueles que oscilem emocionalmente ou que, arremetidos por pulsões de morte, intentam contra si, porque a assistência social é a instituição do amor, e o amor é o sentimento que laiciza, tolera, compreende e inclui.

Do contrário, hoje descartamos o feto, amanhã o cérebro, com as drogas, logo, a vida. Quem garante que no futuro não mataremos os bebês deficientes, as pessoas comprometidas mentalmente, os idosos ou os que não se enquadrem socialmente? Não é o que se quer, mas é o que se está configurando. Mais amor, mais amparo: isso gera uma sociedade com espírito de comunidade universal; alienação e mortificação, nunca.

*Mestrando em Ciências Sociais

Leitor-Repórter: Lixo entre prédios públicos

28 de junho de 2012 1

A foto abaixo foi tirada ontem por mim para relatar o descaso da Prefeitura Municipal de Porto Alegre com relação às calçadas e ao lixo acumulado em torno dos prédios públicos. Essa esquina é entre as Avenidas da Pátria e Pará. Já fiz uma reclamação há mais de três meses via telefone e não obtive retorno até hoje sobre a colocação de calçada no endereço.



Contraponto:

O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) informa que se trata de um foco de lixo (descarte irregular) crônico, que é limpo duas vezes por dia.

Texto e foto enviados por Carla Saikoski. Você também quer enviar sua reportagem?

Clique aqui para participar do Leitor-Repórter.

Foto do Leitor: Amanhecer cinzento

28 de junho de 2012 0

O leitor Marciano Percincula tirou a foto abaixo em pleno o inverno gaúcho em Santo Ângelo.


Artigo: O Brasil dos desprotegidos

28 de junho de 2012 8

Thiago Solon Gonçalves Albeche*

As leis brasileiras, seguindo o Princípio da Igualdade, deveriam ser aplicadas a todas as pessoas indistintamente. No plano legal, esta é uma assertiva coerente e possível pois, mesmo na diversidade, todos somos iguais. Contudo, no mundo dos fatos (que, não raro, se distancia do mundo jurídico), o contrário também é verdade: dentro da igualdade, muitos de nós somos diferentes.

O intrigante é que a diversidade, no Brasil, tende a ser geradora de vulnerabilidades, fragilidades, medo, sofrimento, coação. É por isso que, mesmo com um Código Penal que atende a quase todos, precisamos do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Estatuto do Idoso, das leis protetoras dos Deficientes Físicos, da Lei Maria da Penha.

Essas leis especiais existem porque o Código Penal e outras leis penais não conseguem ser aplicadas a todas as pessoas de forma satisfatória, sem ocasionar injustiças. Crianças, Adolescentes, Portadores de Necessidades Especiais e Mulheres não vivem em efetiva condição de igualdade no dia-a-dia. É por isto que estas leis trazem alguns benefícios para seus destinatários: para equilibrar uma balança que não lhes favorece.

Onde está a dificuldade nisto tudo? O eventual problema de ineficácia destas leis não está na eventual descrição dos crimes e das penas previstas. Está no fato de que, todas elas, buscam implementar políticas públicas de atendimento a estes grupos de vulneráveis. E políticas públicas (com o oferecimento de serviços de psicólogas, assistentes sociais, casas de abrigamento, por exemplo) passam necessariamente pela destinação de recursos públicos e de efetiva vontade política.

A informação sobre direitos, desde as primeiras series escolares, também é de fundamental importância no processo de conscientização e de construção de uma mentalidade cidadã.

Então, que fique claro que nem tudo é um problema de Direito Penal. Muito antes pelo contrário. Temos um problema social, que precisa de atitudes governamentais concretas, permitindo que se exija do Direito Penal apenas aquilo que lhe é possível: retribuir com pena um mal já realizado, agindo pedagogicamente para o futuro. Dos governos e governantes, que se exija o combate à causa das desigualdades: falta de informação, educação e da prestação de serviços que são descritos em leis, mas que não se tornam realidade eficaz no cotidiano.

*Delegado de Polícia

Foto do Leitor: Nascer do sol do Guaíba

27 de junho de 2012 0

Luiz Fabiano de Lima Vaz é o autor da foto acima e deixa uma certeza: o nascer do sol no Guaíba é tão lindo quanto o pôr.

Artigo: Fundo do poço

27 de junho de 2012 11

Pedro Inácio Bassols*

Estes dias estão sendo de surpresas na postura das pessoas. Talvez seja o “fundo do poço”, como ouvi um grande amigo falar que é onde estamos. E isso é bom, pois do fundo a gente não passa. Será? Ver o Lula cumprimentando o Maluf na casa deste, alinhavando aliança com aquele que era sinônimo do mal durante muito tempo, foi, para mim, uma grande decepção.

Pode parecer infantil, mas ainda acredito em bem e mal, apesar de minha idade. Há mocinhos e há bandidos. É preferível perder, é preferível não ser eleito, é preferível não ganhar, a se aliançar com bandidos, é preferível viver com menos do que se sujeitar à corrupção.

Muita gente boa já me falou que o partido que eu acreditava já não é aquele mesmo. Muito mudou, mas eu continuava acreditando que essa era a melhor opção, mesmo com os diversos problemas decorrentes de membros corruptos, de pessoas e políticos inescrupulosos, eu ainda acreditava em uma tênue busca de coerência, de identidade e de bem social, ainda mais com o trabalho da atual presidenta do Brasil. Isso sem esquecer que ela foi uma das que sofreu nas mãos de torturadores da Ditadura Militar patrocinada também pelo Maluf e o partido que ele representa.

Talvez, como defendem os estudiosos, o fim da Guerra Fria tenha determinado uma nova ordem mundial e isso esteja se refletindo na nossa sociedade, ou seja, há multiplicidade de opiniões, há multiplicidade cultural, há multiplicidade política que, no entanto, não se refletem simplesmente em várias alternativas, mas em considerar-se que todas as alternativas são válidas sem se valorizar a coerência e a identidade.

Explico: quando existia apenas dois lados, parece que era mais fácil ser coerente. As pessoas talvez não estejam habituadas a tantas alternativas, é mais ou menos como aquele programa que se chamava “Você decide”, mas que só apresentava duas alternativas. As pessoas achavam que estavam decidindo o futuro das personagens, no entanto, só podiam escolher entre duas possibilidades. Como se na vida da gente as coisas fossem assim tão simples e não houvesse uma infinidade de alternativas.

Não defendo essa ideia, de ter apenas dois pólos muito definidos, mas penso que existem dois pólos muito distantes entre os quais há uma infinidade de pontos e as pessoas não poderiam escolher posicionar-se próximo de um pólo – vamos chamar de sul – mas com pontos próximos ao antagônico – norte. As pessoas deveriam ter uma certa coerência, se estão no pólo sul, estão próximos de ideias do sul; se estão no norte, afinam-se com ideias do norte; se estão na linha do Equador, podem ter ideias um pouco do sul, um pouco do norte, mas distante dos dois pólos.

Acho que não estamos no fundo do poço, pois acredito que a humanidade evolui com idas e vindas, em uma forma de espiral sempre crescente, e, por isso, acredito que encontraremos soluções para nos alinharmos coerentemente junto com aqueles que pensam como nós, e teremos diversos adversários que pensam de outras formas, com os quais estabelecêramos os embates para continuarmos evoluindo, sem nos eximirmos de nossas responsabilidades, respeitando os diferentes e a democracia.

*Economiário

Foto do Leitor: Natureza em meio ao caos

26 de junho de 2012 0

Regis Schwert clicou a imagem de uma bananeira em meio ao trânsito da cidade de São Paulo.


Foto do Leitor: Pôr do sol de tirar o fôlego

26 de junho de 2012 15

Douglas Morais dos Santos é o autor da bela imagem, feita em um fim de tarde à beira do Guaíba, em Porto Alegre.

Artigo: A Língua Portuguesa no concurso do Magistério

26 de junho de 2012 23

Dirnei Rodrigues Bandeira*

O resultado do concurso do magistério deixou perplexas as autoridades da Educação, causando desalento na sociedade, que esperava muito mais dos seus educadores. Não se pode deixar de admitir, conforme dito por muitos candidatos, o alto nível de dificuldade das provas no aspecto geral, pois eram várias disciplinas para serem estudadas e que incluíam muitas obras da literatura pedagógica; todavia, podem-se observar outras questões que às vezes passam despercebidas de todos. Uma delas é facilmente identificável — a dificuldade dos candidatos para resolver as questões de Língua Portuguesa. Depois de uma criteriosa análise da relação de aprovados e reprovados no concurso, vê-se um desastre no que se refere aos acertos das questões de Língua Portuguesa. A primeira surpresa é exatamente dos candidatos formados em Letras; muitos destes são professores de nossos filhos. Assim, vejamos alguns números desta vergonha protagonizada pelos candidatos inscritos na 19ª Coordenadoria Regional de Educação.

Dos 270 candidatos letrados que realizaram as provas, 140 foram aprovados nas questões de Língua Portuguesa, sendo reprovados 130. Um percentual muito baixo se analisarmos que estes obtêm um diploma em curso superior para, precipuamente, dominar a língua materna. Logo, ao analisar os candidatos que aspiravam ao cargo que exigia licenciatura em Pedagogia, constata-se que dos 26 candidatos que realizaram a prova, somente 07 atingiram o mínimo nesta disciplina. É vergonhosa esta situação, considerando que a pedagogia tem como objetivo principal a melhoria no processo de aprendizagem dos indivíduos, e, certamente, a utilização da linguagem culta, formal, é essencial para atingir os objetivos que conduzirão os alunos ao caminho de evolução do aprendizado.

Igualmente, a maioria dos candidatos licenciados em outras áreas (Educação Física, Química, Sociologia, História e outras) não obteve o número mínimo de acertos na disciplina em questão. Dos 514, foram aprovados somente 227. Interessante é o fato de que os licenciados em Matemática, Educação Física e Biologia, contribuíram decisivamente para o baixo índice deste grupo, uma vez que somados atingiram 57% de reprovação. Esta constatação leva-nos a refletir sobre a qualidade das universidades de nossa região.

O bolo maior — para o cargo mais concorrido —, é o que mais espanta pela reprovação nas questões linguísticas. Dos 1037 candidatos com o Curso Normal (Magistério), somente 49 foram aprovados em Língua Portuguesa, ou seja, apenas 4,7%. Neste contexto, ficam claras as deficiências destes candidatos nos aspectos relativos à linguagem; considera-se também que aí estão inseridos muitos pedagogos que concorreram ao mesmo cargo; ou seja, aqueles que têm a missão de, nos anos iniciais, conduzir as nossas crianças no processo de alfabetização, são os que mais desconhecem as questões linguísticas, principalmente de Fonética e Fonologia, sendo que esta constatação já foi feita através de estudos monográficos realizados em 2008 (disponíveis na biblioteca da Urcamp, campus de Santana do Livramento).

Para completar o desastre, têm, ainda, aqueles que concorreram para lecionar em Educação Especial. Dos 32 candidatos, somente 06 conseguiram aprovação. No geral, retirando os ausentes, foram 1879 candidatos, aproximadamente, que realizaram as provas; destes, 429 conseguiram passar na disciplina em tela, um percentual de 22% de aprovação. O fracasso no concurso, principalmente nesta disciplina, nada mais é do que o reflexo de um sistema de ensino equivocado, que não prioriza o ensino da gramática e da produção textual, da alfabetização ao ensino superior. Novas metodologias de ensino criticam a aprendizagem de regras gramaticais com suas exceções e a produção de textos para serem objetos de correção (constante nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa). Na verdade, faz-se necessário uma revisão no ensino como um todo, para que seja garantido, na pratica, o aprendizado da leitura e da escrita.

Enfim, não podemos culpar os professores pelo péssimo desempenho no concurso ou pela realidade da educação brasileira; devemos sim condenar o sistema de ensino, uma vez que não prepara bem os docentes, aceita alfabetizadores com o ensino médio e sem o mínimo conhecimento de sua língua materna, não insere a disciplina de Língua Portuguesa em todos os semestres dos cursos da área de educação e, ainda, critica a gramática normativa, no entanto, ela é exigida em todos os concursos públicos e nos vestibulares das melhores universidades. De tudo, resta-nos aguardar a segunda parte desta novela, pois já foi anunciado um novo concurso. Pergunta-se: Será que é só para angariar mais dinheiro? Terá sido muito exigente para desqualificar os professores, para que não se sintam motivados na busca de melhorias salariais? É jogada política?   

*Licenciado em Letras